Notas iniciais
Capítulo novo. Leiam as notas finais.

—Durma bem, e eu vou estar lá se você precisar.

—Obrigado. — Respondi em meio a um sorriso e continuei subindo as escadas.

POV Harry

Nem precisava ter dito, eu sabia que ela estaria, no entanto naquela noite não foi necessário.

Quando eu entrei no quarto Ron já havia dormido e só Merlin sabe como, porque ele chegou no máximo cinco minutos antes de mim. Ao menos os roncos não haviam começado, então eu teria tempo para dormir sem barulhos. Dormi rápido, eu estava um pouco cansado, e tive uma noite tranquila. O que eu não sei se era bom ou ruim, já que por esse motivo Gina não foi me ver durante a madrugada.

Eu ainda não havia aprendido a definir o que sentia por ela. Eu sabia que a amava, não haviam dúvidas quanto a isso, mas existia algo mais também, e era justamente o que eu não sabia quantificar, qualificar e nem nomear. Deixá-la na intensão de protegê-la só me mostrou mais ainda como ela era importante pra mim, e é a cada dia mais. Olhar pra ela me faz querer nunca mais sair dali, e ao contrário do que a maioria pensa quando se trata de amor, ela não é a unica coisa importante da minha vida, nem meu unico assunto interessante, nem a unica pessoa que eu amo e nem minha unica prioridade. Mas ela é, sem dúvidas, a razão de eu querer fazer sempre o melhor, por ela; de querer estar aqui mais um dia, pra ela.

Acordei no dia seguinte cedo, mas não tanto quanto deveria ter acordado para evitar o surto de pontualidade de Hermione Granger.

—Boa tarde, Sr. Harry Potter, espero que tenha dormido muitíssimo bem. — Ela disse cruzando os braços e batendo o pé direito, enquanto eu descia as escadas para tomar café, e assim que me virei para entrar na cozinha ela continuou. — Nem pense nisso, se quisesse tomar café que tivesse acordado na hora que combinamos. — Falou já me arrastando para fora de casa e eu me pronunciei pela primeira vez.

—Posso dar um beijo de despedida na minha namorada, Srta. Hermione Granger?

Ron e Gina riram sentados no sofá.

—Seja rápido! — Ela se limitou a responder.

Caminhei até Gina e lhe dei um selinho.

—Tchau amor, até mais tarde. Vou tentar não demorar, ok? Tenha um bom dia. — Falei acariciando seu rosto.

—Tchau, Harry. Cuidado com a Mione, ela ta meio estressada hoje. — Disse divertida.

—Já me acostumei com isso. — Respondi rindo. — Tchau Ron, tchau Sra. Weasley.

—Falou, cara.

—Tchau, querido.

Terminadas as despedidas me encaminhei para os quintais d'A Toca com Mione andando uns dois passos à minha frente, e eu sabia que ela tinha se irritado com meu atraso.

—Mione, você não vai andar a manhã inteira brava comigo, não é? — Perguntei fazendo minha melhor cara de menino inocente.

—Não, mas eu não gosto de me atrasar. Eu havia dito para a atendente da agencia que chegaríamos lá há dez minutos atrás.

—Ah, Mione, deixe disso. Nos atrasamos, é só. Ela vai entender.

—Nos atrasamos não, VOCÊ se atrasou. Nunca te vi dormir tanto.

—Eu estou me cansando muito ultimamente. — Falei dando uma entonação um pouco maliciosa na frase e ela me olhou torto no início, depois riu.

—Ai Harry, o fim dessa guerra fez muito bem à você. — Falou abrindo a cerca no fim do jardim e saindo do quintal para a estrada de acesso à casa.

—Fez bem a todos nós, florzinha. — Respondi rindo enquanto fechava a cerca atrás de mim, eu não a chamava muito por apelidos.

Ela riu de novo.

—Mas em você os reflexos são mais notáveis. Você tem reparado como está mais feliz ultimamente? É bom te ver assim xuxuzinho. — Essa ultima frase ela disse ironicamente e desatamos a rir mais uma vez.

Demos as mãos e aparatamos para o Beco Diagonal, na frente do Gringotes. Ainda estávamos rindo um pouco quando adentramos o banco.

—Eu estava com saudade dessas nossas conversas, Mione. — Falei olhando pra ela. — É sempre muito produtivo conversar com você.

—Produtivo é conversar com o Rony, isso sim. — Ela falou e eu ri novamente.

Chegamos ao balcão e eu me dirigi ao duende responsável.

—Bom dia, eu gostaria de visitar o meu cofre. — Falei me inclinando levemente em sua direção, como um cumprimento.

