Sobre os 19 anos depois
13 Querido Cunhado
Notas iniciais
POV Harry
Acordei com Gina enroscada em meu pescoço, uma perna em cima da minha cintura e ressonando tranquilamente. Era uma cena linda que eu faria questão de apreciar cada dia das nossas vidas daqui a alguns anos. Fiquei na mesma posição em que estava para não acordá-la e acariciando suas costas nuas com as pontas dos dedos, causando-lhe arrepios. Enquanto isso eu estava olhando para o teto, sentindo sua respiração quente em meu pescoço e pensando em quão sortudo eu era com tudo que eu havia conseguido.
Minha namorada era excepcionalmente linda, e mais do que isso era uma mulher maravilhosa e que me proporcionava tudo que um homem deveria querer: amor, carinho, compreensão, amizade e um sexo incrível. Ela é tudo que eu preciso, tenho certeza disso, mas as vezes me preocupa a possibilidade de não poder dar a ela tudo que ela precisa. E não digo isso financeiramente, porque embora ela não aceite agora que eu lhe pague tudo que desejo e tudo que ela merece, assim que ela se tornar minha esposa terá tudo que quiser e o dinheiro puder comprar.
Eu estava sorrindo igual um bobo olhando para cima e nem reparei quando a respiração dela ficou mais leve, apenas me toquei quando ouvi sua voz delicada e um tanto rouca, típica de quem acaba de acordar.
—Que sorriso mais lindo. — bocejou se separando um pouco de mim e apoiando-se nos cotovelos. — Posso saber a que ele se dirige?
—Certamente, bom dia amor. — Acariciei levemente seu rosto e ela sorriu em resposta- Eu estava imaginando que quando nos casarmos eu vou finalmente poder comprar tudo que eu quiser para você, sem que você possa reclamar mais.
—Ahh Harry, não acredito que o que te faz sorrir é imaginar o tanto de coisas que pode comprar pra mim. Francamente, quando foi que eu ja te cobrei presentes?
—É exatamente essa a graça, amor, você nunca cobrar e eu sempre te fazer surpresas.
—Bobo! — Falou isso chegando mais perto e me dando um selinho. -Que horas vamos para casa?
—Acho que podemos ficar um pouquinho mais aqui. — Levantei um pouco o lençol que nos cobria e olhei seu corpo nu deitado de bruços. — Não é todo dia que tenho o privilégio de te ver assim.
Ela riu e deitou novamente no meu peito.
—Será muito gostoso quando formos só nós dois, não é. — Começou a acariciar meu peito. — Não precisar avisar quando quisermos sair, sem irmãos ciumentos.
Eu ri baixinho.
—Quando você vai começar a reformar nossa casa? — Perguntei alisando seus cabelos.
—Quando você quiser, amor.
—Eu estive pensando, que tal quando voltarmos de Hogwarts? Eu tenho meu treinamento de auror, dura dois anos. Eu estive pensando que você pode fazer isso enquando eu estiver fora, quando eu retornar você me faz uma surpresa.
—Você vai ficar dois anos fora? — Me perguntou levantando-se abruptamente do meu peito e me olhando daquela maneira usualmente indecifrável.
—Você sabe que eu sempre quis ser auror, amor. Mas eu prometo voltar para casa todas as vezes que eu puder sair. Afinal, quem mais eu iria vez? Alem disso, você vai precisar de um tempo para se especializar também, ou você não pensa em fazer nada quando terminar Hogwarts?
—Claro que penso, Harry. Mas nada que exija ficar dois anos fora em treinamento de alto risco.
Eu ri da cara emburrada que ela fez.
—Eu sempre vou voltar pra você, bebe. Não duvide disso.
—Eu não duvido, amor. Mas vou ficar com saudade.
—Eu também, pode ter certeza. — Ela deitou novamente no meu peito. — Mas assim que eu voltar você se tornará a Sra. Potter, ai sim teremos muito tempo para matar toda a saudade.
Ficamos um tempo deitados conversando, depois nos trocamos e descemos para a sala para aguardar que Ron e Mione levantassem. Quando eles finalmente desceram, eu e Gi estávamos deitados de conchinha no sofá, e mesmo que nenhum dos dois estivessemos dormindo, estávamos bem quietos, só aproveitando a presença um do outro.
—Conseguiram acordar? — Perguntei sem me virar para eles.
—Foi dificil, cara, mas conseguimos. — Ron me respondeu e nós rimos.
