Sobrevivência do mais forte.
9 Capítulo 9 - Semideuses também se divertem.
Notas iniciais
Acordei com a claridade tomando conta do chalé escuro, eu havia acordado bem, tive bons sonhos, então esperei meus olhos se acostumarem com a claridade e vasculhei o chalé. Du ainda roncava, porém agora mais baixo, Nick já havia levantado e não estava no chalé, joguei minhas pernas para a lateral da cama e me esforcei para levantar, foi aí que senti as dores nos músculos e me deitei novamente.
–Pelos deuses, eu realmente estou enferrujado. – Grunhi e fiz força para levantar, finalmente de pé segui para o banheiro e tomei uma boa ducha fria para relaxar. Hoje era dia da festa de Dionísio, então eu deveria estar pronto para ver: Porres, gritaria, lágrimas, diversos amassos, muito vinho e muitas risadas. As festas dos filhos de Dionísio eram realmente muito divertidas, menos quando por um acaso você não entende que está enrolada com alguma conselheira de Afrodite e fica com alguma uma outra garota, então a suposta ‘’ traída’’ tenta lhe matar com um machado gigantesco de bronze celestial. Essa havia sido uma festa que eu me arrependerá de entrar de penetra. A festa iria começar por volta das 19hrs e acabar só no dia seguinte, seria cansativo e eu precisava comer bastante, não queria me arriscar a tomar um porre, até porque o problema maior não seria ficar vomitando ou desmaiar, seria Du me irritando e jogando na cara nas semanas seguintes. Saí do banho e estava mais aliviado, Du já estava sentado usando um samba-canção branco com caveirinhas pretas ao redor, ele se virou e disse.
–Pelos deuses, você se masturba no banho? Não entendo como pode demorar tanto assim. – Me virei e taquei a toalha na cara dele.
–Claro, pensando em você roncando, de samba-canção branco e babando no seu travesseiro do Lanterna-Verde, não tem como segurar a emoção. – Sorri e ele jogou a toalha de volta, peguei e a deixei em cima da cama, minha mãe odiava quando eu fazia isso. –Vai se trocar pra irmos comer? Já são 13hrs, vamos acabar perdendo o almoço. – Ele se levantou rapidamente, colocou uma regata preta dando destaque aos músculos e colocou um shorts jeans azul, colocou um tênis preto cano baixo (que eu odiava e achava ridículo nele), virou-se para mim e falou.
–Vamos? Não vou tomar banho nem fodendo para ir comer. – Abaixei a cabeça e coloquei uma de minhas milhares de calças pretas, essa tinha o símbolo da ‘’ DC’’ destacado em branco no bolso de trás, não penteei o cabelo, ele estava grande já e seria um desafio arrumar agora. Coloquei uma camisa preta do Ramones e coloquei os tênis da all-star preto, fiz um sinal com a cabeça e fomos em direção ao refeitório, fomos conversando sobre o caça e a garota de Afrodite, alguns minutos depois chegamos ao refeitório. Havia sido reformado e organizado para caber mais mesas por conta da grande quantia de semideuses, as mesas estavam lotadas e a nossa que ficava em um canto escuro estava vazia, fiquei me perguntando onde estava meu irmão mas levei em conta que o mesmo devia estar treinando para o caça mais tarde. Nos sentamos e observei o refeitório, todos riam e se divertiam, encontrei o olhar de Stephan que logo olhou para o outro lado evitando o contato visual, olhei para a mesa de Afrodite em busca de Catherine, ela estava lá, vestindo a camisa do acampamento e os cabelos soltos descendo pelas costas, sorria e brincava com suas companheiras de chalé, Percy, Annabeth e o oráculo Rachel Elizabeth Dare, sentavam ao lado de Quíron por ‘’ cortesia’’, alguns segundo depois de sentarmos e Du discutir sobre o quanto eu demorava no banho, Quíron se levanto erguendo um copo e gritou.