—Bom dia, Sr. Potter. — Ele respondeu naquele tom amargo de sempre. — A senhorita que o está acompanhando vai descer com o senhor ou irá lhe esperar aqui?

—Ela desce comigo, obrigado.

—Trouxe a chave?

—Sim, aqui está. — Lhe estendi a chave do cofre dos meus pais.

Ele examinou durante alguns minutos e me entregou dizendo:

—Verdadeira. Por aqui, por favor.

Seguimos o pequeno homem em direção a uma porta já conhecida por nós. Cruzamos o local indicado e alguns minutos de espera depois, chegou nosso pequeno vagonete com um duende condutor. Meu estômago deu uma volta só de imaginar a viagem que faríamos naquele carrinho de aparência instável. Hermione pegou minha mão e a apertou, ela também não gostava daquele meio de transporte.

—Moça, eu tenho namorada, desculpe. — Sussurrei na tentativa de acalmá-la com essa piadinha sem graça.

Aparentemente funcionou, pois ela riu e eu a acompanhei. O duente que nos havia conduzido até ali se virou pra nós com indiferença e perguntou se estava tudo bem, apenas assentimos. Ele se virou para frente e o ouvimos sussurrar "Adolescentes, sempre felizes demais".

—Idiota! — Ela sussurrou de volta pra mim.

Entramos no pequeno vagão e o duende anunciou que iria colocá-lo em movimento, imediatamente Hermione pegou novamente minha mão e fechou os olhos. E o trenzinho lonçou-se naqueles trilhos quase invisíveis. Quarenta e sete segundos, duas cabeçadas e um enjôo depois, chegamos ao meu cofre. Me virei para Hermione:

—Você está bem?

—Não, mas vamos. — Ela disse se levantando.

Seguimos o duende que andava em direção à porta de ferro à nossa frente, e paramos alguns passos atrás. Enquanto ele abria as travas, perguntei à ela.

—Mione, quanto acha que vamos gastar com as passagens?

—A atendente da agência me disse que mais ou menos umas três mil libras.

—E quanto dá isso em dinheiro de bruxo?

—Pegue uns quatrocentos galeões, é suficiente. Tem certeza que quer pagar tudo? Eu posso ajudar, Harry, afinal estamos indo procurar os meus pais e...

—Hermione, já falamos sobre isso, nem perca seu tempo.

—Ah claro, ele sempre tem razão, me esqueci!

Lancei-lhe uma piscadela, que a fez rir, e entrei no cofre, que já estava aberto. Separei a quantia de dinheiro que havia combinado com Hermione e retornamos ao pequeno vagão, onde o duende já nos aguardava. Fizemos a viagem de volta da mesma maneira: minha mão esmagada por Hermione, ela de olhos fechado, eu com enjôo, algumas cabeçadas e muitas curvas. Quando retornamos ao saguão agradeci ao duende que nos havia atendido na chegada e saímos novamente para o Beco Diagonal.

—E agora, Mione? Onde é que se troca dinheiro de bruxo por dinheiro trouxa?

—No caldeirão furado, lá eles fazem isso. Vamos.

Caminhamos calmamente pela rua, olhando as lojas em volta e quando passamos reto pela Floreios e Borrões, me virei espantado para Hermione.

—Você está bem?

—Estou, por que?

—Não quer comprar nenhum livro hoje? Tem certeza?

Ela riu e eu a acompanhei.

—Você está muito engraçadinho ultimamente, não é? Fico imaginando o que anda acontecendo pra esse bom humor todo te acompanhar sempre.

—Aaah Mione, você não vai querer saber por mim.

—É melhor não mesmo, Gina já fala mais do que eu gostaria de ouvir.

Eu fiquei totalmente vermelho nessa hora, imaginando o que tanto a Gi contava pra ela, mas achei melhor não perguntar. A olhei e ela ria baixinho com uma expressão presunçosa e olhava em frente, então falei.

—Eu sei como é, Ron também fala mais do que eu gostaria de saber...

Ela abriu a boca três vezes para contestar, e no fim desistiu, também ficando totalmente vermelha e dessa vez eu ri.

—Qual é, Mione, essas coisas acontecem. — Disse lhe dando um tapinha nas costas, que pela cara dela não saiu tão fraco quanto eu planejei. — Somos amigos, essas coisas são normais.

Ela esfregou o ombro, no local onde eu havia batido.

