Acordei numa cama de hospital

-Eu perdi o almoço?-perguntei tentando animar o clima silencioso

-E o lanche-falou Neil

-Ficamos com fome aqui-começou Jessie-e como não tínhamos mais dinheiro, comemos as nozes dos esquilos de emergência

-Conseguiram mastiga-las?-perguntei rindo

-Meio que sim-falou Alice-estavam estragadas!

Todos fitamos Jessie

-O carro era do meu irmão-falou ela-ele já tinha as nozes, estão lá a seis anos

-Estavam moles-disse Neil mexendo no cabelo de Jessie-e horríveis

-Pelo menos passou um pouco da fome

-E a Jenny?-falei um pouco preocupado, ela não era de ficar bebendo em bares com nomes estranhos, nem com nomes normais, ela nunca tinha bebido na vida

-Tá dormindo desde que chegamos aqui-falou Jessie saindo da frente e apontando pra Jenny deitada em um dos sofás no canto da sala-oque foi muito tempo!

Ela andou até o frigobar, e encheu um copo com água, e foi até Jenny

-Está na hora de acordar!-e quando ela disse isso, virou o copo, e a água caiu bem no rosto de Jenny

-Donuts!-disse Jenny saltando do sofá-água

-Não-ironizou Alice-suco, pera aí, suco não é transparente

-O suco que a minha vó faz é-disse Neil abrindo um sorriso torto

-Você e a sua avó são estranhos-disse Alice

Grace que estava calada o tempo todo falou:

-Porque estava naquele bar com nome estranho Jenny?

-Porque Jay está numa cama de hospital?-perguntou Jenny

Eu bufei

-Por conta de você estar naquele bar!-exclamei- agora responda a Grace

-Havia brigado com minha mãe-disse ela se levantando do sofá-queria passar um dia lá com meu pai, e ela começou a gritar comigo, vocês sabem que o relacionamento deles é difícil, aí fiquei com raiva, então fui andar nas ruas, tentando esfriar a cabeça, aí quando passei pela rua do bar com nome estranho, um homem me arrastou pra dentro, e eles me obrigaram a beber cerveja e cachaça, oque eu não recomendo

-Eu sabia que a filha com os pais divorciados nunca faria isso!-exclamei

-Tá explicado!-falou Grace

-Ela é muito inocente pra ficar se embebedando por aí-disse Alice sentando na ponta da minha cama e começou a alisar a perna boa

E foi aí que notei minha perna e meu braço esquerdo, estavam queimados, vermelhos demais, impossíveis de ver

-Minha perna e meu braço estão queimados mesmo ou são meus olhos cansando de viver?-falei olhando para o outro lado

-Primeira opção-disse Grace

-Ai Deus-falei

-Eu tô cansada ao quadrado-falou Jessie

-Oque acha de um pouco de descanso e um chocolate quente?-disse Neil

-E quem é você-falou Jessie-a minha avó?-respondeu Jessie se sentando no sofá que Jenny estava deitada

Um médico entrou na sala

-Como está se sentindo Jaysen Garcia?

E percebi que alguém havia inventado esse nome pra mim

-Tirando o fato de que minha perna e meu braço estão horrendo-ironizei-estou ótimo!

Ele riu, e tirou umas faixas do seu jaleco

-Vou ter de enfaixar essas queimaduras

-Eu vou ficar com essas queimaduras pra sempre?-perguntei querendo saber realmente

-Infelizmente-falou o médico-sim

-Eu posso ficar com essas faixas pra sempre?-falei

O médico desenrolou as faixas

-Pode-falou ele rindo

Ele começou a enfaixar a perna e depois o braço

-Obrigado-falei-principalmente por enfaixar essas coisas

Ele riu

-De nada-falou ele começando a anotar em uma folha numa prancheta-Jaysen Garcia, já está liberado, seu responsável já pode levar você pra casa

-Obrigado-falei ainda tentando entender aquela história de Jaysen

O médico se virou, fazendo uma última anotação, e saiu do quarto

-Quem é meu responsável?-disse-Jaysen?

-Sou eu-falou Jessie levantando o braço-eu não sabia se Jay era seu nome verdadeiro, aí eu inventei esse

-O.k- falei me levantando da cama-cadê minhas roupas

Neil me jogou minhas roupas, eu peguei, me troquei, e quando vi já estávamos saindo do hospital e entrando no carro

Estava muito apertado no banco de trás, eu, Neil, Alice e Jenny

-Vamos pra minha casa-falei-vou dizer que nós vamos a Nova York

-Oquê?-disse Jenny

Eu expliquei tudo do começo do legado até a aprovação dos outros pais

-Topa?-perguntei a ela

-Sim!-exclamou ela-topo!

Foi uma viagem silenciosa, ninguém falou mais nada depois disso, e logo chegamos a minha casa

-O.k- sussurrei pegando as chaves de casa no meu bolso

Eu abri a porta e Maia estava lá comendo o último pedaço de pizza que tinha sobrado da noite anterior

-Hey baixinha!-gritei-isso é meu!

E imediatamente ela colocou o resto na boca e correu para seu quarto

-Idiota!-gritou ela do andar de cima

Encontrei meus pais na sala

-Eaí pai-falei-quem vai pagar a passagem de avião pra nós?

-E vocês acham que vão de avião?-disse ele

-Tínhamos esperança-falou Neil

-Vocês vão de ônibus-falou meu pai cruzando os braços e abrindo um sorriso-daqui de Minnesota até a grande Nova York

-OQUÊ?-todos gritamos

-HAHA!-gritou minha irmã-manés!