Notas iniciais
Olá meus amores!!! Depois de tanto tempo venho trazer fic nova. Deixo aqui meu agradecimento especial a Morgana que me emprestou seu último sobrenome para MDM. Espero que goste da participação do carcamano nessa fic. ^^ Espero que gostem.

Em meio à grama uma figura jovem colocava todo peso de seu corpo em seus pés tentando escapar de seu perseguidor ou pelo menos o suficiente para abrir uma distancia segura para desaparecer das vistas dele. O desespero preenchia seu coração o fazendo disparar. Ela era um coelho escapando de um predador mais forte e preparado. O que havia feito para ser perseguida? Podia ouvir a risada diabólica dele atrás de si se fazendo cada vez mais e mais próxima.

Não demorou muito para que ele a alcançasse. Havia um precipício a sua frente. Uma fenda profunda cujo fundo era apenas um minúsculo ponto, uma distancia que não poderia ser vencida. A promessa infundada entre seu perseguidor e sua liberdade. Um grito se formou em sua garganta, mas não conseguiu faze-lo soar audível, estava sem folego pela longa corrida e aquele lugar era afastado demais da arena ou qualquer outra parte mais movimentada do santuário.

Estava em pânico, mas não hesitaria em lutar se fosse necessário. Ela era apenas uma serva, mas conhecia alguns fundamentos de luta. Havia aprendido ao observar seu senhor treinando com os companheiros na arena. Aguardou pacientemente pelo próximo movimento daquele homem estranho que a observava com uma expressão que irradiava fúria. Ele estava a uma distancia de um pouco mais de um metro e sua mente trabalhava a todo o vapor procurando uma saída. Ela era apenas uma presa acuada lutando para sobreviver. O fitou com surpresa ao ouvi-lo declamar uma espécie de poema, mas sua felicidade durou pouco. O alívio deu lugar ao terror quando os versos se transformaram em um cântico mais rápido e com um poder palpável mesmo a ela que não conseguia explodir seu cosmo. Uma risada nervosa escapou de seus lábios com aquele gesto. Esperava tudo menos aquilo.

A sensação de terror se tornou maior quando começou a sentir-se mais leve e seus membros começaram a formigar. Aos levantar seu braço direito para aproximar sua mão do rosto, pode ver que onde ele antes estava havia tomado uma forma desconhecida. Onde outrora era um braço, agora estava conjunto de plumas negras que se agrupavam formando uma asa imensa e completamente negra.

Seu caçador lhe sorriu triunfante quando a transformação cessou. Já não existia mais uma jovem na sua frente, mas sim um cisne completamente negro, maior que o normal que o fitava com olhos completamente vermelhos.

—Longe daqui existe um local onde pode se abrigar. Um lago em meio a um vale próximo a um antigo castelo abandonado no sudeste da Alemanha, em Sankt Kastl. –O homem deu aquelas informações casualmente como se fosse parte um repertorio que repetia incessantemente. A enorme ave agitou suas asas demonstrando sua aflição. Ele se sentia alegre por ter adquirido mais um troféu em sua coleção, ao ponto de um sorriso triunfante adornar os lábios carnudos. — Não precisa temer. Ninguém lhe fará mal lá, pelo contrario encontrará uma nova família formada por um grupo de mulheres tão insolentes como você. Talvez assim aprenda que deve se submeter à vontade dos outros quando eles lhe pedirem algo.

A ave momentaneamente parou de se movimentar. A aflição tinha dado lugar a um medo tão puro que a figura imponente em forma de um cisne se encolheu buscando se distanciar. — Devo avisa-la que deve partir imediatamente. Quando sol se por voltará a sua forma original, mas não se engane não estou sendo bondoso e muito menos generoso. Dirija-se para o norte.

Naquele instante percebeu que mais um feitiço agia sobre seu corpo. Contra sua vontade, as asas da jovem se abriram e logo a fizeram seguir em direção ao local indicado. Não sabia exatamente onde se localizava o tal castelo, apenas sabia que suas asas lhe indicariam a direção correta assim como seu coração que já não batia mais de pavor, mas sim com abnegação. Poderia Atena e seus cavaleiros irem salvar apenas uma única serva?