—Tudo bem, Harry, mas eu prefiro conversar disso com a Gina, se não se importa. — Ela disse e rimos os dois juntos. — E controle esse senso de humor sem me agredir, se não eu digo a Gina que a melhor maneira de conseguir qualquer coisa, no mundo trouxa pelo menos, é fazer greve, sabe como é, né...

A olhei com cara de espanto e começamos os dois a rir novamente. Fazia tempo que eu não conversava ou passava um tempo só com Hermione, eu sentia falta da minha melhor amiga.

Entramos no Caldeirão furado e nos encaminhas ao balcão para trocar o dinheiro. Hermione tinha realmente uma noção boa de câmbio bruxo/trouxa, os quatrocentos galeões renderam aproximadamente três mil e quinhentas libras, um pouco a mais do que as passagens, mas que provavelmente seria suficiente para comemorarmos o aniversário da Gi, depois de amanhã, pois seu presente já estava pago.

Dinheiro trocado, saímos do bar na direção oposta, e logo surgiu à nossa frente uma Londres onde haviam muitos carros e nenhuma vassoura voando pela rua, eu diria que uma Londres muito sem graça. Caminhei com Hermione para um beco escondido, demos as mãos novamente e aparatamos, dessa vez para uma ruazinha lateral, cheia de caçambas de lixo, e que cruzava com uma grande avenida.

—Hermione, mais direção da próxima vez, por favor, cinco centímetros a mais pra esquerda e eu teria desaparatado no meio de um monte de cascas de banana.

—Não seja dramático, Harry, a dois meses atrás você não se preocupava com isso.

—É que meu senso de humor e higiene está mais apurado nos últimos dias.

Rimos novamente. Estávamos muito risonhos neste dia.

Saímos da pequena ruazinha e pegamos à direita na grande avenida, mais dois ou três minutos de caminhada e estávamos entramos por uma porta de vidro que dava acesso a um ambiente pequeno, mas bem iluminado. Dentro havia uma mesa bem comprida, dois computadores e apenas uma mulher, imaginei que a pessoa que ocupava o segundo aparelho provavelmente já estivesse almoçando essa hora, e me veio à cabeça minha falta de café da manhã, meu estômago roncou.

—Boa tarde, em que posso ajudá-los? — Perguntou a atendente muito simpática. Simpática demais na minha opinião, e rindo pra mim.

Eu, que nunca fui bom em paquerar e que agora menos do que nunca queria aprender, fiquei vermelho diante da situação. Hermione provavelmente percebeu, mas disfarçou e me arrastou para sentar ao seu lado na cadeira em frente à moça simpática demais.

—Boa tarde. — Disse Hermione apertando a mão da moça e sentando-se em frente a mesa, enquanto eu me sentava na cadeira ao lado. — Sou Hermione Granger, falei com uma atendente essa semana a respeito de quatro passagens de ida para a Austrália.

—Ah, claro, eu me lembro. — Respondeu a moça para Hermione, e virou-se para mim ao dizer a próxima frase. — Sou Anne, o senhor é? — Estendeu sua mão.

—Harry Potter. — Disse apertando a mão dela.

—Bonito nome, Harry. — Ela falou sorridente e Hermione veio em meu socorro, pois eu já estava ficando vermelho novamente.

—E então, sobre as passagens?

—Ah, claro. — Ela pigarreou e voltou a olhar para Mione. — Os senhores têm preferência por companhia aérea, classe, horário e data?

—Harry? — Hermione me perguntou, acho que porque seria eu a pagar, ela queria que eu decidisse.

—Pode decidir Mione, eu pago o que for melhor, não tem problema.

A atendente suspirou em minha direção, e aproveitando-se que Hermione não estava virada para ela lançou-me uma piscadinha. Mione tomou a frente novamente.

—Bem, então quando a classe, primeira classe não há necessidade, e Ron iria ficar muito apertado nas cadeiras de classe econômica. Classe executiva por favor. Quando a horário e companhia aérea, os que estiverem mais baratos. A data será segunda-feira.

A atendente digitava nosso pedido rapidamente e eu sorri ao imaginar a cara de espanto que Gi faria diante da habilidade dela com aquelas teclinhas, mas acho que ela entendeu errado meu sorriso, pois me lançou uma risadinha de canto. Eu fiquei vermelho novamente e olhei para Hermione com cara de "me ajuda?",ela só segurou uma risada, que disfarçou pigarreando.

—Falta apenas uma informação, as idades dos passageiros. — A atendente perguntou para Hermione.

—Três passageiros de dezoito anos, e uma passageira de dezessete anos. — Ela respondeu.

—Algum dos outros passageiros tem parentesco direto com a menina menor de idade?

