Sobrenatural 3 - Infinito

8 Capitulo 7 - Conta no vermelho


Quando desembarcamos em Beacon Hills Chris Argent estava nos esperando junto de outro cara com farda policial. Devia ser o pai de Stiles. Engoli em seco enquanto caminhava ate eles.

Eles se abraçaram depois cumprimentaram Isaac. Chris virou para mim.

— Katrina. — Ele falou. — Você esta bem diferente desde a ultima vez que nos vimos.

— Você não faz ideia de quanto. — Respondi depois me virei para o policial. — Katrina Argent. Antes que pergunte sou sobrinha dele. Sou filha de Kate.

Ele ficou pasmo por um segundo depois apertou a minha mão.

— Xerife Noah Stilinski.

— Stilinski. — Pronunciei antes de me virar para Stiles. — Stiles é um apelido então.

— Sim. E não vou falar meu nome ate por que você não vai conseguir pronuncia-lo.

— Tenho pena de você. — Murmurei e ele sorriu.

Isaac, Scott e eu fomos com Chris de carro ate a casa de Melissa. Ela sorriu quando nos viu e veio abraçar o filho.

— Como foram lá? — Ela perguntou.

— Fomos para o México. Para o Alasca. Para o Canada. Tranquilo. — Ele respondeu e ela ficou o encarando.

— Não vi nada de tranquilo nisso, Scott. Esta bem?

— Sim. Quase enfartei pulando de um jato, mas tudo bem.

— Você pulou de um jato?

— Paraquedas.

— Espera. Expliquem essa historia direito. E quem é você? — Se virou para mim.

— É minha sobrinha. — Chris respondeu e vi compreensão e pena nos olhos de Melissa.

— Sou Melissa. Katrina não é? — Assenti. — Um nome imponente.

— Meu pai disse que combina mais com o Furacão Katrina. Vou destruindo tudo enquanto passo... Mas é brincadeira. — Me apressei a falar.

Eu não era boa com piadas. Ou sarcasmo. Era direta e reta. Quase sempre.

— Pai? — Chris perguntou.

— Alexandre.

Ele ficou pensativo por um tempo depois assentiu.

— É um bom homem.

— Certamente melhor que muitos por ai. — Falei.

— Vamos nos sentar e conversar. — Melissa falou. — Acho que vocês tem muito o que falar.

— Você não faz ideia. — Scott falou.

Nos sentamos na sala e Scott me entregou um lata de refrigerante.

— Obrigada.

Era muito estranho ficar observando enquanto Scott contava a historia. Falei bem pouco. Na verdade cada vez mais eu me sentia desconfortável. Ate mesmo Isaac estava. Sentia que a cada olhar de Chris ele ficava tenso.

Quando a noite chegou levantei.

— Acho que devemos ir. — Falei olhando pela janela.

— Podem ficar aqui. Isaac morou aqui por um tempo. — Melissa falou sorrindo.

— Eu agradeço, mas... É complicado. Na verdade acho que é complicado para nós dois. — Ela assentiu.

Nos despedimos e seguimos para a porta. Scott nos acompanhou ate a rua para pegarmos um taxi.

— Vão para o galpão de Derek? — Scott perguntou.

— Não, vamos ficar em um hotel. — Isaac respondeu. — Amanhã a tarde voltamos.

— Amanhã a gente se vê.

Nos despedimos dele e o taxi chegou. Isaac escolheu o hotel e pegamos um quarto.

— Tenso não foi? — Isaac murmurou.

— Você ainda sente algo? — Perguntei o encarando.

— Não é isso. Eu já disse não sinto nada por ela. É mais medo do julgamento. Você é sobrinha dele e tudo mais. Nós nos damos bem por uma época, mas eu voltei a ficar com Derek. E ele não gosta muito de Derek. Derek matou a esposa dele.

— Eu sei.

— Sim. Ela tentou matar Scott.

— Acho que nunca falaram isso para Alisson né?

— Ela amava muito a mãe. — Assenti.

— Apesar do carrasco que era. — Murmurei e ele assentiu. — Você não tem alguém para visitar aqui?

— Não. Minha vida aqui... Acabou digamos assim. Principalmente agora que tenho meu bando. E minha mulher. Meu lugar é na Fronteira agora.

