Sob o mesmo céu
29 Estou quase em casa
Notas iniciais
Quatro anos depois, a pequena Merliah corria pela casa, seus risinhos ecoando pelos corredores enquanto sua mãe, Renesmee, a chamava alegremente.
— Onde você está, Mel? — Nessie perguntou, sorrindo ao ouvir os risos da filha se misturarem com o tilintar suave de seus passos.
— Você está muito bem escondida, hein? — continuou Nessie, fingindo procurar com mais afinco.
Finalmente, ela seguiu os risinhos até a sala e encontrou Mel escondida atrás do sofá. A menina explodiu em gargalhadas quando sua mãe a pegou nos braços, cobrindo-a de beijos e carinhos.
— Aqui está minha menininha! — Nessie disse, os olhos brilhando de amor e alegria.
Colocando Mel no chão, Nessie olhou nos olhinhos brilhantes da filha.
— Hora de ir para a cama, mocinha — disse Nessie, gesticulando com as mãos enquanto falava.
Mel concordou com um aceno de cabeça, e Nessie a pegou no colo, levando-a para o quarto.
O quarto de Mel era um verdadeiro paraíso para uma criança fascinada pelo espaço. As paredes eram pintadas com um céu noturno repleto de estrelas cintilantes, e naves espaciais coloridas voavam ao redor de planetas em tons vibrantes. Um grande mural de um astronauta sorridente ocupava uma parede inteira, e o teto estava decorado com adesivos que brilhavam no escuro, transformando o quarto em um universo mágico quando as luzes se apagavam. A cama de Mel era em formato de foguete, com travesseiros e cobertores estampados com estrelas e planetas.
Nessie esperou pacientemente enquanto Mel escovava os dentes, observando a pequena com um sorriso terno. Quando Mel terminou, Nessie a ajudou a vestir o pijama de astronauta, ajustando cuidadosamente o capuz antes de colocá-la na cama.
— Boa noite, meu amor — disse Nessie, falando e usando a linguagem de sinais ao mesmo tempo.
Mel sorriu e gesticulou com as mãos — Falta falar com o papai do céu — sinalizou Mel.
Nessie sorriu orgulhosa e sentou-se ao lado da filha na cama. Mel juntou as mãozinhas e fechou os olhos, concentrada. Um minuto depois, ela abriu os olhos, pegou o porta retrato com a foto de Jacob e deitou-se na cama o abraçando, com um sorriso de paz e satisfação em seu rostinho.
— Eu te amo — disse Nessie, beijando a testa da filha.
As mãozinhas da menina se moveram falando com os gestos " Eu te amo mamãe " fazendo Nessie sorrir.
Mel fechou os olhos, adormecendo rapidamente sob o olhar amoroso de sua mãe. Nessie permaneceu ao lado da cama por um momento, observando a filha com um coração cheio de amor e gratidão. Ela saiu do quarto silenciosamente, deixando a porta entreaberta, permitindo que a luz suave do corredor entrasse e mantivesse os monstros afastados.
Após sair do quarto da filha, Nessie foi para seu próprio quarto. Os últimos quatro anos haviam sido de calmaria, um período em que dedicava todo seu tempo à pequena Mel. No entanto, nas últimas semanas, havia decidido voltar a trabalhar, um passo importante para retomar sua carreira e encontrar um novo equilíbrio em sua vida.
Vestindo seu pijama, Nessie apagou a luz do quarto e se encostou na janela, olhando para o céu estrelado. Sentia um aperto no coração, uma saudade profunda de Jacob. Pensava nele frequentemente, imaginando como ele estaria, o que estaria fazendo, e como seria tê-lo ali ao seu lado, compartilhando a criação de Mel.
— Eu me pergunto onde você está agora, Jake — murmurou Nessie para si mesma, o olhar fixo nas estrelas.
A distância e o tempo só haviam fortalecido seus sentimentos. Depois de toda a tempestade que havia passado a anos atrás, o perdão havia finamente a acalmado. Ela sabia que Jacob era uma parte essencial de sua vida, e mesmo com tudo que haviam passado, o amor por ele permanecia intacto.
