Sobre Humanos e Deuses - Ragnarök

5 Capítulo 4 - Não Apenas Nós


Notas iniciais
E estamos de volta! Agora nem demorou tanto, né? Será que estou empolgada? kkkkkkkkkkkkk Então, eu não sei se consegui dar o meu melhor nesse capítulo. Ainda estou tentando pegar o Loki de volta, mas vocês sabem como ele é. Escorregadio que só... Enfim, talvez eu não tenha acertado a nuance dele nesse capítulo. Então, por favor, me digam se vocês conseguiram vê-lo aí... Please! Enfim, segue o baile.

A gritaria já se alastrava pelo lugar, bem como explosões vorazes que tomavam casas, comércios e as árvores que ornamentavam as ruas de Asgard.

Roxie levou seus olhos a Thor e Loki, que imediatamente assumiram as suas roupas de luta. A armadura completa do deus da trapaça apareceu após uma luz verde e do deus do trovão após um raio se alastrar. A ruiva não percebeu, mas a mesma luz que envolveu Loki também a tomou e no lugar de seu vestido havia a sua velha armadura feita pelos anões de Nidavellir.

O trapaceiro pensou em tudo e isso incluía proteger a sua esposa caso houvesse algum ataque surpresa. Certamente supôs que poderia surgir algum imprevisto durante a visita a Midgard. Por essas e outras que a maestria de Loki, em planejar ataques e efetivar defesas, já era comentada por todos os nove reinos.

A lança surgiu na mão dele, o guarda-chuva do deus do trovão se transformou novamente em martelo e as adagas de Roxie surgiram em suas mãos. Os três observavam a aproximação apressada de inúmeros soldados de Asgard, que chegavam correndo pela ponte arco-íris.

— Os Badoon conseguiram invadir Asgard pela segunda vez, altezas — o tenente deles Glen se aproximou correndo e fez uma reverência em seguida. Ele havia sido o namorado de Sigyn no período em que ela e Loki não se falavam. O relacionamento deles tinha sido escondido de todos e por isso somente eles, Heimdall e Frigga sabiam. Se Loki ao menos desconfiasse, certamente o soldado não estaria bem e diante dele agora. — Nossos homens estão fazendo o que podem, mas agora eles trouxeram dezenas de gigantes de metal. Quando finalmente conseguimos destruir um deles, mais dez aparecem logo em seguida. Não vamos conseguir.

— Cada um de vocês peguem o quanto conseguirem e distribuíam para aqueles que não conseguiram chegar até aqui — Loki arrastou a enorme caixa, com magia, como se aquilo não fosse muito mais pesado que uma pena. — Quando estiverem próximo de alguma dessas coisas, apertem esse botão vermelho no centro. Eles vão se desligar e igualaremos a disputa.

— Sim, Alteza — Glen respondeu. Foi o primeiro a enfiar a mão na caixa e apanhar uma quantidade dos dispositivos e levar consigo em seus braços, passando para os que estavam mais atrás na Bifrost.

— Se mantenham vivos — a ruiva apenas os lembrou do óbvio, enquanto também tomava uma quantidade grande de PEM nos braços. Thor sorriu para ela, apertou o Mjölnir e assentiu. A ruiva correu na direção da cidade em seguida. Loki não ficou atrás, já que fez o mesmo que a ruiva e a seguiu. Tinha que estar perto dela caso necessitasse, embora Roxie fosse uma exímia lutadora e já demonstrou habilidades fenomenais fosse com as adagas ou com os seus poderes.

Quando a deusa alcançou uma das inúmeras vielas do povoado, avistou três enormes robôs ateando fogo por onde passavam. Atrás deles seguia uma pequena guarnição de criaturas que atacavam os Asgardianos e matavam sem a menor compaixão. Imediatamente Roxie pegou o PEM que havia lhe restado em mão, visto que no caminho até ali distribuiu aos soldados que fora encontrando, e apertou o botão de imediato.

Uma onda forte deixou o objeto e seguiu se alastrando até encontrar com aquelas máquinas. Ruídos de travas de metal se partindo foi possível ser ouvido em meio aos gritos de pavor de alguns asgardianos e, finalmente, aquelas coisas pararam de se mexer. Roxie indicou o caminho de fuga para que as pessoas seguissem e se preparou para lutar. Não eram muitos, mas tinha o suficiente para desafiá-la ao extremo.

A ruiva correu na direção deles e iniciou aquela dança magnífica com as adagas, enquanto se desviava de golpes das enormes lanças que possuíam. Porém, tamanho foi o seu espanto quando eles começaram a atirar contra ela. Durante os primeiros confrontos, eles possuíam apenas armas consideradas brancas, mas naquela oportunidade de contra-ataque usavam armas de fogo. Não eram revolveres comuns vistos em Midgard. Não. Eram artefatos próprios daquela raça, embora alguns no mesmo formato de metralhadoras. Ao invés de balas, saiam lasers vermelhos que queimavam a pele ao menor contato e não precisavam recarregar igual as armas humanas.

