Sobrevivência Ou Morte? O Que O Futuro Reserva?
2 A Aparição do Quinto!
Notas iniciais
–Já é de manhã? –Pergunto, sonolenta.
–Sim, Omekata-sama, fez alguma coisa de noite é? Dormiu mal? –Responde uma voz, que reconheci imediatamente.
–Dormi mal, apenas isso Funatsu. –Funatsu é o segundo em comando do culto, me mantém presa nesse recinto desde a morte dos meus pais. Odeio esse homem. Acho que ele é o verdadeiro culpado pelas mortes de papai e mamãe, afinal, ele se beneficiou imensamente com elas.
–Omekata-sama? Temos dois visitantes que querem lhe ver. –Ele diz.
–Por que você mesmo não resolve isso? –Pergunto irritada. –Tenho relatórios a escrever no meu diário.
–Eles insistiram. Disseram que somente a líder do culto, Kasugano Tsubaki, poderia resolver o problema deles.
Eu suspiro, cansada, visitas a essa hora da manhã, espero que não sejam mais problemas.
–Ótimo, traga-os até mim, quero resolver isso logo.
–Como queira, Omekata-sama.
Funatsu deixa o recinto e eu me sinto mais aliviada, é como se a presença dele me abalasse emocionalmente.
–Vou dar uma olhada rápida no meu diário, se for um portador, poderei me preparar adequadamente. –Falo comigo mesma.
O Diário da Clarividência, um grande pergaminho, verde por fora, feito de papiro por dentro, estava na minha mesinha de trabalho. Eu então me sento no chão, e o abro, lá, leio a seguinte anotação:
“Funatsu: Está destratando as visitas, antes que venham até o recinto.”
–Funatsu... –Suspiro, irritada. –Você não aprende mesmo...
Depois de alguns minutos, Funatsu entra no recinto com um casal, minha visão debilitada não me permite ver os rostos deles, eles estavam muito longe de mim, quanto mais longe uma coisa está, menos eu consigo ver, por isso li sem problemas o Diário da Clarividência.
–Kasugano Tsubaki? –Pergunta a mulher.
–Sim, sou eu. –Respondo, odeio esse tipo de pergunta, que a resposta é lógica.
–Meu nome é... –Começa a mulher.
–Basta. Não falamos nomes aqui dentro do recinto, a não ser o meu e o do Funatsu, que aliás, já devem conhecer muito bem, afinal, ele veio destratando vocês.
O clima no aposento claramente muda, Funatsu parecia mais tenso, e o casal, surpreso.
–Como... Como você sabe? –Pergunta o homem.
–Ora, eu sou a líder do culto, se não souber o que meus seguidores fazem, que tipo de líder eu seria? Deixem-me eu me apresentar apropriadamente. Meu nome é Kasugano Tsubaki, eu sou a líder do Culto do Olho Sagrado, Sou chamada de Omekata-sama por meus seguidores. Sou uma clarividente, sou o oráculo de Deus! Somos praticantes da Religião Omekata. –Digo, irritada. –O que trás um adorável casal ao meu recinto?
–Nós andamos brigando muito, então, resolvemos nos juntar ao culto, para ver se nossa relação melhora. -Responde o homem.
–Compreendo, mas o que isso tem a ver comigo? Funatsu poderia muito bem ter feito as devidas apresentações para os outros membros do culto.
–Bom... Omeakata-sama... Se não for abusar muito da sua hospitalidade... Queria pedir para cuidar do nosso filho, por enquanto. –Diz o mulher, parecendo envergonhada.
–Só até acharmos uma babá. –Acrescenta o homem.
–Omekata-sama não pode cuidar de crianças! Ela tem obrigações como líder do... –Protesta Funatsu, erguendo a voz.
–Funatsu, ninguém ergue a voz dentro desse recinto. Calado. –Replico, com um sorrisinho maroto.
–Mas...