O que ele queria com ela afinal? As lagrimas escorriam, mas nada podia ser visto pelos que a viam planando por entre as nuvens. Ela era apenas um cisne. Um ser amaldiçoado em um pequeno corpo que não era seu.

*~v~*

A jovem não demorou muito a chegar ao seu destino. O lugar transparecia certa melancolia, dando a impressão que algo ruim havia maculado aquele solo. Ali a luz tinha dificuldade de ultrapassar a folhagem que naquele local sombrio pareciam intocados pelas mãos humanas.

—Você cobriu cerca de 2015 km em poucas horas. –Uma voz melodiosa soou no meio da clareira em que havia pousado. Apesar do terror que sentia podia jurar que a dona daquela voz não lhe faria mal. Aquele pensamento lhe ocorreu de repente e lhe deu certo alivio. – Descanse o tanto que precisar. Ninguém aqui lhe fará mal.

A jovem ainda não acreditava que havia coberto toda aquela distancia em tão pouco tempo. O céu ainda se tornava alaranjado quando chegou ao local, indicando que a noite não tardaria a cair.

—Ele me... Transformou em... –A dor na voz da nova moradora do local fez com que no meio das sombras a dona da voz que a serva tinha ouvido abaixasse a cabeça. Havia vivido muitos séculos naquele lugar de forma solitária, mas ainda conseguia se lembra do desespero que sentiu ao ser transformada em um cisne contra sua vontade. Entendia perfeitamente o que era ter seu futuro tomado com tanta brutalidade.

—Eu sei. Prometo que irei de algum modo liberta-la de seu feitiço. Agora durma tranquilamente. -A jovem tentou dizer que não queria dormir e que tudo que desejava eram respostas, mas seu atual estado lhe dizia o contrario. Suas asas pesavam tanto quanto seu corpo.

—Quem é você? – Com um sussurro a jovem perguntou, enquanto tentava lutar contra a onda de cansaço que a atingia e fazia sua cabeça pender sobre a relva.

—Sou Odille a rainha dos cisnes. Agora durma, estará protegida aqui, eu prometo.

Caminhando em sua atual forma para perto da margem do lago, a jovem fitou sua aparência uma ultima vez antes que deixasse seu corpo cair adormecido.

Como magia, assim que a lua começou a nascer, o feitiço foi desfeito dando lugar à antiga serva do Santuário. As pontas dos dedos pendiam em direção ao lago e em seu rosto havia uma paz surpreendente para alguém recém-transformada.

—Durma criança. O sono lhe devolverá a liberdade que lhe foi tirada. -Saindo das sombras, a jovem rainha foi em direção à nova companheira sendo seguida por mais outras duas jovem.

Quando percebeu que suas leais companheiras havia levado a recém-chegada para um local confortável, deixou finalmente as lagrimas escapassem formando uma trilha pelo rosto pálido.

*~v~*

O homem parecia aflito com cada palavra que ditava ao patriarca e seu conselheiro, o cavaleiro de Libra. Seu rosto estava pálido e ao falar ele agitava nervosamente as mãos, algo normal aos gregos, mas que ajudava a perceber o quanto aquela história o afligia. O que contava para muitos podia se passar por um conto da carochinha, mas para Shion, o atual grande mestre, não era. Ele sabia que o que aquele pescador lhe contava era real, pois havia um desespero terrível embutido naquelas palavras que saiam emboladas entre “po po pos“1 dramáticos.

—E foi isso que eu vi senhor.

—Sabe me dizer alguma característica do homem que viu?

—Tinha cabelos negros e era bastante alto, mas o rosto infelizmente não conseguir ver, senhor. Ouvi apenas a voz e posso afirmar que não era daqui. Tinha um sotaque estranho. E mesmo assim não conseguir ver seu perfil quando se transformou em um corvo. Era enorme! –O senhor fez um gesto com as mãos indicando o tamanho do animal que havia visto na clareira. -Peço, por favor, que encontre a moça. Eu conheço a mãe dela e sei o quanto ficará aflita.

