Notas iniciais
Qual o segredo que o senhor Hiyama esconde?

Acordei bem cedo, após a reunião na Catedral da Casualidade, e logo, fui tratar de problemas internos.

–Orin-chaaan! -Gritei, enquanto descansava, sentada nas pedras, próximas a uma pequena lagoa.

A garota logo veio até mim.

–Sim, Omekata-sama? -Pergunta ela.

–Por que toda essa movimentação? -Pergunto. A entrada do Templo estava cheia de gente.

–Hoje é o dia do Festival Omekata. -Responde ela, com uma cara de surpresa. -Havia esquecido?

–Ah, o Festival... Bom, preciso ir para o meu recinto. Qualquer coisa, você sabe onde me encontrar.

–Com certeza, Omekata-sama. -Responde a garota, e volta para a entrada do Templo.

Eu me levanto e vou para o meu recinto. Passo pelos corredores praticamente vazios, ouvindo apenas alguns seguidores me cumprimentarem.

Quando chego no recinto, sento-me no chão e abro meu diário na mesinha de trabalho. Procuro um monge específico. Eu o havia mandado para seguir o delegado e trazer o maior número de informações sobre ele.

"Monge nº 34: Seguindo o delegado por ruas perto do Templo Omekata."

–O quê?! O delegado está aqui perto? -Então enrolo o pergaminho, guardo-o na manga do vestido e rapidamente me levanto.

Corro até a entrada, mas quando perto dos portões vejo o delegado e outras duas pessoas, um garoto e uma garota, conversando com Orin-chan.

–Raios! -Retorno então ao meu recinto e chamo alguns seguidores para ficarem próximos.

–Omekata-sama... -Começa Orin-chan, entrando no recinto.

–O delegado está aqui. -Completo a fala dela.

–Exato. E trás consigo duas pessoas. Um garoto e uma garota, mas não disse o nome deles.

–Hm... Ele quer falar comigo? -Pergunto, ajeitando meus óculos.

–Precisamente. Devo mandá-los entrar? -Questiona ela.

–Que seja. -Respondo, dando de ombros.

Orin-chan sai do recinto, e eu consulto meu diário mais uma vez.

"Miyashiro Orin: Se dirigindo a entrada do Templo.".

Aguardo um pouco e logo Orin-chan entra novamente no aposento, dessa vez trazendo consigo o delegado, uma garota de cabelos rosa com um uniforme do colegial e um belo garoto que usava uma touca bege, mas dava para ver os cabelos escuros, olhos azuis, usava uma uma jaqueta laranja e um short cor caqui. Orin acena para mim e se retira.

–Delegado. -O cumprimentei com um aceno da cabeça.

–Tsubaki-sama. -O homem retribui. -Esses são...

–Amano Yukiteru e Gasai Yuno. Estava esperando por vocês. -Completo a frase, surpreendendo aos três.

–Como sabe meu nome? -Pergunta o garoto.

–Que tipo de oráculo seria eu se não soubesse das coisas? -Respondi a Yukiteru, mas a verdade é que eu havia pedido para o meu seguidor entrar na delegacia e me mandar informações do delegado através de um celular descartável que eu havia dado a ele, e ele me mandou a ficha desses dois também. Ele também descobriu sobre um projeto sobre "Diários do Futuro", que continha fotos desses dois, dele mesmo, uma foto minha, e uma foto de uma jovem de cabelos roxos com duas marias-chiquinhas, e identificada como Uryuu Minene.

–Oráculo? -Pergunta a garota. -Você deve ser mais uma charlatã, que se passa por vidente.

–É mesmo Gasai Yuno? Então como eu poderia saber sobre o seu tão precioso diário do futuro? -Pergunto sorrindo.

A reação da garota foi impressionante. Ela ofegava e sua voz esbanjava raiva.

–Como sabe disso?! -Pergunta ela.

–Ora, eu acabei de dizer que sou um oráculo. A mesma coisa se aplica a você, Amano Yukiteru.

O delegado puxa a arma e aponta pra mim.

–Que portadora você é?! -Pergunta ele, com a arma apontada pra mim.

–Ora, não se exalte, vamos conversar como pessoas civilizadas, por favor. -Sorrio e faço um sinal. Então um seguidor atira uma faca da porta e acerta a arma do delegado, que vem parar ao meu lado.

–Grr... — O delegado me fuzila com olhar, mas se acalma. -Como queira.