Quando desviou de um ataque rompante, se protegeu atrás de uma parede. Respirava profundamente e precisava se concentrar. Focou-se nos barulhos ao redor, nos gritos, no som do fogo estalando e das explosões. Começou a absorver todo aquele ruído como se fosse nada além de ar que entrava em seu corpo sem dificuldade. Quando voltou a abrir os olhos, estavam vermelhos. Roxie usou o mesmo poder que usou quando era "Termia": a absorção de energia sonora.

Quando finalmente entrou em foco outra vez, lançou uma rajada de energia em direção àquelas criaturas que já se aproximavam em busca da princesa. Os soldados Badoon foram arremessados a uma distância suficiente para que Roxie atacasse cada um deles com golpes certeiros de adaga.

Quando finalizou, percebeu que alguém batia palmas atrás dela. Virou-se enquanto ajeitava os cabelos.

— Podia ter ajudado — comentou sorridente ao ver Loki caminhar em direção a ela.

— Eu fiquei curioso para saber se você ainda mantinha esse poder. Asgard está segura tendo nós dois como família real — se aproximou da garota passando a mão por sua cintura e a aproximando de si, no mesmo instante em que os olhos azuis de Roxie tomavam o lugar do vermelho que assumiu ao absorver a energia.

— Estamos sob ataque, Loki. Não é o momento certo — comentou quando o deus arremessou uma adaga em um dos inimigos que corria na direção dos dois com uma lança. Ele nem sequer desviou os olhos da garota.

— E existe momento para isso? — perguntou enquanto tomava os lábios da deusa e deixava um beijo simplório enquanto ignorava o que realmente passava em sua mente naquele momento. A liberou e os dois correram para atacar mais alguns robôs na rua ao lado.

Dessa maneira, auxiliados pelo dispositivo criador por Stark, os asgardianos conseguiram retomar o poder e expulsar as forças Badoon de seu reino.

...

No dia seguinte ao ataque, deu-se o início aos funerais daqueles que partiram. A família real estava presente e acompanhavam todo o processo que se iniciava com uma festa e duraria sete dias. Nesse período, era celebrado a vida da pessoa que morreu e contava todos os feitos que ela havia feito. Por isso, Asgard estava em festa na noite seguinte. Sem contar que, obviamente, estava comemorando a triunfal vitória sobre os invasores.

Como em toda festa, tudo era regado a muita cerveja, hidromel e bastante comida. Além de muita música e danças das mais diversas. Rapidamente os soldados tomavam as mais belas garotas para dançar e isso só findaria no sétimo dia. Quando o barco fúnebre era organizado e o corpo dos mortos eram entregues, em chamas, ao mar negro de Asgard.

Roxie estava sentada em uma mureta que protegia uma ponte. Várias pessoas também estavam fazendo aquele lugar de banco, enquanto observavam as festanças nas vielas. Ela buscava Loki em meio um grupo de soldados que estavam parados em frente a uma taberna, onde o viu pela última vez, mas não tinha nenhum sinal do deus da mentira. Os guerreiros passaram a admirá-lo justamente porque conseguiu o respeito daqueles homens nos últimos tempos. Sendo assim, todos queria desfrutar de um copo de hidromel com o seu líder.

Estava entediada e já queria ir para casa, mas não sem ele. Dessa forma, como não o havia encontrado, fez exatamente aquilo que acordaram há séculos: levou as mãos até um de seus brincos e o retirou. Não demorou muito para que o trapaceiro aparecesse saindo do meio dos soldados e caminhasse em sua direção. As mãos para trás, os cabelos negros voando com o vento, os passos firmes e um sorriso enigmático brincando nos lábios.

A respiração da deusa perdeu o compasso quando ele parou bem de frente para ela e a fitou cara a cara. Os olhos verdes, que passaram a admirar o revolto mar dos olhos de sua esposa, desviaram-se deles e pararam na orelha onde faltava o adereço. Sorriu antes de voltar a encará-la.

— Aposto que pensou que eu não estava olhando — sussurrou e a atenção de Roxie passou para os lábios finos de Loki. Queria tomá-los para si ali mesmo, no meio de toda a Asgard, mas se conteve conforme o sorriso do deus se alargava.

— Não. Eu sabia que você viria. Era o nosso acordo. — Suspirou.

— Então, em que posso lhe ajudar? — Perguntou de uma maneira sedutora. Queria brincar, chamar Roxie de Sigyn como fazia séculos antes, mas sabia que ela não gostava que ninguém a chama-se assim, exceto sua mãe. Então apenas limitou-se a fazer com que sua voz deixasse sua boca de uma forma arrastada, com cada palavra camuflando várias segundas intenções.

