Sobre eu, você e nossas coisas
3 Capítulo 3
Era um dia chuvoso, de certo todos acordariam com preguiça, ninguém iria ir pra escola, mas eu fui. Eu não faltava costumeiramente, até por que meus pais nunca foram muito a favor de faltas sem necessidade, posso contar nos dedos a quantidade de vezes que eu faltei à escola. Eu achei que naquele dia, iria bem menos gente... Obviamente não foram muitos, mas tinha gente por lá. Estava a Ásia, o Danilo, o Martim (por algum milagre, já que ele costumava faltar bastante), a Talita e a Camila. Haviam mais pessoas mas eu não me recordo delas agora. Sei que o dia mal tinha começado e eu já estava completamente entediada.
Camila me viu conversando com a Ásia coisas aleatórias, como por exemplo, a Organização Illuminatti e outras teorias malucas que existem as quais eu tinha lido numa revista, enquanto nós duas recortávamos figuras de linguagem de um jornal para o trabalho de português. Eu vi que ela observava e comentei com a Ásia, que logo chamou-a para conversar com a gente. Eu não sabia muito da Camila, além do fato de que ela era muito inteligente e dedicada aos estudos, assim como eu. Quando ela se aproximou, achei que fosse ficar tímida mas ela desatou à fazer uma quantidade de perguntas muito legal, me senti "entendedora" do assunto.
Nós conversamos sobre muitas outras coisas que eu nem me lembro mais, mas sei que saí da aula feliz por ter conhecido melhor a Camila e descoberto que nós nos dávamos tão bem.
Os dias foram passando e a cada semana eu me sentia menos confortável perto dos outros grupos e mais confortável perto do grupo do canto, especificamente da Camila. Ela me fazia sentir bem vinda.
Depois de umas semanas, tivemos uma aula vaga e a Ásia, Talita e suas amigas se surpreenderam ao ver que eu preferi me sentar próximo ao grupo do canto no pátio. Comecei conversando com Camila e dando risadas sobre coisas que nós achávamos engraçado. Estava com um livro da Talita na mão e Martim pediu para ver.
— Só toma cuidado pra não fazer orelha, por que é da Talita.
— Você ja leu um livro junto com alguém?
— Como assim?
— Tipo, você lê na sua casa e marca a página que você parou e daí você traz pra escola e eu leio da parte que eu parei e marco minha página. Marcadores diferentes, sabe?
— Hum, nunca fiz isso...
— Eu e a Maria fazemos isso sempre.
Soltei uma risadinha. Maria era a única que não estava entre nós, nem sabia onde ela estava mas sabia que ela tinha vindo para a escola. Enfim, continuei minha conversa com Camila e voltamos para a sala ao final da aula vaga.
Eu tinha uma bolacha guardada na mochila e tinha esquecido de levar no intervalo. Quando peguei, todos viram. Acho que entendi o significado de "esfomeado" ali. Foi aí que Maria chegou na sala.
— Amiga, onde você estava? — perguntou Renata.
— Na biblioteca.
— A gente devia ter imaginado... Ei, vamos cabular essa aula?
— É de que?
— Biologia.
— Ah não, eu gosto de biologia. Você fica, Camila?
Camila olhou pra mim como se perguntasse se eu também ficaria e eu fiz que sim com a cabeça.
— Fico. — ela respondeu.
— Então vocês podem ir, vamos ficar eu, Camila e... Qual seu nome?
— Jessie. — respondi.
Subiram Martim, Renata, Bruna M. e Alice e nós ficamos lá embaixo. A professora de biologia foi extremamente atenta à dúvidas que nós tínhamos sobre insetos há alguns bons anos. Foi uma aula engraçada por que falamos de baratas e como é nojento uma barata tendo vários filhos. Então eu perguntei a Maria:
— Você é Maria-o-quê mesmo?
— Maria Julia.
— Ahh! Posso te chamar de Maju? Sempre quis chamar alguém de Maju, acho bonito.
Ela riu como se achsse ridículo porém engraçado.
— Mas claro que pode. Quer dizer, ninguém me chama assim né, ou é Maria ou é Julia, Ju, sabe? Mas tudo bem você chamar de Maju sim.
Eu sorri. Maju era muito bonita. Tinha cabelos levemente claros, sabe quando tem uma cor entre o castanho claro e o loiro? A cor do cabelo dela era bem essa. Ela era bem magra, alta, devia ter 1,70 ou mais, além de tudo tinha olhos muito bonitos, esverdeados porém com algum tom meio castanho. Eu não sei muito explicar como ela era, mas sei que eu a achava incrível só de olhar pra ela. Ela estava se acostumando à usar óculos, tinha começado a pouco tempo. Eu ja usava havia alguns anos então disse pra ela que não ia demorar muito para que ela se acostumasse. Camila também gostava muito da Maju, elas eram amigas há quatro anos assim como todos do grupo do canto. Era difícil não se sentir meio intrusa, mas elas foram muito receptivas comigo.
Ainda tinha muita coisa por vir que eu nem sabia. Sabia que me sentia bem com eles e eles me faziam rir. Sabia que eu não era trocada, nem colocada de cabeça pra baixo, nem me sentia num humor mórbido por não achar graça em coisas que os outros achavam. Sabia que agora eu tinha me identificado. Tinha demorado tanto. Eu não queria estragar.
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