Sobre os 19 anos depois
7 Beco Diagonal - II
Notas iniciais
POV Harry
Eu pensei durante algum tempo, só pra constatar que eu não teria nenhuma outra idéia. Eu queria algo que ficasse junto com ela e de vez em quando a irritasse, se eu não estivesse perto para fazer isso, e não podia ser outra coisa que não isso. Senti o cansaço chegando de mansinho, quase ao mesmo tempo que os roncos de Rony na cama ao lado, mas eu já estava acostumado, então me deixei levar pelo sono, esperando uma noite tranquila.
Que não veio.
Assim que fechei os olhos, não foi o rosto de Gina que chegou até mim, e sim as imagens que eu tanto queria esquecer, apagar de vez da minha cabeça. Eu vi Sirius caindo naquele véu, Dumbledore ser jogado da torre de astronomia, Fred dando seu ultimo sorriso, e até aquele menininho da maquina fotográfica que me enchia o saco, todos eles em seus ultimos momentos, me passando rapidamente pela cabeça. Um lado meu sabia que aquilo era um sonho e queria acordar, mas eu não conseguia.
De repente as cenas ficaram embaralhadas e eu andava desesperadamente por Hogwarts, sempre em busca de algo que eu não encontrava, abrindo portas e mais portas de salas de aula e nada havia la dentro, ninguém, nem mesmo os fantasmas estavam perambulando pelos corredores como sempre. Eu não sabia o que procurava, mas sabia que eu dependia desesperadamente daquilo para continuar, para resistir, embora o sonho não me mostrasse a que eu deveria resistir.
Subi algumas escadas e agora estava no corredor do terceiro andar, onde Fofo ficou em meu primeiro ano, ali eu não estava mais sozinho, mas todas as pessoas que eu via estavam mortas. Primeiro meu padrinho, depois Dumbledores, meus pais, Fred, Sr. e Sra. Weasley e vários alunos da escola de quem eu recordava brevemente. Eu andava rapidamente entre eles, ainda procurando como um louco, e o que vi mais a frente me deixou desesperado: Ron e Mione, deitados, de mãos dadas.
Nesse momento essa parte consciente me mostrou que eu ja me debatia na cama e aquele maldito sonho não me libertava. Eu ainda corria pelos corredores, passei reto pelos meus melhores amigos e estaquei, logo à minha frente, parando na porta de uma das salas de aula estava Voldemort, com aquele mesmo olhar ofídico de sempre, me encarando e sorrindo, em suas mãos estava o que agora eu entendi que procurava: o Diadema de Rowena Ravenclaw, a última orcrux. Ele me olhou e disse:
—E você achou que podia me vencer, Potter? Eu sempre soube que você não era capaz — disse rindo — Eles todos — e apontou os corpos — morreram em vão, e você sabe disso.
Ele disse com uma voz fria e eu não conseguia me mexer, embora meu corpo ainda se debatesse na cama.
—Acabou, Harry Potter, você nunca será capaz de me destruir. — Ele disse encerrando nossa conversa — Avada Kedavra!
Mas o raio verde não me atingiu, e sim à unica pessoa alem de mim que ainda respirava naquela escola: Ginevra Molly Weasley. Eu gritei.
Me sentei abruptamente na cama assim que abri os olhos com o som do grito que eu mesmo tinha dado. Olhei para a cama ao lado e Ron dormia tranquilamente, como se nada tivesse acontecido (acho que nem mesmo em desmoronamento acordaria ele). Eu respirava pesadamente e com desespero. Nem me preocupei em procurar meus óculos, estava tudo escuro, era possível enxergar apenas a silhueta dos objetos. Eu reparei que suava frio, minhas mãos tremiam e meu coração estava custando a se acalmar. Eu ainda estava com a boca entreaberta de susto, o sonho havia sido muito real, e quase sem perceber eu sussurrei: "Gina".
—Eu to aqui, você ta melhor, amor? — Ouvi uma voz baixinha e muito suave vir de trás de mim e me virei vendo-a sentada ao lado do meu travesseiro, com as mãos apoiadas nele.
