Sobre amor, tartarugas e novas chances
34 Capítulo XXXIV
Não, vocês não receberam att errada. Eu postei mesmo e FINALMENTE terminei essa fic! Não tenho palavras para agradecer a todo apoio e motivação que vocês me mandaram durante esses anos (hehe) que venho escrevendo por aqui. Essa fic é especial para mim, porque é a primeira, porque tá bem perto do meu coração. Obrigada para quem ficou comigo até o final, por todos os pedidos de att, por me ameaçarem, me fazerem rir com os comentários, por compartilharem com outros leitores, por pedirem por mais. Eu escrevo, também, por conta dessa interação deliciosa com vocês! Eu espero que vocês gostem, e quem sabe, mais futuramente, eu não escrevo uma história curta com essa família inteira? ;)
Boa leitura!
Blue
...
‘Mamãe.’ Os joelhos de Harriet bateram na grama com um leve ruído. O cabelo preto mais longo do que jamais fora antes voou à briza refrescante do dia de primavera. Suas mãos, agora de dez anos, tinham dedos longos e delicados, mas um hematoma ou outro se espalhava pelos braços e pernas, denunciando a criança agitada e ainda sapeca que era. ‘Sei que faz um tempo, mas eu não me esqueci.’ Ela disse enquanto a ponta dos dedos desenhava cada letra do nome da mãe cravado na lápida que Jane e Maura tinham insistido em pagar. Fazia, de fato, alguns meses que a menina não tinha visitado o túmulo da mãe. ‘Eu nunca me esqueço.’ Ela disse e olhou por cima dos ombros, para onde suas duas mães estavam esperando por ela. ‘Eu só tive uns probleminhas. Eu soquei a cara de um menino uns tempos atrás porque ele me disse que meninas não podem ser astronautas.’ Ela disse tudo de uma vez, como se a mera presença da lápide da mãe pudesse lhe dar uma reprimenda. ‘Mas eu me desculpei. Pelo soco, e não por gritar o quão errado ele estava.’ Ela revirou os olhos do mesmo jeito que Jane fazia, e depois apontou com o dedo para trás, para as duas mulheres. ‘Castigo de uma semana, sem tv. Dá pra acreditar? Mas, e isso é um segredo,’ ela se inclinou para frente e sussurrou, ‘mamãe Jane disse que eu coloquei ele no seu devido lugar. Mas que, tecnicamente, mamãe Maura não pode saber que ela me disse isso.’ Ela respirou fundo lentamente e acariciou a grama verde com os dedos, como se estivesse acariciando o rosto da mãe. As unhas estavam pintadas de um azul claro, projeto pessoal de Maura — segundo Jane — que adorava entediar a menina quando insistia em pintar suas unhas. ‘E depois, nós viajamos para a praia. Nós todas! E eu peguei umas conchinhas tão lindas! Mas depois Elle jogou metade delas de volta no mar, se é que você acredita, porque ela disse que elas ficariam mais felizes no oceano. Eu não fiquei brava, ela é minha melhor amiga.’ Ela deu de ombros e sorriu com a lembrança da irmã cantando algo da própria autoria sobre como as conchas pertenciam ao mar, e de como era nas águas que elas encontravam a felicidade. ‘O que mais?’ Ela franziu o cenho, tentando se lembrar dos últimos acontecimentos que ainda não tinham sido narrados para a mãe. ‘Dois meses atrás, eu acho, mamãe Jane quebrou o pé. E se você quer saber, ela parece um bebê chorão quando fica doente.’ Ela sussurrou, com medo de ser ouvida. ‘Mas agora o pé dela já tá consertado. Novinho em folha.’ Ela finalmente se sentou na grama e cruzou as pernas na frente do corpo, o olhar perdido em alguém lugar, tentando se lembrar de todas as novas histórias. ‘Ah!’ Ela exclamou, admirada dessa vez. ‘Faith tá aprendendo a escrever! Ela já sabe escrever os nossos nomes e sobrenomes, e ela é a melhor da turma. E ela e Elle vão começar aulas de piano no próximo ano, e eu escolhi natação, porque eu quero estudar biologia marinha, e quero nadar com os golfinhos e as tartarugas!’ Ela disse animada, as mãos traçando desenhos indecifráveis no ar. Seus olhos claros estudaram Elle e Faith de mãos dadas, dançando em roda alguns metros dali. Ela revirou os olhos, como se achasse aquilo bobo e nunca o fizesse. ‘Nós temos mais um à caminho.’ Ela disse, depois virando o rosto para Jane e Maura como se para conferir de que elas ainda estavam lá.
