Sobre os 19 anos depois
3 Sr. e Sra. Weasley
Notas iniciais
"Porque eu sabia que um dia você viria", pensei sorrindo. E foi com a lembrança do seu corpo lindo e de sua última resposta que eu adormeci, provavelmente sorrindo.
POV Harry
E sonhei com ela, é claro! Eu já esperava que isso fosse acontecer, estava muito comum ultimamente.
Mesmo estando cansado não consegui dormir muito, e quando decidi me levantar e descer para o café da manhã todos os outros ainda dormiam, exceto a Sra. Weasley.
—Bom dia Sra. Weasley.
Ela se virou pra mim com o sorriso maternal de sempre.
—Bom dia, Harry, querido, dormiu bem?
—Sim, obrigado. — Disse enquanto me sentava e ela imediatamente colocava inúmeras comidas diferentes diante de mim, como se eu não comesse há dias.
—Ontem eu estava um pouco distraída, mas agora vejo como está magro, querido, deve se alimentar direito. — Disse a frase de sempre, me fazendo rir e agradecer.
—Harry, pode me responder uma coisa? — Perguntou um pouco sem graça.
—Claro, Sra. Weasley.
—Bom, na verdade são duas coisas. — Riu um pouquinho e continuou. — Agora que tudo está acabado, você, Rony e Hermione não se afastarão mais de nós, não é verdade?
Respirei fundo e decidi contar a verdade.
—Não por muito tempo nem para nada perigoso, eu acredito. — Ela me olhou em dúvida — Temos que ir à Austrália encontrar os pais da Mione e devolver-lhes sua memória,
—Bom, se é só isso, menos mal. — Disse realmente parecendo aliviada.
—E qual seria sua outra pergunta, Sra. Weasley?
Ela imediatamente atingiu o mesmo tom de vermelho que Ron atingia quando estava constrangido.
—Bom... — Começou sem graça. — Eu andei percebendo algumas coisas e queria confirmar, mas está tudo bem se não quiser me dizer. — Falou muito rápido, respirou fundo e continuou. — Rony e Hermione estão... hunnn... namorando?
Também fiquei constrangido, mas decidi contar a verdade, logo todos estariam sabendo de qualquer forma.
—Acho que estão sim, ontem o Rony meio que pediu para que eu os deixasse conversar sozinhos. — Respondi e resolvi fazer outra pergunta — A Sra. não gosta dos dois juntos?
— Oh, não! Imagine — Riu um pouquinho — Eu não poderia imaginar ninguém melhor para o meu Roniquinho.
Ficamos um silêncio um instante, e eu reparei que ela queria dizer algo e não sabia como.
—E você, Harry — Perguntou envergonhada — Nunca pensou em namorar ninguém?
E eu engasguei!
—Oh Merlin! — Disse assustada enquanto, com um aceno rápido de varinha, fazia com que o pedaço de bolo de caldeirão que eu comia descesse — Eu não queria ser tão indiscreta.
Enquanto me recuperava pensei que seria bom ter alguém para conversar sobre isso, alguém como uma mãe. Ninguém melhor que a Sra. Weasley.
—Não se preocupe Sra. Weasley, não foi nenhuma indiscrição — Falei sincero e olhando pra baixo — Euestouapaixonado.
Acho que disse rápido demais.
—Desculpe querido, não entendi.
—Eu estou apaixonado. — Disse totalmente envergonhado, olhando para minhas mãos.
Ela riu de modo afetuoso.
—Não precisa se envergonhar disso, é normal. — Disse compreensiva — Aliás, na sua idade é mais do que normal. E se não quiser falar sobre isso sinta-se a vontade.
—Não, é bom ter com quem conversar sobre isso, alguém como uma mãe. Duvido que tia Petúnia um dia me ouvisse se eu resolvesse contar que me apaixonei.
Rimos juntos, enquanto eu começava a me sentir mais confortável.
—Mas me diga — Começou mal conseguindo conter o brilho de curiosidade nos olhos — A moça também sente o mesmo por você?
—Bom, eu imagino que sim, nos damos tão bem.
—E eu vou aprová-la? Já a conheço? Ela é bonita? — Perguntou séria. — Porque você é como um filho pra mim, Harry, não vou tolerar que nenhuma bruxinha interesseira queira se aproveitar de você.
E eu estava sem graça de novo.
— Na verdade ela não é nenhuma interesseira, a Sra. já a conhece, nunca vi nenhuma mulher mais linda que ela, nem bruxa nem trouxa, e sei que terá a mesma opinião em relação à Rony e Hermione: não imaginará ninguém melhor que ela pra mim. — Decidi ser sincero de novo, logo todos saberiam mesmo, não teria como fugir disso.
