Rosalie dirigia pelas ruas de Manhattan com o rosto sombrio, as mãos firmes no volante. Estava há cinco meses escondida em um pequeno apartamento em Queens, nos subúrbios de Nova York, e sua obsessão apenas aumentava. Nos últimos seis meses, havia passado longas horas planejando cada detalhe de sua aproximação da pequena Mel, estudando seus passos, os horários, e tentando encontrar uma brecha na vigilância intensa de Bella, Edward, os pais da criança, e dos seguranças. Era uma tarefa quase impossível, mas Rosalie se recusava a desistir.

Além disso, havia um problema crescente: a polícia agora estava em seu encalço. Após a descoberta de suas digitais no apartamento de Ryan, ela se tornara a principal suspeita de seu assassinato. O tempo estava se esgotando, e a sensação de que a rede estava se fechando em torno dela a deixava ainda mais determinada a seguir com seu plano.

Ao parar em um semáforo na movimentada Park Avenue, Rosalie olhou pelo retrovisor e, de repente, viu uma figura familiar no banco de trás. Era a jovem loira, de rosto sereno, que a fitava com uma expressão de tristeza e piedade.

— Você não existe. É apenas um fantasma da minha cabeça. — murmurou, com uma voz rouca e amarga.

A figura, no entanto, não desapareceu. Em vez disso, Merliah, sua filha falecida, sussurrou suavemente:

— Mamãe, ainda há tempo de desistir. Deixe Nessie e Jake em paz... para que eu possa ter paz.

Rosalie respirou fundo, a expressão endurecendo, tentando afastar as palavras de Merliah como se fossem um incômodo. — Eles tiraram tudo de mim! Primeiro, Edward... e depois, você.

— Eles não tiraram nada de você, mamãe — disse Merliah, a voz suave e triste ecoando pelo carro. — Nessie não tem culpa. Ela merece ser feliz.

— Felicidade? — Rosalie riu amargamente, recusando-se a acreditar. — Renesmee nunca será feliz. Ela me destruiu!

O som estridente das buzinas ao redor a fez sair de seu transe momentâneo. Rosalie deu partida no carro, os olhos relanceando rapidamente para o retrovisor, mas Merliah havia desaparecido. Com o coração batendo rápido, ela cerrou os dentes e murmurou para si mesma:

— Assim que tiver a pequena Mel, esse fantasma vai sumir de uma vez por todas.

Com uma expressão decidida, Rosalie seguiu em frente e pegou a avenida principal em direção à escola infantil Bright Minds, uma das mais prestigiadas de Manhattan. Ao chegar, ela estacionou discretamente do outro lado da rua, observando o movimento de pais e seguranças. De dentro do carro, fixou o olhar na entrada da escola, os olhos famintos e fixos, enquanto aguardava sua chance.

Rosalie observava atentamente o movimento ao redor da escola quando viu uma van de limpeza estacionar. Uma mulher desceu carregando algumas vassouras, seguida por outra colega que segurava um balde e um esfregão. Pensando rápido, Rosalie dirigiu lentamente até a van e baixou o vidro do carro, deixando um sorriso suave, quase amistoso, se formar em seu rosto.

— Com licença, senhoras! — Rosalie chamou, atraindo o olhar curioso de uma das mulheres.

A mulher se aproximou, um pouco hesitante, mas sorriu em resposta. — Pois não? Posso ajudar?

Rosalie inclinou-se ligeiramente, com um ar de simpatia. — Ah, sim! Desculpe incomodar... é que meu sobrinho está estudando aqui na Bright Minds, e estou tentando ajudar minha irmã a organizar uma festa de aniversário surpresa pra ele. — Ela fez uma pausa, fingindo estar um pouco desconcertada. — Mas, sabe como é, precisamos ter certeza dos horários em que a escola está menos movimentada... para evitar o entra e sai do pessoal da limpeza e tal. Você saberia me dizer quais dias vocês costumam estar aqui?

A mulher riu, relaxando com a explicação. — Ah, entendo! Isso é uma boa ideia. Bom, nós costumamos vir às segundas, quartas e sextas, sempre de manhãzinha. Normalmente ficamos até umas 10h, no máximo.

Rosalie assentiu, fingindo tomar nota mental. — Perfeito, obrigada! Vai ser ótimo poder fazer isso sem perturbar ninguém. Vocês são um amor por ajudar!

A mulher balançou a cabeça, sorrindo. — De nada! Espero que dê tudo certo com a festa.

— Tenho certeza de que sim, graças a você! — Rosalie respondeu, mantendo o sorriso enquanto subia o vidro devagar.

Quando voltou a se recostar no banco, sua expressão mudou, e um sorriso frio e calculado tomou seu rosto. Agora que sabia exatamente os dias e horários da equipe de limpeza, ela tinha tudo o que precisava para colocar seu plano em prática.

....

Sentada no sofá, Nessie suspirou e sorriu para sua barriga, acariciando-a com ternura. Preparava a festa de seis anos da pequena Mel e, embora tudo estivesse em paz, o receio constante pela liberdade de Rosalie ainda a deixava inquieta. Perdeu-se nos pensamentos até ouvir a porta se abrir.

— Chegamos! — anunciou Jacob com um sorriso.

Mal ele terminou de falar, Mel correu para a mãe, que a recebeu no colo com cuidado e carinho. Nessie sorriu, dando um beijo carinhoso na bochecha da filha.

— Vocês demoraram — comentou Nessie, ainda com o sorriso no rosto.

Jacob fez uma careta divertida. — Trânsito, sabe como é — e, aproximando-se dela, beijou-a suavemente na testa. — Preciso de um banho. Desço já para o almoço.

Nessie assentiu, acompanhando-o com o olhar até ele sumir pelas escadas. Voltou-se para a filha com carinho.

— E então, senhorita Mel, o que você fez hoje na escola? — perguntou, curiosa.

Mel, animada, começou a gesticular com entusiasmo. — Hoje a gente fez um monte de coisa, mamãe! Primeiro, a tia Liza leu uma história de dragões, e eu desenhei um dragão rosa, com asas grandes, assim! — Ela abriu os braços para ilustrar.

Nessie riu, encantada. — Nossa, que lindo! Um dragão rosa! Ele tinha nome?

— Tinha sim! Chama Ruga-fogo! — respondeu Mel com orgulho. — E depois a gente plantou uma sementinha. O tio Dave disse que vai virar uma árvore de maçã!

— Que legal, meu amor! Então, além de desenhar, você já está ajudando o meio ambiente. Tenho uma filha artista e ambientalista! — disse Nessie, apertando Mel num abraço carinhoso.

Enquanto as duas conversavam, Jacob subia as escadas para o quarto. Ao entrar, pegou o celular e viu uma nova mensagem de Jasper: “Rosalie foi vista próximo à escola de Mel.”

A tensão o tomou, e ele apertou o celular com força, sentindo uma mistura de preocupação e raiva. Precisava encontrar uma maneira de garantir que Rosalie não representasse perigo para sua família.