Sobreviva Ao Seu Destino

33 A reunião. –Epílogo.


Notas iniciais
Olá, este é o fim desta temporada. Espero que tenha uma boa leitura e entretenimento.

Enquanto o grupo de banidos eram levados separadamente para o centro da cidade, onde a neblina já não existia, mais pessoas foram surgindo. Elas não pareciam perigosas como os que ficavam próximo da muralha, eram pessoas comuns fazendo seus simples trabalhos diários e acabavam prestando alguma atenção no grupo de novatos quando eles passavam.

Finalmente alguns dos sobreviventes começavam a pensar que talvez tivesse encontrados um lar para viverem, e até imaginavam como seria ter uma vida normal ali, viver por si e se sustentar sem obrigação e sem menosprezo.

As garotas chegaram primeiro ao local da reunião. Maria as deixou na frente de um prédio antigo, retangular e alto, que possuía colunas gregas na faixada bem ao lado da enorme porta dupla. Era um prédio especial, pois a avenida, que ia direto para ele e por aonde elas vieram, se dividia para passar dos lados do edifício, lhe dando destaque. Aquela área não possuíam muitas árvores nas ruas e era o lugar mais semelhante com o que já foi no passado, limpo e recuperado.

Em alguns minutos os garotos se juntaram á Piper, Pietra, Rose, Judie e Cheryl diante das misteriosas portas. Judie se uniu a Sean dando-lhe abraço. Ela tinha deixado o gorro para trás depois do banho, fazendo o rapaz estranha-la por um segundo. Joy sorriu ao ver Cheryl limpa, e depois dos outros, pois era uma visão nova de todos de pele e cabelos limpos, onde ele finalmente via as expressões de cada um melhor.

— O que tem aí dentro? — Henry perguntou á Rose, tentando ver algo através da porta entre aberta, de onde vinha um som de conversa ecoante.

— Algumas pessoas — a morena o respondeu, mantendo os braços cruzados sobre o corpo e notando que alguns grupos de pessoas se juntavam ao redor deles, os observando.

— Maria disse para esperamos aqui — Piper informou Sean. — Virá nos buscar quando estiverem prontos. E pouco antes de chegarmos, Stan e Clarke estavam aqui e entraram. Deve ser uma reunião realmente importante. Esse lugar parece importante.

— Piper está tensa — Judie constatou para Sean, que observou a ruiva encarar a pequena estreitando os olhos pela denúncia.

Joy olhou os outros e estranho algo:

— Onde estão as coisas de vocês?

— Ah! É mesmo! — Piper tocou seu ombro, então olhou para as outras garotas, e até Sean percebeu que não estava com sua mochila. — Nós deixamos no quarto. E se precisarmos delas? E se não voltarmos pra lá?

— Maria nos distraiu para deixamos tudo no quarto — Pietra falou séria e reflexiva. — Lembra? Chegou nos apressando e nos empurrando para saída. Pode ter sido de propósito.

Então a mulher saiu do prédio e chamou o grupo para entrarem.

O interior era um salão de grandes proporções com muitas pessoas nos cantos assistindo o que acontecia. Uma cúpula de vidro colorido, com partes quebradas, estava vários andares acima sobre eles. Nas laterais até o alto havia corredores e prateleiras cheias de livros de diferentes estados de conservação. A cor cinza clara predominava em todos os lados e o piso era de um velho mármore bege com veias avermelhadas. A luz natural caia sobre uma elevação no centro do espaço, onde uma grande cadeira detalhada de madeira maciça e escura estava posta, ladeada por dois sofás macios. Na cadeira estava uma mulher de cabelos loiros encaracolados e olhos castanhos anormalmente neutros. Ela era alta, magra, vestia-se com uma saia longa branca e cinza, um colete justo de couro que delineava seu busto e tinha um cachecol envolto do pescoço. Aparentemente sua idade estava nós quarenta anos e estava saudável para viver bem mais. Ao lado dela, no sofá á direita, havia um homem confortavelmente sentado, vestido de roupas castanhas e com uma rara arma de fogo no cinto. Ele parecia ter cinco anos a menos que a mulher. Os cabelos dele eram dourados com ondas e puxado para trás, seus olhos tinham a cor de mel e a sua expressão, com um sorriso fino ao observa-los, demonstrava sua áurea audaciosa.