–Aos deuses! – Nesse mesmo instante, ninfas do bosque avançaram com bandejas cheias de comida: uvas, maçãs, pães, queijo, churrasco, entre outras coisas. Erámos uma das últimas mesas a serem servidas e então a bela ninfa deixou um frango enorme a minha frente, uvas ao redor, um porco frito e um panelão de arroz do lado de Du, coloquei um pedaço do frango e algumas uvas dentro do prato e me levantei, Du resmungou algo como ‘’ Maldita tradição de desperdiçar comida.’’, tínhamos o costume de pegar um pouco de comida e jogar a fogueira que ficava no centro do pavilhão para os deuses, Quíron dizia que eles gostavam do cheiro. Enquanto os semideuses jogava a comida e faziam suas preces silenciosas aos deuses, eu sussurrei ‘’ Continue cuidando bem da mamãe por mim, papai.’’, e despejei o prato no fogo, o cheiro da fumaça era igual ao perfume de minha mãe, fiz um leve gesto com a cabeça e retornei ao meu assento. Eu e Du devoramos com voracidade a comida, me virei para o copo mágico e pedi.
–Coke. – No mesmo instante o copo foi se enchendo de Coca-cola, o motivo do copo só entender inglês eu não sabia. Quando erámos menor, tínhamos o costume de brincar com as cores dos refrigerante, pedíamos de diversas cores que chegavam até rosa. Quando eu estava cheio, soltei um leve arroto e Du demonstrou como se arrotava de verdade, soltando um rugido que varou o salão inteiro e fez diversas cabeças se virarem em nossa direção, explodimos em gargalhadas e alguns minutos depois, Quíron bateu o casco no chão, o som ecoou pelo salão e o silencio se fez imediatamente. Senhor D. se levantou e começou.
–Bem, eu queria dizer um olá para os novatos que sempre aparecem e eu citaria os nomes dos mesmos, porém é uma quantidade enorme, então que seja. Quero também mandar um abraço apertado o suficiente para matar os veteranos que voltaram do exterior. – Ele dirigiu um olhar duro para mim e para Ju, a garota segurava a risada por respeito ao pai. Ela estava se divertindo na mesa do seu chalé com os outros filhos de Dionísio. –Hoje irá ser a festa de Dionísio, apenas para maiores de 18 anos, os únicos que tem passe-livre são meus filhos. A festa irá começar as 19hrs em um pavilhão especial entre o bosque e a praia. – Ele se sentou e rapidamente levantou, como se estivesse esquecido algo. –AH, esqueci de dizer que temos alguns rostos conhecidos de volta. – Ele bateu duas palmas e ficou esperando algo acontecer. Nada aconteceu. Já se ouviam os risos pelo salão, os olhos do Senhor D. ficaram de cor púrpura e borbulhavam olhando para o sátiro que dormia ao lado da porta, ele pegou uma uva e a disparou em uma força incrível, que acertou na perna do sátiro o fazendo saltar assustado sem entender o que estava acontecendo. O salão foi tomado pelo som de risadas e o sátiro rapidamente abriu as portas, quando todos olharam para o grupo de garotas vestidas com roupas prateadas, ficaram quietos e observaram a entrada do grupo feminino. Quando apurei a visão, reconheci Thalia Grace a mais velha filha de Zeus viva, ela continuava com as mesmas características de quando fez o pacto de caçadora com a deusa, já se faziam 8 anos desde o ocorrido. Ela tinha os cabelos curtos e bagunçados no estilo Punk de cor roxo-escuro tingido, tinha a pele clara e algumas sardas tomavam conta de seu rosto, olhos azuis tempestuosos e seguros. Preso em suas costas estava um arco prateado, uma aljava prata com flechas brancas e em seu cinto, estavam presas duas adagas pratas, como as demais caçadoras, esse era as armas padrões das guerreiras. A diferença de Thalia para as outra, que em vez de usar uma capa prateada e túnicas brancas, ela usava uma jaqueta de couro preto cheio de spikes no ombro, uma calça preta rasgada e tinha em seu pescoço uma corrente que simbolizava o posto de líder entre as caçadoras, usava o bracelete metálico preso no seu pulso esquerdo que era o escudo Aegis (Um presente de Atena, que havia a cabeça da medusa entalhada no ferro, que surtia um efeito aterrorizante para os monstros e até semideuses.), usava botas pretas e tinha uma expressão alegre, porém séria, no rosto, o local lhe trazia algumas lembranças boas. Atrás dela, estava um grupo de mais ou menos 10 caçadoras, nada grandioso, porém o suficiente para fazer um belo estrago, entre os rostos reconheci Frances e fiquei feliz. Thalia não permaneceu quieta por muito tempo e assim que viu Percy e Annabeth, gritou.
