Sob um olhar mais Severo

8 Artes das Trevas - Maldição da Tortura.


Notas iniciais
Respirem fundo queridos bruxos, esse capítulo está de tirar o fôlego. Varinhas a postos? Accio Capitulum!

Pov Sophie

Estou na masmorra. Eu sei, você pode estar se perguntando o que Sophie Sullen faz nas masmorras, acredite, eu também estou. Mas a pergunta mais importante, não é por que eu estou aqui. Mas quer que eu responda esta primeiro? Okay, mas foi você quem pediu.

Algumas horas antes...

Bom, o que posso dizer, era a aula de Artes das Trevas. Isso, sem o Defesa Contra. O professor desta matéria é o Amico Carrow, que, diferente da irmã, é surdo como uma porta, mas bem mais cruel e feroz. Acontece que nesta aula, ele queria nos treinar para defender-nos de ataques durante uma batalha. Só que a filosofia dele é a de que a melhor defesa é o ataque, portanto, você deveria atacar seu inimigo antes que ele pudesse atacar você. E, aliás, todos esses conceitos eram bastante novos para a maior parte dos alunos, principalmente batalha, inimigo, atacar. Eram conceitos estranhos até mesmo para mim.

Amico também não foi nada justo. O primeiro duelo, para ilustrar aquilo que ele disse, foi um aluno grifinório do primeiro ano, contra ele. Ninguém teria chances contra ele, afinal, mesmo que alguém conseguisse desarmá-lo, descobriria uma nova palavra: crucio.

O menino, ingenuamente, apontou sua varinha para ele. Amico permanecia parado, apenas olhando para ele. O menino respirou fundo, e preparou-se para lançar um estuperfaça, quando Amico resolveu atacar.

– Crucio! — ele berrou a plenos pulmões.

O pobre menino caiu no chão, contorcendo-se de dor, gritando e chorando. Mas Amico não parou. Ele se aproximava a passos lentos do garoto, conjurando e torturando o pobre menino. Eu mal podia suportar.

– Isso é horrível! — Belle sussurrou, aproximando-se de mim. — Sophie, temos que fazer alguma coisa!

Minha cabeça começou a zumbir. Cada vez que ele gritava aquela palavra maldita, eu sentia meu peito doer, uma dor que se refletia em minha cabeça, e em minha cicatriz. Não, isso não é hora nem lugar, Sophie...

– Sophie! — Belle suplicava — Temos que fazer alguma coisa!

– Você conhece o feitiço, Harry... – aquela voz infernal sussurrou em minha mente.

Eu senti minha cabeça arder com um choque forte e rápido, e então, eu via outro lugar. Era uma rua escura, de pedras retangulares, iluminada apenas por um ou outro poste. Parecia Londres, mas eu tinha certeza de que não era. Tão rápido quanto cheguei, eu logo vi uma casa, toda apagada. A porta foi arrombada com um bombarda, e então eu andei pela casa, até chegar nos fundos. Lá atrás, havia uma sala cheia de caixas de varinhas amontoadas, encostadas nas paredes, em todo o lugar.

Havia também um homem bem idoso, que estava mexendo nas caixas. Ele me viu, com seus olhos grandes e tristes, cheios de medo. Mas eu tinha certeza de que não era para mim que ele estava olhando.

– Me diga... — a voz sinistra tornou a sussurrar.

Com um movimento rápido, todas as caixas de varinhas foram arremessadas, e em um lapejo vi uma varinha feita de sabugueiro, uma varinha cheia de nós, lançando um feitiço verde muito poderoso. Mas a varinha não estava ali. O mais estranho era que eu a queria, de algum modo. O velhinho recostou-se na parede, apavorado.

– Me diga, Gregorovitch...– ele sussurou novamente — Me diga onde está!...

– Roubaram de mim!... — o velhinho respondeu, tremendo de medo.

– Quem é o ladrão?...– ele apontou a varinha para a cabeça do pobre idoso.

De alguma maneira, ele lançou um feitiço, e eu entrei na mente e nas memórias mais antigas daquele pobre homem. Naquela cena, eu abri a porta, que dava para um escritório cheio de livros. O chão, a escrivaninha, os arquivos, tudo estava revirado, e haviam papéis onde quer que se olhasse. Um rapaz olhou diretamente para mim. Ele estava empoleirado na janela, e seus cabelos negros eram agitados pelo vento e pela chuva. Eu vi em suas mãos a mesma varinha feita de sabugueiro. Ele se assustou, e pulou a janela, desaparecendo na tempestade.