O grupo foi levado até diante dos dois e foram analisados em silencio até que a mulher virou o rosto para o homem, que havia se movido para sentar-se mais seriamente ao olhá-los. Ele puxou um papel amassado, que estava sentado em cima, e começou fazer uma breve chamada dos novatos onde cada um dos sobreviventes deu um passo a frente ao som de seu nome.

— Parece que temos uma boa quantidade de garotas dessa vez, não acha Alison? — o homem olhou para a mulher com um sorriso torto.

— Pude notar isso claramente, Rashid — ela falou séria. — Continue com isso.

— Certo — ele largou o papel e ficou de pé. — Sobreviventes sejam bem vindos a nossa cidade fantasma! — ele proclamou com simpatia e voz alta. — Mas a primeira coisa que vocês têm que saber: é que ainda não estão totalmente acolhidos — e os jovens se entreolharam e estranharam, o que fez Rashid achar alguma graça, sorrindo. — No momento status de vocês é... Inexistente. Então, para o povo, vocês são nossos. E em primeira estancia vamos selecionar aqueles que têm capacidades físicas aceitáveis para viver aqui. Porque, sabem, às vezes, os verdadeiramente fortes protegem alguns fracos que acabam sobrando na cidade sem utilidade, e não queremos isso a essa altura de existência... Ah, e as coisas que trouxeram serão da cidade, mas, claro, depois dos nossos queridos exploradores — ele apontou Stan e Clarke na lateral direita assistindo seu discurso — as colocarem no mercado. E isso é outra coisa que vão acabar a sabendo: aqui até existe umas moedas, mas usamos mais os que temos de útil para trocar por coisas que queremos, os preços são combinados entre cada um, e um bom status pode te ajudar a ter um bom preço na...

— Rashid! — Alison chamou a atenção dele mostrando seu olhar entediado. Ele entendeu o aborrecimento.

— Continuando: temos alguns desafios para vocês antes de se integrarem a nossa sociedade. Se passarem no primeiro irão provar que tem coisas a oferece e terão o primeiro nível de status: o de cidadão, por onde todos começam. E se perderem serão conhecidos como servos ou mortos. — Os oito sobreviventes soltaram murmúrios sobre essa parte, mas Rashid não lhes deu a palavra e sobrepôs sua voz as falas deles: — O que importa é que, com o status de cidadão, poderão subir na sociedade ao buscar alguns treinamentos que lhes darão títulos de diferentes categorias, ou desafiar alguém de posição superior a sua para vencê-lo. E não se preoculpem, depois de alguns meses podem tentar deixar de serem servos em outro desafio – essa parte — o homem sussurrou para eles — Alison achou que seria justo que deixássemos os servos terem a esperança de poderem lutar para mudar de posição.

— Mentira. Foi você que escolheu essa parte, Rashid. Não me faça parecer misericordiosa em frente a eles. — Alison falou e depois encarou o grupo sem expressão. — A criança — ela chamou e judie se sobressaltou com seus olhos encontraram com os da mulher — ela será levada para a minha casa, se unirá aos outros protegidos.

— Não! — Sean se opôs. — Não pode simplesmente separá-la de nós.

Stan, assistindo a tudo, balançou a cabeça negativamente pela atitude do rapaz, mas ficou em seu lugar.

— Ei! Jamais interrompa minha irmã, rapaz! — o tom de Rashid mudou para um sério e ameaçador. Alison fez um gesto e o homem recuou um pouco.

— Acho que ‘protegidos’ significa alguma coisa muito diferente para você — ela respondeu com leve sarcasmo. — Mas vou ignora-lo, pois acho que prefere que a menina fique comigo e cresça bem, ao invés de lutar em alguma arena contra adultos para conseguir alguma coisa.

— Arena? Como assim Arena? — Piper deu um passo à frente e olhou para os irmãos franzindo as sobrancelhas.

Alison olhou para o irmão, e ele entendeu a ordem.

— Sim, a arena é o primeiro desafio — Rashid explicou. — Lutarão com alguns que querem mudar o atual status baixo e, talvez, contra alguém de bom status que queira alguma diversão e pontuar o título de duelo.

— Quer dizer que depois de sobreviver a tudo aquilo que está lá fora, vamos ter que sobreviver as lutas de vocês? — Pietra perguntou para se certificar.

O homem sorriu e assentiu.

— Mas veja, é apenas um desafio. Se saírem vencedores a vida nessa cidade começa e passarão a lutar para ter as coisas de vocês. Verão como a vida acaba sendo divertida nesse lugar isolado, e apreciarão os duelos que assistirão.