—Mas... — eu comecei a dizer e Hermione me deu uma cotovelada, achei melhor me calar, mesmo não entendendo o motivo.

—Sim, o irmão dela vai conosco. — Ela respondeu à moça que imediatamente havia me olhado sorrindo quando comecei a falar.

—Ok, nesse caso então não há necessidade de nada muito formal, apenas uma autorização escrita dos pais. — Disse olhando pra tela do computador enquanto digitava mais algumas coisas. — Só um minuto, vou buscar a impressão.

Assim que ela saiu me inclinei para Hermione e sussurrei em seu ouvido.

—Por que me deu uma cotovelada?

Ela riu baixinho e sussurrou de volta, também em meu ouvido.

—Porque para os trouxas, só se é maior de idade depois dos dezoito anos, não dos dezessete, como é para nós.

—É verdade, havia me esquecido. — Sussurrei novamente em seu ouvido.

Estávamos rindo baixinho, ainda inclinados um para o outro quando ouvimos um pigarro e nos separamos. A atendente havia voltado e agora olhava para Hermione com uma certa raiva contida. Ai Merlin, eu mereço!

—Aqui está. Quatro passagens de ida, em classe executiva. O melhor horário é de noite, o vôo sai às 21:00 do aeroporto internacional, é vôo direto e a companhia aérea é a que está escrita na linha de baixo. O valor também está descrito, e já inclui as taxas de agência e embarque.

Hermione olhou rapidamente o papel em suas mãos e me passou para que eu também visse. Me apontou o local onde indicava o valor das passagens, não havia variado quase nada da previsão que ela havia me passado.

—Ta bom, pode fechar. — Eu respondi simplesmente.

—Preciso do seu nome e do nome da sua namorada, completos. -Eu ia perguntar como ela sabia que minha namorada também ia, quando Hermione disse.

—Não, Harry não é meu namorado, somos amigos de longa data apenas. — Ah, agora entendi.

—Oh, me desculpem. — Ela disse e imediatamente riu pra mim de novo. — Seu nome, por favor.

—Hermione Jean Granger. — Disse Mione para a moça que imediatamente digitou em seu computador.

—E o seu, Harry? — Merlin, de onde veio essa intimidade? Hermione segurou mais uma risada.

—Harry Thiago Potter. — Respondi sem graça.

—Já disse que seu nome é muito bonito? — Ela me perguntou sorrindo.

—Já, obrigado. — Repondi, novamente vermelho. Mione segurou outra risada.

—O nome dos outros passageiros, por favor.

—Ronald Billius Weasley. — Hermione disse e fez uma pausa para que ela digitasse o nome de Ron. — E Ginevra Molly Weasley.

—Nossa, que nome estranho. — Ela comentou enquanto digitava o nome da Gina.

—Eu gosto desse nome! — Disse rápido demais. Dessa vez Hermione não segurou a risada.

A atendente só me olhou de canto, com um sorrisinho nos lábios, mas não respondeu nada. Ela terminou de emitir nossas passagens, imprimiu e nos entregou.

—Qual será a forma de pagamento? — Perguntou direto para mim dessa vez.

—Dinheiro. — Disse retirando a quantia certa pasa pagar o valor devido e entreguei a ela.

A moça conferiu, emitiu nosso recibo de pagamento e entregou direto para mim. Estendeu a mão para Hermione.

—Obrigada, senhorita, volte sempre. — Hermione apertou sua mão estendida e agradeceu, já se virando para sair.

—Obrigada, Harry, se precisar de mais alguma coisa, estou às ordens. — Disse enquanto apertava minha mão.

—Não preciso de mais nada, obrigado. — Respondi sem graça e sai quase correndo atrás de Hermione.

Ela já estava cruzando as portas de vidro e se virando à esquerda na calçada, andando na direção oposta de onde viemos quando a alcancei e passei a andar ao seu lado. Assim que saímos da frente da loja, ela desatou a rir, a olhei sem entender.

—Harry, é muito engraçado te ver sem reação na frente da moça.

Agora entendi e bufei do seu lado.

—Aah, Mione, por favor, né. Eu não preciso de ninguém se jogando pra cima de mim. — Falei carrancudo, me virando pra frente e cruzando os braços, ela não parou de rir. — Você não vai parar de rir?

—Vou, mas to imaginando a cara da Gina quando eu contar pra ela.

—Você acha que ela vai brigar comigo?

—Por que você ficou sem graça e quase agrediu a moça quando disse que o nome dela era estranho? Acho que não. — Ela me respondeu divertida.

