Notas iniciais
Olá, alguém ai?
Oi.
Sinta-se em casa.

Olhei para a espiral que se tornou o meu dia,
Ela me deixou tonta.
A espiral engole comprime, empacota.

Quero catar insetos no quintal,
Lembra de quando acordava cedo só pra sentir o chão frio da manhã,
Sentar na varanda e me encolher entre retalhos?
Quero pisar descalça na grama,
Jogar conversa fora sentada na calçada da rua.

Olhei para a espiral que se tornou meu mês.
Vou embalada no ritmo mecânico e às vezes me esqueço
como é não ter de ser assim.

Quero pintar quadros bucólicos,
E brincar de artista,
Que Brincar de adulto já deu.
Lembra quando encontrar os amigos não demandava horas de programação?
Quero correr pela praia e transformar todo mundo em sereia.

Olhei para espiral que se tornou meu ano.
Droga, estou triste, não é notável?
Sem motivo, sem solução.
E a gente vai escorregando.

Quero voltar a floresta onde brotei.
Lá as árvores são verdes e conversam comigo.
Lembra como tudo era leve e era fácil se sentir bem?
Se sentir bem! Puro e genuíno humor.
Quero plantar tomatinhos e fotografar formigas de perto.

Porque diabos crescemos ouvindo que é preciso trabalhar duro durante toda a vida?
Quero uma caverna particular, roseiras amarelas e um riacho gelado.
Quero uma estante cheia de livros mofados e um ou outro bilhete de viagem, comprado com o dinheiro do trabalho que serve pra me sustentar.
E quero curtir tudo isso, Quero de verdade. Quero tanto que dói.

Não quero chegar aos 60 com uma carreira brilhante em meu histórico e uma conta bancária como prêmio de consolação.

Notas finais
Se você autor, já sabe que um comentário aquece o coração da gente mais que tudo nesse mundo, se você não é, por favor fique sabendo. Se gostou por favor, me conta?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!