Sobreviva
8 Terraço
Notas iniciais
Congelei, meu amigo esta com a mão entre os dentes de um corpo morto mas que permanece andando e se alimentando da carne de seres-vivos, então, como eu faço para me mexer ? Entrei em choque, só consigo mexer meu pescoço, além disso eu só consigo ver e escutar meu amigo sofrendo, mas tem outro não tem ? outro zumbi, vindo na minha direção.
Olho para ele, chegando, esse filho da puta vai acabar com minha vida, serei mordido e infectado, e minha única saída será a morte.
Mas finalmente consigo dar um passo para trás, finalmente voltei a me mexer, dou mais alguns passos para trás e me afasto o que posso do zumbi que não esta estraçalhando a mão de Léo, coloco a mão no meu cinto e sinto o cutelo que achei na cozinha da escola, a puxo e me aproximo de meu amigo.
– Foi mal cara — falo erguendo o cutelo — É necessário...
– Espera, o quê ?! — respondeu assustado — Não faz iss...
Desci um ataque forte à mais ou menos um palmo de distancia de seu pulso, para garantir que o vírus não permaneça em seu corpo, mas um só ataque não foi suficiente.
– FILHO DA PUTA ! — berrou — QUE MERDA ESTÁ FAZENDO ?
Desço outro golpe forte, seguido de outro mais fraco, mas que conseguiu cortar a parte de seu braço em que estava mirando.
– Agora volta lá e pegue algo para estocar o sangramento ! — falei — AGORA !
O zumbi permanece mordendo a mão de Léo, que agora ele esta segurando, essa é minha chance de acabar, ergo o meu cutelo lhe direciono um golpe com toda a minha força em sua cabeça, o matando rapidamente.
Me viro para pegar o outro, mas do nada, ele pula em cima de mim, ele esta segurando meu braço, mas não estou conseguindo soltar, o viado então morde com toda a força o meu braço direito, eu contenho o grito, não vou fraquejar.
Direciono um soco na cabeça do zumbi com meu braço esquerdo, mas eu não tenho força alguma nele, então eu dou outro e finalmente consigo afastar esse zumbi do meu braço.
– Vai se fuder seu merda ! — falo irritado e segurando com força meu cutelo
Ergo minha arma o mais alto possível e direcionei o ataque bem no centro de sua nuca atravessando seu cérebro.
– Merda, ele mordeu muito alto no meu braço para conseguir cortar com meu braço direito — lamento — Mas mesmo se fosse mais baixo eu não teria coragem mesmo...
Escondo a mordida com a manga do meu casaco e vou até a sala ver como está todo mundo.
–Marcel ! Você esta bem ? — perguntou Tainá
– Sim – minto
– Tem certeza cara ? – perguntou Bruno
– Tenho
– Você foi atacado por...
– Cala a boca bruno, estou bem
– Só falando, estou preocupado, só
– Tudo bem cara, obrigado, mas estou bem
Sento no sofá junto à Bruno e Tainá, eles começam a se abraçar, isso me incomoda, mas no momento nada mais que isso, a dor consegue me distrair, a mordida esta ardendo mais que tudo, involuntariamente faço cara de dor, acho que todos percebem.
– Tem certeza de que está bem Marcel ? perguntou Tainá deitada no peito de Bruno
– Sim, eu tenho, quantas vezes tenho que repetir ? – respondi impaciente
Me levanto, não vou ficar segurando vela nem ficar sendo interrogado, ainda por cima ver a única garota que já amei de verdade agarrada com um grande amigo só deve piorar a minha situação, vou falar com Pedro.
– Tem como eu subir no terraço ? – pergunto
– Terraço ? – pergunta intrigado – Como assim ?
– Terraço, o último andar, o “ telhado “
– Sim, eu entendi porra, só não entendi o que você quer fazer lá
– Só quero ver como estão as coisas lá fora, e além do mais, ainda tem carros passando pela rua principal, além de achar bonito, posso ver quando Eduardo chegar, algum problema ?
– Na verdade sim, não somos autorizados a subir lá, é contra as regras, posso ser punido
– Cara, o mundo acabou, esse prédio se esvaziou rapidamente, você só não saiu porque estava dormindo, ainda acha que vai vir algum segurança ou alguém com algum poder aqui te dar um esporro ? Foda-se as regras desse lugar, está vazio mesmo
– Tudo bem, te levo até lá, mas nem pense que vou ficar com você, não gosto de ficar lá em cima
– Obrigado
Andamos até as escadas em total silêncio, e então subimos até o último andar, o último com quartos.
– Essa é a última escada que precisamos subir pra chegar lá
– É eu sei, vi a placa com o andar bem na frente da escada
– Como sabe quantos andares tem aqui sem nunca ter vindo aqui antes ?
– Helena me contou
– Por quê ?
– Eu perguntei
– Ah sim
Subimos a escada, uma porta cinza nos separa das escadas e térreo, tento abri-la, esta trancada, isso não me surpreende.
– Vou ter que atirar na tranca – falo puxando minha pistola
– Não ! Vai fazer muito barulho !
– Eu sie, mas não tem zumbis aqui dentro, e se tiver, eles estão presos nos seus antigos apartamentos, até onde eu sei zumbis não abrem portas
Pedro fica quieto.
Puxo o gatilho duas vezes, só pra garantir que vai abrir, o coice da arma machucou um pouco minha mão.
– Ok, já fiz minha parte, vou descer, não demora muito aí
– Não garanto nada, você escutou o que eu falei lá embaixo ?
– OK, ok, até mais
– Até
Me dirijo até a borda do terraço e me sento lá, se eu cair tudo bem, coloco minha arma do lado da minha perna direita, realmente é uma bela vista.
– Nunca pensei que ia ser o primeiro a morrer, ou pelo menos chegar perto disso – falo para mim mesmo
Queria ter tido a chance de fazer algo grande, algo que não iria me deixar ser apagado da história depois de algumas semanas, queria ser lembrado, sinto uma lágrima descendo pelo meu rosto.
Vou sentir falta dos meus parentes, dos meus amigos, de tudo
Helena sempre me apoiou nos momentos mais difíceis, eu e Bernardo sempre conversávamos sobre qualquer assunto que nós dois gostávamos, Léo mesmo discordando de algumas sempre entrava nas conversas, e sempre me apoiou na coisas que eu tentava fazer, Lucas sempre me traz à realidade, com certeza é o mais normal do grupo, João, sempre jogamos juntos, mesmo com os rages eu me divertia, Bruno e eu sempre conversamos sobre hqs ou programas em comum, sempre é legal falar com ele, Pedro sempre me lembra dos momentos de infância, e ainda conversamos sobre qualquer coisa, sempre é bom, e Tainá... ela foi a única garota que eu realmente amei de verdade, queria ter dito isso pra ela, mas agora é tarde demais.
Me viro colocando a minha perna direita pro terraço, minha perna esquerda continua pendurada, a pistola esta bem na minha frente.
– Vou sentir falta de vocês – falo pegando a arma
Coloco a arma do lado direito da minha cabeça, dou um sorriso, e última lágrima escorre pelo meu rosto, aperto a gatilho.
Abro os olhos, estou no sofá, Helena está me encarando.
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