Sobre eu, você e nossas coisas
4 Capítulo 4
Rogério e eu estávamos namorando ja tinha alguns poucos meses. Tivemos que namorar escondido no início, meu pai me achou muito nova e não quis permitir mas minha mãe encobriu o começo do relacionamento. Eu recebia caixas de bombom e escondia na mochila, só dava alguns para minha mãe.
Lembro que, na Páscoa, Rogério me comprou um ovo de chocolate mas não podia me entregar por que seria suspeito... Tivemos que esperar até dia dez de abril, o aniversário dele. Ele fez uma festa e convidou seus amigos e minha família para conhecer tanto ele quanto a família dele e assim, a gente poder assumir a relação. Meu pai ficou com raiva quando soube que eu estava insistindo em ficar com ele, mas depois que me viu afastada dele, mudou de ideia sobre não ir.
E nós fomos e eu lembro que cheguei em casa tão feliz depois da festa! Feliz por que não precisava mais esconder de ninguém que eu tinha um namorado, agora a gente ia poder se ver nos finais de semana e coisas do tipo e isso pra mim, era o máximo.
Enquanto a vida amorosa ia passando normalmente como uma garota de quatorze anos sonha, a vida social ia melhorando aos poucos. Fui acatada pelo grupo do canto, com exceção do Martim que, apesar de não me expulsar no sentido literal, não queria que eu fizesse parte daquilo.
Todos me tratavam bem. Renata e Bruna M. não gostavam de fazer educação física e eu também não, então ficávamos juntas nas aulas conversando sobre as nossas descobertas sexuais, o que era meio engraçado. Camila e eu adorávamos história, filosofia e sociologia num nível crítico e passávamos tardes conversando sobre isso. Alice adorava falar de coisas aleatórias e fazer discussões políticas junto comigo. Martim, apesar de estar na defensiva, ia se desarmando ao me conhecer e até começou a me mostrar suas músicas favoritas e falar sobre como era sua comunhão com Deus. Maria Julia, apesar de ser quem eu conhecia menos, era uma das pessoas que eu gostava mais por que ela tinha um senso de justiça tão bonito, ela era simplesmente incrível em todos os sentidos da palavra e eu ficava boba em como ela fazia eu me sentir bem.
O tempo ia passando. Trabalhos iam sendo feitos. Eu ia me encaixando naquele lugar, naquela sala, naquelas pessoas. Passei a participar das festas-surpresa de aniversário, passei a ser chamada pras tardes de violão e Just Dance, passei a ser chamada de amiga e não mais só de Jessie. Cada dia isso se tornava mais empolgante pra mim, por que eu sabia que tinha amigos de verdade.
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