Notas iniciais
Mais um, amores! Enjoy

POV Harry

—Não chore, amor. Nós vamos encontrá-los. — Ron tentava consolá-la enquanto olhava para nós com cara de pânico pedindo ajuda.

—Como vou encontrá-los agora, Ron? Era minha esperança maior. Será que mudaram de profissão? — Fungou. — Era a única pista que eu tinha e agora nem isso mais.

—Mione, você sabe que os encontraremos. — Minha namorada se levantou de onde estava e foi sentar-se ao lado dela. — Você, Harry e Ron derrotaram Você-Sabe-Quem, acha mesmo que dois dentistas conseguirão fugir por muito tempo? — Soou divertida e até Hermione riu um pouquinho.

—Obrigada, galera. Não sei o que faria sem vocês. — Comentou ainda chorosa e limpando as lágrimas na camiseta do Ron, que fez uma careta enquanto ela não estava olhando. — Precisamos de um plano agora, esse era o único que eu tinha.

—Você só tinha um plano? — Ron perguntou confuso.

—Só, não consegui pensar em nenhum outro. — Respondeu quase se desculpando.

Normalmente ela tinha quatro ou cinco planos para cada coisa que fazia.

—Ok! — Gina anunciou enquanto dava um aceno com a varinha e fazia um pergaminho e uma pena voarem em sua direção. — Vamos planejar então.

Nós quatro nos sentamos na cama no meio do quarto e Gina se inclinou com os objetos em punho, numa imitação exata de Hermione.

—Quando apagou a memória deles você tem certeza que deixou bem claro que eram dentistas, certo? — Perguntou fazendo sua primeira anotação sobre a profissão de ambos.

—Sim. — Hermione respondeu confiante, mas logo depois sua expressão tornou-se confusa. — Quer dizer, não sei. Eu posso ter errado e...

—Eu duvido. — Gina a cortou anotando “Dentistas” no papel. -Para onde você comprou as passagens e onde planejou que eles fossem morar?

—Comprei as passagens para o mesmo aeroporto onde desembarcamos, em Melbourne. Mas só enfatizei que iriam morar na Austrália.

—Certo. Que dia é hoje? — Perguntou sem levantar os olhos do papel.

—Dia 16. — Eu que respondi dessa vez.

—E o ano letivo começa dia...

—Primeiro de setembro. — Disse Hermione com os olhos arregalados. — Ai meu Deus, não vai dar tempo!

—Cala a boca Hermione. — Gi respondeu naturalmente fazendo algumas contas. — Bom, contando hoje temos dezesseis dias, já que dia 31 desse mês temos que estar n’A Toca para conseguir embarcar no dia seguinte.

Eu e Ron nos entreolhamos com a expressão nítida de que não nos envolveríamos caso não fossemos chamados na conversa.

—Mione, tem certeza que procuramos tudo que havia na internet? — Olhou para ela pela primeira vez desde que começou a escrever.

—Nós procuramos por “Dentista Melbourne”, Gi. Acho que vamos ter que procurar em toda a Austrália, mas não daria tempo.

—Podemos colocar cartazes de procurado com as fotos deles. — Ron opinou.

—Não seja idiota, Ronald. — Minha namorada respondeu. — O que você faria se um dia de repente encontra-se um cartaz com sua foto sendo procurado? Qualquer pessoa normal fugiria.

Ron me olhou com aquela expressão de “eu queria ajudar” e voltou a ficar quieto. As duas conversaram mais alguns minutos sobre tudo que sabiam da nova vida dos pais de Hermione e quando aparentemente não havia mais nada para escrever, Gina se sentou direito e começou a ler:

—Então confirmando: os dois gostavam de ir ao teatro, sair à noite para jantar, viajavam bastante aos fins de semana e nunca faltavam ao trabalho.

—Isso mesmo. — Mione confirmou mordendo a unha do dedão. — E agora, o que faremos?

—Qual você disse que era mesmo aquela outra cidade grande da Austrália? — Gina perguntou analisando as anotações.

—Sidney.

—Certo. — Falou já se levantando. — Galera vamos viajar, se arrumem que eu e Harry voltamos em uma hora para sairmos.

—Viajar? — Nós três repetimos juntos.

