Sob seu olhar

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Oi, oi e oi. Muito obrigada a todos vocês que dedicam um momento de suas vidas para lerem, comentarem e se divertirem com Sob seu olhar. Peço desculpas por demorar a atualizar, mas prometo que daqui em diante é só sucesso. Capítulo não revisado, mas cheio de amor para vocês ♥

Meu pé lateja, mas não tanto quanto meus ouvidos.

Meus pais estão falando sobre como foram irresponsáveis em me deixar uma noite inteira fora, não há acusações entre eles, apenas a culpa mútua por causa do meu pé. E nem foi um corte profundo.

Já faz 20 minutos que parei de tentar argumentar contra, dizendo que foi um acidente e eu estou bem, mas, como fui ignorada explicitamente apenas peguei um livro sobre mitos brasileiros e me pus a ler.

— Você está ouvindo sua mãe falar com você, Mary? — Questionou meu pai, olhando sério em minha direção.

Não.

— Sim. — Levantei o olhar do livro para eles, vendo-os lado a lado com poses semelhantes.

Braços cruzados, expressões sérias (embora eu saiba que papai apenas estava assim por causa da mamãe ali ao lado), e pose rígida.

Olhando-os lado a lado percebi o quão diferentes são.

Se papai costuma usar os cabelos loiros um pouco acima ou abaixo dos ombros, mamãe já os mantém no corte estilo Joãozinho desde que eu me entendo por gente.

Papai é alto, mas mantém a postura relaxada, por isso sempre parece um pouco menor do que realmente é. Já mamãe sempre está com as costas eretas e o olhar erguido, dando a impressão de ser um general em um quartel.

Ele é divertido, gosta de comer besteiras, e de manter contato com a natureza. Ela é o total inverso.

— Vocês parecem o clichê de que os opostos se atraem. — Comento sem querer, fazendo mamãe parar seu monólogo para me encarar.

— O quê? — Ela questiona, olhando-me sério. Atrás dela papai faz gestos de corte na altura do pescoço.

— Nada. — Respondo, e o vejo ficar aliviado. — Posso ficar sozinha um pouco? Estamos "conversando" desde que cheguei, e honestamente, meu pé está doendo um pouco.

Mamãe fica um pouco indecisa, mas no fim aceita, me dando um beijo na testa e saindo logo em seguida. Papai continua no quarto, sentando-se na cama próximo ao meu pé e passando a mão pelos próprios cabelos.

— De onde você tirou essa coisa de os opostos se atraem? — Ele indaga rindo. De nervoso.

— Porque é o que parece, honestamente. Mas, só falei por falar, pai, desculpa. — Digo, sem saber o que fazer. Parecia que algo mais do que eu sabia estava acontecendo.

— Eu sei. Descansa, Princesa. Mais tarde eu passo para te trazer alguns chocolates.

Dito isso ele fez o mesmo ato que mamãe, me dando um beijo na testa e saindo do quarto, me deixando sozinha com meus pensamentos.

...

Não sei quanto tempo se passou desde que meus pais saíram e eu fiquei sozinha encarando o teto do meu quarto.

Uma notificação me fez "acordar", ainda assustada desbloqueei o celular estranhando a notificação de Jonathan.

"Desculpa por hoje mais cedo. Podemos conversar? Precisa ser pessoalmente."

Sentei na cama, estranhando a mensagem. Descendo pela minha caixa de entrada havia pelo menos uma dúzia de mensagens perguntando sobre como eu estava.

Catty, Felipe, João, e mais algumas pessoas que eu só conhecia de vista.

Respondi a todos, sentindo um certo aperto no coração ao saber que não havia nenhuma de Noah.

Eu não sei o que está acontecendo. Ele riu e falou comigo normalmente antes, seria só a culpa por afinal eu ter me machucado indiretamente por causa dele?

Sinto que nunca saberei.

Meu celular novamente vibra, mas desta vez não é uma mensagem, mas sim um número desconhecido.

O DDD é daqui, mas sempre pode ser algum robô ou pior, presidiário ligando.