Continuamos caminhando em silêncio para a mesma ruazinha onde desaparatamos, assim que chegamos la perguntei a Mione onde estávamos indo.

—Vamos aparatar naquela mesma rua do teatro, onde quase fomos pegos na cafeteria, lembra? Ali com certeza tem algum Pub legal, ai procuramos o lugar onde levaremos a Gina e o Ron depois de amanhã.

—Podemos passar na cafeteria antes?

—Por que?

—Porque uma certa pessoa não me deixou tomar café. — Respondi irônico olhando pra ela.

—Aah é verdade, tinha me esquecido. Vamos, ai eu também como alguma coisa.

Nos viramos à esquerda para a mesma ruazinha e andamos até atrás de uma grande caçamba, ali demos as mãos e aparatamos. Quando desaparatamos, estávamos naquele mesmo local, um pouco escondidos perto de um grande teatro.

Caminhamos um ao lado do outro calmamente, não estávamos com pressa hoje. Assim que adentramos a cafeteria, sentamos em uma mesinha e uma senhora já de meia idade nos atendeu.

—Boa tarde, o que vão querer? — Nos perguntou já com um bloquinho de anotações e uma caneta nas mãos.

—Boa tarde. — Hermione respondeu. — Pra mim um capuccino por favor.

—E o senhor? — Me perguntou olhando para o bloquinho onde anotava o pedido.

—Um capuccino grande e dois pães de queijo grandes.

—Trago em dois minutos. -Terminou de anotar meu pedido e saiu rapidamente em direção ao balcão.

Hermione estava me olhando de boca aberta.

—O que foi? — Perguntei a ela. — Eu estou com fome.

—Eu reparei.

Ficamos alguns minutos aguardando e logo nosso pedido chegou. Comemos conversando amenidades e rindo de vez em quando. Terminamos, eu paguei a conta enquanto Hermione me dizia para guardar os ataques de cavalheirismo para minha namorada e eu a ignorava. Perguntamos à moça do caixa se ela conhecia algum pub legal para nos indicar, e ela disse que a duas quadras dali havia um que era bem agitado e vivia cheio, portanto deveria ser bom.

Saímos da cafeteria e fomos na direção que ela nos indicou. Assim que chegamos ao local, entramos e olhamos em volta. O ambiente era meio escuro, um pouco gótico demais para o meu gosto. A musica que tocava durante o dia era calma, mas as paredes eram decoradas com fotos do local durante a noite, e me parecia que era barulhento, escuro e lotado demais.

Hermione olhou pra mim com uma cara de quem espera uma opinião.

—Não gostei! — Disse para que só ela ouvisse.

—Ótimo, eu também não.

E saímos dali. Procuramos durante uns quarenta minutos mais, e nesse meio tempo visitamos mais dois lugares que eram parecidos demais com o primeiro. Estávamos agora em uma rua um pouco mais afastada do centro agitado de Londres e avistamos um local que era bem ajeitadinho por fora, resolvemos ir até lá.

Assim que entramos, a decoração diferente já nos chamou atenção. O ambiente não era escuro, estava com uma iluminação agradável, que era escura nos corredores e as mesas era individualmente iluminadas na medida para que apenas o ambiente de cada uma delas tivesse uma claridade a mais. A decoração em geral toda de madeira, meio rústica. Uma música agradável tocava e garçons caminhavam de um lado pra o outro. Logo que entramos, uma moça nos atendeu e eu perguntei a ela se o local funcionava também a noite e se o ambiente seria igual, ou teria aquelas musicas barulhentas.

—Funcionamos também a noite, senhor. A unica diferença é o cardápio, além do que servimos durante o dia, tem algumas bebidas a mais.

Agradeci e saímos de lá.

—O que achou? — Perguntei a Hermione.

—Eu gostei.

—Eu também, é aqui!

—Fechado.

—Você e Gina já decidiram o que se veste em um pub? — Perguntei divertido.

—Ainda não, na verdade eu também estou perdida. Acho que vou comprar alguma coisa pra mim, você está com pressa?

—Eu não, podemos ir se quiser. Assim, você me ajuda a comprar algo pra Gina também.

—Você ainda não comprou o presente de aniversário dela? — Ela perguntou com os olhos arregalados e parou abruptamente.

—Claro que comprei, Mione, mas eu estou dizendo algo para ela vestir no dia.

—Ah bom. — Disse simplesmente e recomeçou a caminhar.

Seguimos pela mesma rua onde estávamos e entramos em um shopping grande que havia ali.

