Notas iniciais
A conversa pelo telefone de Mikasa foi uma das primeiras coisas que pensei antes de criar essa fanfic

Começou a acontecer durante o almoço. O celular de Mikasa, Eren e Armin não parou durante o dia. Eren e Mikasa até tentaram ignorar inicialmente, pensando que fosse apenas alguma mensagem sem importância no grupo (embora o grupo da turma estivesse sombriamente sem movimentação desde que o e-mail foi recebido pelos seus colegas). Armin viu a primeira mensagem e imediatamente os chamou. Reiner havia mandado uma mensagem aos três.

[Eren, Mikasa e Armin], ele disse. [eu gostaria de dizer que, em nome de toda turma que a gente sente falta de vocês. Essa coisa que aconteceu no passado de vocês é exatamente isso: passado. E não foi culpa de vocês. O Leviatã contou a história de vocês e estou disposto a dar todo meu apoio se vocês precisarem e quiserem alguém para conversar. Nós todos estamos dispostos, sei que sim. Se vocês quiserem. Espero vê-los amanhã na aula.]

Mikasa observou a reação de Eren. O garoto sorriu com um grau de incredibilidade. Mikasa sorriu de volta. Depois eles passaram a receber outras mensagens. Sasha e Connie também disseram que estavam com saudades. Ymir brincou com Eren dizendo que todos sentia falta dos seus “maravilhosos olhos verdes” e que “era injusto que ele dividisse apenas com Mikasa”. Eren apenas olhou para Mikasa, confuso. Ela riu, desta vez riu de verdade.

Depois receberam várias outras mensagens. Krista mandou um áudio para os dois. Marco, Mina, Mylius, Nac Tias... Todos, praticamente. O grupo do celular voltou a se movimentar, como se nada tivesse acontecido. A mais surpreendente para Eren fora a mensagem de Jean. Ele mandou um breve ‘alô’ para Mikasa e uma longa mensagem para Eren. Ele a mostrou para Armin e para a namorada.

[Ei, Eren. Confesso uma coisa: eu fiquei realmente assustado quando soube do que aconteceu com você. Ao menos, quando soube a versão do que aconteceu com você. Eu me lembrei de dois momentos que, odeio admitir, você me deixou com medo. O primeiro foi lá no começo das aulas, que eu te empurrei e você me segurou pela gola. Acho que se Mikasa não tivesse interferido, você teria me machucado seriamente. A outra vez foi quando você e Ymir brigaram com aqueles malucos que mexeram com a Krista. Você parecia um profissional lutando e nem parecia sentir os socos que levou. Então o professor Levi explicou tudo. Você foi defender a Mikasa. Foi meio burro da sua parte, mas você só tinha nove anos. Quanto mais eu penso, mais faz sentido. Você quase me bateu porque eu meio que te agredi primeiro. Acho que você exagerou na reação, mas entendo agora. E a briga da Krista, você partiu para defendê-la. Talvez você seja o tipo de pessoa que parta para a defesa dos amigos sem pensar nas consequências. Acho que esse tipo de coisa deve ser bem vista. Armin uma vez contou que você o defendia de apanhar na escola também. Então é isso. Eu te entendo, cara. Espero que possamos ser amigos. E se eu precisar, você algum dia espancaria algum dos meus inimigos? (A última parte é uma piada, mas o resto é sério)]

“Uau”, Armin disse. “O que achou, Eren?”

“Estou surpreso”, Eren respondeu. “Eu já tinha percebido que ele ficava meio nervoso do meu lado, mas achei que era só porque ele tinha uma paixonite pela Mikasa”.

“Hã?”, ela perguntou.

“Você nunca percebeu? Como você conseguiu me deixar com ciúmes naquele dia que... bem, antes de a gente fazer as pazes?”

“Eu não pensei nele assim. Sei lá. Eu só... Achei que ia te deixar puto”.

“Missão cumprida, então”.

“Ele disse que tem medo do Eren e Eren diz que ele gosta da Mikasa. No dia que ele descobrir que Mikasa é ainda mais perigosa que você, imagina como ele vai ficar?”, Armin brincou. Eren começou a rir, mas Mikasa se manteve séria. Não sabia que tinha brincado com os sentimentos de Jean daquele jeito. Um dia, depois que a poeira baixasse, pediria desculpas. Ela estava tão feliz ao lado de Eren que sequer pensara na repercussão dos seus atos de antes de fazerem as pazes.