Gina riu levemente na minha frente, e eu podia jurar que ela estava de olhos fechados apreciando meu carinho em sua barriguinha lisa. Ron se jogou sentado na poltrona que era de Tio Valter e puxou Hermione para seu colo, estranhamente ela sentou-se sem reclamar.
Ficamos uns dez minutinhos ali conversando amenidades e rindo das besteiras que Ron falava. Resolvemos ir embora, afinal a Sra. Weasley nos mataria se chegássemos depois do almoço. Assim que pegamos nossas coisas e saímos de casa eu me lembrei que ainda teríamos que passar no Beco Diagonal para pegar a gaiola de Fred.
—Ron, Mione, temos que passar no Beco Diagonal para pegar a gaiola do Fred, se importa se demorarmos mais um pouco? — Perguntei enquanto descíamos os degraus da frente e virávamos à esquerda, já caminhando em direção ao beco sem saída onde dementadores me atacaram anos atrás.
Rony e Mione se entreolharam estranhamente e Hermione foi quem me respondeu.
—Se importam se eu e Ron formos embora antes de vocês? Esse sapato está machucando meu pé, quero chegar n'A Toca logo.
Achei estranho, porque ela não lançava um feitiço no sapato e o fazia ficar confortável? Mulheres...
—Claro que não. — Resolvi não contrariar. — Só avise a Sra. Weasley, por favor.
—Claro, aviso sim.
Mais cinco minutos caminhando e chegamos ao nosso destino, Ron e Mione se despediram rapidamente e aparataram juntos.
—Vamos? — Perguntei já estendendo meu braço para que Gi o segurasse.
—Claro, mas hoje eu te levo. — Disse piscando para mim e estendendo o braço para que eu segurasse.
Sorri ao ver o sorriso lindo que ela deu e segurei em seu braço. Depois da famosa sensação desagradável, chegamos ao nosso destino.
—Agora eu sou maior de idade, sabe como é, né... — Me disse rindo.
—Metida! — Falei abraçando-a pela cintura e lhe dando um selinho.
Peguei sua mão e descemos calmamente a rua conversando sobre qualquer coisa. Entramos na loja, eu pedi a gaiola espaçosa que havia comprado para a coruja de Gina e saímos. Ela fez questão de carregar, já que era dela o presente. Todos ali aparatavam, então não nos preocupamos em procurar um lugar escondido, assim que saimos da loja aparatamos para A Toca. Do lado de fora dos portões eu notei um silêncio incomum que Gina nem pareceu reparar, tão empolgada que estava dizendo como Fred ficaria espaçoso dentro da gaiola.
Segurei em sua mão e discretamente, e por instinto, segurei a varinha sem que ela percebesse mas de moto que eu pudesse protegê-la caso algo tenha acontecido. Aproveitei sua tagarelice e me apressei em abrir a porta em sua frente, deixando-a um pouco atrás, ela como sempre não me deixou ficar muito em sua frente e entrou rapidamente, o que fez com que eu quase morresse do coração. Eu ainda não tinha conseguido ver o motivo do silêncio, e quando Gina invadiu a cozinha velas explosivas se acenderam e uma gritaria enorme começou com o famoso coro "Parabéns pra você".
Me apressei em guardar a varinha para que não me chamassem de louco e Gina ficou alguns minutos sem reação, depois juntou-se à bagunça. Era bem típico dela animar as festas, ainda me lembro muito bem do dia em que a Grifinória ganhou o jogo da final do campeonato de quadribol e ela me beijou. A família Weasley em peso havia comparecido para comemorar a maioridade da caçulinha, e quando as luzes se acenderam, que todos começaram a se disperçar para continuar aproveitando a festa em outros lugares da casa eu avistei uma pessoa que só agora eu havia me lembrado que esqueci: Teddy Luppin.
Merlin, eu era um péssimo padrinho! É óbvio que eu amava meu afilhado, mas foram tantas coisas acontecendo, só havia se passado um mês desde que tudo havia acabado e eu ainda não havia tido coragem de ir visitá-lo. Ele estava agora com quase dois anos, lindo, muito esperto e óbvio, totalmente esquecido de mim! Pedi licença para Gina que estava recebendo os abraços de Gui e Fleur e me aproximei de Andrômeda.
—Ola, Sra. Tonks. — A cumprimentei.
—Olá, garoto. Como está? — Me cumprimentou saudosa como sempre.
