Sobre piratas, tesouros e laranjas
1 Sobre aprender, conhecer e sentir - Parte Um
Notas iniciais
***E bom, essa one ficou bem longa e decidi dividir em DUAS PARTES e me perdoem mais uma vez por estar meio OOC porque Luffy é um personagem difícil de escrever. Infelizmente, Eiichiro Oda não criou balão de pensamento para esse incrível personagem. Ele não esconde o que pensa ?” foi as palavras do autor. Não é só ele como a Robin.
Sem mais delongas, boa leitura!

Nami acordou com a brisa suave entrando em sua janela e fazendo contato direto com seu rosto. O céu estava limpo, sem aquelas nuvens muito negras do dia anterior, dando espaço a um dia super ensolarado mas com o clima super abafado. Se levantou da sua cama e tomou um belo banho antes de sair do quarto.
Foi recebida por um belo par de corações nos olhos de Sanji junto com um café da manhã especial: ovos mexidos, bacon, um bolo de frutas, pão quentinho saído do forno, café com leite e um suco de laranja fresco.
Apenas agradeceu pela tamanha gentileza e ouviu a costumeira discussão do cozinheiro tarado com o espadachim do navio, Roronoa Zoro. Comeu a refeição sem pressa nenhuma e lavou as louças, as enxugou e as guardou em seu devido lugar. Assim, saiu da cozinha.
Desceu as escadas do Thousand Sunny e foi até as suas plantações de laranjas segurando um regador. As regou com delicadeza e inspirou o ar. O aroma cítrico impregnou suas narinas lhe acalmando.
As laranjas de Belle-mère- eram como calmantes. Não só elas como uma pessoa que lhe deu liberdade. Que a permitiu viver novamente.
Luffy...
Virou o rosto para o lado e o moreno estava pescando ao lado de Usopp e Chopper para conseguirem alguma coisa para o almoço. Voltou a regar as laranjeiras até encontrar uma no chão, completamente murcha. Com uma aparência que parecia que alguém a esmagou. Seus companheiros sabiam que essas laranjas eram parte de sua vida. Pegou cuidadosamente a fruta podre e a jogou para fora do navio e afundou no azul vasto.
Depois de terminar a simples tarefa, se trancou na sua sala para fazer os mapas das próximas aventuras com a tripulação. Já até imaginava as reações de todos quando alguns dali avistavam uma ilha.
Um sorriso tomou de conta de seus lábios.
Ao desenhar mais um mapa, suspirou cansada e retirou seus óculos. Saiu da sua sala no mesmo instante que o almoço estava pronto e seu capitão idiota a puxou até a cozinha o que a fez lhe dar um cascudo bem forte na sua cabeça.
— Ai Nami, isso doeu!
— Isso é o que você ganha ao puxar as pessoas com muita força! Quase desloca o meu braço! – falou com uma expressão raivosa no rosto.
— Mas é que estou com muita fome, Nami. – formou um bico nos lábios.
— Você sempre está com fome! Seu estômago parece um buraco sem fundo!
— Poxa, Nami...
Apenas bufou, sentindo sua paciência ir embora. Ao chegar na cozinha, se deparou com um delicioso almoço onde degustou lentamente. Depois da refeição, ficou encarregada de lavar e enxugar as louças junto com Sanji, ignorando a maior parte das cantadas que ele lhe direcionava. Saiu da cozinha e voltou para o seu quarto e trancou a porta.
Retirou suas roupas e esperou até a banheira encher. Se sentou, abraçando suas pernas e fechou os olhos, se deliciando com a sensação da água quente.
Distraída, pousou sua mão em sua tatuagem, onde sentiu a cicatriz ali que lhe dava muitos calafrios.
Espero que aquele maldito esteja sofrendo muito... Se enxugou-se com a toalha, vestiu umas roupas confortáveis e se deitou na cama, esperando seu sono aparecer.
...
Enquanto isso, Luffy ainda estava acordado enquanto os outros dormiam em seus quartos, afinal foi o escolhido para ser o vigia do navio. Não ligou muito das reações relutas de seus amigos, apenas deu sua típica risada e foi se sentar em seu assento especial, em cima do girassol do Thousand Sunny.
Ficou balançando de um lado para o outro enquanto observava o pôr-do-sol. Mal podia esperar para ir até a Ilha dos Tritões, será que vai ter carnes deliciosas para experimentar? E monstros? E aventuras?! Só de imaginar, fazia seu ânimo ficar mais contagiante.