Me virei e a abracei, era muito bom fazer isso. E pela primeira vez em anos, eu chorei até soluçar, até não conseguir mais derramar nenhuma lágrima. Ela não disse nada, em momento nenhum, apenas me abraçou, as mãos acariciando meus cabelos, a respiração serena me passando tranquilidade, e assim eu fui me acalmando. Quando consegui me acalmar ao ponto de formar uma frase com coerência perguntei, ainda abraçado a ela:
—Obrigada por estar aqui, mas por que você veio? — Perguntei ainda soluçando um pouco.
—Eu ouvi você falando "não" de uma maneira meio desesperada, e não era sua voz normal, não quando está acordado. Deduzi que estivesse tendo um pesadelo e quando cheguei aqui você estava se debatendo. Fiquei com medo de te acordar, então sentei do seu lado e tentei evitar que se machucasse. — Ela falou calmamente, ainda me fazendo carinho nos cabelos e no rosto — Você falou meu nome antes de gritar. Por que? Quer me contar?
Eu fechei os olhos com força, me lembrando da cena que ainda rondava minha cabeça.
—Quero te contar sim amor, mas pode ser amanhã ou outro dia? Agora eu gostaria mais de esquecer.
—Claro, Harry, quando você achar melhor então, está bem? — Eu assenti — Você está mais calmo? Sente-se melhor? Quer dormir novamente?
—Estou melhor, sim, obrigado. Estou com sono ainda, mas tenho medo dos pesadelos voltarem.
—Não vão voltar hoje, amor, pode ser que voltem outro dia, e é normal. Você passou muita coisa ruim, é normal que agora apareçam algumas consequências disso, deixe o tempo cuidar de tudo e se quiser ajuda eu sempre estarei aqui. — Ela disse muito carinhosa — Só vou te pedir uma coisa, Harry, pare de se culpar, você não tem nada a ver com isso, tudo que você fez evitou que mais e mais tragédias acontecesse. Ninguém te culpa, então pare de fazê-lo você mesmo.
—É tão fácil falar, Gi... — ela não deixou que eu terminasse.
—Não é fácil falar, Harry, e você não precisa se sentir assim. Como acha que eu me sentia quando passava pelos corredores da escola no ano passado e todos os sonserinos me olhavam e diziam que eu era a namoradinha abandonada do Potter, que você era um covarde que fugiu e me deixou pra tráz, que você foi embora porque percebeu que era homem demais pra mim (essa parte normalmente eram as meninas que falavam). Aah, tinham os que falavam também que você percebeu que os pé-rapados Weasley tinham me jogado pra cima de você só porque é rico, e mais essas coisas. Sabe o que Neville e Luna me diziam? Não ligue pra eles. Eu sei que não é fácil, mas eu tentei.
"Eu ouvi da escola inteira que eu era sem sal, aproveitadora, oportunista, e mais um monte de coisa também. Não é legal ver um monte de garotas lindas falarem que o cara que você ama percebeu que você não serve pra ele, que você é feia demais pra ele, que você é pobre demais pra ele, ou que simplesmente ele iria se enjoar de você assim que uma delas aparecesse em sua frente. E você acha que eu ouvia tudo isso como? Chorando? Nem pensar, amor, era de cabeça erguida, elas nunca iriam me derrubar desse jeito, sabe por que? Eu tinha que estar forte quando você chegasse, não é mesmo?"
—Você não existe Gi. — Eu falei agora olhando pra ela, e tenho certeza que meu olhar agora, alem do amor de sempre, estava repleto de adoração. Eu sempre soube que ela era forte, mas dessa vez foi surpreendente.
—Então espero que você não queira arrumar outra namorada pra ocupar minha não existência. -Ela disse já rindo, afinal seria muito estranho se ela fosse irmã de Fred e Jorge e não fizesse piadas em horas impróprias.
—Eu te amo, ruiva. — Falei rindo, eu sabia que ela não gostava muito desse apelido — E pare de pensar no que as pessoas dizem, eu nunca te abandonei e nunca farei isso, você é PERFEITA — eu disse dando muito ênfase à palavra — para mim e eu não me importo que seus pais não tenham dinheiro, isso não faz a menor diferença, daqui um tempo o que é meu será seu também, e é isso que faz a diferença pra mim. E você é linda, amor, não duvide disso. Eu via como as pessoas da escola te olhavam, e eu morria de ciumes.