—Sim, viajar. — Ela respondeu naturalmente. — Temos pouco tempo e não podemos ficar aqui parados esperando que eles batam na porta. Já tentamos de tudo aqui em Melbourne e nada, vamos para Sidney, fazemos a mesma coisa e se não der de novo procuramos outra cidade, até encontrá-los.

Nós três nos olhamos por alguns segundos e então eu me levantei decidido também.

—Ela está certa, Mione. Não podemos ficar parados e você deveria saber disso, já tivemos que procurar coisas mais difíceis. — Lhe dirigi um sorrido gentil. — Se arrumem que já voltamos para irmos.

—Mas Harry, isso é uma loucura... — Hermione começou e eu a interrompi.

—Você tem uma idéia melhor? — Perguntei e ela negou. — Se tiver na próxima hora pode ir até o quarto ao lado e nos dizer, caso contrário esteja pronta.

Finalizei a frase com um sorriso e saí atrás da minha namorada, entrei no quarto ao lado encontrando-a sentada na cama e já reunindo seus pertences.

—Você acha mesmo que isso é uma boa idéia? — Perguntei me juntando a ela na separação das nossas coisas.

—Se é boa eu não sei, mas pelo menos é uma idéia. — Respondeu dando de ombros. — A verdade é que eu estou meio preocupada, temos muito pouco tempo Harry, estou com medo de não encontrá-los. Temos que tentar de tudo.

—Verdade. — Me sentei atrás dela abraçando-a. — Estou com saudade de você.

—Amor, nós ficamos juntos o dia todo. — Respondeu manhosa.

—Não é disso que eu estou falando. Nem temos mais tempo pra nós. — Respondi com um beijo em seu pescoço fazendo-a se arrepiar.

—E eu achando que isso seria quase uma lua de mel. — Falou enquanto se virava de frente para mim e se acomodava em meu colo, uma perna de cada lado do meu corpo.

—Definitivamente Ron e Mione não estão convidados para nossa lua de mel. — Disse rindo antes de colar minha boca na dela em um beijo cheio de segundas intenções.

Suas mãos estavam em meus cabelos e as minhas passeavam pela lateral do seu short. Me deitei trazendo-a junto comigo, para que seu corpo ficasse por cima do meu. Senti seus cabelos roçarem meu pescoço no movimento e me senti arrepiado na hora e imediatamente subi minhas mãos para suas costas, por dentro da camiseta um pouco mais larga que ela estava usando hoje e quando me preparei para desabotoar o fecho do seu sutiã algumas batidas na porta nos interromperam.

—É por isso que eles não estão convidados. — Comentei assim que ela quebrou o beijo e se deitou ao meu lado.

Ainda ouvindo sua risada e após “ajeitar” um pouco minha bermuda eu abri a porta para que Ronald e Hermione, eufórica, passassem por mim.

—Já terminamos. — Anunciou sentando-se na cadeira que estava ao lado da cama.

—Mas faz 10 minutos que saímos de lá. — Questionei em dúvida.

—Eu sei, mas Gina está certa. Temos que começar o mais rápido possível, então já estamos prontos e vocês?

—Nós... ehn... — Tentei pensar em algo que dizer.

—Estamos terminando. — Gina completou minha frase.

Com um aceno de varinho Gi fez todas nossas coisas entrarem em uma mochila que eu acomodei facilmente no ombro e quarenta minutos depois já havíamos pago a conta de hotel e estávamos caminhando por Melbourne e decidindo qual seria o melhor meio de chegar a Sidney, que não era tão perto assim. Mais uma vez o avião seria a melhor opção: Gi ainda não se sentia bem aparatando a grandes distâncias, ainda mais para um lugar desconhecido.

Nosso vôo saiu pela noite, pouco antes das oito, e às onze e meia estávamos entrando em um hotel simples e confortável que ficava no centro da cidade.

—Não vamos procurar nada hoje, né? — Perguntei em voz baixa para que só Gina me escutasse.

—Vou falar com ela, pode deixar. — Me tranqüilizou e saiu em direção a minha amiga e o namorado que estavam um pouco à nossa frente no corredor dos quartos.

As duas trocaram algumas palavras rápidas e quando passaram em frente ao quarto 408 Gina se despediu e parou para me esperar.

—E ai? — Perguntei parando ao seu lado e abrindo a porta para nós.

—Ela também acha que procurar alguma coisa hoje não vai funcionar. — Respondeu já entrando. — Temos uma noite de folga.

