Jacob despertou com o som estridente do alarme do celular. Fazendo uma careta, sentiu uma dor de cabeça intensa que parecia pulsar em suas têmporas. Com dificuldade, sentou-se na cama, mas acabou derrubando o copo e a garrafa vazia de vodca que havia esvaziado na noite anterior. As palavras de Renesmee ditas a três dias atrás ainda ecoavam em sua mente, cada repetição como um punhal em seu coração.

Agora, mais tranquilo apesar da ressaca, percebeu que nada daquilo fazia o menor sentido. Ele se levantou da cama, ainda trajando a calça que usara no dia anterior, e juntou o copo e a garrafa, deixando-os sobre a mesa da cozinha. Tomou um gole de água, tentando clarear a mente, quando ouviu o celular tocar novamente do quarto.

Ele sussurrou o nome de Merliah ao ver o número dela na tela e atendeu a ligação.

— Merliah? — disse, a voz rouca.

— Jacob... — Merliah parecia estar chorando, a voz trêmula. — Por favor, pode vir me ver? Eu preciso conversar com alguém e a Nessie não atende minhas chamadas.

Jacob suspirou, sentindo uma nova onda de preocupação.

— Estou indo vê-la — respondeu, tentando soar firme apesar do turbilhão de emoções dentro de si.

Ele deixou o aparelho celular sobre a cama e caminhou até o banheiro. A imagem no espelho era a de um homem exausto, com olheiras profundas e os cabelos desarrumados. Tomou um banho com água fria, esperando que isso ajudasse a diminuir a dor de cabeça e a clarear seus pensamentos.

Enquanto se preparava para sair, os pensamentos de Jacob giravam em torno de Renesmee e Merliah. O que estava realmente acontecendo? Por que Renesmee estava se afastando assim? E o que Merliah tinha para lhe dizer?

O apartamento de Jacob estava desarrumado, reflexo do caos em sua mente. A sala de estar tinha almofadas jogadas no chão, a cozinha tinha pratos empilhados na pia, e a luz fraca do sol que entrava pelas janelas dava um ar melancólico ao ambiente.

Ele se vestiu rapidamente, colocando uma camiseta limpa e um jeans, e saiu de casa com passos rápidos. O ar fresco da manhã bateu em seu rosto enquanto ele caminhava em direção ao carro, sentindo o peso da incerteza e da dor em cada passo.

Dentro do carro, enquanto dirigia pelas ruas ainda tranquilas de Nova York, Jacob não conseguia afastar a sensação de que algo terrível estava por vir. O término de Renesmee e o choro de Merliah se misturavam em sua mente, criando um cenário de angústia e desespero. Ele precisava de respostas, e estava determinado a encontrá-las, custasse o que custasse.

Jacob chegou à casa de Rosalie, sentindo uma mistura de ansiedade e exaustão. Ele mal teve tempo de bater na porta quando Rosalie a abriu com um sorriso largo e caloroso.

— Jacob, que bom vê-lo! — Exclamou ela, como se fossem velhos amigos. — Merliah está no quarto. Gostaria de um café?

Antes que Jacob pudesse responder, ele viu Merliah descendo as escadas. Ela sorriu timidamente para ele e o abraçou.

— Ei, Merliah — disse Jacob, tentando sorrir apesar de sua preocupação.

—Bom dia Jake – Ela respondeu e olhou para a mãe, sabia que não teria a privacidade que precisava — Vamos conversar no jardim?

—Claro – respondeu Jacob.

Merliah assentiu, lançando um olhar de esguelha para sua mãe, que estava visivelmente satisfeita. Rosalie observou com um brilho de satisfação nos olhos, acreditando que seu plano estava funcionando.

Enquanto caminhavam para fora da casa, Jacob não conseguiu esperar mais para perguntar:

— O que está acontecendo, Merliah? Você parecia tão desesperada ao telefone.

Eles se sentaram em um banco de madeira, rodeado por flores bem cuidadas e uma fonte de pedra que jorrava água suavemente. O jardim estava sereno, mas a tensão entre eles era palpável.

— Alec sumiu — começou Merliah, a voz trêmula. — Ele mandou uma mensagem há dois dias dizendo que era para eu esquecê-lo e que outro médico agora estava cuidando de mim.

Jacob franziu a testa.

— Isso é muito estranho. Você tentou falar com ele de novo?

Merliah olhou para a janela da casa e viu Rosalie observando-os de longe.

— Minha mãe está estranha também, como se estivesse me vigiando o tempo todo — disse ela em um sussurro.

Jacob deu de ombros, tentando tranquilizá-la.

— Pode ser apenas preocupação de mãe. Mas se isso a deixar mais calma, eu vou atrás de Alec e descubro o que está acontecendo.

Merliah sorriu, os olhos brilhando de gratidão, e o abraçou apertado.

— Você faria isso por mim?

Jacob retribuiu o abraço, sentindo o peso da responsabilidade aumentar.

— Sim, eu farei.

Ela o soltou, segurando suas mãos.

— E a Nessie? Vocês brigaram? Ela não atende minhas chamadas e não responde minhas mensagens.

Jacob suspirou, sentindo a dor ressurgir.

— Sim, brigamos. Está complicado entre nós.

Merliah apertou a mão dele.

— Vocês me devem um casamento. Prometa que vão se entender.

Jacob sorriu, embora fosse um sorriso triste.