—Eu comprava roupas aqui com minha mãe. — Ela disse com um pouco de nostalgia. — Claro que naquela época ela sempre me ajudava a escolher, agora vou ter que me virar sozinha. Nunca comprei roupas sem ela, Harry.

Eu não soube o que responder, optei pela minha versão dos fatos.

—E eu nunca comprei roupas acompanhado, Mione. Muito menos roupas femininas. Você me ajuda?

Não sei se isso a confortou, mas pelo menos ela riu.

Fomos até uma loja que exibia roupas femininas em uma vitrine, e eu gostei bastante do que vi. Não era nada muito chamativo, por isso achei que Gi iria gostar. A maioria eram vestidos e saias, alguns compridos demais, outros até um pouco acima dos joelhos do manequim, mas um deles especificamente chamou minha atenção.

—O que acha? — Perguntei a Hermione enquanto apontava a roupa que eu havia gostado.

—É a cara dela.

—Podemos entrar?

—Vamos, também gostei de alguns. — Ela disse já entrando e eu a segui.

Já dentro da loja, uma vendedora nos atendeu e eu pedi para trazer o vestido que havia visto lá fora, mas quando ela me pergutou o tamanho eu fiquei meio confuso.

—Mione, você sabe o tamanho das roupas da Gina?

—É o mesmo tamanho das minhas. — Ela disse calmamente enquanto olhava uma arara com alguns outros vestidos, e não disse nada além disso.

Rolei os olhos.

—Ótimo, então qual é o tamanho das suas roupas?

—Trinta e oito, Harry. — Ela repondeu como se fosse óbvio e eu olhei para a vendedora, que riu.

—Volto já.

Ela entrou em uma pequena porta lateral e eu fiquei parado no lugar sem saber o que fazer, já que Hermione parecia que estava em outro mundo.

—Aqui está senhor.

Me virei para ela e quase cai pra trás quando vi a pilha de vestidos que ela havia trazido, e de todas as cores possíveis.

—Nossa, mas tantos?

Ela riu e me respondeu.

—Eu trouxe um de cada cor disponível e mais alguns modelos parecidos para que o senhor se decida.

—Ah, obrigado. — Disse quando comecei a pegar um por um dos vestidos e olhá-los com cara de dúvida. Olhei em volta e Hermione aparentemente não iria me ajudar, como havia prometido.

—Deixe-me ajudá-lo. — a vendedora disse. — Para quem é o vestido?

—Ah, obrigado. — respondi aliviado. — É para minha namorada.

—E como ela é? Alta, baixa, morena, loira...

—Ela é um pouco mais baixa do que eu e é ruiva.

—E qual é a ocasião?

—Vamos comemorar o aniversário dela na sexta a noite, em um pub.

—Ok — disse revirando a pilha de roupas. -Vejamos, se ela é ruiva, vermelho e rosa vão ficar chamativos demais, bege vai ficar muito apagado, amarelo não vai combinar, laranja também não. — e continuou mexendo nos vestidos — Eu recomendaria preto, esse azul marinho ou este vesde musgo. — Disse puxando as três cores.

Olhei um por um dos que ela havia me entregado, e todos eram realmente bonitos.

—Quais os modelos que você tem? — Perguntei ainda observando.

—Do que o senhor viu na vitrine temos as três cores, são esses que te entreguei. Mas temos vários outros modelos também. — E me e entregou mais dois modelos diferentes.

O modelo da vitrine era meio colado no corpo e ia até um pouquinho abaixo da metade da coxa, e de uma alça só, e eu achei que era a cara dela. Até ela me trazer um parecido, tomara que caia e que vinha com um cinto na cintura, esse eu também achei que era a cara dela. E ao invés de me decidir, optei pela forma mais prática:

—Vou levar os dois, o modelo da vitrine preto e o tomara que caia verde. Pra presente por favor.

—Volto em um minuto. — Pelo tamanho do sorriso que ela deu não deveriam ser tão baratos, mas me lembrar só agora que eu não havia perguntado o preço era tarde demais.

Olhei para Hermione ao meu lado e ela também tinha uma pilha de roupas na sua frente, mas ao contrário de mim olhava para cada peça com uma decisão invejável.

—Aqui está, senhor. Como vai pagar? — A vendedora me entregou duas sacolas bonitas e recomeçou a mesma conversa sobre pagamentos que tive na agência de viagens, com a diferença que aqui ninguém queria me atacar.

Paguei e me sentei em um banco para esperar Hermione terminar, meia hora depois estávamos saindo da loja. Eu com duas sacolas, Hermione com seis.

—Não é muita coisa, Mione? — Perguntei apontando as sacolas.