Logo, sua atenção foi voltada para uma figura ruiva indo à cozinha enrolada num manto. Nami estava doente? Um lampejo e uma memória um tanto memorável passou por sua mente: tinha um Luffy bastante preocupado e tentando arrancar pelo menos um sorriso da sua navegadora mas nenhuma de suas caretas estava funcionando. Sequer se separou enquanto todos os outros estavam fora do quarto da ruiva.
Curiosíssimo, usou seus poderes da fruta da borracha e se esticou até chegar a cozinha e a olhou atentamente. Nami preparava um café forte para se manter acordada. Seu sono da tarde foi completamente por água abaixo quando um pesadelo invadiu seu sonho. Quando a fumaça impregnou suas narinas e a chaleira fazer um barulhinho irritante, indicou que o chá estava pronto. Pegou uma xícara e depositou o líquido ali.
Colocou três colheres de açúcar e mexeu até ficar no sabor que queria. Amargo. Se sentou na mesa, se enrolando ainda mais no cobertor e bebericou o chá aos poucos. Só muito tempo depois que notou a presença de seu capitão no recinto, fazendo-a engasgar e quase derrubar a xícara.
— Luffy! Eu não te vi aí! Pensei que estava dormindo...
— Eu estou de vigia! – respondeu com um sorriso grande. – Mas o que aconteceu pra ficar tomando essa coisa amarga à essa hora?
Desde quando era atento à essas coisas?, fez uma nota mental.
— Não é nada, não. Só estou com vontade de beber uma boa xícara de café nessas horas. – deu um sorriso falso.
— Tem certeza? Você estava com uma cara abatida.
— Não precisa se preocupar, Luffy, eu estou bem.
— Não confia mais em mim? – murmurou triste.
A ruiva se enrolou mais na coberta e logo deu um suspiro cansado. Ele se preocupa com todo mundo. Era o Capitão e colocava sua vida em risco para proteger seus queridos companheiros.
— Eu só tive um pesadelo, não era nada demais... — bebeu mais um gole de chá de erva-doce, tentando esconder seu rosto no processo. — Mas agora já passou.
Mas uma mão de borracha tirou a caneca na frente de seu rosto e os olhos negros de seu capitão lhe encararam com um misto de curiosidade, empatia e seriedade. A ruiva sentiu um calafrio percorrer na espinha. Sabia que ele não gostava de esconderem coisas dele.
Suspirou. Se levantou da mesa sabendo que ia sendo seguida pelo moreno e se sentou na grama do Sunny Go. Não fazia muitos dias que o bando do Chapéu de Palha tinha saído daquela ilha super assustadora Thriller Bark, terem derrotado um dos sete Corsários, Moriah, ver a dolorosa batalha entre Zoro e Bartholomew Kuma mas desmaiou no processo por conta de uma explosão deste.
Ao saírem de lar com acenos e a promessa de que um dia iam voltar para lá, Nami não conseguiu conter aquele sentimento preocupante em relação à Luffy e o Cartão-Vida de seu irmão, Portgas D. Ace. Tinham se conhecido em Alabasta e deu para ver de cara que o mais velho era sempre cuidador com o mais novo. Aquela dinâmica pura lhe fez lembrar sua irmã, Nojiko.
Ela queria muito que ele ficasse mais um pouco com o bando para saber mais detalhes da vida de Luffy.
Será que algum dia ela iria saber? Desde os acontecimentos da sua vila natal, ficou com os seus sentimentos trancafiados dentro de um baú trancado à sete chaves em seu coração. Mas no decorrer de tantas aventuras e batalhas, a confiança do querido chapéu de palha posto em sua cabeça, faziam uma reviravolta dentro de si.
Sabia que um dia, esses sentimentos lhe iram fazer uma manifestação.
Estava apaixonada.
— Mas agora estou melhor, como pode ver. — deu um sorriso tranquilizador.
— Com que frequência acontece?
— Na verdade, é raro isso acontecer mas não é a primeira vez... – suspirou e tomou o último gole de chá.
— Arlong?
— É sempre ele... — engoliu seco. — Já teve um pesadelo antes?
— Uhm... — olhou para o céu alaranjado. — Eu só tive pesadelos quando eu era criança. Eu tinha um irmão chamado Sabo e depois que ele se foi, eu chorei muito até dormir. Dadan, a bandida das montanhas que me criou, me acordou e me deu um pouco de chá que nem esse aí que você está tomando. Foi só isso que me lembro. — e por fim, deu a sua típica risadinha que ninguém esquece.