As duas mulheres estavam agora sentadas num banco, a loira tinha uma barriga redonda, mas não muito grande, e já não conseguia ficar em pé por muito tempo.
‘Dessa vez é um menino, e o nome dele vai ser Henry. Ele vai ser parecido com mamãe Jane, é o que minha outra mãe diz. O sexo do bebê era para ser supressa, como o de Faith foi, mas um babaca,’ ela arfou e checou se tinha sido ouvida, mas quando Maura e Jane pareceram nem estar observando-a, continuou, ‘um babaca machucou mamãe no trabalho, e ela ficou duas semanas no hospital e eu achei que ela nunca mais iria voltar para casa.’ A lembrança triste trouxe lágrimas nos seus olhos, e ela deixou que elas rolassem porque Maura tinha ensinado que era tudo bem chorar, e Jane tinha dito que tudo bem, contanto que ela fosse forte. ‘Eu fiquei com medo de que ela sumisse, do jeito que você sumiu. Mas eu sei que você não foi embora porque quis.’ Seus dedos ainda acariciavam a grama, e depois de se recuperar e parar de chorar, ela deu uma risadinha e revirou os olhos. ‘De qualquer forma, foi assim que nós descobrimos. Porque ela precisou de uns vídeos novos do bebê, para saber se ele tava mesmo bem, e você sabe como mamãe Maura é! Ela mesma quis conferir, e foi ela quem soube que era um menino primeiro.’ Ela suspirou e fungou, depois mordeu o lábio inferior em pensamento. ‘Eu espero que isso não signifique que o tio Tommy só vai jogar com o Henry, quando ele crescer.’
‘Harriet!’ A mão pequena e fofa de Faith apertou seu ombro, e a irmã mais velha se sobressaltou com o contato inesperado.
‘Ah! Fey! Assim você me mata de susto!’ Ela exclamou, mas riu em seguida.
Faith é uma mistura física de Maura e do pai biológico, loira e de olhos verdes como os da mãe, mas aos quatro anos ela é tão alta como Elle, que tem seis.
‘Você tá quase pronta? Eu tô com fome.’
‘Você sempre tá com fome.’ Ela disse e balançou a cabeça em negativo, como se censurando a outra.
‘E eu preciso muito fazer xixi!’ Elle tinha se aproximado e se ajoelhado ao lado da irmã mais velha, batendo de leve com o próprio ombro no da outra. ‘Oi, tartaruga.’
Harriet tentou esconder o sorriso e levou as duas mãos no rosto. ‘E de pensar que daqui um tempo vão ser três de vocês!’ Ela suspirou dramaticamente e se levantou, segurando a mão de cada uma das irmãs enquanto elas faziam o mesmo. ‘Até mais, mamãe.’ Ela disse, soltando rapidamente da mão de Faith para assoprar um beijo para a lápide da mãe.
‘Até mais, mamãe.’ As duas meninas mais novas disseram em conjunto. Harriet nunca se incomodara em dividir aquela mãe, também, com as irmãs. Ela tinha ficado supresa quando Elle se despedira assim, da primeira vez, mas nunca a corrigira. A idéia de compartilharem tudo lhe agradava.
...
‘Pronta?’ Foi Jane quem perguntou quando viu a mais velha escoltando as duas irmãs de volta.
‘Sim. Seu dinossauro tá com fome.’ Ela provocou a mais nova, e Faith olhou com tamanha indignação para ela, que Jane não conseguiu segurar o riso.
‘Eu não sou um dinossauro!’ A mais nova cruzou os braços em frente do corpo e olhou para Maura, pedindo por suporte.
‘É claro que não, ela só está te provocando.’ Maura disse com gentileza, e se inclinou para beijar a bochecha rosada da menina.
‘Testando os limites da minha paciência.’ A pequena corrigiu Maura com uma frase tão típica de Jane, que dessa vez foi a própria loira quem riu.
‘Harriet, não provoque mais sua irmã, por favor.’
‘Só vale para ela?’ A mais velha perguntou com um sorriso travesso no rosto, os olhos malignos mirando na direção de Elle, sua próxima vítima.
‘Nenhuma das duas!’ Maura adiantou, sabendo muito bem que Harriet tinha a personalidade implicante e travessa de Jane. ‘Por favor, ainda é cedo e vocês já me cansaram no caminho até aqui. Eu não quero ouvir mais brigas.’
