Notas iniciais
cada capítulo aproxima mais o romance, hein? pode nao parecer mas essa primeira parte é muito importante pro amor que ocorre depois, eu to demorando mas vocês vão entender em breve.

Os meses foram se passando, nossos amigos continuaram ficando bêbados e inclusive, o Paulo começou a sair com eles e se embebedar também. Ele começou um namoro com a Bruna O. e todo mundo achava bonito eles juntos, inclusive eu. A Camila perdeu o BV nesses meses que passaram, o Martim também (e foi com um menino), a Bruna M. descobriu que era bissexual e assim a vida foi ficando cada dia mais louca. Todo dia uma novidade diferente. Eu perdi a virgindade nesse tempo e desde então, meu relacionamento era resumido em transar e comer lasanha. Muitas pessoas diriam que era o relacionamento dos sonhos, mas eu não acreditava nisso, até por que estava longe de ser. A cada dia que se passava, eu perdia a vontade de continuar com o Rogério e dava pra ver que ele sentia o mesmo, mas a gente não dava um basta. Íamos nos conformando... Um dia, a Maju chegou cedo na sala e eu devo dizer que isso não acontecia costumeiramente. Estávamos eu, Camila e Renata na sala e ela soltou um:

— Mano, eu acho que eu sou bi.

— O quê? Você ficou com menina? — perguntei de pronto.

— Não, mas...

— Então você não tem como saber.

— Mas eu acho que sou, ué.

— Você só tem como saber depois que transar com uma menina, Maju! Por que beijar na boca deve ser a mesma coisa.

— Ai, nada a ver.

— Bom, eu acho isso.

Todo mundo ficou quieto e quem faltava chegar, chegou. Nunca entendi por que agi tão na defensiva com a Maju quando ela disse aquilo, mas foi exatamente assim que aconteceu.

E o tempo foi passando. Aconteceu tanta coisa. O pessoal fez vários rolês pra parques, ficavam bêbados, cada um beijava cinquenta bocas diferentes... Eu não ia em nenhuma desses rolês por que achava difícil que eu me controlasse sobre beber ou que alguém não viesse me beijar e eu tivesse que ficar esquivando. O Thiago era um dos que só estavam esperando eu terminar meu namoro pra vir atrás de mim, apesar de eu querer um total de zero coisas com ele. Então eu preferia não ir, ia só ouvindo as histórias mesmo.

Num desses rolês, eles chegaram falando de tanta coisa que eu até "buguei" pra raciocinar. Todo mundo tinha dado uns amassos, alguns tinham dado beijo triplo, parecia um carnaval fora de época. A Camila tinha ido nesse rolê mas não bebeu, apenas foi pra ficar com o Felipe. Eles começaram a ficar e parecia que estava ficando sério, eu queria muito que eles ficassem juntos mesmo, não negava.

O meu aniversário chegou e só a Renata e a Camila foram pra escola. Eu nunca fiquei tão chateada na vida. Não queria nada de ninguém, só que tivessem ido pra escola pra me ver naquele que diziam ser um dia especial. Pra combinar com a situação, a Renata saiu mais cedo. Ficamos eu e Camila caçando livro na biblioteca. Eu só não imaginava que eles tinham feito uma surpresa pra mim. A surpresa foi tão louca que desse rolê todo, saiu um bolo no formato de peitos (por que eu tenho seios consideravelmente grandes). Eu fiquei super surpresa com tudo e o Rogério ainda chegou depois pra completar a festa. Parecia que estava tudo perfeitinho, até ganhei dois livros de aniversário.

A vida mudou em menos de um mês. Dia vinte e seis de setembro eu e Rogério completamos um ano e sete meses de namoro e foi tão irônico. Eu tinha acabado de mudar de casa, estava sem wifi, sem nada estabilizado, não tinha crédito no celular. Rogério me ligou as 20h daquele dia, quando eu estava ajeitando os guarda roupas.

