Sob o mesmo céu
12 Visita inesperada
— Não.
Renesmee olhou para Rosalie, a raiva e a dor misturadas em seus olhos.
— Não, tia Rosalie. Eu não posso fazer isso. Pode pedir qualquer coisa, menos isso — respondeu Nessie, a voz firme apesar do tremor interior.
Rosalie estreitou os olhos, a fúria evidente.
— Você é egoísta, Renesmee. Se Merliah morrer, a culpa será sua.
Nessie balançou a cabeça, sentindo uma onda de indignação.
— Você está perdida, tia Rosalie. Entendo que é por causa da Merliah, mas eu e Jacob não somos fantoches. Isso não depende de mim decidir. Merliah jamais pediria algo assim.
De repente, Nessie sentiu um mal-estar, o mundo ao seu redor girando. Rosalie, apesar da raiva, rapidamente a ajudou a se sentar. Quando Nessie se sentiu melhor, elas retornaram ao quarto de Merliah em silêncio. Ao se aproximarem da porta, ouviram os risos de Merliah e Jacob.
— A felicidade da sua prima em seus últimos dias está nas suas mãos, Nessie — disse Rosalie antes de entrar no quarto.
Nessie entrou em seguida, lutando contra a sensação de náusea. Jacob olhou para a noiva e percebeu que ela estava pálida. Rosalie a segurou, dizendo que ela não estava bem.
— Nessie, está tudo bem?— perguntou Jacob, levantando-se preocupado e a abraçando.
— Só preciso descansar — respondeu Nessie, tentando manter a compostura. — Vamos para casa.
Merliah, preocupada, olhou para a prima.
— Cuide-se, Nessie. Fique bem. Eu te amo.
Nessie olhou para Rosalie, sentindo-se pior ainda. Jacob a acolheu em seus braços e a levou para fora do hospital.
Durante o retorno, Jacob tentou descobrir o motivo do distanciamento de Nessie. Ela deitou a cabeça no ombro dele, tentando encontrar conforto.
— Só foi um mal-estar — disse ela, com um sorriso fraco.
Jacob beijou os cabelos dela inalando seu cheiro enquanto olhava para a estrada — Vou cuidar de você.
Ela sorriu, tentando encontrar paz no amor que sentia por ele, enquanto o carro atravessava as movimentadas ruas de Nova York, voltando para casa.
O jardim do hospital, anteriormente um cenário de beleza e tranquilidade, agora parecia um campo de batalha emocional. Nessie sentia-se esgotada, com um turbilhão de sentimentos conflitantes: raiva, tristeza, culpa e impotência. Jacob, ao seu lado, era um pilar de força e conforto, mas mesmo ele parecia impotente diante da tempestade que se formava. Rosalie, acreditava estar lutando pelo bem estar da filha, mas só estava cega pelas magoas de seu passado. Estava disposta a atravessar qualquer linha, e isso só aumentava a tensão entre todos. A promessa de descanso em casa parecia uma miragem distante, enquanto a realidade de suas complexas relações se desenrolava à sua frente.
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Nessie estava sentada no jardim da casa de seus pais, terminando os toques finais no seu novo projeto de arquitetura para um hospital. Desde que começou a trabalhar para a empresa de seu pai, sua agenda estava sempre cheia, e isso a deixava realizada profissionalmente. Jacob também estava bastante ocupado com o setor de engenharia da NASA, preparando-se para enviar uma nova tripulação ao espaço em dois meses. Ambos trabalhavam arduamente, mas sempre encontravam tempo para se dedicar à casa que haviam finalmente comprado, organizando cada detalhe com cuidado e carinho.
Todos os dias, Nessie falava com Merliah, que havia iniciado quimioterapia na tentativa de regredir a doença. No entanto, desde a última conversa com Rosalie, Nessie evitava ir ao hospital. Não cederia ao jogo psicológico da tia e não permitiria que ela comandasse sua vida.
Enquanto terminava de revisar os planos no notebook, Nessie viu uma figura loira parada à entrada do jardim. Seu coração acelerou ao reconhecer Rosalie. Deixando o notebook sobre a cadeira, observou a mulher se aproximar.
— Benjamin disse que você estava no jardim — começou Rosalie, tentando manter a voz calma.
Nessie cruzou os braços, defensiva.— Merliah está bem? — perguntou ela, diretamente.
— Sim, está. Na verdade, vim avisar que ela terá alta amanhã. O médico acha melhor que ela viva seus últimos dias de forma normal.
Nessie olhou para Rosalie, a incredulidade estampada em seu rosto.— Merliah está fazendo tratamento. Ela pode melhorar.