—Bobo — Ela falou rindo — Não precisa ter ciúmes.
—Eu sei, mas não consigo evitar — Falei e rimos.
Nesse momento Rony resmungou um pouco mais alto e se mexeu estrondosamente na cama.
—Amor, precisamos dormir, amanhã sairemos cedo. — Ela disse e eu mudei minha expressão de felicidade imediatamente, não queria que ela fosse — O que foi, está com medo? — Não havia gozação em sua voz, só preocupação.
—Estou com medo que os sonhos voltem. — Confessei sem nenhum constrangimento.
—Vem — ela disse se afastando para o lado — deita aqui, eu fico até você dormir.
E por mais que isso soasse um pouco gay e nem um pouco cavalheiro, eu aceitei. Me deitei em meu travesseiro, puxei as cobertas para cima e ela sentou-se ao meu lado, um braço apoiado em meu travesseiro ao lado de minha cabeça e sua outra mão me fazendo carinho. Eu me aconcheguei e encostei meu rosto em seu decote, mas não havia malícia neste momento, é que o cheiro dela era um ótimo calmante, e eu queria sentí-lo. Minutos depois adormeci, e dessa vez não tive nenhum sonho.
Acordei na manhã seguinte e Rony não estava mais em sua cama, a Sra. Weasley deve tê-lo chamado mais cedo para ajudar em alguma coisa. Me mexi preguiçosamente e alguma coisa fez barulho embaixo do meu travesseiro, coloquei a mão para pegar e agarrei um pequeno pedaço de pergaminho, com uma letra inconfundível:
"Você dorme igual criança, as mãos apoiadas embaixo do rosto, se possível fica mais lindo ainda.
Pena não poder ficar a noite toda.
Com amor,
G.W."
Eu li seu bilhete e ri como bobo para o papel. Me levantei, peguei minha mochila e o guardei la dentro como recordação da primeira carta da minha namorada. Minutos depois eu adentrava a cozinha e todos da casa já estavam em seus lugares, com exceção de Jorge e do Sr. Weasley, que já haviam ido trabalhar.
—Bom dia. — disse a todos e dei um beijo na bochecha de Gina, me sentando logo em seguida ao seu lado. — Por que não me acordaram mais cedo?
—Gina quase bateu em cada um que ameaçou acordar você, Harry. — Rony falou do outro lado da mesa, a mesma expressão de sempre durante a manhã: mau humor. — Essa menina está cada vez mais doida, eu teria cuidado no seu lugar.
Eu apenas ri, e sussurei baixinho para que só ela ouvisse: " Obrigado". Ela respondeu apertando levemente minha coxa com a mão que não estava em cima da mesa, eu sabia que o gesto significava " Pode contar comigo". Não era necessário dizer a ela que o que aconteceu a noite era segredo.
Depois que comemos o delicioso café da manhã preparado em meio ás discussões de Monstro e da Sra. Weasley, no dirigimos até a lareira, que hoje seria nosso meio de transporte. Embora eu ainda detestasse Pó de Flu, a Gi ainda não pode ficar aparatando por ai quando bem entendesse. Melhor não arriscar. Dessa vez iríamos apenas nós quatro, a Sra. Weasley decidiu que já somos bem grandinhos para comprar as coisas sem ela.
Primeiro foi Rony, depois Hermione, eu (que saí da lareira todo desajeitado e tropeçando, provavelmente teria caído se não me segurasse em Ron) e por último Gina (ela saiu graciosamente como se fizesse isso todos os dias). Limpamos as cinzas de nossas roupas e saímos do Caldeirão Furado para o Beco Diagonal, point do comércio inglês bruxo, como diria tio Valter.
As ruas estavam apinhadas de gente, como há muito não se via esse lugar. O Sr. Olivaras havia voltado à sua antiga loja e atendia aos primeiranistas nesse momento. Identificamos alguns rostos de Hogwarts, principalmente os das pessoas que passavam nos encarando de boca aberta. Apertei mais a mão de Gi na minha, enquanto Ron e Mione fizeram a mesma coisa, e começamos a descer a rua em direção à loja que Hermione fez questão de visitar primeiro: Floreios e Borrões.
