Notas iniciais
Doge

– Me obrigue ! Não vim aqui para receber ordens ! — gritou

– Pare de falar tão alto ! Quer nos fuder ?! — falei

– Por que ? Qual o problema em gritar nesta rua ? Ela está vazia, só tem um carro com placa de " vende-se" — perguntou Bernardo

– Porque o barulho atrai os zumbis porra ! — respondi

Bernardo e João ficam em silêncio por um tempo, se encarando, um idiota não perceberia que estão forçando pra não rir da minha cara, eles fraquejam.

– É sério ! Não estou brincando !

– Continua com essa porra ? — falou Bernardo ainda rindo

Minha paciência está no seu fim, se eu não fizer algo eles vão continuar rindo da minha cara e fazendo barulho.

Pego minha picareta e ando calmamente na direção deles, abro um sorriso

– Se não vão parar com essa merda por bem, eu paro por mal

– Calma ! Só estamos brincando ! — falou João

– É, estamos — falou Bernardo rindo

– Que saco, Tainá, pode resolver isso ? — perguntei

– Por que eu ? — perguntou

– Porque eles te escutam — respondi

– Escutam ?

– Veja por você mesma

Olho para minha mochila, com essa quantidade de comida nunca vamos sobreviver.

– OK... Vou lá dentro ver se acho algo que seja útil para pegar, alguém pode ir comigo ?

Olho para um, olho para outro, ninguém é maluco o suficiente para entrar lá, as chances de ter algum zumbi lá são grandes

– Tudo bem, seria muita sacanagem deixar você entrar nesse lugar sozinho, se tiver zumbis lá você estaria fodido — falou Lucas

– Por que teria zumbis lá dentro ? É domingo — falou Helena olhando para mim

– Precisam arrumar as coisas antes do final de semana acabar, ou você realmente acha que deixariam tudo bagunçado ?

Helena faz a cara que sempre faz quando perde um discussão

– Verdade

– E se tiver zumbis lá dentro ? — perguntou Lucas — O que nós vamos fazer ?

– Nem ideia — falei — Só sei que precisamos entrar lá e pegar comida e bebida para que ninguém morra de fome ou sede

– Se tiver, pelo menos deve ser legal matar algum — comentou

– Não vejo nada legal em acertar um saco de carne ambulante que quer te devorar, e ainda é preciso ter alguma habilidade, ou muita sorte — respondi — E a cidade nem foi infestada ainda, não vamos ver zumbis assim tão rápido, aquilo foi azar

– Como não ? A rua está deserta !

– Estamos na rua da escola em um domingo, só quem é obrigado a vir que realmente viria pra cá — respondi

– HOHOHO — falou João ainda rindo

Olho para João, ainda posso atacar ele, eu ainda posso.

– Marcel, passa essa picareta para cá, já estou vendo você fazendo merda com ela

Ela tem razão, odeio ter que fazer isso, mas também não quero acabar matando alguém

Todos ficam quietos, não temos mais nada para dizer, vamos entrar nessa merda e rezar para sairmos inteiros, ninguém teria algo para adicionar nessa merda.

– Bem, boa sorte para vocês, espero que saiam vivos dessa... — falou Tainá

– Valeu

Sinalizo com a cabeça para Lucas, é nossa hora de ir, agora é rezar para que nenhum de nós perca a vida lá dentro, empurro a porta da frente, esta destrancada, meu coração acelera

– Ótimo, tem gente aqui dentro — falo em um tom triste e sem esperanças

– Não podemos fazer nada não é ?

– Infelizmente não

Olho a recepção, está tudo normal aqui dentro, pensando na possibilidade de que nunca veria esse lugar novamente, eu até que gostava daqui, mas o principal sempre foi os meus amigos, então eu vou me acostumar com a vida sem esse lugar.

Pelo menos o lugar está inteiro, da pra imaginar que o lugar esta livre dos zumbis.

– E se eu for mordido ? — Lucas pergunta

A lanchonete não fica longe, mas cada passo parece demorar horas para ser dado, além do medo de um zumbi pular em cima de nós dois eu odeio esse lugar mais que tudo, a única coisa boa que consigo pensar sobre esse lugar são meus amigos.

Toda manhã acordar cedo pra caralho e ficar andando como um zumbi até beber quinhentas xicaras de café para finalmente acordar, pelo menos existe um ponto positivo em o mundo estar sendo dominado por carne ambulante.

Chegamos

– Isso ! Achamos mais comida ! Não vamos morrer de fome ! — falei

– Vou levar um pouco para casa e ficar mais tempo lá — falou Lucas

– Como assim ? Não vai conosco ?

– Cara, eu tenho família ! – respondeu

– Eu também ! E eles estão fora da cidade, não posso fazer nada sobre isso !

Fiquei em silêncio por algum tempo, pensando no assunto, acho que essa foi a coisa mais egoísta que eu já falei na minha vida, e também o pior argumento

– Mas eles pelo menos estão na cidade ? – falo tentando consertar a provável merda que fiz depois daquela frase

– Não sei, por que ?

– Porque em algumas horas a cidade vai ficar em completo caos ! Ninguém vai conseguir entrar nem sair de onde eles estão por algum tempo — respondi

Silêncio, provavelmente pensando o que ia acontecer a seus pais, também penso nisso, mas agora não é o momento, quanto mais sangue frio você for melhor você vai estar.

Olho para a lanchonete, ela está guardada com o tipo de grade que faz uns quadradinhos que chamam bastante a atenção, sempre gostei desse tipo de grade

– Merda, vou precisar da minha picareta, vou lá fora busca-lá – falei

– Vou com você, não vou ficar sozinho aqui

– Lucas, fique aqui, se você procurar algo e achar pode nos ajudar bastante, porque sinceramente quando pegarmos a comida vamos dar o fora daqui o mais rápido possível

Ele suspira

– Tudo bem, mas se alguma merda acontecer, saiba que a culpa será sua

– Não vou demorar, relaxa

– Espero que sim

Volto para lá com pressa, Lucas está sentado no chão

– Fiz como pediu

– E achou algo ?

– Achei uma porta, mas ela está trancada — respondeu

– Depois vamos lá ver, primeiro a grade

– Ok

Me afasto, precisamos de um impacto considerável para destruir essa grade.

Acerto, quase não causa estrago

– Merda, não fez nenhum estrago praticamente — falei desapontado

– Aquela porta está do lado da lanchonete, pode ser a entrada — falou Lucas– Por que não falou isso antes ? Vamos lá ! — falei

A porta é feita de metal, não da pra arrombar uma porra dessas, só dá pra entrar se ela estiver destrancada, não é o nosso caso

– Cara, como vamos entrar ? — falei

– Use a picareta, ao invés de acertar a porta no meio, acerta na tranca, se fazer isso com força vai quebrar ela e vamos conseguir entrar

Não é uma ideia ruim, pra falar é muito boa, levanto a picareta como se fosse um taco de beisebol, esperava mais dificuldade em abrir uma porta de metal

– Bem, vamos lá – falo puxando a maçaneta

Olho para dentro, comida não é a única coisa que tem aqui, 3 zumbis ansiosos pela nossa chegada se viram para porta.

Notas finais
Doge