– Foi um jovem... foi ele que roubou! — o velhinho respondeu — Eu nunca mais a vi! Juro pela minha vida!

Eu sorri, irônica. E ainda não compreendo como eu pude sentir tanto desprezo por ele.

– Acredito em você! – ele tornou a sussurrar.

Meu coração batia forte, de alguma forma eu sabia exatamente o que ele ia fazer. O pobre homem se contorceu, apenas esperando. E com sua voz cruel, ele gritou:

– Avada Kedavra!

– NÃOOO! — minha voz ecoou, audível, por todo o ambiente.

Então eu me lembrei exatamente onde estava. Amico olhava para mim, sem uma reação definida. Belle e os outros alunos me olhavam, apavorados. Amico aproximou-se de mim, apenas me analisando. Eu olhei rapidamente ao redor, e descobri que eu interrompera a aula, o que, aliás, foi algo bom, pois os alunos sonserinos estavam torturando grifinórios.

– Não? — Amico repetiu. — Primeiro, a senhorita me ignora, depois, decide desobedecer uma ordem minha e ainda me insulta na frente de todos os alunos?

Com passos rápidos, ele segurou meu braço com força, o que doeu muito, mas eu fingi não me importar.

– Pela última vez, sua insolente. — Amico repetiu lentamente — Torture. Este. Garoto.

Olhei para frente e vi de quem ele falava. E com toda a certeza, eu sabia que não lançaria uma maldição imperdoável no Neville.

– Não! — eu tornei a dizer. Neville olhava em meus olhos. Não sei dizer se sentia orgulho de mim ou medo por mim.

– Já chega. – ouvi a voz de Amico no meu ouvido. – Crucio!

Senti uma onda de choque percorrer todo o meu corpo. A sensação era a de dez mil enguias te atacando ferozmente. Eu me segurei o quanto pude, tentando aguentar, mas a dor era terrível. E quando eu sentia que a dor aliviava, Amico conjurava novamente. Minha cabeça embaralhava, mas eu estava completamente lúcida. A dor estava aumentando tanto que eu acabei por me curvar, e depois, ajoelhar-me no chão.

– Professor! Pare! – Belle gritava – Vai acabar matando ela!

Amico parou de conjurar. Meu corpo ainda tremia, devido o feitiço, mas eu sou jornalista, jornalistas nunca desistem. Lentamente, peguei minha varinha do chão, me levantei e fiquei de pé, agora com raiva. Se eu fosse um desenho, sairia fumaça pelas minhas orelhas.

– Muito bem, mocinha. — Amico segurou forte meu braço outra vez — Vejo que está reconsiderando o que fez. Isto é bom. Afinal, não sou um homem rude. Vou te dar mais uma chance. Você não tem que fazer muito, só precisa conjurar crucio, e depois estará liberada para ir ao seu dormitório. Mas não pense que eu esquecerei fácil. Agora, erga a varinha, e conjure.

Neville olhava atentamente bem no fundo dos meus olhos. Eu sabia que aquilo não era justo com ele, e o quanto seria terrível sofrer esta maldição, ainda mais tendo o valor sentimental que eu sei que tem para ele. Então, eu respirei fundo, e olhando nos olhos dele, disse:

– Para o inferno você e sua maldição. — eu respirei fundo, enquanto via um pequeno sorriso se formar no rosto do Neville — Vá torturar sua mãe, seu desgraçado!

– Crucio! — ele não tardou a repetir.

Eu sentia aquele choque terrível percorrer todo o meu corpo, e tremia e gritava histericamente.

– Pare com isso! — Belle gritava — Por favor, professor, pare!

– Vamos! Conjure! — Amico gritava.

– Nunca! — eu respondia, mesmo em meio à tortura.

E então, ele continuava a me torturar, e eu me joguei no chão, novamente. Aquilo era insuportável de se ver e sentir. Eu via Neville chorar bem na minha frente, mas ele não se mexia para me ajudar. Não o julgo por não me ajudar, afinal, eu é que estava protegendo ele.

– Professor, pare! — Belle gritou — Impedimenta!