‘Mamãe disse que você tá cansada e rabugenta por causa dele.’ Elle apontou o polegar para a barriga da outra, não tomando a culpa.
‘Elle!’ Jane exclamou parecendo horrorizada e, Maura achou, um pouco pálida. ‘Eu não coloquei nesses termos.’ Ela tentou arrumar, mas o que ela poderia dizer? Na semana passada Maura tinha tido uma crise de choro porque Faith tinha dito que seu tênis estava apertando o pé — o que tinha deixado Jane muito confusa, considerando o drama — e depois tinha gritado com a morena porque ela tinha esquecido de lavar as roupas das meninas, e na mesma noite tinha dormido, acordado com dor nas costas, ganhado uma massagem — o que levou ao sexo — e chorado nos braços de Jane até dormir de novo. Tinha sido a semana mais intensa da vida das duas, e não tinha como negar.
‘Mamãe talvez tenha se esquecido de que crianças repetem tudo o que é dito perto delas.’ Ela lançou um olhar afiado, mas bricalhão, para Jane e aceitou as mãos da mulher como ajuda para poder se levantar.
Harriet e Elle começaram a andar de volta para o carro, lado a lado, e Faith — sempre checando Maura e Jane — começou a correr atrás das irmãs mais velhas. Maura olhava com admiração enquanto sua mais nova, tímida e delicada e sempre curiosa — tão parecida consigo mesma — corria de braços abertos, provavelmente apreciando o vento fresco do dia.
‘É tão bonita.’ A voz de Jane veio fraca ao seu lado, como em contemplação.
Maura se sentiu confusa, não tendo certeza de quem a morena estava se referindo. ‘Faith?’ Ela franziu o cenho, sem saber se Jane também estava prestando atenção na mais nova.
‘Nossa família, Maura. Nossa família é tão bonita.’ Jane apertou sua mão de leve, um sorriso orgulhoso marcando seu rosto.
Maura sorriu-lhe de volta e sentiu uma pequena contração no baixo ventre — depois de ser atacada na delegacia e ter ido para no hospital, essas contrações tinham se tornado presentes, mas não eram ameaçadoras, segundo os médicos.
Antes de alcançarem o carro, Maura observou Harriet checando as duas, abrindo um sorriso em cumplicidade e motivando as duas irmãs menores a entrarem no carro. A mais velha era a mais sapeca, mas também a mais gentil e cuidadosa de todas. Faziam cinco anos desde que Jane e Maura passaram a ter a companhia da primeira filha, mas a sensação era de que tinham vivido, no mínimo, uns dez anos.
Tanto havia acontecido.
A gravidez de Faith tinha sido tranquila, embora mais curta do que esperado. A menina tinha nascido duas semanas antes do previsto, para o desespero de Maura que notou que a bolsa d’água tinha estourado enquanto ela cozinhava, ela estava em casa sozinha com as duas mais velhas, a detetive ainda na delegacia. Ela tinha ligado para Jane aos prantos, mas duas horas depois, já no hospital, bem mais calma e na companhia de sua esposa, seu medo foi substituído pela ansiedade em ver o que seria a pequena Faith em seus braços. O trabalho de parto foi longo e exaustivo, mas no amanhacer do dia, ela tinha a menina em seu colo, mamando pela primeira vez. E ela chorou de novo, só que de alegria.
Elle e Harriet tiveram duas diferentes reações ao conhecer a mais nova: Harriet pareceu empolgada e afeiçoada pela menina, e Elle, ainda com dois anos e nova demais, pareceu não se importar muito, pelo menos momentâneamente. Nos dias seguintes, quando Maura e o bebê voltaram para casa, Elle parecia mais exigente e carente do que nunca. Ela queria ficar o tempo todo no colo, e chorava constatemente. A fase passou, conforme ela foi se acostumando com a presença da irmã mais nova, mas Maura temia que a sua segunda filha fosse odiar a menor futuramente. Nunca tinha acontecido. As três crianças se amavam e se respeitavam, e as brigas eventuais entre elas nunca eram sérias, e não duravam mais do que cinco minutos.
