Sobre Uma Fria E Inesquecível Véspera De Natal

1 Sobre cobertores e xícaras de chocolate quente


Notas iniciais
FELIZ NATAL, gente!!!!! >.<!!! Nossa, há quanto tempo eu não postava uma Shizaya, hein? Estava até com abstinência... u.u.. mas no natal não podia faltar Shizaya pra vocês, então, espero que gostem desse meu presentinho. >.o!! Aproveitem!!!

Era por volta de nove horas da manhã quando Shizuo acordou naquela quarta-feira particularmente fria. Geralmente acordava mais cedo, mas se permitiu dormir um pouco mais já que só teria que trabalhar por volta das dez. Não se surpreendeu por não haver ninguém ao seu lado na cama, não que ele fosse do tipo que acordava cedo, muito pelo contrário, normalmente era preciso enxotá-lo da cama, principalmente em dias frios como aquele. Porém, aquele dia em específico, era uma exceção, a manhã do dia 24 de dezembro era a única na qual ele sabia que acordaria sozinho, assim como também sabia que sempre estaria acompanhado na noite do dia 23. Nunca houve uma conversa sobre aquilo; não havia necessidade. O moreno sempre soube da importância que Kasuka tinha na sua vida e que os irmãos sempre passavam o natal juntos. O informante dificilmente seria visto perambulando por Ikebukuro naquele dia, mas caso fosse, certamente não seria sendo perseguido por um monstro. Não naquele dia.

O loiro não demorou a levantar, não era do tipo que ficava rolando na cama depois de acordado. Cerca de meia hora depois já estava pronto para sair para o trabalho, só precisava comer alguma coisa antes. Saiu do quarto com o intuito de ir até a cozinha, mas parou na metade do caminho encarando surpreso um embrulho verde sobre a mesinha no centro da sala; não era preciso ser um gênio para deduzir quem o havia deixado ali.

Ficou uns bons cinco minutos apenas olhando para embrulho antes de finalmente pegá-lo e começar a abri-lo; aquela era a primeira vez que recebia um presente daquela pessoa, e sinceramente, não fazia idéia do que esperar, mas por algum motivo completamente absurdo que ele não saberia – ou preferia ignorar a existência – dizer qual era, sabia que iria gostar do que quer que fosse, mesmo se tratando apenas de alguma provocação. O presente, para sua surpresa, não era estranho, era simples e completamente normal. Havia um bilhete junto, também simples; porém, as simples palavras escritas naquele simples bilhete somadas àquele simples e completamente normal presente, fizeram Shizuo ter certeza de que não havia absolutamente nada de simples naquilo. Não quando seu coração batia tão descompassadamente, e um sorriso bobo teimava em querer surgir em seus lábios.

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Soube que vai fazer bastante frio hoje, principalmente

à noite. E dizem que o melhor a se fazer

em dias assim é ficar em casa enrolado em

cobertas tomando bastante chocolate quente.

Acho que vou fazer isso...

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Desde que chegara em seu apartamento, por volta das oito e meia da manhã, Izaya estava inquieto. Não parava de pensar na grande merda que havia feito ao deixar aquele presente e principalmente aquele bilhete. Aquele maldito bilhete. Quando se lembrava daquele óbvio convite implícito que havia feito ao loiro, tinha vontade de se socar com bastante força. Não era pra parecer tão desesperado pela companhia do outro, afinal, não fazia nem 24 horas que havia estado com ele. Uma atitude extremamente ridícula em sua opinião. Tão ridícula que provavelmente seria completamente ignorada pelo ex-barmen. Shizuo iria estar com Kasuka naquela noite, e talvez também no dia seguinte; ele não deixaria de passar o natal com o irmão por causa de Izaya.

Moveu os pés, fazendo com que a cadeira giratória na qual estava sentado a horas, ficasse de frente para a grande janela qual havia ali. Estava nevando. Havia feito bastante frio durante o dia, mesmo sem ter nevado, e quando anoiteceu a temperatura havia caído ainda mais, ninguém seria louco de pôr os pés para fora de casa com aquele tempo, o frio lá fora devia estar de congelar os ossos. Suspirou. Ele não viria. Não com aquela tempestade de neve caindo sobre a cidade. Deixou que uma risada irônica escapasse de seus lábios, estava se sentindo um idiota, um grande idiota. Havia ferrado com tudo quando escreveu aquele bilhete, Shizuo tinha que ser muito estúpido para não entender o real significado daquele convite implícito, qualquer um entenderia! Havia sido tão óbvio... Tão ridiculamente óbvio, patético até. Havia ignorado aquele sentimento absurdo por tanto tempo e agora não sabia o que fazer com ele, já que continuar negando sua existência não seria mais possível; sempre soube que não teria mais volta se deixasse algo daquele sentimento vir à tona.

Apoiou a cabeça no encosto da cadeira e riu novamente, sem qualquer humor. Estar apaixonado era uma merda. E estar apaixonado justamente por Shizuo, era uma merda maior ainda! Se fosse qualquer outra pessoa seria fácil conquistá-la e ter seus sentimentos retribuídos, inclusive com maior intensidade até; se bem que nenhuma outra pessoa já havia lhe despertado interesse por muito tempo, ninguém havia lhe chamado tanto a atenção quanto o loiro, e parando para pensar, de certa forma, aquilo estava fadado a acontecer. Porém, não dava pra dizer o mesmo de Shizuo, o loiro era tão imprevisível que acabara se tornando um enigma para si, não dava para saber com exatidão o que ele pensava ou sentia, e isso o deixava frustrado; frustrado, irritado e apreensivo; nunca sabia ao certo o que esperar de Shizuo, mas o mais provável era que ele ignorasse aquele bilhete, ignorasse aquelas palavras, e consequentemente, ignorasse também o sentimento contido nelas, o qual ele certamente acharia se tratar de alguma brincadeira ou simplesmente provocação. Suspirou de novo. A hipótese de Shizuo acreditar em seus sentimentos e, talvez, quem sabe até retribuí-los da mesma forma, lhe parecia tão absurda, tão impossível, que até lhe dava uma louca vontade de gargalhar histericamente. Mas não faria isso.

