Sobre soldados e guerras.

1 Sobre balas disparadas e homens mortos.


Notas iniciais
Bem, hoje, dia vinte e cinco de Agosto, é Dia do Soldado Brasileiro e eu não queria deixar isso ser esquecido, mas pelo simples fato de que uma ideia surgiu na minha cabeça. E essa "coisa" acabou ácida demais para ser considerada uma homenagem de fato, porém cá estamos. Eu poderia pedir que comentassem? Isso me faz um ser humano muito feliz e alegre que solta purpurina por uma varinha do arco-íris.

Quando alguém mata e não se torna um assassino? Quando se é um soldado.

Pegue em armas e se torne de aço, ninguém nunca diz isso para um soldado, mas é o que esperam de um. Não se tolera fraqueza ou covardia. Os outros não vão se importar se você fraquejar, apenas lhe matarão, é o que dizem e todos sabem da verdade. E a guerra é sempre travada pelos inocentes de armas na mão, contudo, seus nomes raramente entram na história e seus feitos se tornam dos grandes generais enquanto o horror se desvanece no tempo.

Um bom soldado não questiona, obedece. Mas era difícil obedecer, cegamente, alguém que os enviava para a possível morte. Era complicado fazer isso porque, todos os dias, viam meninos, pais, irmãos e filhos caírem ensanguentados no chão, às vezes agonizando em outras já mortos. A determinação virava poeira – poeira, a mesma que os cobria quando uma construção em ruínas desabava – enquanto o horror se tornava diário e as noites mal dormidas. Não havia honra. Não havia glória. Apenas uma interminável maré de sangue e medo. Porque todos sangram e temem a morte que, todos os dias, leva alguém diferente.

Bons e jovens meninos e senhores com vidas andadas. Todos eles tinham importância, porém eram mandados para aquele inferno com armas e a missão de fazer o inimigo render-se. Tombavam gritando e deixando para trás famílias que receberiam uma visita de honra; veriam um outro soldado colocando o quepe sobre o peito em silêncio e saberiam que tudo estaria terminado. Choram, entretanto, pensam que foi uma morte honrada. Mal sabiam esses tolos que era honra não existia durante as batalhas, tudo o que havia eram linhas inimigas atirando sem piedade, logo eles mesmos também o faziam.

Morrer pela pátria é belo, não, não é. Morrer nunca é belo, mas falecer de uniforme parece ser mais glamoroso e ousado do que passar meses em uma cama de hospital. Prestem as honrarias, dizem todos os dias, um irmão de armas caiu hoje. Um? Apenas um? E os corpos amontoados em grandes extensões de terra ainda com armas carregadas e feições congeladas no pavor tangível?! Quem trará conforto àquelas almas penadas que tombaram por entre o caos e o sangue?!

Se houver um Deus, essa tarefa é dele, não dos homens mesquinhos e egoístas.

Porque políticos têm palavras belas, porém seus soldados comuns carregam um pesado equipamento e o desespero. A cada dia incontáveis amigos caem. Alguns poucos voltam cheios de histórias sobre o pandemônio que tudo havia, rapidamente, se tornado em uma batalha. Não existe nenhuma guerra que não seja fútil, todas as elas matam inocentes e destroem vidas, enquanto seus causadores entrarão na própria história.

Não existe honra. Não existe glória. Não existe paz. Apenas os gritos de dor e medo. Por hora são os jovens, logo depois os velhos e, por fim, cada um deles estará berrando por salvação mesmo que isso seja um louco sonho distante que parece inalcançável e enevoado em suas mentes exauridas. São todos assassinos, e o certo e o errado são leves sombras rindo em seus rostos imundos e cansados, porque o mundo real não pode existir nas guerras. São jovens e velhos gritando, o que os torna iguais são as fardas sujas e emocionais danificados.

Nos quartéis lhes ensinam uma velha lição: de morrer pela pátria e viver sem razão.

Notas finais
Bem, eu suponho que isso tenha ficado bom, ficou? Me digam isso nos comentários, eu ficaria muito feliz em respondê-los! Feliz Dia do Soldado Brasileiro! Abraços, Bastarda de Ned Stark. Teve citação de uma música, mas vou pedir para que vocês adivinhem qual é.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!