Sob o mesmo céu

28 Sob o mesmo céu


O tribunal estava repleto de pessoas, jornalistas, e membros da família dos réus e da vítima. O ambiente era austero, com paredes de madeira escura e bandeiras do país e do estado em destaque atrás da bancada do juiz. A luz natural entrava pelas janelas altas, criando um contraste com a atmosfera tensa.

Ryan Cullen e Rosalie Hale estavam sentados no banco dos réus, ambos com expressões de nervosismo e remorso. Rosalie, sempre orgulhosa e altiva, agora parecia diminuta, enquanto Ryan mantinha a cabeça baixa, evitando contato visual com qualquer pessoa no tribunal.

O juiz, um homem de idade com cabelos grisalhos e óculos de leitura, ajustou seus óculos e começou a falar. Sua voz era firme e autoritária.

— Após revisar todas as provas apresentadas e ouvir as testemunhas, este tribunal conclui que Ryan Cullen é culpado das acusações de abuso e chantagem, e Rosalie Hale é culpada como coautora nos crimes de chantagem e conspiração.

Renesmee estava sentada ao lado de seus pais, Bella e Edward. Ela suspirou profundamente, sentindo uma mistura de alívio e desilusão. O peso da decisão parecia insuficiente para compensar a dor que ela havia sofrido.

— Ryan Cullen, eu o condeno a cinco anos de reclusão. Rosalie Hale, eu a condeno a três anos de reclusão — anunciou o juiz.

O murmúrio de choque e descontentamento percorreu a sala. Renesmee observou Ryan e Rosalie sendo levados pelos carcereiros. As lágrimas começaram a correr pelo seu rosto, mas ela permaneceu forte, sentindo o apoio silencioso de seus pais ao seu lado.

— Vai ficar tudo bem, Nessie — sussurrou Bella, segurando a mão da filha.

— Estamos aqui para você — acrescentou Edward, abraçando-a.

Ao sair da sala do tribunal, Renesmee avistou Jacob esperando do lado de fora. Ele estava mais magro, a barba por fazer, e seus olhos mostravam sinais de noites mal dormidas. Ao vê-la, o rosto de Jacob se iluminou com uma mistura de amor e felicidade. A barriga de Renesmee agora era visível, um lembrete constante da vida que ela carregava.

Jacob se aproximou e cumprimentou Bella e Edward.

— Fiquei sabendo do resultado. Sinto muito por tudo isso — disse Jacob, sua voz rouca de emoção.

Renesmee suspirou, sentindo um peso enorme sendo retirado de seus ombros.

— Estou encerrando essa página hoje — respondeu ela, tentando manter a voz firme.

— Podemos conversar? — perguntou Jacob, seus olhos cheios de esperança.

Renesmee olhou para seus pais, que assentiram com compreensão.

— Claro — disse ela, voltando-se para Jacob.

Eles saíram juntos do tribunal, andando lado a lado.

Jacob levou Renesmee até uma praia isolada em Nova Iorque, o mesmo local onde havia pedido a mão dela em casamento meses atrás. A areia era branca e macia, o mar se estendia à frente deles, suas ondas quebrando suavemente na orla. O céu estava tingido de tons alaranjados e rosados com o pôr do sol, criando uma atmosfera calma e melancólica.

Eles caminharam lado a lado pela praia, ambos perdidos em pensamentos. Finalmente, Jacob quebrou o silêncio.

— Vou partir hoje à noite — disse ele, sua voz carregada de emoção.

Renesmee olhou para ele, surpresa.

— Sério? — Ela sorriu, sentindo uma mistura de felicidade por vê-lo realizar seu sonho e tristeza pela iminente separação. — Estou feliz por você, Jake, mas vou sentir muito a sua falta.

Jacob parou e virou-se para ela.

— Quero estar presente no nascimento da nossa filha, mas não sei que não vou conseguir estar em terra a tempo — disse ele, sua voz embargada.

— Vou gravar tudo para você — Renesmee respondeu, tentando manter a voz firme.

Jacob segurou a mão dela com delicadeza.

— Sam vai me representar legalmente. Metade dos meus honorários será transferida para a sua conta — disse ele.

— Não é necessário, Jake — Renesmee protestou suavemente.

— Por favor, aceite — Jacob insistiu. — Vou ficar mais tranquilo sabendo que vocês estarão financeiramente seguras.