—Vou bem, e a senhora como tem passado? — Perguntei da mesma maneira afetuosa.
—Ele me ajuda a superar. — Apontou para o menininho que hoje estava com os cabelos laranjas.
—Eu gostaria de me desculpar. — Falei olhando um pouco para baixo.
—Pelo que, Harry? — Me perguntou visivelmente em dúvida.
—Por não ter ido vê-los. A senhora sabe, ele é meu afilhado, mas eu não tive coragem.
—Harry, eu te entendo mais do que possa imaginar, e não se acanhe quanto a isso, eu sempre falo de você para ele, não é Teddy? — Chamou a atenção do garotinho que me olhava em dúvida e com vergonha.
—Eu agradeço muito, Sra. Tonks. E eu gostaria também de deixá-la a par de algumas coisas. — Falei convidando-a a se sentar. — Eu vou precisar viajar depois de amanhã, vamos procurar os pais de Hermione na Austrália e depois disso vou retornar a Hogwarts. Quando me formar daqui um ano, ainda terei meu treinamento de auror, serão mais dois anos como a senhora sabe. Então nesse tempo não estarei muito disponível para Teddy.
—Eu entendo Harry, não se preocupe com isso.
—Eu me preocupo, porque eu quero participar da vida dele, do crescimento dele. Eu gostaria de ser para Teddy o que Sirius teria sido para mim: quase um pai.
—E eu tenho certeza que será.
—Eu espero que ele entenda essa ausência toda e deixe que eu me aproxime quando já estiver disponível.
—Ele entenderá, Harry. Eu farei de tudo para isso. — Me respondeu sinceramente.
Eu me preparava para responder quando meu furacão ruivo veio quase correndo, pegou minha mão e se virou para Andrômeda:
—Posso levá-lo, Sra. Tonks?- Perguntou sorrindo lindamente.
—Fique a vontade. — Respondeu também rindo.
Eu nem tive tempo de falar e já estava sendo arrastado.
—O que foi, Gi? — Perguntei quando ela parou em um canto mais afastado da cozinha.
—É Percy, ele está aqui.
—Eu o vi, Gi.
—Sim, mas ele leu a matéria da Skeeter e não gostou nada, está dizendo ao papai que não é só porque você é famoso e rico que pode ficar usando a irmã dos seus amigos.
Eu estava de fato incrédulo. Definitivamente eu esperava essa acusação de todos, menos de alguem da familia Weasley.
—Gi, eu.. você sabe...
—Amor, eu sei, não se preocupe comigo. Percy sempre foi um idiota e eu não tenho dúvidas de que você me ame. Só queria te pedir uma coisa.
—Qualquer coisa.
—Por favor, Harry, não brigue com ele. Eu o conheço, ele vai te provocar, vai falar algumas coisas chatas porque ele adora aparecer, mas não dê ouvidos. Por mim e por mamãe, ela iria odiar vê-los brigando.
—Não se preocupe, Gi. Não vou brigar com ele. E o que seu pai acha disso?
—Quando passei por lá ouvi papai dizendo que não tinha nada a ver, mas Percy continuou falando então não sei.
—E Carlinhos, Gui e Jorge? — Perguntei visivelmente triste.
—Eles te adoram, Harry, sempre foram diferentes de Percy. E mais do que te adorarem, eles sabem que eu não me deixaria abusar.
—Menos mal. — Respondi cruzando os braços, que ela descruzou imediatamente antes de me abraçar.
—Eu te amo, e sei que você também.
Me deu um selinho e saímos de lá de mãos dadas. Eu passei pela mesa e peguei um pedaço de bolo para mim e para Gi, nos encostamos em um balcão, um de frente para o outro, e estávamos comendo e rindo de alguma coisa insignificante quando a provocação veio até mim.
—Ora, ora se não é o Eleito.
—Olá Percy. — Respondi simplesmente.
—Ouça Potter. — Eu não me dignei a olhar para ele, permaneci como estava. — Ainda que meus pais e meus irmãos se iludam com essa sua cara de bom moço, eu nunca confiei muito em você e para que você perceba mais rápido: minha irmã é demais para você. — Pela minha visão periférica eu vi que ele me olhou de cima a baixo e depois se virou para Gina — E você mocinha, nunca pensei que fosse do seu caráter se vender por algumas fotos no jornal.
Gina olhou calmamente para ele e respondeu.
—Percy, você sabe o que estamos comemorando hoje? — Disse com a conhecida expressão firme no rosto.