Ela sorriu, parecendo satisfeita, e disse:
—Posso te dar um conselho de mãe? — Perguntou de maneira bondosa e eu assenti. — Fale logo com Arthur, ele gosta muito de você, mas não gostará de saber que a única filha dele anda namorando escondido por aí.
—Hnn...obrigado. — Disse e isso soou mais como uma pergunta aos meus ouvidos. — Mas, como a Sra. sabe? — Perguntei ainda muito vermelho.
Ela riu e dessa vez parecia mesmo estar se divertido.
—Ora, Harry, uma mãe conhece seus filhos. — Ela falou como se isso esclarecesse tudo. — Além do mais, eu reparei os olhares que vocês trocaram no casamento de Gui e Fleur, o modo como você tentou defendê-la quando os comensais invadiram e Remo teve que praticamente expulsá-lo daqui, a maneira desesperada que ela buscava notícias suas quando esteve longe e além disso ela quase enlouqueceu a mim e ao Arthur para deixá-la voltar com Rony de Hogwarts ontem.
Rimos um para o outro.
—E a Sra. nos apóia? — Perguntei de cabeça baixa e um tanto inseguro.
—Fica até engraçado ver o homem que derrotou Voldemort tão inseguro na frente na mãe da namorada. — Rimos juntos. — Claro que apoio Harry, eu não consigo imaginar ninguém melhor pra minha Gina e ninguém melhor pra você. Apesar de ela não ser a menininha que imaginamos que seja, sei que você pode protegê-la se um dia precisar.
—Obrigado, Sra. Weasley — Disse sincero, dessa vez olhando pra ela. — Acha mesmo que eu devo falar com o Sr. Weasley?
—Sim, eu acho. Apesar que algo me diz que ele também já deve ter percebido, ele gostará de saber pelos dois. E quanto aos meninos, não se preocupe, eles tentarão assustá-lo, mas basta que eu os olhe de maneira séria para que os deixem em paz.
—E se isso não resolver, posso jogar neles minha azaração para bicho papão — Gina falou sorridente entrando na cozinha já sem aquele pijama de ontem a noite.
—Gina, quantas vezes já lhe disse que é feio escutar a conversa das pessoas? — Perguntou a Sra. Weasley séria.
—Desculpe, mamãe, não pude evitar. — Respondeu divertida. — Bom da, Harry — sorriu pra mim.
Meu coração disparou, claro, o sorriso dela era tão lindo.
—Bom dia, Gi. — Disse um tanto bobo até para os meus ouvidos.
Ela sentou-se ao meu lado para comer e eu me lembrei de um assunto importante que teria que tratar com a Sra. Weasley.
—Sra. Weasley — Comecei meio sem jeito — A Sra. sabe que eu e Hermione não temos para onde ir por enquanto, não é?
—Ora, Harry, deixe de bobagem, essa também é a casa de vocês.
—Obrigado, Sra. Weasley, mas não podemos ficar aqui para sempre. Logo os pais de Hermione voltam, e eu também tenho o Largo Grimould, não gostaria de abandonar a casa que meu padrinho me deu.
—Então vocês vão embora? — Perguntou um pouco triste.
—Bom, pensamos em passar as férias aqui, retornaremos à escola para o ultimo ano letivo e quando nos formarmos voltamos para nossa casa.
—Bom, se vão passar pelo menos essas férias aqui, menos mal. — Disse a Sra. Weasley um pouco descontente. — Mas sabem que podem voltar quando quiserem.
—Obrigado. — Respondi me preparando para a pior parte. — E eu estive pensando também, que enquanto eu estiver aqui gostaria de ajudar...
—Não me venha mais uma vez com aquela conversa de nos ajudar com a herança de seus pais, mocinho — Me respondeu calma, porém de maneira incontestável.
—Não, dessa vez iria oferecer outro tipo de ajuda, algo que não gostaria que a Sra. recusasse. — Falei também calmo. — A Sra. se lembra do Monstro, o elfo doméstico que meu padrinho me deixou como herança? — Ela assentiu. — Vou procurá-lo esta semana, caso ele não tenha morrido na guerra, vou ordenar para que ele venha para A Toca e obedeça a todas as ordens que receber aqui. O que me diz?
—Digo que não há necessidade, Harry...
—Ora, mamãe, deixe disso. — Se manifestou minha ruiva pela primeira vez. — Que mal há se Monstro ficar aqui até que Harry volte de Hogwarts? A Sra. vive reclamando que esta casa te dá trabalho demais.
—Mas Gina, não vou me sentir bem explorando o pobrezinho...