— Feliz aniversário, amor! — ja atendi o celular assim — Um ano e sete! Tão perto de fazer dois, né?

— Parabéns pra gente... Como você ta? Como estão as coisas aí?

— Uma bagunça, mas ja tem cama pra dormir! Aos poucos se ajeita tudo. E contigo?

— Hum, to bem. Eu queria falar com você.

— Ja ta falando, amor! — disse, soltando uma risadinha — Brincadeira, mas como assim?

— Pessoalmente, Jessica.

— Ah. — fiquei em silêncio por um minuto, ele ia terminar comigo, tava na cara — Bom, não sei. Você pode vir aqui amanhã?

— Amanhã eu tenho curso mas acho que consigo dar uma passada por aí.

— Bom, então ta. Até amanhã.

Eu guardei aquilo pra mim. Algumas semanas antes estávamos falando sobre nossas ideias de construção de família, sobre o ideal de vida e nada, absolutamente nada se encaixava nas nossas ideias. Eu disse pra ele que não íamos dar certo, que nosso namoro era uma puta furada ja que ninguém queria transformar os seus ideais. Ele disse que não íamos terminar por que nos amávamos muito pra fazer isso, que íamos dar certo sim. Ele me encorajou a continuar naquele namoro. E agora ele mesmo iria dar um fim e eu já sabia, mas preferia fingir que não sabia, que seria uma surpresa do dia seguinte e fui dormir sem preocupações.

Tive um dia comum na escola, cheguei em casa, almocei e sentei no sofá esperando ele chamar. E ele chamou, então desci.

— Oi, vamos conversar?

— Sim, vamos.

— Você não acha que a gente devia subir?

— Não, Rogério. Não acho. Pode falar.

— Tá. Esses dias que nós ficamos sem nos falar direito, eu tive um tempo pra pensar em tanta coisa, sabe? Tempo de refletir mesmo. E eu tava vendo que a gente não tem nada a ver... — uma lágrima começou a sair involuntária do meu olho — A gente não quer as mesmas coisas. Quer dizer, até queremos, mas não no mesmo tempo! A gente não tem um gosto parecido pra várias coisas e não sei, não tem dado mais certo...

— Cê tá terminando comigo, né?

— Eu acho que é a melhor saída pra nós dois, Jessica.

— Ta, some daqui. — falei chorando escandalosamente.

E ele saiu. Foi descendo o escadão que dá na casa do amigo dele. Mas eu fui atrás, corri igual louca pedindo pelo menos o último abraço. Eu abracei ele tão forte. Tão, tão forte... Eu sabia que era a última vez mesmo. Depois me veio uma onda de raiva e eu disse que se soubesse que ele desistiria tão fácil, eu nem teria começado aquela relação. Mas olhando hoje em dia, acho que falei da boca pra fora, por que apesar de termos tido momentos muito ruins numa relação, foi dali que eu tirei meu embasamento pra não aceitar menos do que eu mereço de alguém e isso importa.

Depois disso, parece que o peito esvaziou. Depois de quase dois anos, eu estava solteira. Eu nem lembrava mais como era não ter um namorado... Mas não contei pra ninguém que estava solteira. Meus amigos só descobriram três dias depois e disseram que eu estava tão normal que eles nem perceberam que a gente tinha terminado.

— Achei que você ia ficar péssima. — o Martim disse.

E todo mundo suspirou como se fosse um "eu também".

— Ah, eu até fiquei triste no primeiro dia mas depois eu me senti tão aliviada. A relação ja estava vencida. Acho que chega. E eu juro que estou bem de verdade, não consigo ficar triste pelo Rogério, só consigo achar que talvez ele ter terminado comigo tenha sido a melhor coisa que ele fez.

E é bem aqui, nessa parte da minha vida que o que eu menos esperava aconteceria. Bem aqui, no início de outubro de 2016...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.