—Seu aniversário.
—Exatamente. — Cruzou os braços para ele. — Meu aniversário de dezessete anos, o que significa, querido irmão, que a partir de hoje eu sou maior de idade e ninguem mais tem o direito de se intrometer na minha vida, que eu tomo minhas decisões sozinhas, e significa principalmente que eu não preciso dos seus conselhos.
—Não fale assim comigo...
—Então, Percy, guarde para você suas opiniões sobre mim. Ainda que eu quisesse me vender, a partir de hoje a unica pessoa que poderia determinar o preço, seria eu mesma.
Nesse momento aconteceram algumas coisa simultaneamente: Percy começou uma frase que não acabou ("sua...") ao mesmo tempo em que levantava a mão para minha namorada e ela instintivamente fechou os olhos e se encolheu. A vantagem de já ter corrido muitos perigos é a agilidade que você ganha em seus reflexos.
—Desculpe Percy. — Disse enquanto segurava com força sua mão no ar. — Nossa conversa acabou.
Peguei Gi pela mão, a coloquei na minha frente e sai com ela de lá. Não me virei para vê-lo, pouco me importava como ele estava agora. Havíamos tido essa desagradável conversa na cozinha, enquanto todos os outros estavam na sala conversando animadamente, então ninguem havia visto. Ao ínvés de ir para onde estava o resto das pessoas, Gina me arrastou pela porta da cozinha e saimos para o quintal.
Ela caminhou de costas para mim e pisando duro em direção ao quartinho de bagunças do Sr. Weasley, abriu a porta e entrou, encostando-se no armário que havia la dentro e desde que saimos da cozinha virando-se de frente para mim pela primeira vez. E nesse momento, a pequena raiva que e havia sentido de Percy se transformou em ódio extremo, porque ela estava chorando.
—Amor, não chora. — Falei abraçando-a.
—Percy é um idiota! — Falou fungando em meu ombro. — Ele acha que tem o direito de aparecer aqui do nada e estragar meu dia.
Só afaguei suas costas enquanto ela falava.
—Nosso dia estava perfeito, Harry. — Falou em tom de lamentação.
—E vai continuar sendo, amor. Não liguei para ele, Percy não conhece a irmã maravilhosa que tem, se conhecesse nunca duvidaria do seu caráter.
Ela se afastou de mim e cruzou os braços com raiva.
—Sua familia está toda aqui, Gi, e eles te amam muito.
—Você quer voltar la? -Perguntou mordendo o lábio inferior.
—Eu volto e finjo que nada aconteceu, se isso te fizer feliz.
—Obrigada, amor. — Ela disse me abraçando e logo em seguida olhou para mim. — Como estou?
—Linda como sempre.
Peguei sua mão e saimos, retornando à casa. Entramos pela cozinha e fomos direto para a sala, onde todos estavam. Tomei o cuidado de levar Gi para o canto da sala onde ficássemos o mais afastados possível de Percy, ela não questionou. Coincidentemente Ron e Hermione estavam ao nosso lado, assim que nos sentamos Ron inclinou-se discretamente para mim e sussurou:
—Ele a fez chorar, não foi? -Concordei com um aceno de cabeça. — Ele é um idiota, não ligue para ele. — Concordei mais uma vez e puxei Gina para que apoiasse sua cabeça em meu ombro.
Passado o incidente a tarde se passou quase tranquila. No meio da conversa Percy sempre fazia questão de salientar quão importante estava sendo seu trabalho no ministério e o quanto ele estava se tornando importante. O que fez com que ele parasse foi o comentário de Carlinhos em um determinado momento onde ele contava pela terceira vez que havia sido convocado para uma importantissima viagem de negócios junto com o ministro e seus acessores diretos.
—Percy, só teremos certeza que você é tão bom assim quando parar de puxar saco e mesmo assim for chamado para essas coisas.
Toda a familia Weasley riu, até eu e Hermione que tecnicamente não éramos da familia, e Percy fechou a cara imediatamente. Conversamos ainda durante um tempo e quando estava escurecendo todos começaram a se despedir para irem para suas casas, para meu alívio todos meus cunhados se despediram de mim e de Gina com a mesma afetuosidade de sempre, com exceção de Percy que nem se despediu de nós dois.
Depois disso foi o mesmo de todos os dias: conversar um pouco na sala, esperar o jantar ficar pronto, comer todos juntos, ficar mais um tempo em familia e ir para as camas. Quando nos viramos para subir as escadas, o Sr. Weasley me chamou, e eu gelei.