Tranquei a porta, deixei a mochila por ali mesmo e quando me virei ela estava abrindo os botões da calça.

—Nem pense em fazer isso. — Falei caminhando em sua direção.

—Mas eu vou tomar banho, preciso tirar a roupa. — Explicou-se confusa.

—Deixa que eu faço isso pra você. — Respondi tranquilamente e ganhei um sorriso enorme.

Me sentei na beirada da cama e a puxei para que ficasse de pé na minha frente e antes de qualquer coisa dei um beijo em sua barriguinha linda. Segurei suas mãos enquanto ela tirava as sapatilhas que estava usando e desabotoei lentamente os botões da sua calça jeans. Seria impossível uma peça tão justa escorregar simplesmente, então fiz uma forcinha para tirá-la, e uma vez fora de seu corpo a arremessei para um canto qualquer no quarto.

Alisei um pouco suas coxas e o bumbum, mesmo por cima da calcinha, e depois a puxei pela cintura para que se sentasse no meu colo, da mesma maneira que estávamos pela tarde antes de Ron e Mione nos interromperem. Enquanto eu a acariciava um pouco mais nos beijamos de um jeito mais urgente, suas mãos nos meus cabelos e de vez em quando alisando meus braços e minhas costas. Nos separei tempo suficiente para tirar sua camiseta e deixá-la apenas de lingerie, antes de beijá-la novamente observei seu corpo branquinho em contraste com a minha camiseta preta.

—Gostosa!

Eu amava os sorrisos que ela abria diante dos meus elogios. Segundos depois ela já estava deitada na cama enquanto eu beijava seu pescoço e seus seios ainda vestidos com aquele sutiã branco e delicado. Antes de continuar minha inspeção apalpei o criado mudo em busca da minha varinha ou da dela e apontei para a porta murmurando “Abafiatto”. Antes de me deitar sobre ela novamente esperei que minha camiseta fosse retirada lentamente e recebi de bom grado seus beijos úmidos em meu abdômen.

A empurrei para que se deitasse novamente e ela riu quando se chocou contra o travesseiro, aproveitei para atacar sua boca em um beijo mais urgente enquanto alisava seus quadris não tão delicadamente como deveria fazer. Sem desgrudar minha boca da dela desafivelei meu cinto e tentei desabotoar minha calça jeans, processo que estava um pouco difícil.

—Deixa que eu tiro. — Falou ainda com a boca na minha e com as mãos apoiadas sobre a minha, seus dedos roçando levemente minha ereção.

Deixei que ela tomasse conta da situação e me deitei de costas quando ela me pediu para fazê-lo. Observei com um sorriso safado quando ela tirou minha calça e se sentou sobre minha cueca preta, esfregando nossos sexos sem nenhum pudor e se debruçou sobre mim levando seus lábios direto para o meu pescoço, me deixando inteiro arrepiado. Aproveitei o momento para tirar seu sutiã e acariciar seus seios nus, ouvindo-a arfar enquanto minhas mãos trabalhavam neles.

Gina se encarregou de tirar as ultimas duas peças de roupa que ainda usávamos e do jeito que estávamos se encaixou sobre mim, subindo e descendo em movimentos que começaram um tanto mais lentos e depois se tornaram mais urgentes, para então alternar a velocidade novamente, fazendo-me gemer em protesto enquanto ela me lançava um sorriso safado para depois retornar àquela expressão de êxtase, com os lábios entreabertos e os cabelos ondulando levemente à medida que ela se mexia.

Eu adorava ver seu rosto enquanto fazíamos amor, a expressão forte e determinada que ela mantinha no olhar, tal como no dia em que nos beijamos pela primeira vez na sala comunal, mas não consegui manter os olhos abertos quando senti que ela diminuiu a velocidade e rebolou lentamente no meu colo. Abri os olhos em tempo de vê-la mordendo o próprio lábio inferior e arquear uma sobrancelha em tom de desafio, o que foi suficiente para que eu nos virasse e a deitasse embaixo de mim, determinando o meu ritmo que era um tanto mais rápido que o dela.

Quando nós dois chegamos ao ápice estávamos ofegantes e um pouco suados, no entanto com uma expressão de pura satisfação no rosto. Sai de cima dela e me deitei ao seu lado, que imediatamente se virou de frente para mim, me olhando com aquele olhar de adoração que eu ainda me sentia totalmente encabulado em receber. Essa era uma das inúmeras vantagens de namorar alguém que foi feito exclusivamente para você: nós não precisávamos falar para entender um ao outro, aquele olhar que estávamos trocando já bastava. E eu sabia que ela estava completamente feliz ali comigo, exatamente como eu estava com ela.