—Homens! — Ela se limitou a responder e eu me calei.

Me virei para a saída do shopping e ela me puxou para o lado oposto. A olhei em dúvida, e ela disse.

—Os sapatos!

E lá fomos nós outra vez para a mesma peregrinação. Uma hora e meia depois estávamos saindo do shopping, eu com uma sacola a mais contendo um sapato preto, de sola vermelha (não sei pra que pintarem a sola de um sapato, mas não questionei já que Hermione disse que era lindo) e com um salto matador que faria com que Gina ficasse do meu tamanho, devia ter uns onze centímetros de altura. Quando eu perguntei a Hermione como era que se andava com aquilo ela disse a mesma coisa de antes: "Homens!", então achei melhor não perguntar mais nada.

Já na rua eu fiquei com dó do seu esforço para carregar as nove sacolas que tinha e resolvi ajudá-la, pegando três delas. Andamos calmamente pela rua, e de vez em quando eu observava espantado a expressão de satisfação que Hermione trazia no rosto só por causa de umas compras. Achei melhor não questionar isso também.

—Você vai comprar mais alguma coisa, Harry?

—Não, e você?

—Também não. Direto para A Toca então?

—Sim. Sabe de algum lugar onde podemos aparatar?

—Ali naquela ruazinha, está vendo?

Era uma pequena travessa dali a uns cem metros, eu assenti que estava vendo e continuamos andando até lá. Assim que chegamos demos as mãos e aparatamos. Estávamos agora em frente à cerca que dava acesso ao quintal d'A Toca e eu peguei as sacolas de Hermione para que ela a abrisse para que pudessemos passar. Quando já estávos la dentro, disse a ela.

—Agora você carrega suas sacolas, preciso entregar os presentes da minha namorada.

Ela riu e pegou suas nove sacolas da minha mão, continuamos andando até a casa. Quando entramos pela porta da cozinha, a Sra. Weasley estava preparando alguns bolinhos para o café da tarde, hoje o Monstro havia ido ao Largo Grimould e não tinha voltado ainda aparentemente.

—Harry, Hermione, demoraram! — Ela disse olhando nossas sacolas com cara de interrogação.

—Desculpe Sra. Weasley, compramos nossas passagens e eu aproveitei para comprar alguns presentes para Gina. — Respondi a ela que bufou.

—Harry, vai deixá-la mal acostumada. — Ralhou comigo.

—Não tem problema, desde que ela esteja feliz. — Respondi piscando pra ela, que riu e balançou a cabela de um lado para o outro.

—Sra Weasley, onde está Ron? — Mione perguntou.

—Está na sala, não me diga que comprou presentes para ele também?

Mione riu baixinho

—Não, Sra. Weasley. Comprei algumas coisas para mim, vamos viajar na próxima semana, quero estar apresentável quando reencontrar meus pais.

A Sra. Weasley apenas riu com aparência bondosa e assentiu com a cabeça. Saímos da cozinha em direção à sala, assim que entramos vimos Rony deitado no sofá, olhando pela janela com cara de tédio.

—Olá amor. — Mione disse animada, pousou as sacolas no chão e sentou-se ao lado de sua barriga, debruçando-se sobre ele e lhe dando um beijo.

—Oi Mi, demorou. — Ele falou pousando uma das mãos nas coxas dela e fazendo carinho. — E ai, Harry, cuidou da minha namorada?

Nós três rimos.

—Claro, cara, cuidei bem pra caramba, até carreguei as sacolas dela.

—Bom mesmo. — Ele disse e Hermione rolou os olhos, depois deitou a cabeça no peito dele.

—Cade a Gi? — Perguntei olhando pela janela e vendo que ela não estava no quintal.

—Ta no quarto dela, deve estar deitada. Sobe lá. — Ron me respondeu mais preocupado em fazer carinho no rosto de Hermione do que em me dar uma informação.

Subi as escadas rapidamente e entrei no quarto dela sem bater. Ela estava exatamente da mesma maneira que Ron, só que deitada em sua cama e balançando o pé. Quando ouviu o barulho da porta se virou para olhar e sorriu daquela maneira linda que eu adorava.

—Oi amooor! -Disse animada, se afastando e dando espaço para que eu me sentasse ao seu lado.

—Oi, princesa. Estava com saudades. — Falei pousando as sacolas no chão e lhe dando um beijo carinhoso. — Como passou o dia?

—Foi tranquilo, a mesma coisa de sempre. Só meio tedioso sem você e Mione aqui. E o de vocês?