—Harry, Gina, podem ficar mais alguns minutos?
Nos viramos lentamente, voltamos para a sala e nos sentamos em frente ele e a Sra. Weasley.
—Claro Sr. Weasley, o que desejam? — Perguntei visivelmente nervoso, Gina ao meu lado estava impassível.
—Harry, hoje pela tarde, durante a festa, Percy veio falar para Molly e eu que não confia em você. -Eu nem pensei em interromper. — Ele nos disse que você não era respeitável e que como qualquer jovem famoso e rico não levaria a primeira namorada a sério...
—Papai... — Gina começou e foi interrompida.
—Gina, me deixe terminar. — A Sra. Weasley piscou discretamente para ela. — Eu conversei com Molly hoje a tarde sobre isso, e nós dois temos as mesmas opiniões: nós confiamos em você, Harry. — Eu sorri para eles, a Sra. Weasley sorriu de volta. — E talvez até mais do que isso, eu confio em você também Gina. Então, independente do que Percy disse, ou nos alertou nas palavras dele, eu apoio o namoro de vocês.
—Obrigado, Sr. Weasley.
—Não tem que agradecer. — Falou e se ajeitou no sofá — Mas eu os chamei para outra coisa, uma coisa que hoje eu sinto que já deveria ter perguntado. Peço que não leve a mal, Harry, mas eu quero me sentir completamente seguro quando rebater os comentário de Percy contra você.
—Claro, Sr. Weasley. — Respondi prontamente.
—O que você quer com Gina? — Me perguntou visivelmente desconfortável, acho que nenhum de nós dois nunca nos imaginamos nessa situação.
Eu optei responder sinceramente.
—Sr. Weasley, eu só não me caso com Gina se ela não quiser. — Molly abriu um sorriso tão amplo que eu achei que nunca mais conseguiria desfazê-lo.
—Eu fico muito satisfeito com isso, filho. — O Sr. Weasley me respondeu mais confortável agora. — E você, Gina?
—Considere a mesma resposta, papai. — Falou calmamente.
—Ótimo! — E se dirigiu novamente a mim. — E Harry, uma ultima coisa. Eu gostaria muito que acatasse esse meu pedido. Percy vai te provocar, não tenho duvidas disso. Por favor, não perca a paciencia com ele, não brigue com ele, no fim eu sei que é isso o que ele quer. Eu conheço o meu filho, ele vai provocar, te chatear, tentar colocar Gina e os outros contra você, mas ele é inofensivo... — Dessa vez eu que me mexi desconfortavelmente.
—Papai, Percy tentou me bater hoje. — Gina disse impassível, com o tom de quem descorda totalmente da ultima opinião do pai.
—O que? — O Sr. Weasley praticamente gritou, e não se levantou apenas porque a Sra. Weasley o segurou.
—Acalme-se Arthur. — Disse ela e se virou para nós. — E o que o impediu, querida?
—Eu segurei a mão dele, Sra. Weasley. — Respondi por ela.
—Obrigada querido. — Me disse visivelmente agradecida. -Era só o que me faltava, meus filhos tentando se agredir.
—Isso não acontecerá, Molly. — O Sr. Weasley interveio. — Percy tem direito a ter suas opiniões próprias, mas não pode agredir Gina. — Se virou novamente para nós. — Bom, eu agradeço o que fez Harry e peço desculpas pelo que Percy tentou fazer. Podem ir deitar se quiserem.
—Obrigado. Boa noite Sr. e Sra. Weasley. — Falei me levantando ainda segurando a mão de Gina.
—Boa noite papai. Boa noite mamãe. — Deu um beijo em cada um e me acompanhou escada acima.
Estávamos no terceiro degrau quando um objeto muito conhecido chamou minha atenção. Abaixei, peguei a orelha extensível que estava sendo delicadamente puxada para cima e a mostrei para Gina, que riu ao meu lado. Continuamos subindo e quando chegamos ao corredor do quarto que Gina e Hermione dividiam, vimos Ron e a namorada sentados um ao lado do outro, segurando a outra extremidade do objeto.
—Pelo jeito não é necessário contar o assunto da conversa, não é? — Falei mostrando a eles a outra ponta que estava em minhas mãos.
Eles se entreolharam e nós quatro caímos na gargalhada.
Fale com o autor