Depois de ficar um tempo admirando-a, me levantei e a puxei comigo para um banho que tomamos em meio aos carinhos com o qual nos tratávamos normalmente, algumas piadinhas sem graça por parte dela e muitas risadas de nós dois. Nos secamos e nos deitamos sem roupa mesmo, estava muito calor hoje.

—Amor — Ela me chamou depois de um tempo deitados em silencio, eu a olhei e ela continuou. — O que exatamente vocês fizeram naquela viagem?

Ela não me pressionaria a falar, mas eu via a curiosidade monstruosa que rondava seus olhos na expectativa da resposta.

—Acho que agora não tem mais problema te falar, não é? — Brinquei antes de responder.

—Espero que não, embora hajam alguns comensais desavisados por ai ainda. — Me respondeu no mesmo tom.

—Nós estávamos destruindo Voldemort. — Respondi de maneira sucinta.

—Mas você não o destruiu naquele duelo no castelo? — Seu semblante estava confuso.

—Não exatamente, aquele dia eu só terminei. Ele era muito mais indestrutível do que todos acreditavam.

—Não entendi. — Falou deixando de lado a expressão de “não” curiosidade e se apoiou no cotovelos para me olhar melhor.

Eu não me sentia muito confortável explicando magia avançada das trevas para minha namorada, mas disse a ela tudo que me explicaram sobre horcruxes, desde algumas das aulas com Dumbledore até como tivemos que fazer para destruí-las. Quando finalizei a narração dizendo que finalmente descobrimos que a ultima era o Diadema Perdido, ela me olhava com uma expressão entre assombrada e brava.

—E onde estavam essas horcruxes?

—O medalhão estava no pescoço da Umbridge dentro do Ministério...

—Então é verdade que você foi visto no Ministério? — Perguntou com os olhos arregalados?

—Sim, nós três invadimos. A Taça estava no Gringotes, no cofre da Belatrix. — Pausei esperando sua indignação.

—Então foram vocês que arrombaram o Gringotes? — Se alarmou ainda mais.

—Sim, fomos nós. E também é verdade que fugimos de lá voando num dragão.

—Essa parte não saiu no Profeta, mas de qualquer forma fico feliz de saber. — Disse irônica e nós rimos.

—O Diadema estava na Sala Precisa e a Cobra estava com ele, como sempre.

—Quantas vezes você quase morreu nessas buscas? — Perguntou e pelo seu tom de voz eu não soube se ela realmente gostaria de saber ou não.

—Algumas. — Respondi vagamente.

—E por que você foi se encontrar com ele na Floresta? — Perguntou isso me abraçando, como para garantir que eu não fugisse.

—Essa história é mais complicada Gi, é uma história longa...

—Não estou com sono, amor.

Eu entendi que ela iria querer saber, já sabia que ela perguntaria logo por isso e eu também queria contar então narrei tudo desde a memória que o Prof. Snape me deu até a ida à floresta e a Maldição Cruciatus quando ele achou que eu já estava morto.

—E o que você acha do Prof. Snape agora? — Perguntou apoiando o rosto no meu peito.

—Eu acho que parte do que consegui fazer eu devo a ele, acho que ele é o homem mais corajoso que eu já conheci, porque a qualquer momento Voldemort poderia ter descoberto e certamente as conseqüências não seriam as melhores para ele, não é mesmo?

—E quem torturou Hermione? Na sua primeira noite você me disse que ela foi torturada...

—Foi Belatrix, quando encontrou a Espada de Griffyndor conosco. Eu e Ron não vimos, mas não foi agradável de ouvir. — Respondi calmamente, embora a lembrança não fosse muito boa.

Ela ficou em silêncio alguns minutos, e eu achei que já estivesse dormindo. Não forçaria as informação, mas eu já tinha decidido que contaria a ela tudo que quisesse saber a respeito do tempo em que me ausentei, afinal eu queria que soubéssemos tudo um do outro e esse não era um fato ignorável.

—Você já usou as maldições imperdoáveis? — Perguntou subitamente, e eu me assustei um pouco com a quebra do silêncio.