Com três anos, Elle caiu do balanço da escola e trincou o osso do braço. Maura não se lembra de como tinha chegado no hospital, mas suas pernas quase cederam sob o peso do seu corpo quando ela viu Jane e a pequena criança, ainda aos prantos e já com um gesso no braço, na sala da pediatria. Ela quis processar a escola, gritar com a diretora, castigar quem é que fosse o responsável por aquilo. No fim, quando Elle acabou se ajeitando em seus braços, ela fechou os olhos e fez uma oração silenciosa, agradecida por não ter sido uma contusão ou algo pior.
Com sete anos, Harriet apresentou a peça de teatro que, até então, tinha sido a favorita de Maura: Peter Pan. A menina tinha sido Wendy, um papel o qual a mais velha tinha se dedicado e interpretado com perfeição. No final da peça, a loira tinha perguntado para a menina se ela queria ser uma atriz, e Harriet simplesmente disse que preferiria ser uma veterinária. ‘Você pode ser o que quiser, minha doce garotinha.’ Maura tinha dito e beijado seu rosto várias vezes, e os braços pequenos e finos da criança tinham se fechado em seu pescoço, e a loira presumiu que Harriet jamais seria uma das adolescentes que sentem vergonha dos gestos afetivos das mães. Anna, a mãe de Harriet, jamais tinha sido esquecida. As meninas mais novas foram apresentadas, por assim dizer, para a memória da primeira mãe da mais velha. Ainda inocentes demais para entenderem o que tinha acontecido, mas amorosas e doces, as crianças tinham aceitado a idéia sem nenhum estranhamento — e o mesmo fora feito com o pai de Elle. Assim, Maura esperava, elas teriam senso de ter pertencido a algum lugar e alguém antes de fazeram parte da família que estavam agora.
Quando Faith completou dois anos, a família tinha feito uma pequena viagem para o México. O tempo quente despertava uma energia quase diabólica nas meninas, que nunca se cansavam, nunca queriam deixar o mar, nunca queriam comer mas sempre queriam tomar sorvete. Jane e Maura quase enlouqueceram durante a viagem, e chegaram à conclusão que em uma futura, Angela teria que ir junto para ajudar a tomar conta das três.
Quando Harriet completou nove anos, Maura e Jane discutiram a possibilidade de ter um último bebê. A loira estava considerando seriamente deixar o cargo de legista de lado, trabalhando eventualmente apenas na clínica de Hope, mas depois de muito pensar sobre, um acordo entre as duas foi feito: Maura continuaria trabalhando como chefe por mais cinco anos, e só então ela se despediria do trabalho.
Seis meses e meio atrás, então, a primeira tentativa de inseminação tinha funcionado. A família toda recebera a notícia com alegria, e Angela poderia explodir de tanta felicidade. Por cinco meses, a gravidez tinha sido tão tranquila como fora a de Faith. Elas queriam descobrir o sexo do bebê somente no nascimento, como da última vez, mas os planos foram jogados por água abaixo quando, numa manhã movimentada na delegacia, o irmão de um jovem que tinha sido assassinado conseguiu acessar o necrotério. Maura estava finalizando uma autópsia em outro corpo, para só então começar o daquele segundo que estava em espera. O jovem homem tinha entrado na sala, e Maura tinha falhado em notar como suas pupilas estavam dilatadas e em como ele cheirava à bebida. Ao passo de que ele tentou tocar o corpo do irmão, ela se adiantou para evitar que evidência no corpo fosse perdida ou alterada. Ela gritou e balançou as mãos, pediu para que ele se afastasse do corpo. No lado de fora, ela viu Frost e Frankie correndo pelo corredor, e achou que a presença de dois homens pudesse desestimular o intruso. Ela tentou se colocar entre o homem e a maca onde o corpo jazia. A força com que foi jogada para o chão fez seu corpo deslizar alguns centímetros antes de parar, e a dor que sentiu nas costas e quadril quase cegou seus sentidos.
Ela gritou.
Frankie partiu para cima do desconhecido.
Frost já tinha o celular no ouvido, chamando pela ambulância.
O tombo não tinha afetado o bebê, mas, sim, sua musculatura na coluna — que foi tratada com sessões de fisioterapia — e seu quadril. Ela passara a sentir aquelas contrações, que não eram fortes, mas quando aconteceram pela primeira vez, ela chorou inconsolavelmente e só parou quando dois médicos diferentes lhe garantiram de que seu bebê estava em perfeito estado, assim como a bolsa d’água e a placenta também. Demorou quase um mês completo para que ela pudesse voltar a andar normalmente e sem dor, e Jane tinha ficado ainda mais — irritantemente — super protetora e prestativa.
