Notas iniciais
Oi, pessoal, sejam bem-vindos ❤️

Essa é uma história sobre amor (e todas as formas avassaladoras que ele tem de mudar nossa vida). Espero que sintam o que eu senti escrevendo essas duas personagens totalmente distintas e complementares (e doidas).

Ela não sabe dizer ao certo quando ou como ela se apaixonou. Ela percebeu quando até o cheiro do sabonete de Ollie fazia ela se sentir em casa. Até a trilha de roupas que ela deixava pelo apartamento era adorável pra June. Será que em algum momento foi diferente disso?

June lembra de olhar nos olhos dela por mais tempo do que deveria quando elas se conheceram. Ela achou que Ollie lembrava o Peter Pan, isso se ele fosse uma mulher lésbica e alternativa: cabelo curto e ondulado cor de mel, um piercing embaixo do lábio inferior e os olhos absurdamente verdes com respingos de castanho. Foi naqueles olhos que ela encontrou algo que sempre precisou, mas também sempre teve. Algo fora de alcance, mas tão familiar. É óbvio que isso não era algo que ela saía falando por aí, nem planejava discutir em algum momento com qualquer pessoa, de jeito nenhum.

Ollie e June sequer terem se conhecido era absurdamente difícil. As duas vieram de cidades diferentes, com diferentes passados – ambos turbulentos. E, agora, June sabe exatamente onde fica aquele ponto para fazer carinho atrás da orelha que faz Ollie sorrir enquanto dorme.

Talvez tudo tenha começado quando elas se conheceram no trabalho, naquele pub alternativo com bebidas caras e clientes que pareciam legais demais pra ficar vomitando Ciroc em um vaso de higiene duvidosa. Ollie fazia as bebidas que eles insistiam em exagerar, e June graciosamente as entregava a eles.

Elas trabalhavam das 7 da noite até às 3 da manhã, 6 dias na semana. Rir juntas contando histórias depois do expediente, sobre a noite e os clientes, se tornou um hábito. Sobre as mesas grudentas e com alguns drinks improvisados no sangue, as duas passaram a ser o suporte uma da outra. Principalmente quando se tratava do mais absoluto caos que se passava nas vidas pessoais delas.

Naquela época, Ollie estava infeliz em um relacionamento um tanto quanto tóxico. Ela procurava por uma saída, mas ainda tinha algumas coisas para organizar antes de poder ir embora. Uma coisa interessante sobre o amor é que ele não desaparece só porque a pessoa que você ama não é boa para você. E você nunca realmente para de se importar, não é mesmo? Ela não podia simplesmente dar as costas para pessoa que esteve com ela por todos aqueles anos. Ela tinha que descobrir como deixar a então parceira de vida, sem deixá-la sem chão.

E June… Bom, June estava infeliz com a própria vida. Estudando para uma graduação que ela não suportava mais, vivendo em um apartamento que não era dela, namorando um homem que não tinha o mínimo de ambição, e não estava falando com a família dela — mas este último, talvez, fosse melhor assim. Pelo menos era isso que June repetia para si mesma. Além disso, ela tinha amigas, elas apenas não entendiam como era fazer uma graduação enquanto se está trabalhando, tudo que exigia física e mentalmente.

Quando Ollie finalmente terminou o namoro, não houve muita conversa depois do expediente. Elas apenas beberam e limparam o pub na companhia uma da outra. Mesmo estranho, era confortante. Já no outro dia, June não aguentava fingir que não queria saber e decidiu tomar a frente:

“Então vocês realmente terminaram? De verdade, verdadeira?” Ela perguntou ainda desacreditava enquanto mexia sua bebida com o canudo de metal, uma flanela jogada por cima de seu ombro ossudo.

"Aham” Ollie respondeu sem um pingo de remorso, para quem olhasse com olhos desavisados. Entretanto, esses eram olhos muito bem treinados quando se tratava de Ollie.

"Você foi extremamente corajosa, sabe. Quer dizer, sair de um relacionamento em que vocês construíram uma vida juntas não deve ter sido fácil" A morena comentou bebericando seu drink, num esforço de não olhar nos olhos de Ollie e tornar a situação mais séria do que ela aguentaria naquele momento. “Eu tô aqui pro que você precisar, cê sabe, né?”

"Olha, eu preciso sair daquele apartamento, pra ontem” Meio que era uma piada, mas obviamente não era. Ollie sabia como June se sentia em relação a habitação atual dela, ela só não sabia o quanto ela estava desesperada em sair. E, sinceramente, ela adoraria companhia.

Foi naquele momento, em que elas olharam uma para outra com sorrisos bêbados de mania, que iniciou a nossa história. Isso iria funcionar, elas pensaram em conjunto. Tinha que funcionar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.