Essa não era uma pergunta que eu esperava.

—Já. — Eu não mentiria para ela.

—Até a da morte?

—Foi a única que não usei. E não tenho nenhuma intenção de usar. — Respondi fazendo carinho em seus cabelos e ela não falou nada. — Está assustada?

—Claro que não. — Seu tom de voz era óbvio. — Estou é mais que feliz que esteja aqui, não me importa o que você precisou fazer para conseguir chegar.

—Que bom que pensa assim. — Beijei sua testa e a aconcheguei mais no meu abraço. — Não foi uma viagem fácil, nem divertida. E como eu te prometi no dia do meu aniversário, sem nenhum tempo para garotas. — Ela riu baixinho e eu a acompanhei.

—Só quero ver quando voltarmos a Hogwarts. Vou precisar aprimorar minhas técnicas de azaração. — Comentou distraidamente.

—E eu as minhas de tortura. — Brinquei.

Ela me olhou com os olhos arregalados e em seguida rimos de novo.

—Seremos da mesma sala esse ano. — Deitou de novo enquanto falava, dessa vez de costas para mim. — Vai ser interessante, não acha?

—Acho. Teremos mais tempo para nos ver e minhas notas cairão potencialmente. — Suspirei em uma falsa lamentação.

—Eu posso te dar aulas particulares. — Falou manhosa e eu ri preguiçosamente com o rosto em seus cabelos.

O assunto foi acabando ao mesmo tempo em que o sono nos vencia, e alguns minutos depois já estávamos dormindo abraçados, aproveitando ao máximo a presença um do outro. Acordei antes que Hermione viesse nos chamar e deixei que Gina dormisse mais um pouco enquanto eu tentava encontrar uma maneira brilhante de achar os pais dela, mas nada me ocorreu no tempo em que fiquei acordado sozinho.

O primeiro dia em Sidney passamos trancados no quarto procurando clinicas e mais clinicas dentárias pela cidade, e ligando para todas elas. Diferente de Melbourne, nossa cidade atual era enorme e o trabalho de procurar clinicas e endereços foi muito mais demorado do que havia sido antes.

Passamos toda a sexta feira e sábado pela manhã telefonando para todos os dentistas que encontramos e ninguém parecia nem conhecer alguém com sobrenome Wilkins. Sábado pela tarde e domingo não os procuramos porque normalmente os comércios estavam fechados e todos concordamos que seria inviável tentar encontrá-los numa cidade enorme como essa.

O dia foi aproveitado, ao contrário do que imaginei, com buscas na internet e anotações em nossa listinha de locais encontrados. Somente no domingo, depois do almoço, é que fomos passear um pouco e ver um pouco além do caminho hotel-restaurante-hotel. Ainda assim o passeio não foi demorado, afinal ficar o dia sentado em frente a um notebook era exaustivo, então terminamos nosso dia de folga deitados na cama do quarto que eu e Gina estávamos hospedados e assistindo um filme trouxa na televisão.

Segunda feira amanheceu no mesmo ritmo: café da manhã na Starbucks que há na rua do hotel, ligações infinitas para clínicas, almoço em um restaurante qualquer do shopping (Gina queria ir ao shopping em cada oportunidade que havia) e mais ligações pela tarde. No fim do dia ainda tínhamos uma lista de mais de 80cm com telefones diversos e o trabalho recomeçou na terça feira, seguindo exatamente a mesma rotina.

Era quase hora do almoço, estávamos sentados no chão e era a vez de Gina fazer as ligações enquanto Ron descansava e eu e Mione procurávamos por mais alguns telefones quando minha namorada discou o numero que acendeu todas as nossas esperanças:

—Bom dia, por favor, Wendell e Monica Wilkins trabalham ai?

Essa frase já havia sido repetida tantas vezes, e de maneira tão monótona que o grito de surpresa que ela deu depois disso fez com que eu derrubasse o copo no qual eu estava bebendo água.

—Trabalham? — Seus olhos estavam enormes, Ron já estava ajoelhado ao lado dela, Mione havia quebrado seu prato de bolinhos quando o jogou de qualquer jeito para o lado e eu me esqueci completamente da minha intenção de consertar o copo quebrado. — É, bem, sim. Eu gostaria de marcar uma consulta com a Sra. Wilkins.

Notei que as mãos dela tremiam um pouco segurando o telefone, não sei se de ansiedade pela noticia que todos esperávamos ou porque não fazia idéia que dentistas marcavam consulta.