Amico parou de me torturar naquele instante, aliás, e ele ficou bem paradinho. Neville aproveitou a oportunidade para tentar me levantar do chão, mas eu o empurrei. Eu não queria que ele me ajudasse, pois se ele sequer encostasse a mão em mim, eu sabia que Amico o trataria pior do que já estava tratando.

Belle abaixou sua varinha, libertando o professor.

– O que você fez? — Primm sussurrou para Belle — Atacou um professor!

– Exatamente. — Amico se aproximou dela — E isso merece uma punição mais... interessante.

Ele pegou Belle pelos cabelos e caminhou em direção à porta. Mas antes, ele voltou e me ergueu do chão do mesmo jeito que ele estava segurando ela, e eu apenas gemi com o gesto agressivo. Ele nos arrastou por escadas e corredores, e o escândalo que Belle fez por todo o caminho fazia os professores e alunos saírem de suas aulas para verificar o que realmente estava acontecendo. Alguns alunos riam, outros ficavam assustados, e vi até alguns chorarem. Eric foi um.

Bom, e aí ele nos trancou em uma das celas nas masmorras, e aqui estamos nós.

– Socorro! — Belle gritava, batendo na porta — Alguém nos ajude! Nos tire daqui! Socorro!

– Pare de gritar. — eu reclamei pela milésima vez — Ninguém pode nos ouvir aqui!

Belle bufou e voltou a conjurar alo homoras, bombardas e incendios na tentativa falha de abrir a porta.

– É uma droga de porta encantada, Belle, — eu falei, novamente — sai daí, ninguém vai te ouvir!

Belle abaixou a varinha e virou-se para mim. Suspirou fundo, com raiva, e tirou os cabelos negros do rosto.

– Dá pra me dizer por que diabos viemos parar aqui? — ela bufou.

– Quer saber, oráculo? — eu tirei sarro dela.

– Cale a boca, sabe que eu não sei tudo! — Belle sentou no chão, na minha frente.

– Então fique quieta.

Belle bufou, e eu também. Então estendi minha mão direita e toquei sua testa. As imagens daquela visão voltaram como um flash na minha mente, e logo estavam na de Belle também.

– Não! — ela gritou, quando a visão terminou.

Belle me olhou, assustada. Eu apenas respirei fundo e voltei a conjurar encantamentos de passarinhos. Mas como não sou muito boa, eles explodiam sempre.

– Então... foi por isso! — Belle compreendeu. — Mas eu ainda não consigo compreender algumas coisas.

– Gregorovitch é um dos maiores fabricantes de varinhas de toda a Europa. Ele e Olivaras. — eu expliquei — Faz sentido, porque eu vi uma varinha na visão. Muito poderosa. E eu sei que o Senhor Feioso quer ela.

– Essa parte eu entendi. — ela retrucou — Não entendi por que você insistiu em dizer não, embora não fosse pelo Neville.

– Bom, o primeiro não foi. Mas quando eu entendi o que estava acontecendo, eu sabia que Neville era quem mais estava sofrendo com aquilo tudo. — eu respondi — Você não conhece a história dele, certo? Sabia que não. Os pais dele eram amigos dos meus pais. Quando o Senhor Feioso passou a perseguir os Potter, Bellatriz Lestrange capturou os pais do Neville, e torturou eles para que falassem. Mas eles não falaram. Então ela continuou torturando.

Belle apenas ouvia aquilo que eu dizia, horrorizada. Não é o tipo de coisa que alguém esteja acostumado a ouvir. Mesmo ela, morando em Vegas.

– Eles acabaram ficando loucos. — eu concluí — Hoje, não reconhecem mais o brilho do sol, a cor do céu, o som dos pássaros, nem mesmo ao Neville. Eles só conhecem dor, sofrimento. Por isso eu não podia fazer isso com ele. Seria cruel demais.

– Entendo. — ela apenas disse, tentando não chorar. — Mas vamos mudar de assunto.

– Quieta! — eu falei.

– O quê? — ela brigou, brava.

– Belle! Sério! Eu acho que ouvi alguma coisa! — eu repeti.

Belle pegou sua varinha, e eu peguei a minha. Ficamos de pé e nos preparamos para lançar muitos caras de lesma naquele filho da mãe do Amico Carrowcudo. A porta da cela foi destrancada, e eu senti nossos corações dispararem.

Mas então, a porta foi aberta. Era o Diretor Snape.

Notas finais
QUEM DEU UM GRITO AGORA COM ESSE MINI ATAQUE CARDÍACO? EU DEI! o/