— Esse 'Sabo' devia ser um irmão e tanto, né?
— Sim... — suspirou, fechando os olhos, se mergulhando nas lembranças divertidas.
Um silêncio confortável se instalou no ambiente, uma brisa balançava levemente os fios de cabelo curtos de Nami e o aroma do chá trazia um ambiente de calmaria. Era bem raro Luffy estar tão... sereno. Apesar de ser o capitão, sempre agia como uma criança na maior parte do tempo e fazia brincadeiras com um Zoro sonolento.
Vendo-o ao seu lado, os lábios tinham um sorriso fechado e o chapéu de palha mantido em sua cabeça. Não importava quaisquer situações que a tripulação passava, sempre mantinha seu sorriso lindo nos lábios.
Isso era o que Nami admirava. E muito.
...
No começo da noite, depois de um jantar delicioso, foi a vez da Nami ficar de vigia enquanto os outros dormiam tranquilamente. Se enrolou na sua coberta e ficou encarando o horizonte, bastante pensativa.
Enquanto isso, Robin tinha suas crises de insônia mais uma vez. Ao seu lado, Chopper dormia tranquilamente e embrulhado num cobertor, já que este tinha episódios de medo por dormir sozinho no escuro e sempre corria no quarto da mulher. Acariciou o pelo macio castanho e saiu do quarto silenciosamente. Quando chegou à cozinha, tratou logo de preparar um café.
Depois de pronto, saiu do cômodo e encarou as estrelas brilhantes no céu e logo suas íris foram parar numa cabeleira ruiva de uma certa navegadora. Andou calmamente até lá e se sentou ao seu lado.
— Navegadora-san, está tão pensativa.
— Robin... — disse com um sorriso pequeno entre os lábios.
— Quer me contar algo?
— Bom, como eu posso dizer? — riu fraco — Você, alguma vez, já se apaixonou por alguém?
— Pergunta interessante mas nunca. Mas você está?
— Estou... — suspirou. — Mas ele é um idiota e aposto que ele não sabe o que é isso.
— Luffy-san?
Nami assentiu. E Robin deu algumas risadinhas discretas.
— É melhor você relaxar, navegadora-san; deixar que isso flua naturalmente até que o Luffy-san perceba. Ele pode ser, digamos, um pouco sem-noção para esse tipo de coisa mas não completamente ignorante do que está acontecendo ao seu redor mas ele pode até procurar o espadachim-san e o cozinheiro-san para lhe darem algumas dicas. Ele preza bastante por nós e nos protege de qualquer perigo. Você também quer protegê-lo, não é?
Nami apenas assentiu.
— Isso é meio caminho andado. Só falta Luffy perceber que você realmente o ama, não? Só precisa ter paciência. Mesmo que ele faça brincadeiras engraçadas com todo mundo ou ficar de babá.
Nami escutou aquilo silenciosamente. Robin sempre estava certa, ela era ótima em ler as pessoas e sabia como elas estavam se sentindo através dos mínimos detalhes. Era mesmo um meio caminho andado? As dúvidas lhe perturbavam a sua mente mas... Se for, não importava se ia esperar a resposta recíproca ou não.
Uma vez quando criança, antes de Arlong, já vira o quanto Genzo e Bellemere-san estavam próximos. Orgulhosos ou não, sabiam que de jeito ou de outro ambos se gostavam muito. Ela não era idiota. Nojiko fazia questão de fingir que não sabia de nada!
— Robin... — a chamou. — muito obrigada.
— Não tem de que, Nami-san. — sorriu. — É melhor você ir dormir, eu fico aqui de vigia.
— Ah, obrigada.
Saiu do deque deixando a azulada para trás. Quando chegou ao quarto que dividia com a mesma, deitou-se na sua cama embrulhando-se ainda mais com o cobertor e dormiu.
Dessa vez, sem pesadelos.
●●●●
Luffy tinha acordado bem tarde naquele manhã. Tomou um banho rápido e apenas vestiu um colete de uma cor laranja com um capuz, sua típica bermuda e seus chinelos. Saiu dali correndo sentindo sua barriga roncar de fome.
Por incrível que pareça, antes de Luffy acordar, o bando atracou numa ilha para comprarem suprimentos e para sua má sorte, Sanji ficou encarregado de ficar cuidando do chapéu de palha antes que ele faça alguma besteira e sair de sua vista em busca de aventuras totalmente suicidas. Queria estar lá com suas mellorines e ajudar a carregarem suas compras.
