Notas iniciais
Um breve começo pra ganhar ritmo.

Quando o carro passou lentamente ao lado da placa de boas vindas da reserva eu soube, não havia mais volta e aquela era a minha mais nova prisão domiciliar, ao menos a vista compensava as horas trancafiada dentro do Audi 6 que meu pai mantinha com as portas travadas mesmo sabendo que aquilo não me seguraria se fosse o caso, ele gostava de usar o gesto como um aviso silencioso sobre em que lado do carro eu deveria me manter.

Parece fazer um século desde que partimos – Ele pareceu falar para si mesmo, mantinha os olhos na estrada, mas no fundo eu sabia que as palavras tinham o intuito de restabelecer o contato que perdemos após a ultima discussão – Pode não se lembrar, mas teve de ser arrastada daqui, não queria partir de forma alguma.

Por isso estou sendo arrastada de volta? Nostalgia, Thom? – Retruquei apoiando a testa a janela, queria manter minha postura, mas meus instintos traidores gritavam dentro de mim. Minhas células pareciam felizes pelo simples fato de estar de volta. Ele havia conhecido minha mãe durante uma viagem, apaixonaram-se e ele mudou para Forks por ela, mas tivemos de mudar quando eu fiz dez anos.

Billy esta sendo muito generoso, temos de ser gratos, se não fosse por ele você poderia estar sendo exorcizada agora. – Ele me lançou um olhar de lado e uma tentativa de sorriso pouco convincente, eu tinha certeza que o papo de exorcismo não era uma brincadeira sem fundo de verdade.

Ele me explicou tudo por telefone, pai, todos aqueles ‘tutoriais’ por e-mail foram bem esclarecedores também. Sei o que sou e de quem é a culpa, quero voltar pra casa e seguir minha vida. – Falei pausadamente o que já havia dito mil vezes, mas com os dedos cruzados para que dessa vez ele me ouvisse. Desde que toda essa loucura havia começado ele parecia sempre aéreo, eu me sentia culpada, mas ele não era o único perdido.

Você matou pessoas, Alex. Você me atacou! – Ele acusou sem me olhar e aquilo machucou tanto quanto a primeira vez que ele o fizera. Serrei meus punhos e quis bater e rachar o painel do carro reluzente dele, não suportava os olhares cheios de repulsa e agora não queria suportar as acusações sobre algo que não escolhi, mas me contive, respirei fundo.

Não eram pessoas, já lhe disse e Bylle confirmou. Eles eram perigosos, iam me matar, pai. – Uma nota aguda de angustia pode ser ouvida em minha voz e uma lagrima idiota molhou minha face, eram poucas as vezes em que meu controle emocional se diluía ao ponto de chama-lo de pai – Você atirou em mim!

Não sabia que era você, criei uma garota e não um animal – Ele pisou no acelerador e eu cravei as unhas no couro do banco sob mim.

Talvez devesse me comprar uma coleira, uma com identificação! Assim evitaríamos confusões e você não aponta mais nada para minha testa. – Sorri amargamente e suspirei, voltando a me recostar a janela e fitar as primeiras casas que se misturavam a paisagem e pareciam ter brotado da terra com as árvores.

Eu amo você, querida. Só estou tentando.– Mas é incapaz de me olhar nos olhos desde que minha mãe faleceu anos atrás,agora mal pode respirar perto de mim, não suporta o monstro que me tornei e suporta menos ainda dever isso ao sangue da mulher que amou.

Quando ele finalmente demonstrou chegar ao local marcado não esperei que estacionasse, sai do carro enquanto este ainda era manobrado. Não retirei meus óculos escuros embora o céu estivesse tão nublado quanto estivera todo o percurso desde que havíamos chegado em Forks, um firmamento pesado, triste e em um tom de cinza que combinava quase que de forma poética com o que eu estava sentindo. Parei alguns metros de distancia do carro, não havia ninguém a vista, mas de alguma forma era como ser recepcionada, um gostoso arrepio correu por toda minha pele quando dei atenção a terra fria sob meus pés.

Por Deus! Porque esta descalça? – Virei-me a tempo de ver o desgosto na face de Thom, mas logo ele não me olhava mais – Aquela é a casa dos Black. – Ele apontou para uma das casas enquanto abria o porta malas.

Você não esta comendo seus legumes, tire os pés da mesa, outra tatuagem?! Não se transforme em lobo na sala! E agora vai querer me obrigar a usar sapatos? – Puxei uma de minhas malas e segui para a casa dos Black sem voltar a olha-lo, podia sentir um gosto amargoem minha boca tamanha era minha raiva. Ele realmente estava me largando junto a estranhos, estava me dando as costas quando eu mais precisava dele. Me jogando aos lobos.

Notas finais
Volto a postar em breve.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.