Renesmee suspirou e assentiu.

— Eu não vou poder trabalhar enquanto a nossa filha for pequena. Obrigada.

— Nada vai faltar a vocês — disse Jacob, os olhos fixos nos dela. — Eu sinto tanto a sua falta pequena, eu ainda te amo.

Renesmee suspirou profundamente.

— Eu também sinto a sua falta, Jake, e te amo com todas as forças do meu coração. Mas acho que precisamos desse tempo afastados para curar nossas feridas.

Jacob sorriu tristemente e acariciou o queixo de Renesmee carinhosamente.

— Podemos conversar quando eu voltar?

Renesmee sorriu e assentiu.

— Estaremos esperando por você.

Jacob sorriu, puxando-a para um abraço. Ele beijou os cabelos dela e segurou-a firmemente, sentindo o calor do corpo dela contra o seu. Ficaram assim por um bom tempo, observando o pôr do sol e aproveitando aquele momento de intimidade e compreensão mútua.

Jacob sentia uma mistura de tristeza e esperança. Tristeza pela iminente separação de Renesmee e pela situação difícil, mas esperança de que o tempo e a distância ajudem a curar suas feridas e que ele possa retornar a ela e à filha e ter seu perdão.

Renesmee sentia uma mistura de felicidade e tristeza. Feliz por Jacob estar realizando seu sonho, mas triste pela dor da separação e pelo que aconteceu entre eles. Sentia que seu amor por Jacob só havia aumentado, mas também a necessidade de tempo para curar e reconstruir a confiança entre eles.

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Meses depois...

Jacob flutuava na estação espacial, seus olhos fixos na vasta e impressionante visão do planeta Terra. O azul dos oceanos, o verde das florestas e os contornos dos continentes criavam uma imagem tão bela e frágil que fazia seu coração bater mais rápido. Ele se sentia pequeno diante da grandiosidade do universo, mas a emoção que lhe preenchia o peito era imensa. Ele desejava estar lá embaixo, ao lado de Renesmee e da filha recém-nascida, em vez de suspenso no espaço, a milhares de quilômetros de distância.

Enquanto contemplava o planeta, ele ouviu um leve ruído de movimento atrás dele. Victoria, sua colega de tripulação, se aproximou com um sorriso amigável.

— Jacob, eu soube que sua filha nasceu — disse ela suavemente, pairando ao seu lado.

Jacob confirmou com um aceno, seus olhos brilhando com lágrimas de alegria.

— Sim, recebi a mensagem. Ela nasceu ontem — respondeu ele, a voz embargada pela emoção.

Victoria sorriu amplamente.

— Parabéns, Jake! Isso merece uma comemoração. — Ela fez uma pausa, o olhar curioso. — Você sabe o nome dela?

Jacob assentiu, sentindo um calor reconfortante espalhar-se por seu peito.

— Sim, seu nome é Merliah. Merliah Black.

Victoria sorriu novamente, tocando gentilmente o ombro de Jacob.

— É um nome lindo. Tenho certeza de que ela será uma garota incrível, assim como os pais.

Jacob sorriu, seus olhos ainda fixos na Terra.

— Obrigado, Victoria. Eu mal posso esperar para conhecê-la e segurá-la em meus braços.

A visão da Terra, com suas luzes brilhando suavemente na escuridão do espaço, parecia mais bela do que nunca. A vastidão do oceano, as nuvens brancas que pareciam flocos de algodão, e as montanhas cobertas de neve, tudo parecia pulsar com vida e significado.

Ele pensou em Renesmee, imaginando-a segurando Merliah, e sentiu uma onda de saudade e amor. A imagem da Terra era um lembrete do que o esperava quando voltasse, e isso lhe dava forças para suportar a distância e o tempo separados.

Jacob respirou fundo, sentindo-se ao mesmo tempo pequeno e poderoso. Olhando para o planeta, ele sussurrou para si mesmo:

— Merliah, eu estou aqui, e vou voltar para você e para sua mãe. Eu prometo.

Victoria deu um último aperto no ombro de Jacob antes de se afastar, deixando-o sozinho com seus pensamentos e a magnífica vista do planeta. Ele permaneceu ali, olhando para a Terra, sentindo-se conectado de uma maneira nova e profunda com tudo e todos que amava.

Porque apesar da distância, ele estava sobre o mesmo céu que elas.