Tratou logo de fazer o café-da-manhã do mais novo e o colocou na mesa. E não demorou muito para que ele aparecesse como um relâmpago e sentar na mesa. Dessa vez, comeu tranquilamente. E afinal, era bem raro Luffy acordar no meio da manhã enquanto os outros estavam passeando na ilha e ficar de babá ali.
— Sabe, é a primeira vez que te vejo acordar tarde enquanto os outros não estão aqui.
— É sério? Não percebi. — falou de boca cheia.
— E bom, é a primeira que tu come tranquilo sem fazer sujeira. Será que está doente?
— Relaxa, Sanji, só tive pesadelo ontem de noite.
— Pesadelo?
— Ué, pesadelo é algo que...
— Eu sei que é um pesadelo, cérebro de avestruz!
— Então tá bom então. — e comeu o resto da comida tudo de uma vez.
Que lombriguento!
Quando terminou de comer, Sanji tratou de pegar as louças e lavá-las na pia, enxugá-las e guardar em seu devido lugar. Depois da tarefa, ficou sentado do lado de fora da cozinha tragando seu cigarro.
— Sanji, posso te fazer uma pergunta?
— Ah, claro. À vontade.
— Por que as mulheres são tão importantes para você?
— Espera, é isso que você me perguntou?! — o encarou completamente chocado. Ele se interessava por mulheres desde quando?
— Sim ou perguntar porque você fuma tanto. Por que pode até contrair uma doença do pulmão e morrer solteiro como Zoro diz várias vezes. — diz pensativo.
— EU NÃO VOU MORRER SOLTEIRO, CABEÇA DE BATER BIFE!! E além do mais, aquele marimo de merda não sabe dar nenhum conselho que preste, sinceramente.
— Sanji, responde aí vai... — pediu, manhoso.
Ficou um minuto em silêncio. Logo, deu uma tragada em seu cigarro e assoprou.
— As mulheres, todas elas carregam consigo alegria e esperança, dá compaixões e ideais, dão muito apoio moral para família e amigos. Elas tem muito a dizer e dar. — respondeu. — Mas costumam ser fracas no quesito de força física.
— AHN?! Vale para a Nami e a Robin também? — fez um bico.
Sanji riu.
— Elas duas são completamente diferentes, acredite. Existem mulheres que batalham para salvar a vida das pessoas, além da família e amigos. Brigam por aquilo que acreditam, amam incondicionalmente, ficam muito contentes quando ouvem sobre um aniversário, um baile ou um casamento. — suspirou. — As mulheres, Luffy, possuem uma inteligência bem rara. Em toda ocasião, elas sempre estarão certas. Sabe, eu te aconselho uma coisa: acho melhor a começar a se importar com as mulheres à sua volta. Carne não é só tudo, tá bem?
— Hum... — esfregou o queixo com o polegar e o indicador. Mas por que carne não era só tudo? Eram super deliciosas.
— Mas toda pergunta tem que ter motivo, certo capitão?
— Você me pegou! — deu sua típica risada. — Bom, é que eu fico muito estranho quando chego perto da Nami, sabe? Tipo, minha barriga fica roncando de fome.
— Deixa eu ver se eu entendi direito... Você, quando chega perto da senhorita Nami, sua barriga fica roncando de fome?
O moreno assentiu.
Sanji tragou mais o cigarro e depois se levantou. Ele está começando a crescer, pensou. Até secou uma lágrima falsa.
— Como eu posso explicar... — tentou encontrar palavras certas para descrever aquele sentimento. Ele era um idiota mas não um completo ignorante. — Luffy, você sente fome quando vê carne, certo?
— Sim! — sua boca salivava só de imaginar.
— E quando você chega perto da Nami-swan sua barriga ronca de um jeito diferente, certo?
— Sim.
— Quando você chega perto da Nami, significa que você gosta dela.
— Claro que eu gosto dela, ela é a minha companheira.
— Não desse gostar. É gostar dela de um jeito diferente.
— Como assim, Sanji?
— Significa que você gosta dela de um jeito romântico. É isso que estou querendo dizer, como um casal apaixonado que você vê nas ruas, de mãos dadas ou se abraçando. Ou até se beijando. E um dia, Chopper vai ter que lhe explicar o que...
Ok. Seu cérebro precisava assimilar informações. Até parou de ouvir o que Sanji estava falando.
Primeiro de tudo: o que era beijo? Era de comer?