O que compramos ali foi básico: pena, pergaminhos, tinteiros e os livros. Gina e Ron foram categóricos quanto a comprar seus costumeiros livros de segunda mão e recusaram qualquer ajuda para isso ("Harry, uma coisa é as pessoas me chamarem de aproveitadora, outra muito diferente é eu mesma me sentir assim", me disse categoricamente antes de sair pisando firme, quando eu tentei insistir). Depois de terminado o trabalho ali, saímos para a rua novamente, dessa vez apinhados de embrulhos.
Depois disso compramos os ingredientes de poções, uniformes novos (crescemos um pouco desde que estivemos lá) e finalmente a paz merecida!
—Cerveja amanteigada? — Hermione Sugeriu.
—Certamente! -Concordei de imediato.
—Vão indo você, vou passar na Gemialidades Weasley para ver como andam as coisas, se Jorge precisa de ajuda, e os encontro daqui a pouco. — Rony disse, deu um beijo em Hermione e saiu.
E eu encontrei a oportunidade perfeita!
—Gi, vou acompanhar o Ron, ta bom? Encontro vocês o Três Vassouras daqui a pouco. — Dei um beijo na minha namorada e as vi se afastarem para o outro lado da rua.
Me virei, ainda sorrindo para ir até a loja que eu precisava e meu sorriso morreu na hora, quando encontrei um certo rosto na minha frente.
—Vejo que voltou com sua namoradinha, Potter. — Ele disse com a mesma cara de desdém de sempre.
—O que você tem a ver com isso, Malfoy? — Perguntei nem um pouco preocupado em ser educado.
—Sabe, antes eu não entendia o que você via naquela menina sem graça, mas agora olhando melhor, até que ela é bem gostosinha, não é? — Ele disse com aquele sorrisinho sarcástico e eu fiquei vermelho de raiva, mas me controlei.
—Malfoy, dá o fora, e vê como fala da minha NAMORADA. — Falei sentindo o sangue esquentar meu rosto.
—Há! Não precisa mentir pra mim, eu sei o que você quer com ela. E depois de ter conseguido, quando ela levar um pé na bunda, quem sabe não aceite que eu a console, an? — Ele disse e mal teve tempo de terminar.
Eu não iria duelar com ele no meio do Beco Diagonal, então usei o que meu primo Duda me ensinou durante nossa vida juntos: um gancho de direita. Ele notavelmente não esperava aquilo, e eu vi quando suas mãos começaram a tatear em busca da varinha. Eu sairia perdendo, com certeza, estava carregando todos os embrulhos meus e de Gina, não ia deixar minha namorada linda por ai cheia de coisas pra carregar. Em troca, ganhei a impossibilidade de sacar a varinha. Draco encontrou sua varinha, que vinha presa ao cós da calça e já apontava-a pra mim.
—Expelliarmus! — a voz soou de tras de mim e a varinha dele voou pela rua.
Foi a vez de Malfoy ficar vermelho de raiva.
—Weasley, seu traidor do sangue imundo, devolva minha varinha agora. — Ele disse baixo, para que só nós escutássemos, mas a voz deixava transparecer toda a raiva que estava sentindo.
As pessoas a nossa volta pareciam alheiras ao que acontecia, talvez isso se devesse ao fato de estarmos parados próximos e, aparentemente, apenas conversando, já que ninguem gritava.
—O que você falou da minha irmã? — Rony perguntou ameaçador a ele, e do alto dos seus quase dois metros o Malfoy pareceu extremamente pequeno.
—Achei que quem devesse se preocupar com a ruiva gostosinha era o Potter, você não deveria estar mais preocupado em domar a sangue ruim? — Ele perguntou com o mesmo ar de arrogância.
Eu senti Rony tremer de raiva ao meu lado e começar a pegar a varinha, ao mesmo tempo que Malfoy se dava conta da besteira que falou e adotando a cara de pânico que ele sempre fazia.
—Não, Ron. — Falei segurando seu braço. — Ele não vale a pena.
—É verdade — Ele falou relaxando enquanto Draco dissolvia sua cara de apavorado — ele não vale a pena. Ele nem merecia ser um bruxo. — Essa ultima frase foi acompanhada do som da varinha de Draco Malfoy se partindo contra as coxas de Ron, enquanto era segurada com suas duas mãos.
