Sob o Mesmo Luar
3 Lobo
No silêncio que caiu na pequena sala depois de suas palavras, Ember sustentou o olhar do homem diante dela. Seus olhos impossivelmente azuis brilhavam sutilmente. Havia presas saindo de seus lábios entreabertos e garras em seus dedos, mas sua aparência permanecia distintamente humana.
Portanto, um lobo nascido.
Por outro lado, sua pele estava coberta de ferimentos e manchas de sangue. Os cabelos negros estavam grudados à testa, úmidos de suor. Ele era grande, muito maior do que ela, com músculos bem definidos, mas o modo como se apoiava contra a parede deixava claro que não tinha forças para sustentar o próprio peso.
Ele seria lindo se não parecesse meio morto.
“Há quanto tempo está aqui?”
A pergunta escapou antes que sua mente registrasse as palavras. Porque, para um lobo nascido estar naquele estado, algo muito grave deveria ter acontecido. Ou ele estava preso havia muito tempo, ou a tortura era muito mais intensa do que ela queria imaginar. E isso tornava ambas as opções horríveis por motivos diferentes.
Ele a encarou por um momento, como se estivesse puxando a informação da memória, antes de parecer desistir.
"Não faço ideia. Que dia é hoje?"
"Quinta-feira, vinte e um de maio."
"Então, pouco mais de um dia."
Ember fez uma careta. Definitivamente a tortura tinha sido intensa se, em tão pouco tempo, os caçadores o haviam deixado naquele estado.
"Eles fizeram um número com você."
Um bufo sem humor foi a resposta ao comentário.
"Como eles te pegaram? Foi dentro da cidade?"
Já era ruim ter caçadores dentro dos limites de Alethea’s Grove. Seria ainda pior se estivessem caçando dentro da cidade sem que qualquer um soubesse. As regras existiam por um motivo.
Novamente ele a observou. Desta vez, parecia debater internamente quanta informação poderia revelar. Obviamente, não confiava nela, e tudo bem. Afinal, o sentimento era mútuo. Mas o que esperava que Ember fizesse com aquela informação? Contar aos caçadores que a haviam prendido ali dentro com um werewolf, mesmo acreditando que ela fosse realmente humana?
"Eu parei para abastecer o carro. Estava cansado de dirigir durante horas. Quando percebi algo errado, já era tarde demais. Um dardo com wolfsbane no meu pescoço foi tudo o que precisaram."
Ember fez outra careta ao ouvi-lo. Como bruxa, havia muito pouco que os caçadores pudessem fazer contra ela. Para muitas outras espécies sobrenaturais, porém, a história era bem diferente. E os idiotas pareciam ter uma fixação em perseguir metamorfos, independentemente do tipo. Lobos, fossem nascidos ou mordidos, estavam no topo da lista.
“Então os cretinos estavam mesmo caçando dentro da cidade. Bastardos sorrateiros.” — Resmungou, finalmente observando melhor a cela onde a jogaram.
Pequena, sem janelas e suja. Ao avistar a pia e o vaso sanitário, ficou ligeiramente aliviada, embora não houvesse qualquer divisória separando o banheiro do restante do cômodo. Pelo menos haveria uma forma menos mortificante de se aliviar quando precisasse.
Um pequeno gemido puxou sua atenção de volta para o companheiro de cela. Parecia que ele havia tentado mudar de posição e algum dos inúmeros ferimentos não tinha colaborado. A julgar pela maneira como mantinha uma mão trêmula contra o lado esquerdo da caixa torácica, Ember apostaria que tinha, no mínimo, algumas costelas fraturadas. E, pela quantidade de sangue manchando a pele pálida — parte dele já formando crostas sobre os cortes —, ele claramente não estava se curando como deveria.
E ele havia mencionado wolfsbane. Ember resistiu a um estremecimento. Ela sabia o que a maldita planta podia fazer com um lobo. Não era de se admirar que o pobre rapaz estivesse naquele estado.
“Suas costelas?” — Indagou fixando o olhar onde ele mantinha a mão, sem ousar se aproximar. Ela sabia melhor do que encurralar um predador ferido.
Ele desviou o olhar dela para o próprio abdômen por um instante, antes de voltar a observá-la. Ember manteve a postura aberta, inofensiva, tanto quanto alguém da sua espécie poderia ser.
“Algumas.”
Sua voz não chegava a ser arrastada, mas era óbvio que ele estava com dificuldade para respirar e sentia muita dor.
“Posso me aproximar? Quero ver seus ferimentos.”
Ele estreitou os olhos, ainda muito azuis, para ela. Suas narinas se dilataram sutilmente enquanto ele usava os sentidos extras para analisar além de suas palavras. Ember apostaria que ele também estava prestando atenção nos seus batimentos desde que entrou na sala.
“Por quê?” — A pergunta carregava doses iguais de desconfiança e curiosidade.
Ember arqueou uma sobrancelha para a questão, honestamente ridícula.
“Você está ferido e não parece estar se curando como deveria. Além disso, caso não tenha percebido, você está sangrando no chão.” — Esclareceu, apontando para a pequena poça escura se formando sob seu corpo.
Ele acompanhou o gesto, notando a mancha crescente sobre o piso de concreto.
