Sob um Crepúsculo Diferente
5 Capítulo 4 - À Chegada
Notas iniciais

Estava chovendo quando o avião pousou em Port Angeles. Sai do avião tropeçando e senti o vento gelado bater em meu rosto. Me encolhi, puxando o zíper da jaqueta mais pra cima. Papai estava me esperando na sala de desembarque e quando me viu, sorriu, vindo na minha direção.
— É tão bom te ver novamente, Bells. — Ele me abraçou e senti uma energia de segurança irradiando dele. — Você não mudou muito. Como vai Renée?
— É tão bom te ver também, pai. Você também não mudou muito desde a última vez que nos vimos. Mamãe vai muito bem e ela te mandou lembranças.
Papai me ajudou com as malas e seguimos pra saída. Quando já estávamos do lado de fora do aeroporto, fiz uma careta ao ver a viatura. Mas já era de se esperar.
Não estão olhando pra você. Não estão olhando pra você. Pensei enquanto ajudava papai a colocar as minhas malas no porta-malas da viatura.
Minhas malas não eram muitas. A maior parte das roupas que eu usava no Arizona era muito permeável para se usar em Washington, então mamãe e eu nos juntamos para suplementar o meu guarda-roupa de inverno indo às compras no meu último dia em Phoenix. Apesar de não gostar de fazer compras com minha mãe, isso era uma das coisas que eu mais gostava de fazer com ela. Era divertido, tenho que admitir, mas cansativo, porque mamãe é uma figura e tanto quando o assunto é shopping.
Agora que eu moraria com meu pai, eu precisaria comprar um carro o mais rápido possível, porque eu me recusava a ser levada pela cidade em um carro com luzes vermelhas e azuis piscando em cima.
— Achei um bom carro para você. — Papai anunciou quando já estávamos dentro da viatura.
— Que tipo de carro? — Eu achei muito suspeito a maneira como ele disse "um bom carro para você".
— Bem, na verdade é uma caminhonete. Um Chevrolet.
— Onde você o achou? — Lhe pressionei por mais informações.
— Como seu tio Billy está numa cadeira de roda agora, ele não está mais podendo dirigir, então se ofereceu para vender a caminhonete num preço bem barato.
— E de que ano é? — Pude ver pela mudança de expressão que essa era uma pergunta que ele não esperava que eu fosse fazer. Sorri internamente. Papai sabia que eu gostava de saber muito bem de todos os detalhes.
— Bom, só tem alguns anos...
Eu esperava que ele não fosse achar que eu desistiria tão fácil.
— Quando tio Billy comprou a caminhonete?
— Acho que foi em 1984.
— E era nova quando ele comprou? — Eu continuei insistentemente.
— Na verdade não. Acho que era nova no começo dos anos 50 ou no fim dos anos 60. Não lembro bem. — Ele admitiu.
— Mas, pai, eu não sei muito bem sobre carros. E eu não saberia consertar se estragasse e não poderia pagar por...
— Realmente a coisa funciona muito bem, Bella. Não fazem mais carros como antigamente. — Ele me cortou.
A Coisa era uma possibilidade de apelido? Me perguntei mentalmente.
— Mas é barato quanto? — Essa era a parte onde eu não podia abrir mão.
— Bem, querida, eu meio que já comprei pra você. Um presente de boas-vindas. — Ele olhou para mim com um sorriso no rosto.
Uau. De graça.
— Nossa, pai, eu realmente agradeço. Muito obrigada. — Eu agradeci. Eu estava muito feliz com isso.
— De nada. — Ele sorriu e piscou pra mim.
Quando passamos pela placa de "Seja bem-vindos à Forks", senti um arrepio. Essa sensação agora não tinha nada a ver com o frio, porque dentro da viatura estava quentinho e nem um ar frio entrava. Estranho. Decidi ignorar isso. Deveria ser apenas medo da mudança que meu corpo já estava sentindo.
Trocamos mais alguns comentários sobre o tempo e depois ficamos em silêncio. Olhei pela janela e observei a paisagem. Aqui era tudo verde. Nada das minhas lembranças haviam mudado. Forks era rodeada pela floresta e algumas casas ficavam bem próximas da vegetação e outras eram afastadas da mata ou afastadas de outras casas.
E entre essas casas, estava a casa que eu conhecia bem cercada pela floresta. Meu pai estacionou a viatura e saiamos. Do lado de fora estava frio, mas sem sinal de chuva, o que eu agradeci.
Papai ainda vivia na mesma casinha branca antes dele e mamãe se depararem. A casa continha três quartos, um escritório e dois banheiros completos. Um dos banheiros era ao lado do meu quarto e o outro ficava no quarto do meu pai.
