Já se fazem três dias, desde a minha última sessão de terapia com o Bob, não conversamos muito como nas ultimas vezes, ele apenas ficou falando de como eu deveria ser mais participativo. Gosto de ir lá, em partes porque depois que me mudei passei a me sentir mais sozinho do que de costume, e era muito bom ter alguém com quem conversar e compartilhar coisas. Mas confesso, que quando ele entra em assuntos de como eu deveria melhorar em certos aspectos, ou fala diretamente dos meus problemas, me sinto um tanto quanto desconfortável. Mas ele é pago para isso, certo? Acredito que ele não frequentou anos de faculdade, fez doutorado e perdeu tempo montando seu consultório ali, para me ouvir falar de música. Fazer o que se música era meu assunto favorito.

Durante minha adolescência inteira eu tive um sonho, um sonho de me tornar astro de rock. Com uns sete anos de idade, procurei um primo meu que dava aulas de violão e guitarra no fundo da casa dele, acabou sendo naquela sala pequena e com cheiro de coisas antigas, que descobri um futuro.

Um futuro que eu ainda aguardava, que por falta de opção e necessidade de dinheiro, acabei por arranjar um emprego meio período no escritório do meu pai e utilizo o resto do meu tempo indo até a faculdade no meu curso de psicologia. Sim, eu, a pessoa com maior dificuldade de falar sobre problemas e sentimentos no mundo, tinha um segundo sonho de me formar em psicologia, caso o lance de astro de rock não desse muito certo, mas ainda estou trabalhando nesse segundo, treino com a minha guitarra sozinho em casa todos os sábados; porque sim, eu não tenho absolutamente nada para fazer aos finais de semana.

Acho que todas as pessoas no mundo, em algum momento na vida se sente sozinhas, até mesmo se você for super famoso e tiver milhares de fãs na porta de sua casa dispostas a abraça-lo, e por essas e outras, que existem os psicólogos. Sei que é tudo bem mais complexo que isso, que ele na realidade é um médico como todos os outros, pago para cuidar de alguma área especifica de você. Mas o que eu quero dizer é, que não é estranho se você tiver que ir a terapia as vezes, na verdade, estranho é você nunca precisar. Eu me perguntei se a Summer já fez terapia, se ela sente vontade ou o que pensa sobre o assunto, gostaria de ter o número dela no momento para poder ligar e perguntar, mas isso ia soar meio esquisito e ela poderia pensar que eu a acho com cara de maluca. E na realidade ela parece ser meio maluquinha, mas daquelas legais e divertidas, as melhores pessoas são assim. E pensar na Summer só me lembrava que eu teria que esperar mais uma semana para voltar aquele prédio, é estranho que eu tenha pensado muito nela nesses últimos dias? Acho que não, estranho seria se ela soubesse disso. Cheguei a cogitar a possibilidade de marcar outra consulta com o Bob ainda essa semana, mas as únicas vezes em que pedi para vê-lo fora do horário normal, foi quando pensamentos suicidas passaram pela minha cabeça, mas dessa vez, eu só queria ter a chance de encontra-lá novamente.

E foi assim, que eu tive uma brilhante idéia. Summer parecia gostar de flores, por que não as levar algumas? Eu queria impressiona-la, na verdade, eu queria impressiona-la a ponto dela querer casar comigo e passar o resto da vida juntos, morando em alguma casa no campo com um grande jardim, onde faríamos piqueniques com os nossos filhos todos os finais de semana. Mas sonhos e terapias a parte, eu sabia que eu talvez nunca mais a veria, que eu estava sendo um grande louco em fantasiar com uma estranha e que mesmo se eu a visse, talvez, nada aconteceria, mas em um impulso de romantismo, peguei meu casaco, dei tchau ao Chuck (meu cachorro que adorava defecar pela casa) e fui em direção a rua atrás de um floricultura.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.