O rosto dele se tornou um hilária mistura de incredulidade e raixa extrema, enquanto se abaixava e juntava os pedaços da varinha que Ron jogou no chão depois de quebrar.
—Weasley, seu..
—Cale a boca, Draco. Você está sozinho e sem varinha, acho que seria mais sensato tirar essa sua cara de comensal da nossa frente.
E foi o que ele fez, enquanto desperdiçava seu vocabulário mau educado em cima de nós.
—Valeu cara. — Eu falei vendo-o se afastar enquanto transferia todos os pacotes para o braço esquerdo e arrumava os óculos com a mão direita.
—É sempre um prazer fazer isso com ele. — Ele me respondeu divertido e nós rimos.
Nos viramos e recomeçamos a andar em direção à loja onde o presente de aniversário da Gina nos aguardava.
—O que ele te falou pra você dar aquele soco nele? — Me perguntou curioso.
—Você viu o soco? — Perguntei tentando desconversar.
—Sim, eu vi. A loja estava muito cheia, achei melhor não atrapalhar e quando estava voltando para o lugar onde nos separamos vi que vocês estavam conversando e ele apontou para onde as meninas estavam caminhando. Suspeitei de que não fosse sobre Hermione o que ele dizia, e então ele levou um soco. — Ele conclui normalmente enquanto nos desviávamos de um bruxo baixinho que estava tão carregado de pacotes que lhe cobriam o rosto. — E então, o que ele falou?
— Aah Ron..
—Fala logo, Harry. Eu sei que ele ofendeu a Gina, diga logo.
—Ele disse que agora que ela estava gostosa ele entendia o que eu tinha visto nela, e que quando eu me cansasse e já tivesse conseguido o que queria dela, ele poderia consolá-la. Mas isso não vai acontecer, Ron, eu...
—Eu sei Harry, o problema não é você, até porque você está me saindo um perfeito namorado bobo. Eu sei que os outros vão falar dela, que vão chamá-la de interesseira e essas coisas, isso é que me chateia. — Ele falou ainda com aquele tom de completa compreensão dos fatos, provavelmente adquirido de Hermione.
—Eu fico triste por ela, pelo que ela vai sentir, mas eu não ligo por mim. Se vão chamá-la de interesseira, e tudo o mais, do mesmo jeito eu serei o idiota da história que vão contar, não é? — Ele assentiu — E sinceramente, cara, eu não me importo nem um pouco, se ela tiver comigo ta tudo bem.
—Que bom que você pensa assim. — Ele concluiu. — E onde é que estamos indo?
—Aqui! — Eu falei apontando para a loja à minha frente.
—Não me diga que o presente dela é.. — Ele finalizou apontando a vitrine enorme à nossa frente.
—Exatamente! — Eu falei, e não consegui esconder a dúvida que eu ainda tinha.
—Ela vai adorar, eu conheço a minha irmã. — Ele sorriu e me deu uma cotovelada não tão fraca assim enquanto completava — Deve ser por isso que ela gosta tanto de você.
Rimos e entramos no estabelecimento.
Meia hora depois...
—Oi amor. — Falei enquanto colocava os pacotes em uma cadeira vaga e apoiava as mãos em suas pernas, dando um beijo em sua bochecha.
—Oi — Ela disse se virando e rindo pra mim. — demoraram.
—A loja estava cheia, tivemos que esperar o Jorge poder nos dar atenção. — Rony respondeu já prevendo minha péssima vocação para inventar desculpas.
Olhei pra ele com cara de obrigado e só pelo olhar de Hermione ela tinha percebido que essa não era exatamente a verdade. Não olhei para Gina, eu fiquei com medo de que ela me perguntasse daquele jeito muito convincente e eu acabasse contando. Hermione veio em meu socorro.
—Querem uma cerveja amanteigada? — Ela perguntou descontraída.
—Por favor. — Respondi.
—Demorô. — Rony falou no seu melhor estilo trouxa e todos rimos.
Bebemos nossas cervejas conversando sobre Hogwarts (Hermione se negava a planejar a viagem) e Rony perguntou:
—Será que o Malfoy também vai voltar pra lá?