Olhou novamente as horas no relógio de pulso que agora marcava onze e dezessete da noite, estava se sentindo o mais patético dos seres por ainda ter uma ínfima esperança de que ele pudesse aparecer. Àquela altura, se ele tivesse qualquer intenção de ir até ali já teria chegado, sim por que, àquela hora, sabia que o loiro já não mais estaria na companhia do irmão, pois apesar de o dia seguinte ser natal, Kasuka tinha vários compromissos de trabalho agendados logo pela manhã. Izaya estava sempre a par do cronograma do Heiwajima mais novo, era algo extremamente fácil, afinal, Kasuka não era imprevisível como o irmão. Ninguém era.

Ergueu-se da cadeira, ainda permanecendo ali de pé em frente a janela por alguns minutos, fitando distraidamente a neve que caía incessante lá fora. Seguiu em direção às escadas que levavam ao segundo andar, iria se enfiar embaixo das cobertas e dormir, talvez até assistisse a algum filme. Por um momento até pensou em ir até a cozinha preparar um caneca de chocolate quente pra si, mas acabou declinando da idéia. Assim que pôs o pé no primeiro degrau, acabou surpreendido pelo som alto da campainha. Seu coração deu um salto, não pelo susto, mas sim pela possibilidade de ser ele do outro lado da porta, mas, com certeza era apenas o porteiro, assim como das outras duas vezes anteriores; o interfone estava com defeito, então, qualquer recado ou aviso teria que ser dado pessoalmente.

Abriu a porta já pronto para saudar pela terceira vez o porteiro pela terceira vez só naquela noite, porém, qualquer palavra que pretendia dizer ficou presa na garganta quando viu que desta vez não se tratava do porteiro.

Nenhum dos dois disse nada em um primeiro momento, talvez por não saberem exatamente como seguir com aquilo, por que ambos sabiam o que aquela visita significava. Os olhos castanho-avermelhados, que até então fitavam intensamente os castanho-dourados, foram atraídos para a peça que envolvia o pescoço do guarda-costas: um cachecol vermelho-sangue. Foi impossível conter um sorriso.

- Belo cachecol. – disse.

- Hm. Não gosto de usar cachecol. E essa cor me irrita, me lembra uma certa pulga que vive me torrando a paciência. – embora as palavras parecessem ofensivas, o tom de voz do loiro era suave, assim como sua expressão.

- Sei... Mas se não gosta, por que está usando? – perguntou divertido com aquele diálogo meio sem sentido.

- Por que foi presente. – deu de ombros e começou a se aproximar vagarosamente do informante enquanto continuava a falar: — Um presente especial de alguém muito irritante que me perturba, me provoca, que me enche o saco há anos... – acariciou suavemente o rosto de Izaya e sorriu ternamente antes de concluir sua fala: — E por quem eu acabei me apaixonando, sabe-se lá por que.

O coração de Izaya falhou uma batida, e por um momento, ele até se esqueceu de como se respirava. Havia escutado certo? Shizuo havia dito mesmo que estava apaixonado por ele? Aquelas palavras do loiro, embora tivessem causado um verdadeiro tsunami de sentimentos em seu interior, também haviam acalmado seu coração, mesmo ele ainda batendo descompassado em seu peito, principalmente quando os lábios um tanto gélidos do outro tocaram os seus, numa carícia sutil, antes de se encaixarem perfeitamente. Olhos se fecharam lentamente enquanto os lábios se entreabriram à mesma medida. Mãos envolvendo o pescoço, braços ao redor da cintura... Corações batendo forte contra o peito, batidas ritmadas inclusive, como se tocassem uma melodia... Uma melodia de amor...

Depois do que pareceram horas naquele único beijo, os dois se separaram minimamente, na verdade apenas os lábios, ainda estavam abraçados, as testas apoiavam-se uma na outra, os narizes se encostavam, os olhos mantinham-se fechados e os corações ainda batiam forte contra o peito; ambos ainda inebriados pelas sensações do beijo. As mãos do informante subiram para os cabelos loiros, acariciando devagar os fios úmidos e gélidos por conta da neve, assim como as roupas e também todo o corpo do ex-barmen.

- Você está gelado Shizu-chan. – se afastou um pouco do loiro, mas sem desfazer o abraço, apenas o bastante para fitá-lo de forma repreensiva. – Está caindo uma tempestade lá fora!

- É, está mesmo um gelo lá fora. – confirmou – Mas eu precisava te ver. – disse de forma tão sincera e com tamanha intensidade que o coração de Izaya, que sequer havia se acalmado completamente, voltou a bater acelerado – E, foi você quem me convidou! – pontuou o fato, dando de ombros em seguida – Fiquei sabendo que o melhor a se fazer com esse tempo é ficar enrolado em cobertas tomando bastante chocolate quente. – repetiu aquela simples proposta naquele simples bilhete como quem não quer nada, vendo o moreno a sua frente ser incapaz de conter um sorriso e novamente juntar os lábios aos seus em um novo beijo, tão apaixonado, intenso e profundo que parecia ofuscar tudo ao redor dele.

Era como se nada mais existisse, nada mais importasse além daquele beijo, daquele sentimento...

Eles se amavam. Apenas isso importava.

Notas finais
E então? Gostaram do meu presente??? >.o Bjs, lindos!!!!! Aceito reviews de presente, ok? ^-^!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!