— Será que você pensa em nós tanto quanto pensamos em você? — continuou, sentindo as lágrimas se acumularem nos olhos.
Ela lembrava dos momentos felizes, das promessas feitas e dos sonhos compartilhados. A dor da saudade era intensa, mas também havia uma esperança, uma crença de que um dia estariam juntos novamente.
— Mel precisa de você... e eu também — disse, a voz embargada.
Nessie suspirou profundamente, tentando acalmar seu coração. Sentiu uma brisa suave entrar pela janela, como se o próprio universo estivesse lhe oferecendo um abraço reconfortante.
— Vamos continuar esperando por você — prometeu, fechando os olhos e deixando as lágrimas caírem.
Com esse pensamento, Nessie se afastou da janela e deitou-se na cama, abraçando o travesseiro e permitindo-se finalmente adormecer, com a imagem das estrelas ainda brilhando em sua mente e a esperança de um reencontro aquecendo seu coração.
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7 dias antes...
Na estação de pouso da NASA, uma conversa intensa acontecia entre a estação espacial e a equipe de controle em terra. O piloto da nave, com a voz firme, dava as últimas coordenadas.
— Entraremos na atmosfera em aproximadamente trinta minutos — anunciou o piloto. — Tudo está sob controle. Pouso previsto para daqui a três horas.
— Copiado, piloto — respondeu a voz do controle da missão. — Procedimentos padrões confirmados. Estaremos prontos para recebê-los.
Três horas depois, o ônibus espacial pousou suavemente na pista designada. Os quatro tripulantes, três homens e uma mulher, seguiram os procedimentos padrões de desembarque. Desceram da aeronave com passos cuidadosos, ajustando-se novamente à gravidade da Terra. Após passarem por várias salas, onde assinaram documentos e verificaram seus dados biométricos, foram conduzidos à sala de recuperação.
A sala de recuperação assemelhava-se a uma enfermaria moderna, com leitos confortáveis e equipamentos médicos de última geração. Luzes suaves criavam um ambiente acolhedor e tranquilo. Ali, os tripulantes passariam o tempo necessário para que seus corpos se readaptassem às condições terrestres.
Um médico entrou na sala, com um sorriso tranquilizador. Ele usava um jaleco branco impecável e trazia um tablet com as informações médicas dos tripulantes.
— Boa tarde, equipe — começou o médico. — Vamos falar sobre alguns problemas associados a passarem anos no espaço. Pode haver perda de massa muscular, desmineralização óssea e alterações na visão. No entanto, com o tratamento adequado, em sete dias vocês estarão prontos para ir para casa.
Ele começou a examinar cada um dos tripulantes, passando por cada leito com cuidado e atenção. Quando chegou ao último, um jovem homem de aparência mais madura, o médico olhou para o tablet e depois para o homem sentado na cama.
— Black, certo? — perguntou o médico.
— Sim, sou eu — respondeu Jacob, agora com um semblante mais sério, mas com uma luz de expectativa nos olhos.
— Como está se sentindo? — perguntou o médico, observando atentamente Jacob.
— Bem, apesar das dores, estou ótimo — disse Jacob, com um sorriso que escondia a dor física, mas revelava uma imensa felicidade interna.
O médico anotou algo no tablet e assentiu.
— Isso é bom de ouvir. Vamos fazer alguns exames e logo você estará pronto para ir para casa.
Jacob suspirou aliviado. Pensou em Renesmee e Meliah, sentindo o coração bater mais rápido com a perspectiva de revê-las. A jornada havia sido longa, mas finalmente estava chegando ao fim.
O médico se afastou, deixando Jacob com seus pensamentos. Ele olhou ao redor da sala, observando seus companheiros de tripulação, todos compartilhando a mesma ansiedade e expectativa. A Terra, com todas as suas imperfeições, nunca parecera tão bela e acolhedora.
— Apenas mais um pouco — murmurou para si mesmo, com um sorriso. — Estou quase em casa.
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