Minha demora em atender faz a ligação cair, mas logo em seguida o número voltar a ligar.

Hesito em atender, mas atendo, congelando ao ouvir a voz do outro lado.

Mary?

Fico paralisada ao ouvir a voz de Noah. É diferente da outra vez que a ouvi por meio de linha telefônica.

— Sim?

Que minha voz não tenha saindo tão trêmula quanto eu acho que saiu.

— Como você está? Seu pé está doendo ainda?

Cada vez mais eu acho que minha vida é uma FanFic cruel de Tereza. Eu não entendo mais nada do que está acontecendo.

O que esse garoto quer afinal?

— Estou bem. E, meu pé também. Não fui profundo e não tinha mais nenhum vidro. Acho que foi tudo bem. — Acabo falando rápido demais e fico em dúvida se ele entendeu tudo ou não.

O silêncio começa. Mas termina em alguns instantes.

— Entendo. Sinto muito, por isso.

Respiro fundo, acalmando o coração.

— Ah, não foi sua culpa. Eu que saí feito louca sem olhar onde piso. Thiago é um idiota.

Silêncio.

Ele é. E eu não posso fazer nada sobre isso.

Ergo uma sobrancelha sobre isso, sem entender o significado real sobre isso. Não sei se devo perguntar sobre isso, mas, sei que se eu perguntar irei apenas receber uma resposta evasiva ou ser ignorada completamente.

—Por que eu?

Minha cabeça gira quando questiono.

O que?

Confusão, agora presente nos dois lados da linha.

—Por que desde aquela festa em sua casa você ficou estranho comigo? Não que fôssemos amigos antes, mas, você me ignorou claramente em momentos que eu nem havia me dirigido a você diretamente.

O silêncio é um pouco maior agora, o que me leva a crer que nada será resolvido agora.

Você tem aula em qual horário na Terça?

Definitivamente eu não espero isso. Por esse motivo sento na cama tão rápido que esqueço meu pé ferido, que começa a doer quando encontra o chão com violência.

— Tenho ás 8, termina quase meio-dia.

Falo rápido, buscando em minha mente se era uma ideia boa falar aquilo para Noah. Não sei o que ele tem em mente, ainda mais comigo.

— Almoçamos juntos então. Tudo bem? Te pego no bloco B.

— Certo. Bloco B. Estarei lá. — Afirmo, fazendo-o rir baixinho. Para evitar perder minha dignidade caso minha voz vacile, apenas acrescento, com certa rispidez: — Precisa de algo mais?

— Não. Boa noite, Mary.

Respondo um “boa noite” rápido desligando o celular em seguida.

Meu coração bate descompassado.

Não sei se devo contar à Tereza sobre tudo isso, porém, sinto que mesmo se tentasse formar qualquer palavra ou frase coerente será absolutamente impossível, e eu sei o porquê. Porque sem dúvidas eu pareceria patética.

Isso tudo pois não sei se minha curiosidade é apenas o que está me fazendo tremer, ou se é algo mais. Não consigo imaginar qual poderia ser o argumento de Noah para agir tão estranho comigo, e muito menos o rage de Jonathan em relação a isso. Definitivamente uma família muito estranha.

Encaro a tela escura do meu celular e desbloqueio a tela para olhar melhor o número de Noah. Por ser o irmão mais velho de Catty nós nunca fomos muito próximos, ele sempre foi o mais afastado e costumava brincar com os garotos da idade dele. Até mesmo Diana era mais próxima dele na infância do que eu.

Nunca antes eu tive a oportunidade de ter aquele número em qualquer espaço na minha agenda. Sendo assim, a incerteza de salvar ou não o número dele é mais do que justificável.

Resolvo que deixar para lá é a melhor das escolhas, e é isso o que faço. Fecho os olhos, e por mais ansiosa que eu esteja não tenho dificuldades alguma ao dormir.

...

A manhã de Terça me deixou nervosa, e nem mesmo Professor Antônio conseguiu prender minha total atenção.

Enquanto fazia anotações sobre o assunto minha mente não parava de pensar sobre o que aquele encontro, ou melhor, encontro, porque né. Nem eu sei o que pode sair disso.