–Perseu Jackson, Annabeth Chase e Grover Underwood! VENHAM ME CUMPRIMENTAR SEUS IDIOTAS!!! – Os olhos dela brilharam e havia um belo sorriso em seu rosto. Percy e Annabeth se levantaram e correram em direção de Thalia, o sátiro Grover, saiu do emaranhado de mesas, os três abraçaram a garota e ficaram lá por longos minutos, Senhor D. então pigarreou e com a voz estressada, falou.
–Vamos, deixem as cerimônias para depois, venha aqui Thalia, vamos te apresentar para os novatos. – Thalia se soltou dos três amigos e foi em direção do altar, aonde ficavam os coordenadores do acampamento. Ela se virou para os campistas e tomou uma expressão séria. – Essa é Thalia Grace, filha de Zeus e líder das caçadoras de Ártemis. Ela veio para cá resolver assuntos importantes, espero que sejam receptivos com ela, a propósito, não quero nenhum sátiro ou semideus engraçadinho flertando com elas, caso isso aconteça... – Se virou para Thalia e continuou. –...Você tem total liberdade de atravessar o indivíduo com uma flecha. – Thalia deu uma leve risada e então Senhor D. terminou. –Bem, é só isso pestinhas, o almoço está encerrado então podem retornar para seus chalés ou atividades, não se esqueçam que o caça dos novatos irá começar 16hrs, então todos no anfiteatro meia hora antes! – Com isso, os semideuses levantaram e foram saindo do refeitório. Percy, Thalia, Annabeth e Grover, o sátiro havia assistido a morte de Pã e tem sido uma das grandes fontes de inspirações para os da sua raça, ficaram conversando junto de Quíron por mais algum tempo, as caçadoras já haviam saído e ido para um chalé especial para as mesmas, Du me puxou pelo braço e saímos do refeitório. Eu não conhecia muito bem Thalia, ela já havia me dado algumas dicas para as adagas duplas, mas não devia se lembrar de mim, fiquei pensando em ir para o chalé das caçadoras e conversar com Frances, mas a viagem havia sido longa e ela devia estar acabada. ‘’ Não tem problema, vou vê-la mais tarde na festa.’’, pensei comigo e então falei para Du.
–Vou procurar meu irmão carinha, não o vi desde que acordei, quero ver como ele está. – Du assentiu e seguiu para onde quer que ele fosse. Fui para o lago de canoagem, Nick amava aquele lugar e vi uma figura com uma foice enorme lutando com uma caçadora, me aproximando aos poucos reconheci a pequena caçadora que treinava com meu irmão. Era Frances, ela estava desarmada porém era dotada de uma velocidade e reflexos desumanos, desviava facilmente dos cortes da foice enorme de meu irmão e de vez em quando acertava um chute ou um soco em partes indefesas dele. Eu não sabia se eles se conheciam, pelo menos eu nunca havia dito dela para ele, quando cheguei Frances baixou a guarda ao me ver e foi surpreendida por um golpe com o cabo da foice em suas pernas, porém ela rapidamente percebeu o golpe e pulou sobre o ataque encerrando o combate com um belo chute no peito de Nick, que o derrubou no chão. Meu irmão se virou e quando me viu, disse.
–Ah, Léo! Essa aqui é Frances, ela é uma das caçadoras que está hospedada aqui. Ela estava me dando algumas dicas de combate, ela é realmente forte para o tamanho. – Falou entusiasmado e eu respondi.