–Não é que eu queira me tornar Deusa, o mal que me afligia já foi eliminado pelo Quinto. Foi o Quinto que matou o Funatsu, e os pais dele, caro Quarto. Mas já deve saber disso, por causa do poder do seu diário, o Diário da Investigação Criminal, correto?

O Quarto arregala os olhos, mas assente.

–Gasai Yuno, estudante do Colégio de Sakurami, junto com Amano Yukiteru. Puxa, seremos colegas de classe. -Sorrio para eles. -Não tenham medo, eu sou a Sexta, Kasugano Tsubaki. Reconheço vocês como Primeiro e Segunda. Eu havia oferecido ajuda, se recordam?

O garoto, Amano Yukiteru, dá um tímido sorriso, mas a de cabelos rosa, Gasai Yuno, continua a me encarar.

–Mas com certeza não vieram aqui para discutir sobre ajuda no momento. -Olho para o Quarto. -O que os trás aqui, caro Kurusu-san?

–Tsubaki-san, está havendo atividade criminosa perto do Colégio de Sakurami. Sabemos que dispõe de muitos seguidores e...

–Querem saber se eu posso dispor alguns dos meus seguidores para ajudar a polícia? Ora, mas é claro. -Me levanto e vou até ele. -Mas o que o Primeiro e a Segunda tem a ver com isso?

–Akise-san me contou que se interessou sobre o Colégio de Sakurami, e nós já sabemos que você é a Sexta. Eu fingi não saber que portadora você é.

–Então viemos pedir uma trégua no Jogo de Sobrevivência. Queremos uma vida normal, não é Yuno? -Pergunta ele para a garota.

–Sim, Yukkii! -Responde ela, com animação.

–Não vou matar vocês até que me ataquem. Mas lembrem-se, eu sou o olho que tudo vê. Se tramarem contra mim, serei obrigada a matá-los, e nada me traria mais desprazer que isso.

–Não tramaremos! -Garante Yukiteru.

–Assim espero, Yukiteru-san. -Respondo, séria.

–Me chame de Yukiteru-kun, por favor. -Pede ele, sorrindo.

–Como quiser. Agora, se me derem licença, preciso fazer minha matrícula no Colégio de Sakurami. Eu os acompanho até a saída. -Digo, me levantando.

–Obrigado, Tsubaki-san. -Agradece o Quarto.

–Não há de quê. É sempre um prazer ajudar. -Respondo, sorrindo.

Vamos conversando até os portões do Templo, onde encontro Orin-chan.

–Ah, Orin-chan, por favor, cuide de tudo por aqui.

–Sim, Omekata-sama.

–Tsubaki-san, gostaria de uma carona? -Pergunta o delegado.

–Adoraria Kurusu-san. -Ele então abre a porta da viatura, onde entram Yukiteru-kun e Gasai-san. Eu os acompanho. Ele fecha a porta, e dá a volta no carro para que possa dirigir.

Um homem no banco ao lado do motorista olha pra trás e me cumprimenta.

–Muito prazer, Masumi Nishijima, assistente do Kurusu-san.

–Encantada. Kasugano Tsubaki, líder do Culto Omekata.

Kurusu-san dá a partida na viatura e me leva até o Colégio de Sakurami. Eu saio do carro e me despeço deles.

–Tchau Gasai-san, tchau Yuki-kun, até breve. Até qualquer dia Nishijima-san. Kurusu-san, obrigada pela carona. Alguns dos meus seguidores estarão na delegacia assim que eu voltar para o Templo.

–Obrigado mais uma vez, Tsubaki-san. Até breve.

–Até. -Aceno pra ele, então ele entra na viatura e vai embora.

Eu entro na escola, mas fico meio perdida e peço informações para um homem ruivo que parecia um professor que estava por ali.

–Senhor?

–Pois não?

–Onde fica a secretaria da escola? Quero me matricular.

–Oh, uma aluna nova? Serei seu professor, muito prazer, Hiyama Takao.

–Kasugano Tsubaki. É a minha primeira vez aqui.

O professor me conduz até a secretaria e ajuda a regularizar minha matrícula.

–Nem sei como lhe agradecer, senhor Hiyama.

–Imagina. Até breve. -Responde ele, e vai embora.

O processo foi demorado e quando saí da escola, o dia já estava no fim, a lua começava a surgir no céu.

"Nossa, é tarde.", penso. Abro meu diário e o que vejo lá me desespera.

"20:27: Dead End. Kasugano Tsubaki foi esfaqueada por Hiyama Takao."