—Não, não precisa me explicar nada agora, estou indo até ai. — Hermione já mordia com tanta força os próprios lábios que a qualquer momento eles se cortariam. — Eu peguei o endereço na internet, obrigada.

Gina mal tirou o telefone da orelha e Hermione já estava quase em cima dela:

—Encontramos? — Perguntou com os olhos marejados. — O que ela disse? Me conta!

—Ela confirmou que eles trabalham lá mas ficou o tempo todo tentando me interromper, acho que queria me dizer com detalhes o que os dentistas fazem, para o caso de eu não saber. — Explicou tentando soar sábia;

Por incrível que pareça Hermione riu quando ouviu isso e já foi se levantando do chão apressada, olhando ao redor com o olhar tão perdido que eu quase acreditei que ela não sabia onde estava.

—O que eu visto? — Perguntou apreensiva. — Não posso simplesmente aparecer depois de um ano pra reencontrar meus pais usando um short de malha e a camiseta do Rony.

O olhar que Ron me lançou quando ouviu isso me fez ter certeza que ele também sabia que essa preocupação com a roupa era puro nervosismo, no entanto optamos por sair e deixar que ela e Gina e arrumassem para o tão sonhado encontro.

—Cara, nem acredito. — Ele comentou quando entramos no quarto ao lado, onde eu e Gina nos hospedávamos.

—Nem eu. Só espero que esses Wendell e Monica Wilkins sejam realmente os que estamos procurando.

—Nem pensei nessa possibilidade. — Me olhou em dúvida. — Será que esse nome é comum na Austrália?

—Eu espero que não. — Passei a mão pelos cabelos, como fazia quando estava nervoso. — Ela já melhorou com você?

Diante da minha pergunta sinceramente preocupada Rony abriu o sorriso mais malicioso que já vi em seu rosto durante todos os nossos sete anos de convivência.

—Ok, não me conte. — Nós rimos.

—Será que eles vão gostar de mim? — Perguntou com a expressão cômica de sempre.

—Eles já conhecem você, Ron.

—Eu sei, mas antes eu não era namorado da filha deles. — Explicou como se fosse óbvio. — Acho que vou precisar falar com o pai dela também, não é?

—Acho que sim. Eu falei com seu pai. — Dei de ombros como se não tivesse sido nada demais.

—E foi fácil?

—Na hora não, mas depois é tranqüilo. — Tentei reconfortá-lo.

Ele ia dizer mais alguma coisa quando a porta se abriu revelando uma Hermione roendo o que sobrava de suas unhas e usando uma das roupas que havia comprado no dia que fomos à Londres sozinhos. Minha namorada vinha logo atrás com o mesmo vestido que já estava usando.

—Vamos? — Anunciou nervosa.

—Você está linda, Mi. — Ron se apressou a dizer e eu me surpreendi que ele houvesse dito a coisa certa e na hora certa.

—Onde é a clínica, Gi? — Perguntei para minha namorada.

—Ela me passou o endereço, mas não faço idéia se fica perto daqui. Podemos ir de carro, eu acho.

—O que acha Mi? — Ron perguntou tentando incluí-la na conversa, já que sua expressão indicava mais que ela estava com o Aperto-Você-Sabe-Onde.

—Acho que podemos ir logo, e que estou nervosa. — Respondeu voltando a roer uma unha.

—Vamos logo, antes que ela perca a ponta dos dedos. — Gina sussurrou para que só eu ouvisse e em seguida virou-se para o irmão. — Vamos, Ron.

Saímos na frente e logo em seguida os dois nos seguiram. Passamos pelo hall e como era de se esperar, já que estávamos com pressa, o primeiro táxi passou quinze minutos depois que estávamos parados na calçada esperando e eu estava vendo a hora que Hermione se decidiria a ir a pé, mesmo não sabendo para onde ir.

Assim que entramos no carro Gina entregou o endereço ao motorista e saímos em direção à tal clínica onde, se Deus quisesse, encontraríamos Sr. e Sra. Weasley disfarçados. Por incrível que pareça, pelo caminho pegamos um transito colossal por conta de um pequeno acidente envolvendo dois carros e o caminho foi feito de maneira muito lenta. Enfim, depois de quarenta minutos virando ruas e ruas pra fugir do congestionamento o motorista parou o carro e anunciou:

—Chegamos.