–Eu sei Nick, já a conheço de alguns anos atrás. Frances esse é meu irmão, Nicholas Veronezi. –Vi a compreensão passar pelo rosto da caçadora e logo se iluminou em um belo sorriso. Ela correu e me abraçou, logo quando me soltou falou.
–Realmente, vocês tem o mesmo olhar. O cabelo é idêntico, a diferença é que você está precisando cortar o cabelo, Nick. – Ela tornou sorrindo e com um tom divertido na voz. Nick ficou um pouco vermelho e sem jeito, ele levantou e começamos a jogar conversa fora.
–Bem, já já o meu caça começa, então vou indo para o anfiteatro, se cuidem e Léo se você tomar um porre, é melhor você sumir até eu esquecer disso, você irá ser zoado ao extremo. – Disse Nick rindo e virando de costas, ignorei o ultimo comentário e o deixei ir. Frances me olhava com felicidade e saudades.
–Então, eu já sei de tudo que está acontecendo. Sei de uma boa parte do plano também e sei que seu conselheiro vai montar um time de busca pelos Estados Unidos. Então se ainda houver espaço eu gostaria de fazer parte dele. – Falou seriamente, minha cabeça doía toda vez que eu pensava na tal missão de grande porte, me deixava meio hesitante em largar o acampamento com apenas alguns conselheiros. Eu precisava falar com ela e com Du sobre Stephan e ver o que achavam.
–Ei, Frances pode vir comigo? Preciso contar uma coisa que vi. – Ela assentiu com a cabeça e me olhou preocupada.
–Aconteceu alguma coisa, Léo? –
–Infelizmente, aconteceu sim. – E fomos para o meu chalé, quando estávamos chegando, tentei me comunicar com Du através de nosso elo empático para ver aonde o mesmo estava. O elo empático é uma capacidade de pessoas que são consideradas irmãos de combate, não por sangue, mas ligados pela alma. Em alguns casos, essas ligação é tão forte que é capaz de ser treinada, podendo sentir sensações emocionais do seu parceiro e em casos experientes, até mesmo comunicar-se telepaticamente. Um exemplo disso é Grover e Percy, os dois depois de anos treinando esse elo tem a capacidade de falar entre si mentalmente, com perfeição. Eu e Du ainda estávamos aprimorando essa habilidade e ainda não funcionava muito bem. Alguns segundos depois, nada, não havia conseguido falar com ele. –Ele deve estar tomando banho, então, hmm, vou entrar e já te chamo, O.k? – Ela se virou e sentou-se na escada da porta de entrada do chalé.
–Vá logo, estarei esperando. – Atravessei a porta e como havia previsto, ele estava tomando banho, cantava alguma música brasileira, devia ser Legião Urbana.
–Du?! Saía logo, precisamos conversar. – Ele gritou ‘’ Aham’’ e voltou a cantar. Já eram 17hrs e eu também devia me arrumar para a festa, mas tinha assuntos mais importantes a se tratar. Alguns minutos depois ele saiu de toalha, mandei vestir-se e avisei sobre Frances. Du e ela não se conheciam, mas ambos já ouviam sobre o outro por mim. Com Du trocado, mandei a caçadora entrar, o olhar da mesma varria o chalé e quando abriu a boca para falar algo fantástico, disse.
–Que zona. – Du deu uma leve risada e eu acabei ficando sem-graça. Sentamos na cama de casal e fechei o chalé inteiro, não queria ninguém ouvindo a conversa entre nós. Me sentei e comecei a contar sobre o que havia visto na noite do caça-bandeira, sobre Stephan, sobre os outros espiões. Du ficou irritado e levantou da cama para andar em círculos no chalé, os olhos de Frances só assimilavam tudo e então o conselheiro foi o primeiro a falar.
–Puta que me pariu, nem nos conselheiros podemos confiar agora!? Não pode ser. Não acho alguma desculpa para esse maldito nos trair. – E socou a parede de madeira do chalé, fez-se um eco abafado e Frances se pronunciou.
