Sobre Kross e Raguna
1 Capítulo único
Kross. Perante a enorme cruz daquela igreja, nascia um homem novo. Um homem que com a enxada e o pedaço de terra que recebera, iria cultivar e criar ao invés de destruir. Kross naquele dia jurou doar tudo que conquistasse para a igreja, em gratidão à irmã Stella, que o acolheu em sua cidade sem hesitação.
Kross gostaria de apagar seu passado, esquecer o homem que era, das vidas que teve que tirar, do sofrimento que causara. Muitas vezes pensou em simplesmente terminar sua existência, mas no fundo sabia que merecia sentir a dor que essa angústia causava, e também sabia que se suicidar não repararia os danos que causara em vida. A vida de Kross era uma penintência pelos seus crimes, viver cada dia era quase uma punição para o ex-guerreiro. Mas estava conformado com seu destino, e pretendia viver miseravelmente assim até o resto de seus dias.
Até que em uma primavera qualquer, uma pessoa nova surgiu na vila. E se geralmente as pessoas da vila o cumprimentam apenas uma primeira vez para depois o esquecer, essa em particular vinha conversar com ele todos os dias.Era o nome do estranho rapaz que gostava de conversar com todos da vila, ao menos uma vez por dia, durante todos os dias. Se antes estranhava o comportamento atipicamente sociável do jovem, logo Kross veio a se acostumar com a presença de Raguna.
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No começo, Kross ignorava parcialmente o rapaz, que apenas o observava trabalhar. Raguna sempre se comovia ao ouvir as tristes canções que Kross recitava enquanto trabalhava. Kross parecia não se incomodar com a sua nova pequena platéia.
Kross o fascinava. Raguna queria saber tudo sobre o reservado homem de voz macia, tentava descobrir na base de tentativa e erro que presentes o agradariam. Em pouco tempo descobriu que Kross era um péssimo cozinheiro, e portanto ingredientes como farinha e curry não o agradavam. Todos os outros itens apenas geravam um comovido “obrigado”, Raguna estava começando a se questionar se algo poderia empolgar o carpinteiro.
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Após uma tarde de exploração nas quentes cavernas da montanha, Raguna voltava para casa, com todo os itens que havia coletado. Quando passou pela casa de Kross e se lembrou que não havia cumprimentado o carpinteiro naquele dia. Ao bater na porta da casa de Kross, um item caiu da mochila lotada de Raguna, que se agachou para pegar. Kross abriu a porta para se deparar com um Raguna agachado, segurando um item brilhante.
Isso... é para mim? Perguntou um constrangido Kross. Raguna ia explicar, mas ao notar uma tímida alegria no rosto de Kross, decidiu que sim, isso era um presente para ele. Uma medalha de guerreiro, por algum motivo Kross se comoveu com esse presente. Kross agradeceu, desviando o olhar, nitidamente embaraçado. Enfim, Raguna descobriu um presente que agradasse o introvertido carpinteiro.
E assim, aos poucos Raguna foi amaciando o coração gelado de Kross, que passou a sorrir mais- a menos para Raguna.
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Uma noite Raguna passou em sua casa para o visitar, após um dia inteiro de exploração nas cavernas vulcânicas. Estava tão exausto que em um certo momento ficou a encarar a cama de Kross, parecia querer despencar ali mesmo. Kross percebendo isso disse que ele poderia dormir ali se quissesse. Raguna ficou vermelho e, como se isso o tivesse despertado, disse que tinha que ir para casa. Kross corou também, não havia notado quão sugestivo issso soava. Raguna foi embora, deixando um embaraçado Kross a pensar sobre o que havia feito.
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Kross ia de vez em quando na casa de banho, para descarregar o stress de uma semana. Mas se assegurava de ir bem tarde para não ter o perigo de encontrar ninguém nas quentes termas e assim evitar um momento constrangedor. Infelizmente, naquele dia em especial, alguém havia resolvido aparecer. Kross só notou isso quando percebeu um vulto no vapor das águas- estava bem em sua frente, agora não poderia levantar para fugir sorrateiramente. Kross evitou contato visual, quando uma voz familiar lhe cumprimentou. Raguna? Kross levantou o olhar e sentiu sua respiração falhar ao ver Raguna semi-nu tão de perto. Era a primeira vez que o via sem camisa, e assim pode perceber que não era tão mirrado quanto aparentava, tinha músculos bem definidos por todo seu esguio corpo. Se constrangeu ao perceber que estava secando o corpo de Raguna, que não percebeu isso e se sentou ao seu lado. Kross estava tentando controlar sua respiração, que estava acelerada por algum motivo.
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