Luffy ficou em silêncio por um tempo e isso foi a deixa para que o loiro pudesse sair dali e deixar o capitão pensar e que ele não estava ouvindo nada do que estava dizendo. Ele podia ser idiota demais mas não podia ignorar o que estava acontecendo. O moreno saiu de perto da cozinha e se sentou na proa do Sunny, colocou as mãos atrás da cabeça o seu chapéu de palha cobriu seus olhos. Ficou ali, quieto até adormecer.
Só despertou do sono quando Robin e Chopper apareceram com sacolas de livros e alguns equipamentos médicos da rena fofa. Logo depois, Usopp estava carregando sacolas com mais equipamentos para suas armas e invenções acompanhado por Franky e Zoro com sua carranca rotineira. Por último, Nami apareceu com sacolas de compra e mais alguns utensílios de cartografia.
Seus olhos a observaram por um tempo. Os cabelos ruivos balançavam levemente por conta da brisa em alto-mar e mantinha um sorriso leve nos lábios. De novo, sentia sua barriga roncar mas não era fome. As palavras de Sanji ainda rondavam em sua cabeça.
Significa que você gosta dela de um jeito romântico.
Logo, foi retirado de seu devaneio pelo seu amigo narigudo.
— Ô Luffy, tô te chamando faz é tempo! Tu tá bem?
— OI USOPP! Claro que estou! Por que não estaria?
— É que você parecia bem... Ah esquece.
Luffy apenas sorriu e foi se sentar ao lado de Usopp e Chopper para pescarem alguma coisa para o almoço.
✧✧✧
Dessa vez, quem estava de vigia era Robin. As estrelas e a lua iluminavam o barco por completo, facilitando sua leitura habitual. Ao seu lado, estava uma xícara de café e um cobertor cobrindo suas pernas do frio.
Enquanto isso, o jovem capitão do navio não conseguia dormir de jeito nenhum. A conversa que tivera com Sanji ainda não tinha saído de sua mente. Então pôs-se a levantar, andou pelo quarto que dividia com Usopp pela ponta dos pés e fechou a porta tranquilamente. Sempre que ia acordar no meio da noite, tinha meio que tipo de ritual: checou se todo mundo estava dormindo enquanto ia roubar comida da geladeira. Zoro dormia que nem pedra no Ninho da Gávea, Sanji dormia tranquilamente com Chopper aconchegado no seu colo, Brook deitado no caixão acolchoado que acharam no fundo do oceano, Franky dormia num colchão embrulhado com três cobertores e por fim, Nami estava num sono tranquilo.
Percebeu que esta estava desembrulhada e tratou de cobri-la com um lençol. Saiu do quarto dela e foi direto para a cozinha, onde logo achou na geladeira um delicioso pedaço de carne. Se sentou na proa do navio sem notar a arqueóloga que estava atrás de si lendo um livro.
Com os seus poderes da Hana Hana No Mi, uma mão brotou nas costas de Luffy lhe fazendo cócegas e aquilo fez o moreno rir sem parar.
— Oi Robin, não sabia que você estava aí!
— Roubando comida da geladeira, capitão-san?
— Ah não Robin, não diga para o Sanji! Ele pode me matar se descobrir mas se bem que sou de borracha e não tem como algo cortante me matar. Mas ele pode me afogar no oceano!
— Não direi. — deu uma risada discreta. — Não conseguiu dormir?
Luffy balançou a cabeça.
— Pesadelo?
— Na verdade, não foi não.
— Pode me contar, se quiser.
— Bom, hoje de manhã tive uma conversa com Sanji sobre que toda vez eu chego perto da Nami, minha barriga ronca de fome mas não é fome. Ele disse que eu gosto dela de um jeito romântico.
Robin arregalou levemente o olhar.
— Isso é uma surpresa, Luffy-san. — sorriu de um jeito adorável.
— Robin? — a chamou.
— Sim?
— O que é beijo?
Dessa vez, deu uma risadinha.
— Bom, beijo vai muito além do que encostar a boca da garota ou garoto, dependendo da sua preferência. É um ato que transmite carinho e confiança. Você confia bastante na Navegadora-san, não? — Luffy assentiu. — Isso é interessante. Se está tão curioso, porque não mata essa curiosidade com a navegadora-san?
O moreno passou um tempo em silêncio, parecendo pensar um pouco.
— OBRIGADO ROBIN! SABIA QUE PODIA CONTAR COM VOCÊ! — e logo deu sua típica risada e desapareceu da sua vista.
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