Sob o mesmo céu
50 Sinal
A TV na sala do apartamento em Manhattan exibia a imagem sorridente de Merliah Cullen Black, de seis anos, em uma foto tirada recentemente em sua festa de aniversário. O apresentador falava com gravidade, atualizando o caso que estava abalando a cidade:
— A polícia de Nova York continua em busca de pistas sobre o desaparecimento de Merliah Cullen Black, ocorrido há três dias. A criança, filha de Jacob Black e Renesmee Cullen Black, foi vista pela última vez ao sair da escola Bright Minds. As autoridades acreditam que ela possa estar em posse de Rosalie Hale, uma parente distante da família Cullen e agora a principal suspeita. A polícia pede que qualquer informação seja comunicada imediatamente.
Na sala, o clima era de tensão absoluta. Jacob estava de pé, ao lado dos policiais e de Jasper, assistindo à transmissão com um olhar sombrio. A voz do apresentador parecia ecoar no ambiente silencioso, carregada de uma seriedade que só fazia o peso da situação aumentar. Nesse momento, ele ouviu passos leves atrás de si e virou-se para ver Renesmee parada no último degrau da escada, abatida e com os olhos vermelhos.
Ao ver a esposa ali, Jacob caminhou até ela rapidamente e a envolveu em seus braços, oferecendo um abraço firme e protetor. Ela se apertou contra ele, sentindo o calor e o consolo que precisava.
— Jake... — a voz dela saiu quase como um sussurro, carregada de dor e desespero contido. — Três dias... Ela deve estar tão assustada.
Jacob respirou fundo, tentando controlar a própria ansiedade, e acariciou o rosto dela.
— Eu sei, Nessie... também estou assustado. Mas vamos trazê-la de volta. Eu prometo.
Renesmee o encarou, os olhos marejados de angústia. Jasper observava o casal com uma expressão sombria, sentindo o peso do momento. Os policiais esperavam em silêncio, prontos para tomar as próximas medidas, mas respeitando a intimidade e a dor da família.
Renesmee respirou fundo, buscando forças nas palavras de Jacob, e assentiu.
— Ela precisa de nós, Jake... não podemos perder a esperança.
Jasper suspirou e anunciou com cautela:
— Recebemos uma denúncia sobre uma criança que foi vista sozinha, próxima ao lado leste da cidade. A descrição é vaga, mas a polícia está investigando e acredita que vale a pena verificar.
Jacob imediatamente se levantou, a determinação estampada em seu rosto.
— Eu vou junto.
Renesmee, ao ouvir isso, deu um passo à frente, com uma centelha de esperança em seu olhar cansado.
— Se há uma chance, Jake... eu também preciso ir.
Jacob, no entanto, segurou-a suavemente pelos ombros, o olhar preocupado.
— Nessie, você não está bem. Precisa pensar no bebê... Você tem passado mal nesses últimos dias, e não quero que se esforce mais do que já tem.
Bella se aproximou e pousou uma mão reconfortante no ombro da filha.
— Jake tem razão, querida. Vamos deixá-los ir. Eu fico aqui com você.
Jacob beijou a testa de Renesmee, o olhar firme.
— Eu prometo, amor. Vou trazer nossa filha de volta para você.
Relutante, mas exausta, Renesmee assentiu, permitindo que Bella a guiasse de volta para o quarto. Bella a ajudou a deitar, cobrindo-a com um cobertor, e afagou seus cabelos.
— Tente descansar um pouco, Nessie. Jake vai fazer tudo que pode.
Enquanto isso, Jacob, Jasper, e Edward saíram rapidamente, acompanhando os policiais até o local da denúncia. A van da polícia serpenteou pelas ruas até chegar a uma área deserta do lado leste de Manhattan. Ao se aproximarem, Jacob observou com expectativa enquanto os policiais conduziam o grupo até uma pequena entrada entre prédios abandonados.
Mas ao verem a criança — uma garotinha assustada e suja, que soluçava baixinho — Jacob sentiu seu coração afundar. A menina tinha cabelos castanhos e estava visivelmente perdida, mas não era Merliah.
Jacob respirou fundo, tentando manter o controle, enquanto Jasper colocava uma mão em seu ombro, compreendendo sua decepção.
