Sobre eu, você e nossas coisas
6 Capítulo 6
Quando havia um trabalho de duplas, era sempre assim: Maju e Alice, Camila e eu e o Martim sempre pedia "professora... pode dupla de três?" e fazia ele, Renata e Bruna M.
Estávamos no meio de uma cópia de texto em dupla na aula de português, cada um conversando sobre algo com sua dupla e era engraçado por que dava pra todo mundo ouvir ja que estávamos um atrás do outro. Então a Alice disse:
— Ta vendo essa garrafinha que eu trouxe? Não é água, é aquela skol beats que tem mais álcool do que a azul.
— Ué, por que tu trouxe bebida? — a Maju perguntou.
— Quero criar coragem pra terminar com o Artur. Ai, ele só fode meu psicológico. Tu acredita que eu descobri que ele me traiu, bichinha?
— É o quê? — o Martim gritou lá de trás.
— Alice, deixa pra contar isso no intervalo pra todo mundo ouvir. Todo mundo imagina que você tenha batido nele. — a Renata falou.
— Claro que bati, vagabundo!! Me traiu, Rê! Não dá, né? Nossa, muito cuzão ele, eu fico puta de lembrar e fico puta de ter voltado com ele.
— Você terminou com o David pra voltar com ele.
— Pior bosta que eu fiz. O David é um xuxuzinho, "vei". Ah não... Mas no intervalo eu conto, eu bati nele mesmo.
— Todo mundo imaginou, você dá voadora em todo mundo que te irrita.
— Nossa mano, eu fui gravar um vídeo com a Alice, ela veio igual louca pra me bater, eu tenho medo de você, menina! — o Martim disse.
— Eu acho que a gente tinha que sair pra beber, o que vocês acham? — Alice perguntou.
— Sair pra beber? Eu nunca bebi nada. — Maju falou.
— Por isso mesmo, pra vocês verem como é.
— Nossos pais iam matar a gente se descobrissem...
— Eu topo! — Bruna M. falou de pronto.
— Se a Bruna vai, eu vou. — Renata disse.
— Preconceito comigo que não posso beber. Eu posso ir pra ver vocês loucos da cabeça? — Martim perguntou.
— Pode, mas eu acho que você vai acabar nem que seja provando.
— Ah, eu vou. — Maju disse.
Eu e Camila estávamos tão imersas no nosso papo que nem notamos o papo deles.
— Ow, Jessie, Camila! — Alice gritou — A gente ta combinando de beber hoje a tarde, vamo?
— Beber?
— Cachaçar, meninas. Bora, bora, bora!
— Não rola, a gente tem quinze anos. -eu disse.
— E daí?
— Meus pais me matariam. Tô suave, bom divertimento pra vocês.
— Eu também não tô nessa, people. -Camila disse.
— Você só faz tudo que a Jessie faz, Camila! Ai, que saco! Olha eu! Eu não vou beber, vou pra ficar com as meninas e ver elas lá loucas, mas não, tu tem que dizer não por que a Jessie disse que não pode... — o Martim disse.
— Nada a ver, eu que não gosto mesmo desses negócio de ficar bêbado e gosto menos ainda de ver amigo meu vomitando por causa de bebida. Me deixa, Martim. E outra: a Jessie não fez nada pra você pra ti ficar de negócio com ela!
— Deixa Camila, às vezes eu acho que deveria ter sido melhor que eu nem tivesse me aproximado de vocês. O Martim me trata com todo descaso do planeta e eu tenho que agir como se isso fosse normal.
— Eu melhorei muito com você por que aprendi a gostar de você, Jessie. Só que eu não vou ficar fingindo que eu considero sua amizade do mesmo jeito que eu considero a desse pessoal aqui. São quatro anos. Você chegou agora!
— Okay Martim, pau no seu cu então. Porra, que saco!
Levantei e pedi pra ir no banheiro. Não queria chorar, nem nada, só queria ficar na minha. Era incrível. Todo mundo agia normalmente comigo, menos o Martim. Ele e o ideal idiota dele de que amizade é pelo tempo... Porra, o tempo ajuda bastante, mas não muda tanta coisa assim, não a ponto de maltratar o outro. Me senti pisoteada, essa é a palavra certa.
O sinal bateu, o pessoal subiu pro intervalo mas eu continuei na cabine do banheiro. Ouvi minhas amigas entrarem, conversando qualquer coisa, mas não saí. Só saí mesmo de lá quando o sinal bateu de novo. Arrumei minha mesa no meu lugarzinho e deitei a cabeça em cima do caderno. Nem lembrava qual era a aula, só torcia pra que não fosse educação física. Maju chegou perto de mim e perguntou se eu tava bem.
— To sim, relaxa.
— Não, por que foi errado o que o Martim fez e super entendo se tu estiver chateada... Não te quero triste, viu guria?
Eu adorava que ela me chamava de guria.
— Eu sei...
— Pois me dá um sorriso!
Eu soltei um sorrisinho. Ela abaixou pra ficar com o rosto de frente pro meu.
— Ele é um pouco imaturo ainda, fala as coisas sem pensar, depois se arrepende. Uma hora ele pede desculpas. Pode demorar um ano, mas tu pode ter certeza que ele vai pedir, só tenha paciência. E você já ganhou o coração de todo mundo, okay? Só queria lembrar você disso.
— Você me conforta por demais, Maria. Obrigadinha!
— Maria não! Maju. Toda vez que cê me chamar de Maria, eu vou te dar um pedala Robinho, fica esperta não pra tu ver!
E ela saiu dando risada. Como ela era cativante e me fazia bem! Eu admirava ela como se fosse um solzinho iluminando os dias alheios! E de fato, ela era. Ela é. Maju é um amor todinho nesse mundo!
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