Sobrevivendo Ao Ensino Médio
7 Falo comigo mesmo
Você gostaria de viajar em um ônibus, que uma mulher tem uma galinha que fica encarando você, e o motorista é caipira e tem uma cabra?
Nem eu, mas já havia começado e não poderia pararjá cansei de sentar nesses acentos desconfortáveis
-Quanto tempo já se passou?-perguntou Neil-já cansei de sentar nesses acentos!
-Vinte cinco minutos seu franguinho!-exclamou Jessie
-Não seja tão dura com ele!-falou Grace
-Aquela galinha tá me encarando-falei
Jessie se inclinou para ver a galinha
-Realmente da medo!
-Eu vou fazer ela parar!-falei me levantando, mas Jessie me puxou de volta pro acento
-Calma-falou ela-é uma galinha
-Tem razão-falei pra mim mesmo, suspirando-é só uma galinha idiota
Neil bufou
-Estou com fome!
-Eu trouxe biscoito e salgadinhos-falei mostrando o biscoito de Neil adorava, o que vinha com três sabores
-Eu quero esse biscoito!-exclamou Neil
-Late!-falei brincando
E joguei o pacote de biscoito para Neil, ele pegou e quando vi, já estava no terceiro
-O.k-falou Grace-assim que chegarmos lá, vamos logo nos matricular certo?
-Você só pensa nisso?-exclamei
-Tanto faz né gente?-disse Alice colocando os fones de ouvido-tchau mundo!
-Tchau Alice!-disse Jessie
Estávamos passando por uma estrada, que ao lado só tinha mato, com certeza havíamos saído de Minnesota
As horas se passaram e começou a escurecer já era sete da noite!
-Estou com fome!-falei pegando um cobertores na minha mochila-só temos biscoito
-Trouxe milhares de sanduíches-falou Jessie
E ela jogou um sanduíche enrolado com papel alumínio pra cada um de nós, e ele estava incrível
-Foi você que fez?-perguntei a Jessie mordendo um pedaço, sentindo o gosto da carne de hambúrguer e da salsicha cortada em rodelas
-Eu e ela-respondeu Alice-ficamos fazendo ontem a noite na casa dela, a ideia da salsicha foi minha!
-Ficou incrível!-disse Grace
-Concordo-falou Neil mastigando
Terminamos os sanduíches e depois até a hora de dormir, foi uma viagem silenciosa, só escutava a galinha cacarejando
-Boa noite gente!-falei me virando pro outro lado e me enrolando com o lençol-tô cansadão
Eu fiquei pensando no pesadelo, mas não pensei por muito tempo, e logo adormeci desconfortavelmente
Eu sonhei com eu no hospital, Alice e Jessie estavam em pé do lado da minha cama, era como a sala do hospital que ficara lá em Minnesota, porém era bem maior
Alice ficava alisando o meu cabelo, Jessie se afastou da cama e ficou andando de um lado pro outro a frente da porta, e ela usava o cap vermelho que ficava muito bem na sua cabeça
-Caramba!-reclamou Jessie-essa aula deles demora demais!
-Não é aula!-disse Alice-trabalho voluntário!
Jessie bufou
-Quem liga?-exclamou ela-eles ficam pintando paredes e bancos da praça do colégio
-Eles ganham dinheiro-disse Alice
Jessie sorriu
-Isso compensa!
Alice riu
E de repente, eu acordei no acento do ônibus, que parecia ficar mais desconfortável a cada hora, eu peguei minha mochila do chão, e peguei a garrafa d’água, estava com a garganta totalmente seca, a cabra estava com uma lanterna na boca e o motorista continuava ali cantando:
-Pela estrada fora eu vou com minha cabrinha, para levar uns bocós pra uma cidadezinha
-Cidadezinha?-sussurrei-caramba, esse homem não se toca?
Guardei a garrafa e ouvi uma voz no meu ombro esquerdo
-Eaí cara!-falou uma vozinha bem baixinha
Eu olhei pra lá, e vi, eu mesmo, sim, é o que eu falei, todas as roupas que ele(ou eu) usava era totalmente vermelhas, uma camiseta vermelha, casaco vermelho, calças rasgadas vermelhas e um chapéu vermelho
-Quem é você?-perguntei
-Eu sou seu pensamento- falou ele apontando pra minha cabeça
-Oque você veio fazer aqui?-perguntei
-Eu e ele-falou ele apontando para meu outro ombro que lá estava eu, que nem o outro, só que esse usava roupas todas brancas, as mesmas roupas que o do outro das roupas vermelhas
-Ah é, eu já vi isso em desenhos animados-falei abrindo um sorriso torto-o vermelhinho é o diabinho que obriga o cara a fazer coisa más, e o branquinho é o anjinho que obriga o cara a fazer coisa boa
-Só um pode ganhar!-exclamou o diabinho
O anjinho pigarreou
-Estávamos discutindo sobre seu pesadelo aqui na sua cabeça
-E decidimos vir aqui falar com você-falou o diabinho ajeitando o chapéu
-Falar sobre o pesadelo?-falei pensando no assunto-não, obrigado, boa noite
-NÃO VAI DORMIR!-gritou o diabinho
-Foi mal!-exclamei
-Então-falou o anjinho-eu acho que deve contar a eles, assim vocês não darão mal
-NÃO!-falou o diabinho-deve manter em segredo!
-Acho melhor não-falou o anjinho, e nesse momento apareceu uma harpa na mão dele
-Ele está errado!-disse o diabinho
-Ele é o anjo cara!-falei
-Então?-perguntou o anjinho
-Acho que vou contar pra eles-falei
E do meu lado apareceu um placar de futebol americano
‘’Bem: 0 pontos/Mal:0 pontos’’
E aí o ‘’bem’’ ganhou um ponto, e ficou: bem: 1 ponto/ mal:0 pontos
-Mas daqui alguma semanas!-exclamei
Então o placar mudou de novo pra: bem:1 ponto/mal:1 ponto
-HAHA!-gritou o diabinho
-Não pode demorar muito Jay!-disse o anjinho
Eu abanei os meus ombros e os dois, evaporaram
-Estavam enchendo meu ouvidos!-exclamei
Aí, o anjinho apareceu ali no meu ombro de novo
-Foi mal!-disse ele-esqueci o placar
Ele tocou o placar, e evaporou de novo, dessa vez, levando o placar com ele
Eu voltei a dormir e não tive nenhum pesadelo, nem sonho
Eu acordei e já estava de manhã, Neil estava acordado com um grill de hambúrgueres na mão
-Oque é isso?-perguntei
-Achei isso debaixo de um acento!-falou ele-e tem uma tomada aqui
-NÃO!-gritei, mas era tarde demais, ele já havia ligado o grill
E então, uma pequena chama saiu da tomada
-Deus!-exclamou Neil
Todos acordaram, pois a cabra do motorista veio trotando em direção da chama com um extintor de incêndio e quando chegou mais perto e disparou o extintor, e a chama apagou
-Saiam do meu ônibus!-gritou o motorista
-Eu paguei uma passagem!-exclamou Jessie
-Eu paguei por você!-gritou Grace
-SHHH!-Jessie exclamou
Pegamos nossas mochilas
E depois, a cabra nos jogou do ônibus pela porta que se abriu quando empurrou Neil primeiro
-SAIM!-gritou o motorista
E ficamos ali parados na estrada, e o ônibus disparou!
-Não acredito que aquela cabra era treinada para um incêndio!-exclamei
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