Depois, foi a vez de Mikasa ser completamente surpreendida. Ela recebeu uma ligação de Annie. De todas as pessoas! Seus sentimentos por Annie eram conflituosos. Ela sabia que a loira gostava de Eren, mas as duas eram muito parecidas em termos de personalidade.

“Annie?”, Mikasa perguntou. Eren colou o ouvido perto de Mikasa, enquanto Armin apenas a observou com atenção.

“Ei, Mikasa”, ela disse. Parecia um tanto hesitante. “Eu só estou ligando para dizer que... Bem, hum... Nós duas poderíamos ser amigas. Amigas mesmo, de verdade. Eu gostaria muito disso, se você quiser”.

“Eu, hã, claro, Annie. Mas nós já somos amigas, não?”

“Sim, mas amigas de verdade mesmo. Sem colocar nada no meio da gente. Olha, eu sei que você sabe que eu gosto... Gosto? Gostava? Não sei mais... Do Eren. Eu sei disso. Ele é muito bonito e intenso”, ela pausou por um instante. “Não conte para ele que eu disse isso. Enfim, eu sei que você percebeu e que isso gerou uma pequena rixa. E eu achava que você era exageradamente obcecada por ele”.

“Mesmo?”

“Sim, achava até meio incômodo. Mas eu queria dizer que... Eu te entendo agora. Claro que você seria muito apegada a ele, assim como ele é apegado a você. Depois de tudo o que passaram. Como não poderiam ser? E, bem, depois de tudo que me contaram... Acho que vocês dois formam um casal muito bonito”.

Mikasa corou absurdamente. Conversou um pouco mais com Annie. Talvez mais do que havia conversado com a garota em meses. Eren até se afastou para dar privacidade a sua namorada. Ao término da ligação, ele ficou de olhos arregalados a esperando falar algo.

“O que foi?”

“Eu não sabia que a Annie gostava de mim”, ele disse.

“Por quê? Está interessado agora?”

“Haha. Muito engraçado”, ele disse. “Então seus ciúmes eram justificados...”

“Bem, ao menos da parte dela. Você é muito bobinho para perceber quando uma garota gosta de você”.

“Ei, isso só aconteceu com você. E com a Annie, eu acho”.

“E aquela menina que me maltratava quando a gente tinha sete anos”, Mikasa se lembrou. “Você empurrou ela na lama quando ela puxou meu cabelo”.

“Ok, três vezes então”.

“E a Krista também”, adicionou Armin.

“E aquelas meninas das outras turmas”, Mikasa completou.

“Ok, eu sei que vocês estão inventando isso”, Eren balançou a cabeça negativamente.

“Melhor o deixar achando que a gente está brincando, Mikasa. Já imaginou se ele acreditar e o ego dele parar nas alturas?”, Armin fez uma careta.

“Não importa”, Eren fez um aceno de descaso com a mão. “A garota que importa gosta de mim e isso é o que importa”.

“Quem disse que eu gosto de você?”, Mikasa brincou.

“Quem disse que eu estou falando de você?”, Eren devolveu. Mas ele se aproximou e deu um beijo na namorada. Ao se separar dela, ignorou a careta de Armin e comentou: “eu acho que deveríamos voltar na escola amanhã, o que acham?”

Mikasa e Armin sorriram.

No dia seguinte, o trio apareceu na escola. Do ônibus, viram que estava tudo quase normal. O fantasma do assunto estava presente, sensível, mas era fácil de ignorar depois de um tempo. Eren, Mikasa e Armin finalmente eram aceitos por completo.

Eventualmente, foram se abrindo com os colegas. Juntos, terminaram o ensino fundamental e passaram para o ensino médio. Juntos também. Depois, foram para a faculdade da cidade vizinha, a Universidade de Eldia.

E no dia de seu casamento com Eren, Mikasa disse em seus votos. “A jornada até aqui não foi fácil. Passamos por momentos difíceis juntos. Difíceis para ficar num eufemismo. Mas Eren, nós também passamos por momentos maravilhosos. E eles valeram a pena. Celebremos os bons momentos que tivemos até aqui e os que virão”.

Seus amigos estavam lá na igreja. Depois de tanta tristeza e sofrimento, a vida de Mikasa finalmente melhorou. Ela merecia. Eren também. Ele a beijou; e eles viraram marido e mulher. E tudo começou a melhorar quando ela entrou em Trost.

Mikasa nunca se esqueceria de seu tempo lá.

Fim.

Notas finais
(já estou trabalhando em mais uma fanfic Eremika, o melhor ship)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!