Bato insistentemente meu lápis na carteira assim que a aula termina. Tereza me cutuca com a ponta da caneta bic me fazendo saltar na cadeira, e olhá-la com certa irritação.

— O que foi? — Tereza pergunta arregalando os olhos, quase escondendo seu delineado gatinho.

— Nada. — Desconverso afundando na carteira, frustrada com a ansiedade.

Ela revira os olhos e apoia as mãos na carteira, erguendo o corpo com a mochila no ombro esquerdo. Até mesmo nisso ela é graciosa.

— Certeza? — A incerteza em seu tom é evidente, e eu apenas faço um sinal de "te falo depois”. — Certo. Vou indo na frente, Diana teve um problema daqueles.

Ela não precisa dizer mais. Eu sei que daqueles significa menstruação desregulada e vinda em momento inoportuno. Mesmo Diana sendo muito precavida, não é sempre que um remédio para cólica está em mãos.

Seus tênis deslizando no chão são a última coisa que ouço antes de bater a cabeça contra a mesa, e me arrependo logo em seguida ao ouvir o barulho da armação do óculos batendo.

— Urgh, isso foi caro. — Resmungo erguendo a cabeça e tirando-o para avaliar maiores danos.

É inútil pois sem ele eu não enxergo qualquer imperfeição que tenha na armação ou lente.

Sons de passos e correntes me chamam a atenção, pois até então eu imaginava estar sozinha ali.

Coloco os óculos e vejo claramente Thiago se aproximar, ficando de pé tão rápido que sinto certa vertigem e um latejar no pé.

— Hmmm, belo curativo. — Ele diz encostando as mãos na carteira a frente da minha, o olhar fixo em meu pé. Sorriso debochado. — Pena que você foi se meter exatamente onde não devia, não é?

Ele dá um passo em minha direção e eu não recuo, ainda que esteja suando frio.

— Como no dia da Rose. Você e Noah estavam exatamente onde não deviam estar. — Respiro fundo sentindo uma chama de irritação me devolver as forças assim que ele cita Rose. — Sabia que ela tentou me denunciar? — Ele ri. — Mas ao contrário de pessoas como você e ela, eu não preciso me preocupar com isso. Eu posso fazer tudo, e absolutamente nada vai acontecer. Você sabe o que isso significa?

Thiago dá alguns passos em minha direção chegando a minha frente. Sua mão encosta em meu antebraço esquerdo, e eu fecho a mão direita em punhos pronta para socar a cara dele. Porém assim que eu ergo a mão ele a segura com força me fazendo arquejar com a dor quando ele torce meu pulso.

Quando nota minha expressão de dor Thiago sorri de uma maneira diabólica, largando minha mão tão forte que ela chega a bater no encosto metálico da carteira escolar.

— Significa, querida Mary, que pessoas insignificantes como você não devem se meter em meus negócios.

Sua voz é puro escárnio, e seu olhar apenas desvia do meu quando um alerta de mensagem vem de seu celular. Ele ri e volta a olhar em minha direção enquanto coloca seu celular no bolso.

— Diga ao Noah que eu disse "oi".

Em silêncio eu o observo sair com passos pesados e o mesmo barulho de correntes de sua chegada.

— Desgraçado. — Xingo-o quando sinto o pulso doer tanto quanto a minha mão.

A essa altura Thiago já saiu da sala de aula. E menos de um minuto após tudo acontecer eu observo quando novos passos preenchem o lugar. Dessa vez eles não pertencem a Thiago, mas sim a Noah que me encara com uma visível preocupação.

Notas finais
As coisas estão começando a pegar fogo, hein? Huehuheuhd Mais tarde estarei programando os próximos capítulos e eles irão sair um por sábado, então não fiquem com medo que eu suma por mais 3 meses novamente. Muito obrigada novamente por todos vocês que leem e fazem questão de comentar aqui, e até mesmo os fantasminhas hihi. É bom demais . poder estar de volta e trazer as aventuras da Mary para vocês. Obrigada, e até a próxima ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.