Rosalie suspirou, a dor evidente em seus olhos.— O tratamento é apenas para amenizar os sintomas, Nessie. Merliah não sabe disso. Eu estou aqui porque ela perguntou por você e... eu lhe devo um pedido de desculpas. Minha atitude foi de uma mãe desesperada.
Nessie manteve a postura rígida, ainda ressentida.— Nada justifica, tia Rosalie.
Rosalie assentiu, aceitando a crítica.— Por favor, vá ver Merliah assim que ela sair do hospital. Em nossa casa, por ela.
Sem esperar uma resposta, Rosalie se virou e foi embora. Nessie suspirou, sentindo-se confusa e desgastada, sabia que precisava tomar uma decisão, mas a mistura de sentimentos conflitantes a deixava hesitante. Amar sua prima e apoiar Jacob enquanto mantinha sua própria sanidade era um equilíbrio delicado que ela ainda estava tentando encontrar.
O jardim dos Cullen, normalmente um refúgio de paz com suas plantas bem cuidadas e flores coloridas, estava agora marcado por uma tensão palpável. Nessie, ainda perdida em seus pensamentos, olhou ao redor, procurando um momento de calma entre a turbulência emocional. A beleza do lugar não conseguia dissipar a nuvem de preocupação que pairava sobre ela. Sentia-se dividida entre o amor pela família e a necessidade de manter seu próprio caminho e suas convicções.
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Rosalie estava atarefada, organizando a casa para o retorno de Merliah. O neurologista havia informado que, devido à melhora de sua filha, ela poderia continuar o tratamento em casa, com visitas semanais ao hospital. A loira dava as últimas ordens aos empregados, ajustando detalhes aqui e ali, quando ouviu uma voz animada atrás dela.
— Olha só quem está de volta?— gritou o rapaz de cabelos escuros, com um sorriso largo no rosto.
Rosalie se virou para ver Ryan, seu enteado, que acabara de entrar na sala. Emmett, ouvindo a voz familiar, saiu rapidamente de seu escritório e o recebeu com um abraço caloroso.
— Ryan! Bem-vindo de volta, filho! — disse Emmett, com genuína felicidade.
Rosalie, por outro lado, tentou disfarçar sua insatisfação. Ryan, ciente da antipatia mútua entre eles, percebeu a falsidade em sua expressão.
— Vim ver minha irmã — disse Ryan, ainda sorrindo. — Soube pela minha mãe que ela está doente.
Rosalie lançou um olhar fulminante para Emmett, surpresa e irritada ao descobrir que ele ainda tinha contato com sua ex-mulher. Emmett desviou o olhar, tentando desconversar — Como estão as coisas na Inglaterra? — perguntou ele, tentando mudar de assunto.
— Vão ótimas, pai — respondeu Ryan, casualmente. — A faculdade está indo bem.
Rosalie observava a conversa com irritação crescente. Emmett recebeu uma ligação e, com um olhar de desculpas, se dirigiu a Ryan — Desculpe, filho, tenho um cliente esperando. À noite, conversamos melhor.
Ryan tranquilizou o pai.
— Sem problemas, pai. A gente se fala depois.
Emmett deu um beijo carinhoso em Rosalie e saiu, deixando-a sozinha com Ryan. Assim que a porta se fechou, Ryan virou-se para Rosalie com um sorriso provocador.
— Já pode parar de fingir que está feliz com a minha presença, Madastra.
— Estou feliz por você saber que não é bem-vindo — retrucou Rosalie, sorrindo.
— Vou passar muito tempo em Nova York desta vez — disse Ryan, pegando sua mochila. — Vai ter que se acostumar.- Disse ele subindo as escadas da casa, deixando Rosalie furiosa.
— Veremos sobre isso — murmurou Rosalie.
A casa estava elegantemente decorada, com móveis de madeira escura e detalhes luxuosos em cada canto. A luz suave do fim da tarde entrava pelas janelas amplas, criando um contraste com a tensão que permeava o ambiente. Rosalie sentia um misto de frustração e irritação enquanto Ryan, em seu quarto, sentia-se satisfeito por ter causado aquela pequena revolta. Cada um estava preparado para um embate prolongado, sabendo que aquela convivência forçada não seria nada fácil.
Rosalie sentia um turbilhão de emoções enquanto tentava manter a aparência de controle. A presença de Ryan sempre a desestabilizava, e agora, com a saúde de Merliah em jogo, a situação parecia ainda mais complicada. Ela sabia que teria que manter sua postura firme, mas a provocação de Ryan era um lembrete constante de que as batalhas em sua casa estavam longe de terminar.
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