—Farei o necessário para encontra-la.

—Obrigado! Muito obrigado!-Com uma longa reverencia o homem foi levado até a entrada do templo por Dohko que até então estava em silencio ouvindo junto ao antigo companheiro de arma. O chinês só se pronunciou quando a porta foi fechada.

—Acredita nessa história Shion?

O patriarca tinha a expressão séria. Há poucos dias atrás, havia recebido um informante que lhe contou sobre o desaparecimento de varias jovem por todo o mundo. Tinha o mandado investigar em cada um dos locais. Quando recebeu os relatórios haviam nenhum vestígio que indicasse o porque dos desaparecimentos. A policia não tinha pistas para começar a investigar. O FBI intercedeu, tomando para si os inúmeros casos, mas nada descobriram. Com isso, um dos membros do santuário que trabalhava nas investigações trouxe a Atena à questão sem solução.

Com a benção de Atena, o caso começou a ser investigado por cavaleiros de baixa patente. Alguns retornaram com relatos estranhos e um deles era bem semelhante ao trazido por aquele pescador.

A face serena do ariano se tornou uma mascara de fúria. Quando bateu seu punho com força no braço da cadeira do Patriarca.

—Sim. Ele não estava mentindo meu velho amigo. A jovem que ele descreveu, começou a trabalhar há poucas semanas atrás como serva na casa de Aries. Os informantes relataram que havia um homem com aparência semelhante nas proximidades onde as mulheres desapareceram naquele caso sem solução que foi trazido para Atena um mês atrás por Jamian, o cavaleiro de prata de corvo.

—Quem pode está por trás dessa história? Só espero que não seja mais um deus maluco. Já atingimos nossa meta nessa encarnação e na próxima.

Shion riu da fala do amigo suavizando a expressão carregada. Desde o momento em que o tratado de paz entre os deuses foi assinado depois do retorno de Zeus, houve certa paz no Santuário. Como Atena havia trago seus cavaleiros de volta, inclusive os de baixa patente, agora eles podiam ter vidas normais. Ou pelo menos foi o que o ariano pensava. Problemas diversos começaram a aparecer, desde atentados terroristas até a máfia russa. A paz tinha sido curta, afinal.

—Vai mandar alguém investigar?

—Vou. Quando esse infeliz decidiu adentrar o Santuário, desafiou a mim e a benevolência de Atena. Como Patriarca não permitirei que alguém coloque em risco mais ninguém e principalmente nossa deusa. –Se levantando a cadeira dourada, o ariano elevou seu cosmo chamando a elite dourada até o décimo terceiro templo. — Já tenho um grupo em mente.

*~v~*

Na arena o treino corria normalmente, mesmo naquele tempo de paz. Naquele dia Shaka de Virgem era quem presidia os empates, um modo encontrado para que ninguém ultrapassar os limites.

Mu e Aldebaran trocavam chutes no canto esquerdo da arena. Quem visse a cena diria que o lemuriano estava em desvantagem, mas o que acontecia era exatamente o contrário. O ariano defendia com graça os golpes do companheiro os revidando de maneira precisa.

Do lado esquerdo Mascara da Morte e Afrodite, trocavam “caricias” como diziam os demais. Para tristeza do italiano, alguém havia conseguido tirar o pisciano do sério aquela manhã a ponto dele descontar no amigo o que lhe fizeram. O pisciano disparava suas rosas para cima do canceriano de maneira tão uniforme, que ele já não conseguia contar quantas vezes tinha sido atirado longe.

Outro que estava com dificuldades era Miro, que por varias vezes quase teve uma ou outra parte do corpo congelada por Kamus. O aquariano não estava para brincadeiras e com nenhum humor para aturar a sonolência do companheiro, por causa de uma de suas noitadas.