—Sra. Weasley, não haverá problema nenhum, isso lhe garanto, Monstro se sente feliz em trabalhar desde que ele seja tratado bem, tenho certeza que aqui ele será muito bem tratado o tempo inteiro.
—Bom, isso sem dúvida...
—Então está decidido! — Disse Gina, levantando-se — Venha Harry, vamos buscá-lo.
Olhei assustado pra Sra. Weasley, e ela respondeu:
—Vá logo, Harry, se quiser ter o resto do mês tranqüilo.
—Ta bom. — Falei simplesmente e saí.
Na verdade eu adorava a idéia de passar um dia inteiro só com minha Gina. Peguei sua mão e nos viramos para sair da cozinha. Tudo estava perfeito, até que dei de cara com o Sr. Weasley. Ele olhou calmamente para nossas mãos entrelaçadas e depois para nós dois. Ao contrário de mim, Gina estava muito calma.
—Bom dia, papai.
—Bom dia, Gina, Harry. — Falou sério.
—Bom dia, Sr. Weasley. — Disse vermelho e a Sra. Weasley interveio, graças a Deus.
—Bom dia, Arthur, venha, vamos tomar café, logo as crianças descerão.
—Já estou indo Molly, mas acredito que Harry e Gina queiram conversar comigo antes. — Disse decidido.
—Claro papai, podemos ir até a sala? — Perguntou Gina, ainda muito calma.
E nos dirigimos até lá. Nos sentamos nos sofás disponíveis, eu e Gina no de três lugares e o Sr. Weasley a poltrona à nossa frente.
— E então...
—Papai, eu e Harry estamos namorando. — Ela disse ainda calma, e eu não sei de onde vinha todo aquele sossego.
—Quer dizer, se o Sr. permitir, Sr. Weasley. — Emendei nervoso.
—Permitir? — Me perguntou sério — E o Sr. acredita, Sr. Potter — Nessa hora eu já soava frio. — Que exista, nesse mundo, alguém mais indicado para namorar minha menininha? — Terminou a frase com um sorriso que me deixou desconfortável.
Eu sorri, o que mais poderia fazer?
—Obrigado, não irei desapontá-lo.
—É claro que não. Agora, onde estavam indo com tanta pressa?
—Ah sim, estávamos indo procurar Monstro, o elfo doméstico que era de Sirius, eu o ofereci à Sra. Weasley para que a ajude com as tarefas domésticas.
—Ah, que maravilha, Molly vive reclamando que esta casa a cansa muito. — Falou com um sorriso. — Agora crianças, com licença, vou tomar café. — Disse já se virando — A propósito, Harry, como se chamava aquele objeto engraçado que encontrei na casa do seu tio? Mitodondas...Mileondas... Não consigo me lembrar...
—Microondas, Sr. Weasley. — Respondi divertido. — Serve para esquentar comida.
—Exatamente! — Exclamou animado. — Importa-se de passar em sua antiga casa e trazê-lo para mim? Estava querendo analisá-lo.
—Claro, passo lá e trago.
—Obrigado, Harry. — Disse feliz e virou-se para Gina, imediatamente ficando sério. — Não diga à sua mãe!
Ela simplesmente riu e nos viramos para sair. Caminhamos de mãos dadas pelo quintal, até o limite dos quintais d'A Toca. Ficamos em silêncio, mais uma vez eu não sabia o que dizer na frente dela, e a sensação de sua mão na minha era reconfortante.
—Você ainda não sabe falar perto de mim, né? — Falou divertida.
—E pensar que você era a criança tímida há alguns anos atrás. — Também ri.
—Não ria disso, já superei essa fase. — Falou tentando aparentar seriedade.
—Que bom, eu gosto mais do seu lado desavergonhada. — Ri pra ela.
—Deixe meus irmãos ouvirem isso, Sr. Potter. — Também riu.
—Acho melhor não, Srta. Delicia. — Disse divertido e um pouco constrangido, eu nunca a havia chamado dessas coisas.
—Então eu sou uma delicia? — Disse chegando mais perto de mim parando de frente pra mim.
—Muito! — Respondi ainda um pouco vermelho e olhando pra ela.
—Que bom saber, acho que você vai aprovar então! — Disse recomeçando a andar e rindo do meu constrangimento e cara de dúvida. — Podemos aparatar daqui?
—Podemos. — A abracei pela cintura e desaparatamos.
Estávamos agora parados em uma praça, olhando para as casas de número 11 e 13 afastarem-se vagarosamente, enquanto uma terceira casa surgia entre elas. Ainda de mãos dadas olhamos um pro outro:
—Bem vinda ao Largo Grimould. — Disse enquanto atravessava a rua em direção à casa.
E confesso que estava ansioso para saber o que iria encontrar lá dentro.
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