É claro, depois do atentado que sofrera semanas atrás, a detetive trouxera o assunto à tona e Maura estava reconsiderando a decisão, ponderando se deixar o cargo depois que o bebê nascesse seria mais sábio.
Ela ainda teria que decidir.
Tantas decisões precisariam ser feitas.
Quando contar para Harriet o que realmente tinha acontecido com sua mãe?
Como explicar para Elle de que ela tinha, afinal, uma mãe biológica viva, mas que nunca quis saber de sua existência?
Quais perguntas suas duas crianças mais velhas iriam fazer? Seriam algumas que ela teria resposta? Seriam perguntas cujas respostas fossem causar dor? Trariam dúvidas de quem elas eram como pessoas? Se foram amadas e desejadas?
‘Mamãe!’ O grito agudo de Elle veio de dentro do carro, e as duas mulheres pararam de andar, assustadas.
De repente, uma cabeça loira apareceu para fora da porta, e a menina correu em sua direção, uma mão esticada para cima no ar. ‘Eu achei, eu achei!’ Ela cantava feliz.
Maura sorriu, divertida. ‘E o que é que você achou?’
‘O cartão de visita que você disse que estava procurando!’ Ela exclamou, indignada, como se Maura tivesse esquecido algo importante. ‘Vê? Ellen Franklin.’ Ela tinha lido com facilidade, e Maura não conseguiu evitar um sorriso e as lágrimas nos olhos. Aquele pedaço de papel não significava nada para Elle, não significava presentes ou sorvetes ou passeios. Nada que fosse de seu interesse particular. Dois dias atrás, Maura tinha mencionado para Jane que não sabia onde colocara o cartão com o telefone da nova massagista. Ela tinha procurado por toda a parte, mas estava convencida de que nunca mais veria o pedaço de papel. A menina tinha escutado a conversa, encontrado o cartão e se certificado de que era aquele que a mãe procurava. Seus olhos escuros olhavam para a mãe com felicidade genuina e amor, e ela não esperava nenhuma recompensa senão a que estava prestes a ganhar.
‘Oh, Elle, você é minha salvadora!’ Maura disse, e ela queria tanta se abaixar e pegar a menina no colo, mas sua situação não permitia.
Jane, então, é quem o faz. Ela pegou a criança com facilidade e sustentou o corpo pequeno enquanto Maura e a filha trocaram um abraço demorado.
‘Você me faz tão feliz, pequena, e eu amo tanto você.’
‘Eu te amo também, mamãe.’ Ela riu baixinho e beijou a bochecha de Maura. ‘E você também.’ Ela disse para Jane, uma vez que se soltou da loira, e apertou os braços no pescoço da mulher. Jane riu, deliciada, e colocou a menina no chão. ‘Para o carro!’
‘Sim, senhora!’ Elle devolveu, rindo.
Harriet, ainda do lado de fora, abraçou primeiro Jane pela cintura, depois Maura, clamando por sua parte de atenção. ‘Eu amo vocês também, mamães.’
‘Nós também, tartaruga.’ Maura disse com ternura.
‘E EU TAMBÉM!’ Veio o grito empolgado de Faith de dentro do carro, e as três deram risadas juntas.
‘Cadeira e sinto de segurança, tartaruga.’ Jane a lembrou, fechando a porta de trás do carro quando a mais velha das crianças finalmente sentou em seu lugar.
‘Você tem razão.’ Maura começou, e Jane se virou para ela de modo que pudesse encará-la. ‘Sobre nossa família. Você tem razão.’
Um sorriso se espalhou pelo rosto de Jane.
‘Ela deve ser a família mais bonita de todas.’ Ela disse, satisfeita e feliz.
‘É porque todas as crianças tem sua classe e beleza.’ Jane brincou e beijou seus lábios com carinho.
Maura riu e revirou os olhos, e seus dedos entrelaçaram com os de Jane. ‘E a sua também, Jane. Além disso, você é nosso norte, nosso porto seguro.’
A morena a colocou gentilmente num abraço, e acariciou sua barriga, num gesto que derretou Maura. ‘Depois de todos esses anos, eu ainda te daria o que você me pedisse, o mundo inteiro.’
Maura se inclinou e beijou a morena de novo, dessa vez com mais demora, embalada pela confissão.
‘Eca!’ As crianças gritaram de dentro do carro, fazendo a loira rir.
‘Eu não preciso do mundo todo, eu tenho e preciso só de vocês.’
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