Perto dali, Shura e Saga, se enfrentavam corporalmente. O mais velho levava certa vantagem, já que lutava mais a sério do que o companheiro, que tinha acompanhado o escorpiano e Kanon em uma excursão noturna ao bar Poncho.

No centro da arena Aiolia e Aiolos relembravam os tempos em que juntos treinavam. Provavelmente era a dupla cuja luta estava mais descontraída, já que vez ou outra era possível ouvir risos vindos da direção em que ambos treinavam.

Kanon, irmão mais novo de Saga, lutava contra Shaka aquela manhã. Ambos trocavam socos e chutes, o que era algo considerado estranho para aqueles que conviviam há tanto tempo com o virginiano. O indiano que quase nunca treinava junto aos companheiros preferindo se refugiar em Virgem, tentava com sucesso se misturar mais aos companheiros. Já fazia cerca de um ano que tinham voltado à vida e qualquer rixa que existia entre eles havia sido posta em pratos limpos em uma batalha que quase derrubou o que havia sobrado das doze casas. Havia sido a única luta entre eles que fora permitida por Atena. Uma forma de resolver pendencias de modo rápido e duradouro.

Todos estavam concentrados em suas lutas até o momento em que o cosmo do patriarca cobriu a arena, chamando-os.

—Será que Shion deve ter ouvido sobre a excursão deles? -Aldebaran perguntou a Mu apontando para os companheiros que se esticavam com certa má vontade.

—Não sei, mas é estranho. Acredito que se fosse para passar o sermão, meu mestre teria chamado apenas eles e não todos nós.

—Ou talvez ele queira dar uma lição em conjunto, Mu. –O lemuriano assentiu com a cabeça.

*~v~*

A caminhada havia sido feita de maneira rápida, pelo menos para aqueles que não se encontravam doloridos e com ressaca. Todos os doze rapazes trajavam suas armaduras. Kanon usava sua escama de dragão marinho, o que indicava a todos a aliança formada entre Atena e Poseidon.

Por mais que não demonstrasse, aquilo incomodava o general. Era como se dissessem que ele deveria ser um exemplo ao demais, o que de fato o geminiano não era e nem queria ser em totalidade.

Shion estava sentado no trono do patriarca com Dohko ao seu lado quando os rapazes entraram. O grande mestre fitava o elmo depositado sobre seu colo pensando em uma época remota, onde ele era como um dos cavaleiros a sua frente.

—Senhor, qual é o motivo para ter nos chamado até aqui?-Aiolos perguntou solenemente, sendo o intermediário do grupo.

—Irei escolher alguns de vocês para uma investigação. Recebemos informações que mulheres desapareceram sem deixar vestígios de vários lugares ao redor do mundo. Hoje chegou até mim o sumiço de uma serva. -Um burburinho preencheu a sala, mas logo foi controlada pelo libriano.

—Quem é a serva desaparecida? Servia a alguma casa?–Perguntou Shura com uma expressão vazia que não demonstrava nada para quem o visse. Apesar disso, o ariano conseguia ler a raiva borbulhando abaixo da superfície do rosto do espanhol.

—A serva era responsável por Aries.

—Helena!- Mu parecia branco como papel. A jovem havia começado a trabalhar na casa de Aries há poucas semanas, mas apesar disso já tinha com Kiki uma afinidade surpreendente. Aldebaran colocou uma mão no ombro do companheiro para tentar acalma-lo.

—Isso é um insulto! – A voz de Aiolia preencheu o silencio que havia caído sobre a sala.

—Aiolia tem razão. –Milo pronunciou seu apoio fazendo os cavaleiros ainda em choque concordarem com um mover de cabeça.

—De fato. É por esse motivo dividirei vocês em dois grupos. Um ficará e protegerão as doze casas e os outros irão até a Alemanha investigar. Peço que os nomes daqueles que forem chamados deem um passo a frente. Afrodite.

O cavaleiro de peixes deu um passo a frente e jogando os longos fios azuis, colocou uma rosa vermelha entre os lábios e novamente se ajoelhou.

-Mascara da Morte, Mu. –Ambos cavaleiros se levantaram juntos e assim se ajoelharam cada de um lado do pisciano.