— Me leva para casa — a garota respondeu, sentindo borboletas voarem em seu estômago. Por mais tempo que tenha passado e mesmo que tivesse crescido com Loki, aquela voz sempre surtia o mesmo efeito nela, bem como o perfume inebriante. O deus se aproximou do ouvido de Roxie lentamente.

— Eu não estou com sono — sussurrou.

— E quando eu disse que era para dormir? — respondeu com a mesma provocação que recebia. Ela sabia exatamente como mexer com Loki e usava isso sempre ao seu favor.

Ele se afastou apenas para encontrar os lábios de sua esposa e findar a distância entre eles, mas antes que o fizesse foram interrompidos pela voz grossa de Volstagg que ressoava pela ponte.

— Aí estão vocês. Os procurávamos por toda a Asgard.

— Infelizmente nos encontraram — Loki respondeu seco enquanto virava-se no calcanhar para encarar seriamente aquele que os haviam interrompido. Roxie o reprendeu com um olhar, abrindo um sorriso largo e correndo na direção dos três guerreiros e de Sif, que se aproximavam ao lado de Thor.

Ela abraçou Volstagg com força, bem como Hogun e Fandral. Sentia saudades de seus amigos e não teve a chance de passar um tempo com eles novamente. Sentiu muita falta dos momentos juntos. A última com quem falou foi Sif. Parecia diferente, mas Roxie não sabia o que era.

—Vocês chegando e a gente indo — a ruiva comentou em um tom tranquilo, repleto de paz. Se sentia bem com eles.

— Não podem ir agora. Estamos apenas começando — Fandral piscou para uma das garotas que passavam por ele na ponte. As meninas sorriram e pararam um pouco mais a frente. O rapaz não retirava os olhos dela. Roxie respirou fundo. Aquilo era uma coisa que não mudaria jamais.

— Eu estou cansada. A gente mal descansou da viagem a Midgard e já nos envolvemos em batalha. Agora se iniciou a celebração fúnebre... — Roxie tentava arranjar mais algumas desculpas que pudesse fazer com que os amigos concordassem em deixa-la ir sem contestar. —... Também na guerra, mal tive tempo de aproveitar meu marido. Enfim, eu preciso ir.

— A princípio achei que a história de você se casar com o Loki fosse apenas um golpe para despistar, visto que você casada não poderia cumprir com o compromisso com Balder — Hogun expressou seu pensamento. — Não esperei que fosse verdade.

— Porque não? — Loki se adiantou a perguntar com a sua postura intacta.

— Não leve para o lado pessoal, Loki, mas estamos falando que você é o deus da mentira e da trapaça. Sigyn é a deusa da fidelidade e da constância. São completamente opostos — dessa vez foi Volstagg a completar o pensamento que certamente passou pela cabeça de todos ali.

— Em Midgard dizem que os opostos se atraem — a ruiva respondeu desviando o olhar para Loki e corando em seguida. — Acho que é uma afirmativa verdadeira.

— Se você o diz — foi a vez de Sif comentar. Ela se recostou ao lado de Roxie e sorriu para ela. — Vai fazer o que amanhã?

— Pretendo dormir — a garota respondeu. — Tenho me sentindo fraca esses dias. Acredito que seja por causa desses três anos de guerra. Agora que eu tenho a chance de descansar por essa semana, não pretendo sair da cama. Partiremos para a batalha novamente assim que passar os ritos fúnebres.

— Mas como ficam as festas se pretende dormir a semana inteira? — Fandral perguntou. Roxie não percebeu quando aconteceu, mas as duas garotas já estavam agarradas a ele como se sempre estivessem estado ali.

— Deixo para vocês. Honrem os mortos e façam com que seus nomes sejam lembrados para sempre — a ruiva respondeu se colocando ao lado do deus da mentira outra vez. — Agora se me dão licença, nós iremos embora.

— Se vai ficar uma semana em casa, ao menos nos dê a honra de passar essa noite com você, Lady Sigyn. — Foi a vez de Volstagg falar, fazendo uma breve reverência. A ruiva sorriu. Antes que ela pudesse retribuir a reverência, o que caracterizaria que ela estava aceitando a proposta, Loki segurou em sua mão.

— Sinto muito desapontar, mas essa noite Sigyn é minha — o trapaceiro respondeu em meio a um sorriso malicioso. Os três guerreiros observaram-no com uma expressão ríspida no rosto. Ainda não haviam perdoado o que ele fez com o Thor, arquitetando a sua expulsão pelo pai de todos e o prendendo em Midgard. Sem contar que os feitos de Loki na cidade de Nova York já tinham chegado aos seus ouvidos. Não à toa que foram a Midgard colocar o plano, de apagar a mente do deus, em prática. Loki era alguém que, para eles, precisava ser observado de perto.