–Não entendo, pelo o que dizem, esse Stephan é realmente incrível, então por que baixar seu nível para alguém quando se tem o acampamento inteiro? Aliás, outros espiões? Nem o acampamento é seguro agora? – Ela se arrumou na cama e passou a mão pelo rosto. – Agora, qualquer um pode ser espião, até um conselheiro, membros dos chalés, sátiros, ninfas, pegásos. Temos uma infinidade de suspeitos, e os sumidos? Aqueles que foram embora e não retornaram? Quem nos garante que não se foram para se juntar a esse grupo? Ou até se não foram mortos pelas mãos dos mesmos? É algo realmente frustrante. – A caçadora encerrou.
–Você tem razão, Frances. Precisamos fazer algo a respeito, não podemos falar sobre isso com Quíron porque ele vai querer provas e não temos nada a não ser suas palavras, Lelo. – Du falava seriamente e irritado. Eu entendia o que ele sentia, ser traído por alguém que você já lutou ao lado, de um círculo confiável e não puder se sentir seguro nem mesmo em casa era uma merda.
–Eu precisava dizer isso para vocês o quanto antes melhor, não queria falar por conta da festa de hoje, mas não conseguia segurar isso mais tempo... E agora, o que faremos? – Me dirigi a Du.
–Vá se arrumar, vamos tentar curtir essa festa e não falar demais. – Ele me olhou já mais calmo, concordei e tornei para Frances.
–Você vai a festa? – Ela me olhou e discordou com um sinal negativo com o dedo.
–Noups, nós caçadoras não bebemos, não que seja proibido, mas é um código de ética. – Ela disse meio atordoada. –Então vou me retirar, deixar os gatinhos se arrumarem, até mais tarde Léo... aliás, quando quiser, podemos falar com Thalia sobre isso. – Eu devolvi o olhar e concordei com um sinal positivo com o dedo. Ela sorriu e saiu do chalé deixando apenas eu e Du. Fui para o banheiro tomar banho e me preparar para a festa.
Foi um banho longo e quando saí, me deparei com Du vestindo sua roupa para a festa. Usava camisa social branca, uma gravata rosa, seu blazer era preto com alguns detalhes dourados e caveiras nos lugares dos botões, usava calça jeans azul escura e o tênis vermelho cano alto. Ele se virou para mim e falou brincando. Ele com certeza atrairia diversos olhares para si.
–E ai, gato o suficiente? – Eu dei risada e assenti. Já eram por volta das 18hrs, me virei e peguei minha roupa para a festa. Trinta ou quarenta minutos depois, saí do chalé vestindo uma jaqueta de couro simples aberta, usava uma camisa preta com a estampa de um lobo branco uivando por baixo e calça de sarja preta, com o símbolo de uma caveira no bolso de trás, usava tênis cano médio cinza e óculos escuros quadrados com a armação preta, eu havia cortado o cabelo durante o banho, era um corte simples, passava a três ao redor da cabeça e deixava o topete maior. Du me olhou e fez pouco caso, eu perguntei para irrita-lo.
–Seu olhar de desprezo significa que estou gato demais? – Ele mostrou o dedo do meio e arremessou um maço de Malboro vermelho, o peguei no ar e coloquei no bolso.