—Espero que não — Respondi rápido demais e as meninas me olharam com cara de interrogação.
—Acabamos de encontrá-lo aqui. — Rony disse.
—Vocês falaram com ele? — Gina me perguntou e novamente foi Ron quem respondeu
—Não muito, mas tempo suficiente para que o Harry lhe desse um soco bem dado.
—Por que? — As duas perguntaram juntas e quase gritando.
—Depois eu conto, Gi, não vamos falar disso aqui, está bem? — Falei olhando pra ela e finalizei lhe dando um beijo na testa.
—Eu conto pra você também, Mione. — Ron falou diante da cara de exigência que só Hermione fazia tão bem e nós rimos.
—Eu conto pra vocês duas quando chegarmos, pode ser? — Falei como um fato, não como uma sugestão.
Terminamos de beber nossas bebidas, que eu fiz questão de pagar ("se vocês não deixarem eu pagar as bebidas vou começar a exigir que me cobrem aluguel pra eu ficar n'A Toca", esse foi meu argumento incontestável) e voltamos calmamente ao Caldeirão Furado. Entramos no bar e nos dirigimos para a lareira. Um a um fomos partindo em direção à Toca e dessa vez eu deixei Gina carregar os meus pacotes e os dela, afinal ela sabia aterrissar mais graciosamente do que eu.
Ao chegarmos, encontramos apenas a Sra. Weasley e Monstro, como era de se esperar, e o almoço já quase servido. Subimos as escadas para acomodar nossas compras e eu me demorei um pouco mais enquanto arrumava minhas coisas dentro do malão que havia trazido da casa dos Dursley antes do casamento de Gui e Fleur (o quarto era de Ron, então tudo bem se ele simplesmente jogasse as compras em cima da cama e descesse correndo pra almoçar, mas eu ainda era visita, para todos os efeitos). Eu estava nesse momento tentando encontrar um lugar onde meus potinhos de tinta não virassem.
—Já pode me contar o que fez você bater no Malfoy? — Ela perguntou encostada na porta e olhando pra mim.
Estendi as mãos pra ela e me sentei na cama de Rony, a puxando para se sentar em meu colo.
—Podemos falar sobre isso depois do almoço, amor? Assim conversamos nós quatro e já conto tudo pra você e Hermione, se eu esquecer algo o Ron completa também. — Coloquei uma mecha do seu cabelo atrás da orelha -Depois nós dois podemos conversar sobre isso sozinhos se você quiser.
—Pode ser, mas você não vai me enrolar, Sr. Potter. — Ela disse me fazendo uma cara de ameaçadora que me fez rir.
—Uma coisa dessas nem me passou pela cabeça. — Falei ainda rindo.
—Vai me contar sobre o sonho também, não é?
—Claro amor, vou te contar tudo. — Falei sério.
—Deixa que eu faço isso. — Ela falou se levantando do meu colo, pegando minhas tintas e as colocando num lugar que parecia ter sido feito para elas. — Só vocês, homens, pra não conseguir nem arrumar uma mala sozinhos.
—Não menospreze, mocinha, eu sempre arrumei as malas sozinho, eu só demoro um pouco mais.
—Não estou menosprezando, rapazinho. — Ela falou lentamente enquanto se encostava em mim e alisava minhas pernas, perigosamente perto da virilha. — Quando iremos buscar mais algum objeto estranho na casa dos seus tios? — Ela perguntou com uma expressão que eu ainda não estava acostumado a ver em Gina: malícia.
—Quando você estiver disponível podemos ir — Falei enquanto alisava seu bumbum de uma maneira que me deixaria envergonhado quando namoramos pela primeira vez. — Eu já estou morrendo de vontade. — Falei quando senti um certo volume se formar dentro da minha boxer.
—É, estou percebendo. — Ela respondeu alisando minha ereção e me deu um beijo muito gostoso, que eu aproveitei alisando seu corpo enquanto ela fazia o mesmo comigo.
Nos separamos e ela me olhou sorrindo com uma cara de safada que eu com certeza me lembraria quando estivesse sozinho e antes de se virar para descermos me deu um tapa na bunda, a olhei fingindo incredulidade e ela riu. Descemos de mãos dadas para almoçar.
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