— Maria leve a criança — subitamente Alison interrompeu-o, dando ordens finais. — E vocês — ela apontou para um conjunto de homens que ficavam próximos do altar e estavam munidos de armas, os guardas —, leve-os para o alojamento. A primeira luta acontece hoje à noite.

Algumas pessoas que assistiam comemoraram o marco da luta e os murmúrios que começaram no salão se tornaram uma conversa alta sobre apostas e impressões dos novatos que iam duelar.

A mulher ficou de pé e ia descer de seu posto quando ouviu alguém chamá-la. Alison se virou para Stan, parado a frente do grupo de sobrevivente e diante do altar.

— Deve considerar as habilidades deles antes de deixa-los lutar — ele disse, enquanto o grupo era cercado pelos guardas. — A segunda estancia permite passá-los da arena se a habilidade deles forem claramente uteis para cidade.

— Ora, ora, Porcher perdido — Rashid se intrometeu falando o apelido com leve deboche e descendo até o rapaz —, isso já foi pensado. Eu e minha irmã vamos refletir as habilidades deles enquanto assistimos as lutas. E é mais importante o que o povo precisa. Faz um tempo que eles não veem alguma novidade nos duelos, vai ser interessante.

Rashid encarou os olhos de Stan por um tempo, e sem ter uma retorica a sua fala, se virou para acompanhar a irmã, e eles sumiram no meio das pessoas em direção á uma passagem na lateral do salão. Stan olhou uma última vez o grupo, que resistia um pouco aos empurrões dos guardas.

— Nós não podemos lutar, mal chegamos. — Cheryl expôs para os guardas e Stan, percebendo o estado que eles estavam depois de sobreviverem.

Mas Stan não a respondeu, pois sustentava o olhar de Joy, que ainda não entendia a citação do sobrenome do pai por Rashid — mas em breve aquilo lhe faria algum sentido.

Agora eles teriam que sobreviver as regras daquela nova sociedade estranha.

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No caminho até os primeiros prédios Aurora e Yuki não encontraram nada demais. O brilho do sol os ajudou a seguir a direção certa e uma estrada asfaltada os levou até os prédios altos. Os dois nunca tinham visto uma construção daquelas, mas não hesitaram muito em escolher uma para entrar e explorar antes que o sol sumisse.

O edifício estava vazio por dentro. Algumas paredes estavam perfuradas onde um dia tiveram interruptores e tomadas. A escada larga do enorme hall possuía um corrimão dourado que estava escondido pela poeira acumulada, e fazia uma curva, como um caracol, em direção ao primeiro andar.

No primeiro andar, Yuki e Aurora encontraram uma passagem aberta com um fosso que sumia nos andares abaixo e nos acima. Yuki perguntou o que seria aquilo, mas Aurora também não soube responder. O elevador não era algo comum na colônia, e aquele, que içava as pessoas por vários andares, não dava dica do que foi um dia. Eles caminharam pelos corredores até encontrarem uma passagem que abrigava a continuação das escadas. Subiram cada patamar até resolverem entrar em um andar e saíram em corredor de carpete avermelhado e desbotado no piso. Havia apenas os batentes das portas em toda a extensão dos dois lados do corredor (portas que haviam sido levadas em algum momento da história do lugar, assim como os cabos de energia e o que mais pudesse ser reutilizados).

A noite já os deixava quase cegos para andar mais pelos corredores, então os dois escolheram um dos quartos do velho hotel para ficarem. O quarto tinha uma pilha de tapetes retangulares de estampa feias que serviriam para dar um conforto para eles deitarem. Uma grande janela de vidro exibia a vista do sétimo andar: o nevoeiro havia se abaixado com o frio da noite e a linha branca esfumaçada pairava sob um céu azul escuro cheio de estrelas, onde a lua era onipresente. O casal de sobreviventes encarou a paisagem por um tempo em silêncio. Os pensamentos de Aurora refletiam no fato de que aqueles que estavam na colônia não conheceriam aquilo que existia fora das muralhas; nem saberiam que um lugar como aquele existia ou que alguém um dia chegou nele vivo.