— Se não se importa, Loki, a pergunta foi direcionada a Lady Sigyn — Hogun comentou com a sua habitual falta de humor. Nenhum deles sabia que ela agora atendia por outro nome, dessa forma insistiam em chamá-la pelo nome dado por Frigga. Roxie entendia.

— É melhor eu ir, meu amigo. Como eu disse, não ando me sentindo muito bem e preciso mesmo descansar um pouco, mas faremos assim: amanhã participarei da festa ao lado de vocês e vamos comemorar até o dia raiar.

— Essa é a minha garota — Sif comentou e Roxie a observou sorridente, bem a tempo de ver o deus do trovão retirar uma mecha de cabelo teimosa que insistia em ficar por sobre os olhos dela. Era nítido o clima de tensão entre os dois e Roxie adorou aquilo. Há muito sabia que a deusa da guerra era apaixonada por seu irmão e agora que já se passaram três anos desde a morte de Jane, Thor merecia amar novamente.

Ela se despediu dos cinco que ficaram e seguiu de mãos dadas com Loki pela ponte e de volta a rua principal, que os levaria direto ao palácio.

Quando o enorme monumento surgiu diante dos dois, a ruiva apertou a mão de Loki com força. Ali não se sentia de fato bem-vinda. Claro que sua mãe, Frigga, faziam as coisas mais tranquilas, mas Roxie se lembrava bem do que seu pai fizera e isso não a deixava à vontade. Se sentia como um ratinho entrando em um ninho de cobras.

Loki percebeu a apreensão que sempre atormentava a garota. Tanto que não tinha pestanejado em ir com ela para Vanaheim quando lhe propôs. Imaginou que ela gostaria de viver em outro lugar que não ali e certamente era o que a garota pensava. Ele a conhecia bem o suficiente para saber aquilo. Pensaria em algo para que aquela aflição se tornasse passado. E embora ela ficasse tensa a cada passo dado, ela tentou o seu melhor sorriso para ele quando alcançaram os jardins e começaram a subir as escadarias.

Só que Roxie não mentiu quando disse para seus amigos que não estava se sentindo bem aqueles dias. De fato, não estava. Se sentia mais cansada e com menos apetite que o habitual. Como havia falado, determinou como causa o estresse da guerra, por isso não se importou em procurar ajuda das curandeiras de Asgard.

Talvez tenha sido pela falta dessa ajuda que ela se sentiu bastante mal quando finalmente alcançaram os primeiros degraus. Estava fraca, porque não estava se alimentando bem. O mundo girou ao redor de Roxie e ela foi amparada por Loki antes que tudo se tornasse preto e ela desmaiasse.

O deus a colocou nos braços e imediatamente correu para a sala de cura. Mesmo que já houvesse passado anos desde o incidente com a víbora, Loki tinha o receio que algum fragmento daquele veneno — que quase matou Roxie — ainda estivesse circulante em seu sangue. Por isso sempre insistia para que ela fosse a uma curandeira para ver se estava tudo bem, mas a deusa era teimosa.

Abriu a porta com os pés e imediatamente colocou-a deitada na forja das almas.

— O que houve, alteza? — uma das mulheres perguntou, enquanto se aproximava correndo e tomava a liderança da forja. Outras se colocaram ao redor da princesa, enquanto as linhas laranja de energia se erguiam e formavam o corpo da deusa.

— Ela desmaiou enquanto estávamos voltando para casa. Trouxe para que possam me dizer se há alguma coisa estranha com Sigyn. Talvez alguma coisa relacionada com venenos ou algo assim — pediu Loki. Estava visivelmente preocupado e alguma daquelas mulheres já o tinham visto daquela maneira e foi quando trouxeram a princesa com a jugular cortada. Eram raras as vezes que Loki demonstrava preocupação na frente dos empregados e somente com Roxie era possível ver algo assim.

— Ela bebeu?

— Não — respondeu enfático. A curandeira-chefe assentiu e começou a manipular o equipamento. Por um tempo elas analisavam cada parte do corpo de Roxie, até que algo chamou a atenção da mais velha dali. Algo que ainda era cedo demais para ser dito com certeza por outras curandeiras, mas aquela senhora já exercia sua profissão tempo o suficiente para saber com precisão do que se tratava.

— Não há nenhum problema de saúde com a princesa, alteza. Ela está grávida.

Notas finais
Eu espero que tenham gostado... Talvez agora só haja atualização de amanhã a oito... porque eu preciso atualizar outra história que também está sendo publicada no wattpad (um k-drama)... Sendo assim, eu posto assim que eu tiver algo pronto... okay??? Não vai demorar mais que isso. É uma promessa!! Um beijo enorme em vocês e até mais!! Flávia Rolim 01/11/2020