Paguei o valor cobrado e desembarquei antes que eles (eu havia vindo na frente, já que em carros trouxas o banco de trás era estritamente reservado para três pessoas), Ron e Gina desembarcaram logo em seguida e Mione precisou ser arrastada de lá de dentro, mas assim que se viu fora do carro quase correu em direção à entrada do prédio muito branco que se ergueu à nossa frente. Ela caminhou decidida até a porta de entrada, depois parou e se virou para Gina:

—Vai na frente Gina, por favor. — Pediu com os olhos muito abertos, me fazendo lembrar nosso primeiro ano quando ela olhava para o Trasgo Montanhês que quase a atacou no banheiro.

Minha namorada segurou minha mão e passou por ela com um gesto mudo de apoio, se dirigindo ao balcão que havia no meio da pequena sala, comigo em seu encalço. A clínica era ainda mais branca por dentro, e atrás do balcão de atendimento havia uma mulher um pouco gordinha usando um uniforme cinza com o logotipo da empresa bordado na frente.

—Boa tarde, sou Gina Weasley. Liguei aqui há alguns minutos procurando por Monica e Wendell Wilkins, acredito que tenha falado com a senhora.

—Boa tarde, sim, a senhorita falou comigo.

—E os dois são exatamente esses, não é? — Perguntou mostrando uma foto deles, que Hermione carregava consigo.

—Sim, são eles, mas...

—E eles trabalham aqui, certo?

—Certo, mas...

—E nós podemos vê-los? — Pediu ansiosa.

—Não, vocês não poderão vê-los. — Respondeu com a expressão inalterada.

—Por que não? — Hermione se adiantou e perguntou quase alto demais.

—Porque o que estou tentando falar para essa mocinha — apontou para Gina — desde a hora que conversamos pelo telefone, é que os Srs. Wilkins saíram de férias ontem, pelo que me consta há essa hora provavelmente estão em alguma cidadezinha do interior descansando, e só retornam daqui um mês.

—Por favor, me diga onde eles estão ou um modo de encontrá-los. — Hermione pediu quase chorando.

—Desculpe senhorita, não lhe diria nem que soubesse. Não é da política da nossa clínica passar informações confidenciais de funcionários para estranhos.

—Mas eu não sou uma estranha! Eu sou a... — Ela parou sem saber o que dizer.

—A? — Perguntou a atendente com tom irônico.

—Uma amiga de longa data. — Finalizou com a expressão triste.

—Lamento, não posso ajudar. — Encerrou a conversa e virou-se novamente para o que estava fazendo antes de entrarmos.

—Vamos amor. — Ron passou o braço por sua cintura e a conduziu para fora dali.

Eu e Gina saímos logo atrás e ao invés de pegar um taxi direto para o hotel, Hermione atravessou a rua e sentou-se no bando de uma pequena pracinha que havia em frente ao local onde seus pais trabalhavam.

—Um mês. — Sussurrou erguendo a cabeça e nos olhando. — Só temos mais uma semana de férias!

—Pelo menos já sabemos onde eles estão. — Tentei parecer confiante.

—Claro, Mione. E podemos voltar nas férias de natal para encontrá-los. — Gina se manifestou pela primeira vez desde que saímos.

—Nas férias de natal eles já podem ter se mudado de cidade, de país, sei lá. — Comentou baixando novamente a cabeça e escondendo o rosto entre as mãos.

—Se isso acontecer nós os encontraremos novamente. Derrotamos Voldemort, Mi, dois dentistas não fugirão de nós para sempre. — Rony disse sabiamente antes de puxá-la pelas mãos e fazê-la se levantar — Vem, vamos aproveitar que já encontramos o que estávamos procurando e conhecer melhor Sidney, ainda temos uns dias de férias.

Notas finais
Olá, pessoas lindas! Mais um capítulo pra vocês. Desculpem a demora, é que eu sei exatemente o que quero escrever, mas não sei como. Entendem? Vou tentar seguir o ritmo de um capítulo por semana, se eu não conseguir me desculpem meesmo! Mas não se preocupem, eu não vou abandonar. Aceito, mais do que nunca, sugestões, opiniões, reclamações, elogios e, também, indicações. Poxa, não tenho nenhuma! =/ rsrs Comentem, amo ler o que vocês acham das minhas histórias. Beijinhos.