— Vai conseguir lidar com isso?

— Vou. Ou posso dizer para eles seguirem o caminho deles que eu vou seguir o meu.

— Qual você vai escolher?

— Quero dar uma chance a eles. Isto é, se você estiver comigo. Vai conseguir mora algum dia lá comigo?

— Acho que eles nunca vão se atrever a mexer comigo.

— Por que é minha mulher.

— Não por que eles sabem que sou capaz de mata-los. — Ele sorriu e beijou meus lábios.

— Eu amo você, princesa.

Arrumamos nossas coisas e fomos para a cama. No outro dia acordamos mais tarde e Isaac pediu o café. Tomei banho e vesti uma calça preta, uma regata preta. Calcei minha bota biker e vesti minha parka verde camuflada.

Estávamos distraídos tomando café quando bateram na porta.

— Deve ser o pessoal querendo te levar para um tour por Beacon Hills. — Isaac falou indo abrir a porta.

Para a nossa surpresa era Chris Argent. Isaac abriu e fechou a boca umas duas vezes antes de fazer sinal para ele entrar.

Chris entrou e Isaac fechou a porta.

— Bom dia. — Falou nos encarando. — Não acho que vocês voltariam a minha casa então resolvi vir conversar com vocês a sós.

— O que você quer? — Perguntei.

Ele se virou para Isaac e colocou a mão em seu ombro.

— Fico feliz que esteja bem garoto. É um Alfa agora. Tem muitas responsabilidades pela frente. — Isaac assentiu. — E também fico feliz que esteja com Katrina. — Arregalou os olhos. — Você tinha que seguir em frente e não deve se culpar por ela ser parente de quem é.

— Eu não me culpo. Só acho que você poderia achar... Estranho.

— Achei um pouco estranho sim. Mas achei mais estranho da parte dela. — Me encarou. — Você nunca julgou a minha filha, mas eu sabia que você odiava lobisomens.

— Eu era só uma marionete criada pela Caçada. Um dia eu abri os olhos. O que quer falar comigo?

— Pedir desculpas não vai mudar toda a situação...

— Não vai mesmo.

Ele pressionou os lábios e ficou me encarando.

— Não queria que tua vida tivesse sido do jeito que era.

— Mas você sabia e deixou. Nunca tentou impedir. Nem mesmo atendeu aos pedidos da própria filha.

— Eu sei que você odeia toda a família Argent...

— Não é que eu odeio. Eu sinto um pouco de nojo por vocês serem do jeito que são. Mas tudo bem. Eu seria honesta em dizer que se algum dia vocês precisarem de ajuda eu ajudaria. Mas eu sinto informar eu gostei de ter matado Kate. — Respondi esticando as pernas e cruzando os tornozelos.

— Ela esta morta?

— Mais morta do que aquilo impossível. — Ele assentiu.

— Foi difícil?

— Foi fácil.

— Mesmo sabendo que ela era sua mãe?

Estiquei o braço onde eu tinha as cicatrizes.

— Ela não pensou nisso quando fez isso comigo. Sabe o que é sentir suas veias arderem? Seus ossos queimarem? Sua carne doer? Ela ria enquanto eu gritava. O que eu fiz com ela foi pouco do que ela precisava pagar pelo que fez nesse mundo. A conta dela estava no vermelho.

— E a sua não?

— Eu parei quando vi no que eu estava me transformando. Não quero ser como vocês. — Lancei um olhar ao Isaac. — Isaac me ensinou o que é amar uma pessoa de verdade. O que é ser amada. Tudo o que eu tive na vida foi Alisson. Minha única família Argent. E esta morta. Acaba por aqui. — Assentiu.

— Ela gostava muito de você. — Ele estendeu uma coisa para mim que a peguei.

Meu coração falhou uma batida ao ver a foto. Nós tínhamos uns 15 anos. Talvez menos. Devíamos ter 13 anos. Estávamos abraçadas e sorrindo. Atrás uma pista de patinação. Lancei um olhar para Chris.

— Obrigada. — Falei e ele assentiu antes de sair.

Virei o rosto tentando impedir as lagrimas de saírem.