Ali, estacionada na rua em frente à casa que quase não mudará, estava uma caminhonete. Era um Chevrolet de 1953 laranja, com uma grande cabina e enormes calotas. Para a minha grande surpresa, eu amei. Não sabia se iria funcionar, mas já conseguia me imaginar dirigindo. Pra mim a caminhonete parecia uma daquelas coisas sólidas de ferro, que nunca se amassam, do tipo que se vê em um acidente de carro sem um único arranhão.
— Uau! Eu realmente adorei, pai! Muito, muito obrigada mesmo — Eu corri e lhe dei um abraço e um beijo.
Ele sorriu.
— Eu fico muito feliz que você tenha gostado. — Ele me abraçou.
Agora que eu tinha o meu próprio carro, eu estava ansiosa para dirigi-lo. E o dia horrível que eu teria na segunda-feira, seria um pouco menos horrível. Agora eu não precisaria escolher entre andar na chuva por mais de três quilômetros ou aceitar uma carona na viatura para chegar à escola.
Olhei ao redor quando entrei dentro de casa. A casa não havia mudado muito, mas percebi que havia coisas diferentes, como a pintura e alguns móveis mais modernos. A casa também parecia estar limpa e agradeci por papai não ser aqueles caras que acham que fazer algum tipo de serviço de casa só é trabalho pra mulher.
Precisou apenas uma viagem para levar todas as minhas malas para o andar de cima. Meu quarto era o mesmo de quando eu era criança. O quarto com a janela para o pátio da frente, o chão de madeira, as paredes brancas, as cortinas rosa de renda... Tudo isso fez parte da minha infância. Isso era muito nostálgico e era muito bom estar de volta.
No lugar da pequena cama de solteiro, havia uma cama box e em cada lado da cama, havia dois criados mudos. No criado mudo perto da porta havia uma luminária de flor e no outro um abajur branco e um pequeno relógio preto.
Em cima de uma escrivaninha branca, tinha uma luminária rose gold e uma cadeira de acrílico branca acolchoada. No lugar da cadeira de balanço dos meus tempos de bebê, havia uma poltrona com uma pequena almofada de coração vermelha e um cachorrinho de pelúcia. Sorri, lembrando que eu ficava pra cima e pra baixo com o meu velho amigo Xodó.
Olhei atentamente pelo meu quarto e vi prateleiras fazias, mas que logo seriam ocupadas por alguns dos meus muitos livros.
— Não é muito, mas espero que você goste. — Meu pai comentou, encostado na porta, me observando.
— Eu amei, pai. Obrigada. — Eu olhei pra ele sorrindo quando disse e lhe dei um beijo na bochecha.
Uma das coisas boas sobre meu pai, é que ele não fica em cima de mim o tempo todo. Meu pai me deixou sozinha para desfazer as minhas malas e saiu. Já isso com minha mãe seria completamente impossível. Suspirei, já sentindo muita falta dela.
Tirei meu notebook da mochila e o coloquei em cima da escrivaninha. Quando terminei de arrumar todas as minhas coisas, peguei meu celular e liguei pra mamãe. Nós conversamos por um bom tempo até papai me chamar para comer.
Depois que terminei minha refeição, subi pro meu quarto e peguei meu celular novamente. Mandei algumas mensagens para meus amigos de Phoenix, dizendo que tinha chegado e que estava bem e depois fui tomar um banho.
Enrolada na toalha depois de sair do banho, olhei para o meu rosto no espelho enquanto penteava meu cabelo embaraçado. Talvez fosse a luz, mas eu já parecia mais pálida e pouco saudável.
Ou talvez a minha mente estivesse me pregando uma peça e Forks estivesse me fazendo ver coisas sem o menor sentido. Pensei.
Não dormi bem na minha primeira noite. O barulho da chuva e do vento não me deixavam dormir. Puxei o edredom sobre a minha cabeça e depois adicionei o travesseiro, mas mesmo assim, não ajudou a abafar o barulho.
Me virei de um lado pro outro, tentando achar uma posição, que fizesse o barulho da chuva ser menos incomodo. Mas nada ajudou e só fui conseguir dormir mesmo depois da meia-noite, quando a chuva finalmente diminuiu para um chuvisco silencioso. Mas antes que eu adormecesse de vez, papai entrou em meu quarto e senti uma parte da cama se afundar. Ele tirou uma mexa do meu cabelo do meu rosto e depositou um beijo em minha testa. Esse gesto me lembrou de quando eu era criança e ganhava esse carinho dele quando eu acabava adormecendo envolta das minhas bonecas.
— Tenha bons sonhos, Bells. — Ele murmurou baixinho, passando levemente seus dedos por minha bochecha. — Até amanhã. — Ele depositou um beijo em minha testa e depois ajeitou meu cobertor. Sorri, comovida com seu carinho e adormeci.
Fale com o autor