— Vamos encontrá-la, Jake. Não vamos desistir, disse Jasper com firmeza.
Jacob assentiu, determinado, enquanto voltavam ao carro, já planejando os próximos passos.
Nessie entrou no quarto de Mel, sentindo a ausência da filha em cada detalhe. As paredes em tons suaves, as pelúcias alinhadas na estante, e o ursinho preferido jogado ao lado do travesseiro — tudo parecia gritar a falta da pequena. Com o coração apertado, ela se sentou na cama, incapaz de conter as lágrimas. Bella se aproximou, envolvendo-a em um abraço protetor, e Nessie olhou para a boneca loira que Mel sempre dizia ser igual à sua "amiga imaginária," Liah.
Com as mãos trêmulas, Nessie segurou a boneca e sussurrou, quase como uma oração:
— Merliah… se você estiver me ouvindo, por favor, ajude. Cuide da minha Mel, dê-me um sinal, algo… qualquer coisa que me leve até ela.
Bella observou, preocupada.
— Querida, você está muito nervosa. Vou buscar um copo d'água para você, tudo bem?
Nessie assentiu sem dizer nada, os olhos ainda fixos na boneca. Bella saiu do quarto, deixando a porta entreaberta.
Fechando os olhos, Nessie tentou imaginar a presença de Merliah, desejando que, de alguma forma, a prima estivesse ali, ouvindo seu apelo. Do outro lado, o espírito de Merliah, invisível a Nessie, surgiu, observando-a com tristeza e compaixão. Ela queria ajudar, mas não sabia como… até que sua atenção foi atraída pela pequena casa de bonecas de Mel, no canto do quarto.
Merliah se concentrou, canalizando sua energia para o objeto. Com um leve estalo, a casa de bonecas deslizou e caiu da mesa, fazendo um som seco ao tocar o chão.
Nessie abriu os olhos, assustada, mas ao mesmo tempo, uma sensação de esperança brotou em seu peito. Ela olhou para a casa de bonecas caída e, em meio às lágrimas, sorriu, sussurrando:
— Merliah… esse é o sinal… você está aqui
Naquele instante, Bella retornou com o copo d'água, parando na porta ao ver a expressão de esperança no rosto da filha.
— Nessie, o que houve?
— Eu… acho que ela está me ouvindo, mãe. Acho que Merliah está ajudando a cuidar da minha menina… e de alguma forma, eu sei que ela vai nos guiar até Mel.
Bella observou Nessie com uma expressão preocupada.
— Querida, você está nervosa e imaginando coisas — disse Bella, tentando acalmá-la.
Mas Nessie parecia ter uma súbita clareza. Ela se levantou apressada, lembrando-se do que Jacob havia mencionado sobre o loft de Rosalie.
— Não, mãe, eu sei onde Mel está! Jake me disse que havia uma casa de bonecas e um quarto de menina no loft da Rosalie. Ela deve ter levado Mel para lá! — A voz de Nessie tremia, mas seus olhos estavam cheios de determinação.
— Nessie… — Bella hesitou, segurando o braço da filha. — Isso parece uma loucura. Como podemos ter certeza?
— Mãe, eu preciso tentar! Não posso ficar parada. Se houver uma chance, mesmo que pequena… — Nessie olhou para Bella com firmeza. — Eu vou até lá, mesmo que tenha que ir sozinha.
Suspirando, Bella percebeu que não conseguiria convencer a filha a ficar. Nessie estava decidida, e talvez essa esperança fosse melhor do que o desespero.
— Tudo bem, eu vou com você. Mas eu vou dirigir, você não está em condições de fazer isso sozinha. — Bella pegou sua bolsa rapidamente, decidida a apoiar a filha.
Elas desceram as escadas e, assim que entraram no carro, Bella falou:
— Ligue para Jacob, Nessie. Ele precisa saber o que estamos fazendo e para onde estamos indo.
Nessie assentiu, tirando o celular do bolso com as mãos trêmulas. Depois de alguns segundos, Jacob atendeu.
— Jake… — começou Nessie, tentando manter a calma. — Eu… eu acho que sei onde a Mel está. Vamos ao loft da Rosalie, eu lembro que você disse que havia um quarto de criança lá.
Merliah apareceu no banco de trás do veículo e sorri — Eu consegui, a mamãe esta a caminho Mel.
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