–Por minha conta, dessa vez. – Sorriu levemente e fomos para a festa. Chegando no local, que pegava uma parte do bosque e uma parte da praia, música alta já tocava e podíamos ouvir som de gargalhadas. Tinha um telhado improvisado roxo, com muitas vinhas e cachos de uvas por toda a parte, em cima destacado em roxo púrpura estava escrito em um banner ‘’ Bem-vindo ao paraíso do vinho!’’, em cada canto havia uma pilastra sustentando o teto enorme e no meio em vez de terra ou areia, havia uma placa de madeira grande o suficiente para cobrir toda a área da festa. No centro, uma fogueira crepitava e tinha muitas mesas por volta do local, haviam barris enormes em um canto perto da pilastra do fundo, provavelmente aonde o vinho era guardado, em muitas mesas estavam garrafas de bebidas destiladas e em um balcão 5 barris de vinho presos em forma de torneira, atrás da festa havia uma enfermaria de 3 andares para caso alguém passasse mal ou coisa do tipo, porém era usada só para os casais irem transar. Já havia muita gente, avistei a conselheira Anna com sua camisa social branca, colete jeans e calça preta, gritava com uma garrafa de vinho em mãos, avistei Ju rindo e bebendo com os amigos e alguns outros rostos conhecido. Lá dentro haviam filhos de Dionísio, Afrodite, Hermes e Apolo, os outros não gostavam tanto assim das coisas que aconteciam nas festas, portanto iam uma quantidade menor. Acendi um cigarro e dei o mesmo para Du, depois acendi um para mim, era algo nosso, uma espécie de ritual. Entramos e logo encontrei com Jhon Kaufmann, filho de Afrodite. Ele era do meu tamanho, usava uma touca da Obey azul com um pompom branco, xadrez avermelhada, calça vinho e tênis Vans pretos. Tinha um piercing no septo, no canto da boca e alargadores nas duas orelhas, ele seguia o mesmo lema da maioria do chalé de Dionísio, usava uma antiga expressão, ‘’ Um filho de Dionísio não se nega amor a ninguém.’’, resumindo isso, queria dizer que ele era bissexual como a maioria de seu chalé. O garoto pulou em mim como sempre fazia, nos abraçamos e conversamos um pouco, foi aí que vi algo que extraiu toda minha atenção, era Catherine. Deixei os dois conversando e fui em direção da garota, os longos cabelos deslizavam por sua cintura acentuada e vestia shorts jeans curtos, regata rosa decotada escrito ‘’ This Girl Is On Fire’’ em preto, all-stars vermelhos. Estava simples, porém linda, coloquei a mão na cintura dela e ela se virou com os olhos escuros vasculhando meu interior, meu coração saltou e ela me abraçou.
–Meu deus, como você está lindo. – Ela cochichou durante o abraço. Eu não sabia o que dizer, a sensação de conforto e calor me invadiam. Queria poder dizer que ela estava linda também, mas só conseguir dizer.
–Érr... ahn? – E lá dentro, senti eu mesmo me dando um tapa na cara. Ela riu e antes de se afastar, cochichou no meu ouvido. ‘’ Te vejo depois.’’, tive um arrepio e ela se perdeu no meio da multidão de semideuses bêbados. Pude ver Jhon dançando com Pietro e Dinho, o subconselheiro de Dionísio, Ju fazia bodyshot (jogo no qual, a bebida é despejada no corpo de um e o parceiro tem de secar com a língua.) em um garoto de Hermes, Du bebia um drink azul que pegava fogo quando em contanto com a saliva, todos se divertiam e eu estava um pouco perdido. Tocava ‘’ Do I Wanna Know?’’ da banda Arctic Monkeys e vi algumas garotas fazendo uma dança chamada Lap dance (Dança erótica, em uma cadeira/sofá/cama, que quem recebia não poderia se mover, apenas sentar e aproveitar.) em garotos ou garotas, a conselheira Giuliana presenteava a conselheira Anna com essa dança, deixei o som das risadas invadirem a noite escura e fui aproveitar, quando cheguei com uma caneca para enche-la de vinho, encontrei Stephan do lado dos barris. Ele me olhou e sorriu maliciosamente, porém era possível detectar certa tristeza em seu olhar, eu retruquei o sorriso com um olhar frio. Ele me puxou pelo braço e eu já preparava um soco quando ele disse.
–O que você tem tanto contra mim? Aquela brincadeira de anos atrás não era pra ser levada tão a sério. – Ele disse meio suplicante, o que ele tinha na cabeça?
–Aprenda, filhos de Hades são mais vingativos que qualquer outro semideus. – Eu queria falar um monte, explodir, xingar de espião e traidor, espanca-lo. Mas me acalmei, não deveria destruir aquela maravilhosa noite. Simplesmente soltei o braço, enchi minha caneca e fui para o meio da festa, comecei a beber e me divertir nos jogos, havia um grupo que Jhon comandava sentados em círculos brincando do clássico ‘’ Verdade ou Desafio’’, a roda era apelidada de ‘’ Rodinha de Dio’’. Olhava ao redor e avistei Pietro beijando Dinho, em um beijo de tirar o folego e muitos olhares ao redor dos mesmos, eu sabia que aquilo daria merda mais tarde, mas simplesmente ri e voltei ao encontro de Du. Quando o encontrei, bebemos mais daquele negócio azul incendiário, fumamos, ele beijou uma menina de Dio, não conhecia a garota, quando ela se soltou, me olhou e disse.