— Aiolia, Milo e Saga. –O trio ocupou seu lugar no espaço que restou entre os companheiros de arma. Os demais se levantaram um a um e respeitosamente deixaram o décimo terceiro templo. –Vocês partiram amanhã antes do nascer do sol, com destino a um pequeno vilarejo na região sudeste da Alemanha.

*~v~*

O sol já estava no céu quando a jovem acordou. No inicio nem lembrar-se do acontecido, até ver seu próprio reflexo na água próximo ao local que havia sido colocada.

—“Não foi um pesadelo. Eu sou mesmo um cisne!” –A jovem pensou entrando em desespero. Olhando para si mesma, deixou que as lágrimas escapassem dos olhos, ou pelos mesmos foi o que ela imaginou. Os cisnes teriam glândulas lacrimais? Ela não sabia, mas não conseguia ver nada escorrendo de seus olhos vermelhos.

Depois de fitar por alguns minutos seu próprio reflexo, ela começo a observar o lago a sua volta. Mesmo no inicio da manhã, o lugar ainda era um tanto sombrio. As arvores e a grama alta rodeava quase todo o local, com exceção da margem onde havia pousado no dia anterior.

De forma desajeitada, Helena entrou na água do lago. Foi como se soubesse nadar sua vida inteira. Apesar de ter nascido em Rodorio, onde existiam alguns rios e cachoeiras próximas, ela nunca havia aprendido a nadar como as outras crianças.

Havia passado a maior parte de sua vida trabalhando no Santuário. Tinha visto os moradores locais rezando pelos guerreiros de Atena quando o céu se tornou negro por causa de Hades. Observou a alegria em cada rosto, por Atena ter conseguido vencer, mas também notou as lágrimas de tristeza pela morte daqueles que deram suas vidas pela paz, ela havia sido um deles. Depois de dias de luto, viu cada morador festejar com cânticos aos deuses quando Zeus permitiu que eles retornassem ainda mais brilhantes. Agora estava ali em meio aquele lugar desconhecido e sem esperanças. Tentavam ter fé que seus guerreiros iriam salva-la, mas ao ver seu estado não sabia mais dizer o que sentia.

Vendo aquele numero de cisnes nadando ao seu redor, Helena se assustou ao ver um grupo deles se aproximar. No topo de sua cabeça de um deles era possível ver uma coroa. Suas penas lustrosas pareciam brilhar a paca luz. Junto a si, outros dois cisnes totalmente brancos nadavam ao seu redor como damas de companhia. Mas ela apenas percebeu quem era ela quando ouviu sua voz melódica soar em seus ouvidos.

—Como está?

—Bem senhora. –Helena tentou lembrar do nome da companheira, mas não conseguia se lembrar.

—Odille. Pode me chamar pelo nome. Estas são Marie e Maeve. Elas foram as primeiras a chegar aqui e poderão ajuda-la se necessitar de auxilio. –Ambos os cisnes abriram as asas no que pareceu ser um sim.

—Porque estou aqui? O que fiz para isso?-O silencio pareceu um véu espeço caindo sobre o lago.

—Você não fez nada. Quanto a sua outra pergunta, não sei responder ao certo, mas creio que seja por minha culpa.

—Eu não entendo senhor... Odille. O que isso significa?

O som de asas fez com que o grupo da jovem rainha olhasse ao redor. Um cisne negro, um pouco menor se aproximou com rapidez, demonstrando urgência.

—Minha senhora! É mais um cisne e está ferido.

—Terminaremos em outro momento nossa conversa...

—Helena senhora.

—... Helena.

Odille abriu as enormes asas e pegando impulso de forma desconjuntada2, partiu sendo seguida de suas companheiras, deixando Helena ainda mais assustada.

*~v~*

As investigações feitas pelos olheiros do Santuário havia levado o grupo de santos para uma pequena aldeia. Sankt Kastl 3 ainda guardava na fachada de suas casas lembranças de um tempo remoto, que para Mascara da Morte, fazia o local parecer ter saído de um comercial de cerveja.

