Sobre Amor e Buracos Negros
1 Sobre Amor e Buracos Negros
Notas iniciais
Beijos, boa leitura!
Nunca pensei que algum dia da minha vida estaria escrevendo para ou por causa de outra pessoa. Porque comecei a escrever pra você, cerca de 5 anos atrás, e desde então não parei mais. Você se tornou uma eterna fonte de inspiração, e das mais variadas possíveis. Tornou-se um conforto pra minhas palavras, mesmo que quase sempre tristes, e eu jamais imaginei que um dia elas se esgotariam. Mas esse dia chegou, minha inspiração acabou, minha vontade de escrever por e pra você parece sumir aos poucos. Quem dentro da minha cabeça algum dia imaginaria que haveria outro alguém? Eu me sinto como se estivesse saindo de um buraco negro depois de anos de tentativa, mas, quando me liberto, sou “capturada” por um outro logo depois. Não me deram um intervalo, se é que se pode chamar assim. Esse turbilhão de sentimentos parece não querer acabar nunca, como se houvesse um fogo dentro de mim que eu constantemente tivesse que manter acesso, mesmo que tudo que eu queria fosse ficar, nem que alguns instantes, na escuridão. Mas ai eu me pego pensando se ficar lá dentro é tão ruim assim. Será que alguns buracos negros são maiores que outros? Será que alguns são, quem sabe, melhores que outros? Sei que ele suga parte da minha liberdade, que me deixa presa, as vezes por vontade, como na prisão de Camões, e as vezes sem, como tantas prisões do dia a dia...mas a questão é que, as vezes, precisamos mergulhar com tudo e dar um impulso forte no chão se quisermos sair da piscina. Eu posso simplesmente continuar lutando, como lutei durante todo o ano, posso sair da piscina sem o pulo, ou ultrapassar a velocidade da luz para, quem sabe, escapar do buraco negro dessa vez e alcançar minha liberdade o mais rápido possível, sozinha. Ou, quem sabe, posso enfim desistir e me deixar ser sugada, apostando que um dia, talvez, o buraco negro aceite me libertar, quando entender que estou pronta. Esse é o caminho mais arriscado, é claro, porque posso acabar me perdendo lá dentro, e me perdendo pra sempre. Posso nunca mais encontrar o caminho de volta e ficar lá, presa. O outro buraco negro me deixou assim, e eu tive que aprender a sair sozinha, aos poucos. Queria poder saber que tipo de buraco negro é você. Eu fujo agora e me salvo. Mas, se eu ficar, você me ajuda a achar a minha liberdade ou você me dá as costas e me deixa para afundar cada vez mais?
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