–Que que foi? Tá ficando frouxo? Não te vi pegando ninguém ainda, vai me falar que ta apaixonadinho? – Ele me empurrou e me lançou um olhar provocativo. Eu dei risada e o soquei no braço.
–Cale essa maldita boca, seu boçal. Já já eu me permito, estou meio bêbado já. – O mundo estava se inclinando aos poucos, não sentia mais músculo nenhum dolorido e meus olhos se fechavam gradativamente, fazia um bom esforço pra mantê-los abertos. Voltamos para a festa e me sentei em uma das cadeiras para receber um Lap dance e então Catherine saiu da multidão e veio em minha direção. O local escureceu e a música mudou para ‘’ In This Moment – Adrenalize ‘’, parecia que o universo conspirava ao nosso favor. Ela se aproximou lentamente e sedutoramente, foi passando suas pernas por fora de minhas coxas e rebolava sensualmente em meu colo, tirou minha jaqueta de couro e minha camisa, beijava meu pescoço e subia com a língua pela minha jugular até chegar em minha orelha, depois desceu para minha boca e me deu um selinho, em seguida deu um leve sorriso e sensualmente mordeu o labio, eu morria de calafrios, ela se virou e subiu na cadeira, tirava a camisa devagar e descia rebolando até o meu colo, depois levantou e deu a volta na cadeira, a última coisa que disse foi ‘’ estou te esperando.’’, colocou a camisa e saiu no meio da multidão. Eu sabia para onde ela ia, coloquei minha camisa e então antes de levantar da cadeira, uma mão me manteve lá, era Missluani, ela sussurrou ‘’ minha vez.’’, passou as mãos por cima de minhas coxas e então tirou minha camisa, ela tinha em mãos uma garrafa de Smirnoff e derrubou o líquido gelado por minha barriga, ela se ajoelhou entre minhas pernas e começou a tomar a bebida. Eu achava que ia ter uma convulsão, por conta dos calafrios e prazer do momento, a conselheira de Afrodite veio em direção a minha boca, mas infelizmente eu tinha de evitar, não queria que acontecesse de novo igual a festa passada. Desviei o olhar e me levantei da cadeira, tive tempo de pegar minha jaqueta de couro e corri para o meio da multidão, lembro de ter visto Jhon em cima de uma garota a beijando perdidamente junto de outro cara, Ju estava beijando um dos poucos filhos de Ares intensamente em cima de uma cadeira, Anna estava no meio de um beijo triplo com Wes, o subconselheiro de Apolo, e uma garota qualquer, Pietro ainda estava nos amassos com Dinho encostado em uma pilastra, me deparei também com Helon vomitando e rindo em um canto da festa com alguns amigos, Du se divertia bebendo e conversando com outros bêbados, então ele se virou para falar com uma garota ruiva que o beijou profundamente, ele largou os copos e a arrastou para a escuridão, longe dos olhares.
Eu fui em direção à grande ‘’ enfermaria’’ e encontrei na porta Catherine, ela me olhou e me puxou pela jaqueta de couro, nos beijamos e o mundo se desligou, nos arrastávamos entre as paredes até entrar em um quarto com uma cama de casal, o som da música já estava distante quando tranquei a porta, porém ainda podia ouvir a fundo ‘’ Last Nite – The Strokes’’ e me deitei por cima de Cath. Ela me arrancou a jaqueta e arranhou levemente minhas costas descendo as unhas por minhas costelas e chegando até as entradas da minha barriga, enquanto eu beijava seu pescoço, tirei a camisa da garota e então as horas foram se passando de forma lenta e prazerosa.
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