A Igreja de St. Kastulus foi o primeiro monumento que o grupo de rapazes avistou ao chegarem. Havia no local apenas uma pousada para peregrinos que apesar de ter sido construída 1925, ainda recebia turistas vindos de todos os cantos do mundo.

Dividindo uma mesa os rapazes esperavam Afrodite, que ainda não tinha terminado de se arrumar, para então fazerem seus pedidos.

— Cazzo! Cadê o Afrodite?-Mask observava os pedidos dos turistas que enchiam a pousada naquela época do ano, com um olhar desejoso. O rapaz parecia que em breve roeria os pés da mesa, se o companheiro demorasse mais.

—Estou aqui seu italiano apressado. –O canceriano olhou feio para o companheiro e fez um gesto que indicava que não queria discutir o assunto. –Andei conversando com alguns funcionários.

—Descobriu alguma coisa?- Milo perguntou entusiasmado, enquanto Saga sentado ao seu lado tentava chamar um garçom para servi-los.

—Não muito. A aldeia tem mais de quinhentos anos e foi construída próximo as ruinas de um castelo medieval.

—E que isso tem haver com isso?-Aiolia perguntou parando de brincar com o paliteiro que estava em cima da mesa.

—Bem pelo que pude entender, no passado houve aqui um grande reino em que o príncipe herdeiro devia se casar com uma moça na região e...

—Pule a parte romance de banca de jornal e se atenha aos fatos, esta bene?

—A questão é houve uma enchente que destruiu parte do reino e na região existe uma lenda que se encaixa no caso, Giovanni Argenta. –Afrodite falou pausadamente o nome inteiro companheiro por implicância.

—Não me chame desse jeito, Cazzo!

—Giovanni, Giovanni, Giovanni!

—Por favor, vamos nos ater aos fatos!- Mu tentou intervir, antes que as coisas piorassem.

—Ora seu figlio di puttana!

—Vai fazer o que caranguejo de praia?

—Basta! – O geminiano deu um soco na mesa, fazendo os dois cavaleiros briguentos finalizarem a discussão e os outros companheiros olharem assustados para o mais velho. Mesmo que Saga tivesse deixado para trás os trajes de patriarca, ele ainda tinha o respeito dos companheiros. Mesmo entre aqueles cuja relação não era flores. – O que mais descobriu Dite?

O pisciano jogou parte do cabelo para trás fazendo Aiolia e MDM revirarem os olhos, para então sentar. Arrumando o guardanapo no colo sobre o olhar nada amigável de Saga, o cavaleiro continuou.

—A jovem pareceu não saber muito sobre a história, mas ela me disse que os avos dela devem saber explicar melhor. Parece ser algo bem antigo, talvez um tanto cheia de furos, mas se certo modo algo que acredito que deva ser investigado.

—Intuição feminina eu suponho.

Assim se iniciou outra discussão para pesadelo de um geminiano com nenhum pouco de bom humor.

Notas finais
1- “po po po” ”(πω πω πω) em grego é uma mania típica dos gregos que podem indicar tanto alegria como tristeza dependendo do tom utilizado. 2- Apesar de serem considerados graciosos, os cisnes tem certa dificuldade em alçar voo e pousar por causa de seu peso que chega, dependendo da espécie, por volta de 11 ou 12 quilos. 3- Sankt Kastl é uma aldeia no município Reichertshofen, na Alemanha. O local é constituído por três propriedades agrícolas, um restaurante e dois edifícios da igreja. Não há um local certo na história original que essa fic foi baseada, apenas o nome do país onde foi criada. Por causa disso escolhi esse local para se passar a história. Existem poucas informações no Google, portanto grande parte da aparência do local foi criado por base de fotos e por causa das imagens que ilustram o teatro durante as apresentações de Lago dos Cisnes. Portanto algumas informações não condizem verdadeiramente com a realidade do lugar (ou eu assim creio). Alguns locais como a igreja de St. Kastulus realmente existem.