Com o passar das horas a temperatura caiu. Aurora as poucos conseguiu fazer o rapaz loiro contar algo sobre ele, para passar o tempo e para saber melhor com quem estava andando; até que ele começou a surpreendê-la replicando perguntas sobre a família dela e como era se sentir apegada ao irmão ao ponto de trocar sua vida pela dele. A conversa fluiu, os aproximando e fazendo de Yuki uma pessoa mais normal ao sorrir com ela de alguma história do passado. Realmente, eles caminhavam para uma amizade em poucas horas, e não havia outra forma se iam sobreviver juntos e sozinhos.

Ao fim da madrugada, antes do sol nascer e enquanto os dois ainda dormiam, um movimento começou nas escadas e então estava no corredor onde eles estavam. Yuki despertou mais fácil e pode ouvir os passos abafados pelo carpete. Aurora sentiu o movimento dele, já que estavam sob a capa impermeável dela para se aquecerem. O loiro pegou a espada dando um olhar significativo para a moça do perigo. Eles se moveram devagar, tentando não fazer sons, e se encostaram à parede ao lado da porta, fora da vista de quem passasse pelo corredor.

Em alguns minutos um vulto invadiu o espaço displicentemente e Yuki moveu rapidamente sua espada, buscando corta-lo. A pessoa se abaixou a tempo, percebendo algum sinal antecipadamente, e antes que o loiro desse outro golpe o estranho de preto puxou um bastão do meio da roupa, a ponta do objeto cintilou com uma luz azulada e estalou seguidas vezes antes de atingir a coxa de Yuki. A eletricidade percorreu seu corpo, o fazendo segurar soltar a espada com a dor. Logo outras duas pessoas entraram no cômodo, todos vestidos roupas escuras. Um deles pegou a espada do chão e encarou Aurora ao lado do rapaz agachado. O outro parou na porta, ao lado daquele que tinha o bastão elétrico em mãos, e constatou com espanto:

— Encontramos alguém! E foi rápido.

— Vamos levá-los — o que tinha o bastão falou para Aurora e Yuki. — Não pretendemos fazer mal, mas se for necessário já estão sabendo o que podemos fazer — e ele fez a ponta do bastão estalar novamente.

— Achei que íamos mais longe que isso, hunf! Estava pronto pra chegar até a floresta. — O que estava com a espada de Yuki comentou indignado. — Agora a Alison vai levar meses para dar-nos outra missão... Aquela cidade é um tédio.

— Há, isso é estranho vindo de alguém que sempre está disposto a entreter os outros — e o da porta soltou um riso.

— Ainda tenho que vencer os tenentes deles. E um dia só vai faltar lidar com aquela mulher.

— Você não devia falar essas coisas. Ela te mataria se soubesse que pretende conseguir status ao custo dela.

— Eu falo o quero — o outro expôs, convencido. — Ela não está aqui e vocês não vão contar pra ela meus planos.

— Parem de ficar conversando e vamos logo. — o homem com o bastão pegou a espada com o outro e guardou sua arma elétrica, indicando que seus colegas puxassem Aurora e Yuki para segui-los.

⇝⫷Fim da 1º Temporada⫸⇜

Notas finais
A 2º temporada terá novas vagas, novo enredo e mais ação para sobreviverem, além de esclarecimentos mais definitivos da história de personagens criados por mim. Aviso que alguns dos personagens sobreviventes desta poderão não aparecer ou apenas o seu fatal destino poderá ser citado em algum momento na próxima. Confira a continuação. Sinopse de Sobreviva ao seu destino na cidade Fantasma: Após serem expulsos de uma colônia e sobreviveram às armadilhas da natureza selvagem desse mundo distópico, um grupo de jovens chega à Cidade Fantasma. Um lugar que eles jamais pensaram que existisse. Agora uma nova jornada de sobrevivência se inicia e perceberão que a selvageria não estava apenas na floresta, nem no que eles viviam na antiga colônia. Está pronto para sobreviver à sociedade da Cidade Fantasma? Lutar por sua vida em busca de uma vida mais digna? Respire fundo, e espere. O próximo capitulo será o prologo da nova saga e deixo o link na nota. Nele verão um pouco do que será e só então marcarei esta como terminada. Espero companhias! Um grande tchau aos meus amados leitores! Um breve aceno companheiro pra ti, que acompanhou ou leu e eu nunca soube. Um até logo e um abraço aos que me dedicaram palavras nos comentários. Um obrigado aos que cederam algum tempo e criatividade para criar os personagens aceitos. Uma lembrança para os que sumiram e não sei se chegarão a ver esse fim. E um olá para os novos leitores que conseguirem fisgar uma vaga da próxima temporada. Até qualquer momento!