Sobrevivência Ou Morte? O Que O Futuro Reserva?
12 A Dor de Karyuudo Tsukishima
Notas iniciais
Trafegamos em silêncio dentre as muitas árvores do parque. Paramos em frente a uma edificação alta, com uma placa na frente.
–Então... Aqui estamos... Prestes a entrar em território inimigo. -Akise-san comenta, olhando fixamente para os dizeres da placa.
–Já entramos em território inimigo no momento que colocamos os pés dentro deste parque. -Replico, ansiosa.
–Tsubaki-san tem razão. Estamos perto de encontrar o culpado. Não podemos recuar agora. -Yukiteru-kun queria parecer corajoso, mas o tremer de suas pernas deixava claro que ele estava com medo.
–Mar e eu vigiaremos o perímetro. Nenhum atacante de fora atacará vocês após entrarem. -Ai-chan tira o diário do bolso. -Qualquer coisa, ligo para o número que você usou para me chamar aqui, certo Tsubaki-san?
–Certo. Ai-chan... Obrigada por tudo. -Dou um forte abraço na mulher.
–Oras, nada demais. -Ela sorri quando eu a largo.
–Obrigada a você também Marco-san. -Aceno para ele, que estava mais distante.
–Agora vão. Salvem o parque das mãos do portador misterioso.
–Não falharemos! -Garanto para ela, sorrindo.
Eu aceno para Akise-san e para Yukiteru-kun me seguirem. Chegamos na porta. Eu tiro minha faca da bolsa e forço contra a fechadura, como Ai-chan havia me ensinado. Após alguns momentos, ouço um clique e a porta abre. Entramos todos juntos. Encontramos um escada e um corredor.
–Akise-san, Yukiteru-kun, sigam pelo corredor. E tomem cuidado. Pode haver cachorros a espreita. -Digo para eles. -Eu subirei as escadas, sozinha.
Akise-san começa a protestar mas eu subo rapidamente sem dar ouvidos a ele.
No topo da escada, havia um longo corredor, com algumas portas a esquerda e a direita, e uma porta maior, de madeira polida, ao final dele.
Olho meu diário a procura de sinais de Dead End e duas entradas que vejo me deixam paralisada de pavor.
"Monge nº 100: Pegou um machado e está matando outros monges."
"Monja nº 378: Pegou um machado e está quebrando as paredes do Templo."
"O que está havendo?!" -Penso, aflita. "Seja o que for, terá que ser resolvido depois".
Tiro isso da minha cabeça e vou até o final do corredor. Abro a porta e o que encontro me deixa aflita. Uma garota conhecida estava trancando uma outra porta no final de um grande aposento, com uma mesa de jantar longa próxima da parede.
–Hinata? O que está fazendo aqui? -Pergunto, com a faca em punho.
–Tsubaki-san? Meus cachorros não lhe mataram? -Pergunta ela, surpresa.
–Seus cachorros? Mas... Você é a dona dos canis Tsukishima? -Começo a me perguntar o que ela há atrás da porta que ela havia acabado de trancar.
–Eu... Sim, eu sou! -Porém a hesitação dela antes de responder fez eu sacar a jogada dela.
–Não, não é. -Sorrio cinicamente pra ela. -Quem está protegendo? Seu pai? Seu avô? Patético.
–Ora sua... -Ela começa a ficar vermelha de raiva.
–Essa pessoa é tão patética que se esconde atrás de cachorros e de garotas. A covardia me enoja. -Percebi que ela tinha retesado os músculos, como que para correr.
–Karyuudo Tsukishima... Meu pai... É uma pessoa maior do que você jamais será, Sexta! -Ela grita, com a raiva em cada palavra.
–Então ele que pare de se esconder atrás da filha e lute como um homem! -Rebato, ainda sorrindo.
–Chega! -A garota corre em minha direção e tira um punhal do bolso de sua calça jeans.
Eu corro na direção dela também, com faca em punho. Ela tenta me acertar fazendo um corte cruzado, de cima pra baixo, da esquerda pra direita, mas eu o aparo com minha faca.
–O que você quer aqui?! Vá embora! -Ela gritava, quase a beira das lágrimas. -Não vou deixar ninguém se aproximar do meu pai!
Ela desfere um golpe contra a minha cabeça, mas eu me abaixo e faço um corte na coxa dela. Sangue começa a escorrer.