—Cansativo. Compramos as passagens, viajaremos na segunda feira às nove da noite, mas temos que estar no aeroporto às seis da tarde. Eei, não faz essa carinha de desgosto, vou estar lá com você, é tranquilo, você vai ver.

Ela riu baixinho e assentiu.

—Encontramos um pub legal pra comemorar seu aniversário, você vai adorar.

Ela arregalou os olhos.

—Ai Merlin, preciso ver a roupa com Hermione, acho que ela me empresta algo, né? — E já ia se levantando pra sair correndo quando a segurei pela cintura e a deitei novamente na cama, como estava antes.

—Calma ai, furacão. — Falei divertido e ela riu. — Comprei um presentinho pra você.

Ela fechou a cara.

—Harry, não precisava fazer isso! Eu não comprei nada pra você no seu aniversário.

—E nem precisava, mas eu quero dar um presente pra minha namorada, posso? — Falei carinhoso alisando sua bochecha.

—Pode, claro, mas meu aniversário é depois de amanhã, não precisa me entregar agora. — Falou já com a expressão normal.

—Mas esse não é seu presente de aniversário ainda, é só porque eu nunca havia te dado nada, e me deu vontade. Mione e uma vendedora me ajudaram a escolher, mas fui eu quem vi e achei que era a sua cara, espero que goste. — Falei enquanto me virava e pegava as sacolas do chão, entregando-as pra ela.

—Obrigada, amor. — Disse enquanto se sentada e pegava as sacolas da minha mão, me dando um selinho depois.

Ela abriu primeiro os sapatos, e só pela "O" que ela expressou quando abriu a boca nem precisava daquele "adorei" que ela me falou antes de abrir a sacola com os vestidos. Ela fez a mesma expressão para cada um deles e se virou para mim.

—Amor, são lindos, eu adorei! — Falou e me abraçou, sentando-se em meu colo.

—Pronto, agora você já sabe com que roupa se vai a um pub. — Respondi rindo e retribui seu abraço, dando um beijinho em seu pescoço.

—E qual dos dois você quer que eu use?

—O que você gostar mais, eu adorei os dois. Só queria que deixasse seus cabelos soltos, eu amo a cor deles e ficam lindos assim. — Falei alisando seus cabelos.

—Sim senhor, pedido atendido. — Falou e rimos. Ela se separou de mim e me olhou. — Obrigada amor, são lindos, adorei mesmo.

—Que bom, amor, eu gosto de te ver feliz assim.

Depois disso ficamos mais alguns minutinhos conversando e namorando um pouquinho, e mais ou menos uns quarenta minutos depois ouvimos uma batidinha na porta. Nessa hora Gina estava sentada ao meu lado, não mais no meu colo e dobrava suas roupas novas enquanto me contava o que havia feito durante o dia.

—Entre. — Disse juntos imediatamente após as batidas.

Era Rony.

—São bonitos mesmo. — Disse olhando os vestidos nas mãos de Gina e explicou-se. — Mione disse que você tinha ganhado dois vestidos lindos. — Rimos pra ele. — Mamãe está chamando pra tomar café da tarde, Harry, e mandou você descer agora porque Hermione disse a ela que você só comeu dois pães de queijo hoje.

Nós três gargalhamos baixinho.

—Desço em dois minutinhos, Ron, vou esperar Gina terminar.

—Beleza. — Saiu do quarto e fechou a porta.

—Você sabe que a missão da minha mãe é te engordar, né? — Gina me disse e nós dois rimos.

—Já percebi.

Ela terminou de dobrá-los, guardou em sua cômoda antiga e sentou-se no meu colo.

—Vem me ver hoje a noite? Passei o dia todo longe de você, to com saudade. — Me pediu com aquela voz manhosa que sempre ganhava tudo de mim.

—Mas e a Hermione? — Argumentei.

—Ela vai entender que é uma troca justa e não vai se incomodar nem um pouco quando eu disser que ela terá de dormir no quarto do Ron. — Ela disse e piscou pra mim, eu ri. — E o que me diz?

—Que você também é muito boa em fazer propostas irrecusáveis. — Falei e lhe dei um tapinha no bumbum.

Ela riu pra mim, me beijou, se levantou e estendeu a mão pra mim.

—Vamos?

—Com você, sempre. — Respondi rindo, segurei sua mão e descemos juntos para tomar café da tarde em família.

Notas finais
Capítulo novo, galera! Lembrando que sugestões, reclamações, elogios e críticas são sempre bem vindos. ;) No próximo capítulo o presente de aniversário! Comentem, esse é um ótimo jeito de nos incentivar a continuar. Beijinhos.