— Vamos tentar, Merliah. Prometo que vamos tentar.

Ela sorriu de volta, esperançosa. Atrás das cortinas, Rosalie observava, satisfeita com o progresso. Em sua mente, o plano estava funcionando, e era apenas uma questão de tempo até que Jacob e Merliah ficassem juntos, sem perceber a dor e a manipulação que ela estava causando a todos ao seu redor.

Enquanto eles se despediam no jardim, Jacob não pôde deixar de sentir um aperto no coração. As últimas palavras de Renesmee ainda ecoavam em sua mente, e ele sabia que algo muito mais profundo estava em jogo do que ele podia ver naquele momento.

Jacob saiu da casa de Rosalie com a cabeça cheia de pensamentos, decidido a descobrir o que realmente estava acontecendo com Alec. Tinha algo estranho na estranha coincidência de Renesmee ter terminado com ele a três dias atrás e justamente no mesmo período Alec se afastado de Merliah. Decidido a descobrir, dirigiu até o hospital com a mente focada em obter respostas. Ao chegar, ele caminhou à recepção.

— Bom dia, eu gostaria de ver o doutor Alec Volturi. Sou um antigo paciente e gostaria de falar com ele.

A recepcionista, uma mulher de meia-idade com um sorriso profissional, fez uma ligação rápida e depois entregou um crachá a Jacob.

— O doutor Volturi o aguarda. Pode seguir por aquele corredor, última sala à direita.

Jacob agradeceu e seguiu as instruções. O hospital estava movimentado, com o som de máquinas e murmúrios dos pacientes preenchendo o ar. Ao chegar na sala indicada, bateu na porta e entrou.

A sala era iluminada por uma grande janela que deixava entrar a luz do sol. Prateleiras cheias de livros médicos cobriam as paredes e uma mesa de madeira escura estava no centro, com papéis organizados meticulosamente. Alec Volturi, um homem de aparência cansada, mas com um ar de competência, estava sentado atrás da mesa. Ele se levantou ao ver Jacob entrar.

— Bom dia, doutor Volturi. Meu nome é Jacob Black — disse Jacob, estendendo a mão.

Alec apertou sua mão, confuso lembrando daquele nome. Porém manteve sua posição profissional.

— Bom dia, senhor Black. Não me lembro de tê-lo atendido antes.

Jacob respirou fundo.

— Na verdade, não foi a mim que o senhor atendeu, mas minha amiga, Merliah.

Alec passou as mãos no rosto, visivelmente desconfortável.

— Ah, Merliah... Sim, eu fiz o que Rosalie pediu e me afastei dela. Fui chamado pela administração do hospital e me disseram que, se eu voltar a me aproximar de Merliah, posso perder meu direito de exercer a medicina.

Jacob ficou surpreso e confuso.

— Por que Rosalie faria isso? Você faz bem a Merliah, ela está desesperada.

Alec suspirou profundamente, sua expressão uma mistura de frustração e resignação.

— Rosalie disse que eu estava me aproveitando da fragilidade da filha. Ela afirmou que Merliah tem um noivo e que ele se chama Jacob Black.

Jacob sentiu um nó se formar em seu estômago, sua raiva misturada com incredulidade. Rosalie havia dito que ele e Merliah são noivos? Rosalie teria feito isso para o afastar de Merliah e o forçar a ficar com ela?

— Deve ter algum engano — Disse Jacob — Sou noivo de Renesmee, prima da Merliah.

— Eu sei, por isso também não entendi, mas, mesmo eu tendo sentimentos por Merliah não posso jogar tudo para o alto assim.

— Rosalie deseja que eu e Merliah fiquemos juntos?

Alec assentiu, a expressão triste.

— Parece que sim. Eu sinto muito, Jacob. Merliah merece ser feliz, e se ela o ama, você deve fazer o que for necessário para protegê-la.

Jacob ficou em silêncio por um momento, processando a situação. A sala ao redor parecia fechar-se sobre ele, as paredes cheias de livros e o brilho do sol contrastando com a escuridão que sentia em seu coração. Lembrou da noite em que Nessie e ele se encontraram pela última vez, o olhar de Nessie, as palavras.

— Nessie está com medo...Jacob sussurrou.

— Não entendi — Disse Alec

— Nãos e afaste de Merliah — disse Jacob — Se precisarem de apoio podem contar comigo, ela é como uma irmã para mim.

— Mas Rosalie...

— Você vai deixar de viver o que vocês sentem por causa da Rosalie? Merliah é adulta e maior de idade, e agora ela já tem outro médico, o que Rosalie vai alegar?

Alec sorriu timidamente — Não sabemos por quanto tempo Merliah ficara conosco Jacob, por mais que isso doa eu só quero estar com ela, durante esse tempo, seja longo ou curto.

Jacob apertou o ombro de Alec — então fique.

Alec assentiu.

— Obrigado Jacob, Merliah fala muito de você e de Renesmee, ela os ama como irmãos.

Após se despedirem, Jacob saiu da sala com a mente fervilhando, ele precisava montar o quebra-cabeças que envolvia não somente o afastamento de Alec de Merliah mas o afastamento de Nessie. Ao entrar no carro ele pegou seu aparelho celular e ligou para Renesmee, mas ela não atendeu sua ligação, ele suspirou dando partida no veículo, insistira com as ligações até que ela o atendesse.