–Esqueça seu pai! Se salve Hinata! -Eu disse, enquanto ela tentava desferir um golpe contra meu braço, mas eu girei a faca e rebati o punhal, que saiu voando.
–Não! Mao-chan, me ajude! -Hinata gritou, e alguns momentos após, a garota que havia tirado uma foto minha mais cedo apareceu do corredor de onde eu vim, com uma adaga em punho.
–Hinata! -Ela atirou a adaga na minha direção e ela se fincou na minha coxa.
–Aaaii! -Soltei um grito, então retirei a adaga ensanguentada e com um rápido giro do corpo, a atirei bem no pescoço da Hinata. Perdi o equilíbrio e caí com um estrondo no chão.
Ela abriu a boca, mas nenhum som saiu, ela tirou a adaga, e com um suspiro, desabou.
–Hinata! -Mao-chan correu até ela, ignorando minha presença.
–Acabou. Ela morreu. E você vai seguir o mesmo caminho. -Me levanto mancando, e aponto a faca para Mao-chan.
Ela apenas me olhou com raiva, então pegou a adaga que estava na mão da Hinata e a enterrou no próprio coração. Ela desabou no chão, ao lado da Hinata. Peguei a chave no bolso da calça da garota de cabelos castanhos. Suspirei e então fui até a porta que Hinata havia trancado.
–Lá vai. -Coloquei a chave na fechadura e a girei. Um clique indicou que ela aberto. Quando entrei, encontrei um homem olhando para um porta retrato que estava sobre uma mesa.
O homem parecia ter entre uns 40 e 50 anos. Seus olhos estavam vidrados em uma fotografia que parecia ser muito antiga. Reconheci Hinata de mão dadas com esse homem, só que bem mais novo. Ela devia ter uns cinco anos, ele devia estar com uns 30. E com uma mulher, que supus ser a mãe dela. Os cabelos brancos do homem eram perfeitamente penteados para trás, exceto por uma franja. Estava usando uma camisa branca, com um colete azul, listrado verticalmente, e uma gravata borboleta preta. Usava proteções para os braços e luvas cinza. Sua calça era azul também, e usava botas pretas. Tinha um bigode perfeitamente simétrico, da cor de seus cabelos.
Ele rodou a cadeira que estava sentado e fixou seus olhos castanhos em mim.
–É... Eu vejo que você é uma adversária forte. Eu perdi tudo... Minha esposa, há muito tempo... Minha amada filha e meus preciosos cachorros... O que me resta? Essa vida inútil e miserável nesse maldito jogo de sobrevivência. Como Décimo, não tenho mais como ganhar. Mas sabe por que eu queria me tornar Deus, Sexta? -Ele parecia estar falando mais consigo mesmo do que comigo. Ele pegou o porta-retrato e olhou. Eu ignorei a pergunta dele e continuei o olhando. -Eu só queria olhar para a família que eu desprezei uma última vez antes de morrer. Cometi tantos erros... Negligenciei minha família... Não vi o que estava acontecendo a minha volta. Que eu estava afastando as únicas pessoas que me amaram. Eu queria me tornar Deus para voltar no tempo e corrigir tudo isso. Ter uma vida normal com minha amada esposa e com minha filha... Oh, que tolice. Você me derrotou Sexta, vá em frente, me mate. Me livre desse martírio que é viver.
Pela primeira vez, eu hesitei. O Décimo não merecia isso. Mas eu também não merecia ter sido abusada pelo Funatsu e seus rituais. Não merecia que meus pais tivessem sido assassinados. O Quinto não merecia ter pais tão horríveis, que negligenciaram o próprio filho por causa das brigas...
O Décimo notou minha hesitação, então tirou um celular do bolso, e o jogou para mim.
–Por favor Sexta...
Eu não precisei ouvir mais. Com muito pesar, eu desci a faca com toda a força no diário do Décimo. Ele pareceu sorrir.
–Muito obrigado... Vença esse jogo... Por todas as pessoas sofridas que estão nele. -Então, o tornado levou o treinador de cães, me deixando sozinha no aposento. O porta-retrato caiu no chão e o vidro se quebrou. Me encostei na parede e sentei, com as costas apoiadas nela. Eu me perguntava se o que eu havia feito era realmente certo.
"Décimo... Você me ensinou uma importante lição aqui, hoje. Obrigada". -Pensei, soltando um suspiro de pesar, misturado com dor, porque minha perna ainda sangrava. "Agora... Preciso resolver o problema no Templo. E rápido."
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