–Silêncio. –Digo, e ele finalmente se cala. –Ah, paz... Bom, temporariamente, acredito que não haja problema em cuidar de uma criança...
–Mas Omekata-sama... Como vai cuidar dessa criança se nem sair desse recinto você sai? –Pergunta Funatsu, provavelmente cantando vitória.
–Ai-chan vai me ajudar, ela me ajuda há muito tempo. –Replico. –Agora, se tiverem a bondade de me trazer a criança...
–Claro Omekata-sama! –Dizem os dois em uníssono. –Agradecemos pela bondade.
–Imagina, o Olho Sagrado é uma instituição destinada a ajudar a todos. –Digo, sorrindo.
O casal sai do recinto, e Funatsu fica ali, parado como uma estátua.
–Está esperando o que? Vá fazer algo útil. –Digo, mais irritada que o normal. –Chame Ai-chan aqui.
–Sim, Omekata-sama.
Funatsu então sai do recinto, e a pressão diminui.
–Ah... Esse homem me faz mal, sério, preciso me livrar dele. –Digo, voltando a conversar comigo mesma.
Eu pego meus óculos ao lado da minha mesinha de trabalho e volto a examinar o Diário da Clarividência.
“Funatsu: Trata mal Ai-chan e eles começam a discutir.”
“Monja nº1232: Junto com o monge 1233, busca seu filho no carro.”
“Monge nº1233: Junto com a monja 1232, busca seu filho no carro.”
–Hum... Nenhum portador de diário a vista... Ótimo, posso ter um dia de paz. –Digo, aliviada. –Agora que estou em um jogo de sobrevivência, vai ser difícil achar paz.
Eu fico quieta, meditando um pouco, quando ouço Ai-chan entrando correndo no recinto.
–Tsubaki-san! Tsubaki-san! Aconteceu uma tragédia! –Ela diz, desesperada.
–O que aconteceu Ai-chan? –Pergunto, aflita.
–Os pais daquele garoto... Foram assassinados... Dentro do templo! O garoto ainda está vivo, devo trazê-lo aqui?
“Ai-chan está realmente abalada”, penso.
–Não, eu mesma vou até lá.
–Mas Funatsu disse que você não podia sair do recinto... –Diz ela, confusa.
–Eu sou a líder, me acerto com Funatsu depois, aquela praga é o de menos, vamos, me leve até onde eles estão.
Ai-chan me segura pelo braço, há muito tempo que não saio do recinto, e vai me guiando pelos corredores do templo, até onde estão os cadáveres.
–Oh... O que... Aconteceu aqui? –Pergunto, ao chegar no corredor onde o casal foi assassinado, sangue para todo o lado, o casal, ambos, mortos no chão, perfurados por facas.
–Quem fez isso? –Pergunto horrorizada.
–Olá Sexta. Olá Sétima. –Diz uma voz. –Muito prazer, eu sou Houjou Reisuke, ou Quinto para vocês. Eu matei meus pais, as brigas deles me faziam mal. Mas não mais. Agora irei matar vocês, para provar que sou um membro de uma elite!
–Ai-chan? Você é a Sétima? Mas o Sétimo é um homem... –Estou confusa, e Ai-chan nota isso.
–Tsubaki-san, te explico tudo depois, agora vamos. Temos que derrotar o Quinto antes que ele mate mais pessoas. –Ai-chan diz, determinada.
–Ok! Reisuke-san se prepare! Pois a Sexta e a Sétima irão te derrotar! –Grito a plenos pulmões.
–Tsubaki-san, devo chamar Marco? –Pergunta Ai-chan.
–Marco-san? Para que?
–Ele também é o Sétimo. –Ela responde, aflita, com medo de um ataque repentino do Quinto.
–Chame e... –Começo a falar, mas percebo uma coisa. –Ai-chan, entendi porque está tudo quieto! O Quinto está indo no meu recinto atrás do meu diário!
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