“Ah.”
“Vai me deixar ajudar?”
Pela expressão em seu rosto pálido, ele não gostava muito da ideia.
“Você sabe tratar ferimentos?” — Indagou por fim.
“Sei o básico. Mas é melhor do que deixar você sangrando.”
E, de fato, ela sabia o básico de primeiros socorros. Só porque ela não se feria facilmente não significava que as pessoas ao seu redor — ou seja, Theo -, não se machucassem.
Ele apertou os lábios. Os dedos da mão que não segurava as costelas se contraíam sobre a perna, como se quisesse fechá-los em um punho, mas as garras o impediam. Ember não era um poço de paciência, mas até ela sabia reconhecer quando uma pessoa precisava de tempo para processar a situação. Infelizmente, tempo não era um luxo do qual seu companheiro de cela dispunha. Seus ferimentos precisavam de cuidados, ou ele corria o risco de perder mais sangue do que seu corpo poderia suportar. Ambos sabiam disso.
Também era óbvio que ele não queria aceitar a ajuda de uma estranha. Compreensível. Porém, ele não parecia capaz de cuidar dos próprios ferimentos. Algo que, sem dúvida, devia ser frustrante.
"Ok." — Parecia lhe doer dizer aquela única palavra.
"Ok?"
"Você pode se aproximar." — Esclareceu com os dentes cerrados.
Ember assentiu.
"Obrigada."
Ela deu o primeiro passo em sua direção.
"Só não faça movimentos bruscos."
Ember resistiu a vontade de revirar os olhos.
"Eu estava planejando correr em círculos.”
Ele a encarou, as sobrancelhas franzidas.
"Estou falando sério."
"Eu também."
Eles se observaram por mais um instante, antes que ele lhe desse um pequeno aceno de cabeça.
Ember se moveu devagar, mantendo os gestos visíveis para o lobo. Com cuidado, ajoelhou-se perto dele. Não tão próxima a ponto de fazê-lo se sentir pressionado, mas o suficiente para conseguir examinar melhor os ferimentos que cobriam seu tronco.
De perto, podia ver que a maioria dos cortes parecia ter sido feita com precisão cruel: fundos o bastante para causar dor, mas superficiais o suficiente para não provocar um sangramento excessivo. Todos, exceto um. Esse era maior e havia perfurado mais profundamente a carne. Ficava próximo ao osso do quadril esquerdo e, mesmo enquanto observava, o sangue ainda fluía do corte, indo se juntar à pequena poça no chão.
Ember prendeu a respiração por um instante. Aquilo não era um simples ferimento superficial. A lâmina havia atravessado a pele e aberto a carne de maneira irregular, deixando uma área que claramente precisava de cuidados muito além do que ela poderia oferecer com as mãos vazias.
“Esse aqui foi realmente profundo.” — Observou, ainda sem tocar.
“Bastardo chegou muito perto e quase perdeu o nariz.” — Havia um misto de orgulho e diversão na voz cansada.
Ember sorriu igualmente divertida. Antes de se lembrar que o resultado da retaliação do caçador era um corte ainda sangrando.
“Isso não vai parar sozinho.”
Ele soltou um som baixo, quase um grunhido. A diversão havia sumido.
“Eu percebi.”
Ember ergueu os olhos para ele.
“Preciso pressionar.” — Era tanto um aviso quanto um pedido por permissão.
Ele ficou imóvel, seu olhar fixo em seu rosto.
“Vai doer.” — Alertou.
“Eu sei.” — Havia um mundo de significado por trás daquela afirmação.
Ela apoiou uma das mãos ao redor do ferimento, tomando cuidado para não tocar diretamente na área aberta.
“Pronto?”
Ele cerrou os dentes o melhor que conseguiu com as presas salientes.
“Faça.”
Ember pressionou.
O corpo dele reagiu antes que pudesse impedir. Os músculos do abdômen se contraíram, e as garras se enterraram no concreto. Um som áspero vibrou em sua garganta, mas, ainda assim, ele não se afastou.
“Desculpa.”
“Não precisa.” — Sua voz era um sussurro áspero, sem fôlego.
“Eu literalmente acabei de apertar um ferimento aberto.”
“E está impedindo que eu sangre até morrer.”
Ember fez uma careta.
“Quando você coloca assim, parece uma ótima ideia.”
Os olhos azuis dele encontraram os dela. Por um segundo, havia alguma coisa quase divertida naquele olhar. Então passou.
Ember manteve a pressão. Ela gostaria de poder usar sua magia para ajudar na recuperação dele, mas temia que os caçadores percebessem caso fizesse algo. Felizmente, após alguns minutos, o sangramento começou a diminuir lentamente.
“Está parando.”
Ele soltou o ar devagar.
“Obrigado.”
Ela ergueu os olhos, seus cinzentos encontrando os azuis dele.
“De nada.”
O silêncio voltou a ocupar a pequena sala. Ember aproveitou para observar os outros ferimentos. Havia marcas nos braços, no peito e no abdômen. Algumas pareciam antigas o bastante para já estarem começando a fechar. Outras eram recentes. E havia marcas que não pareciam ter sido causadas por lâminas. Pequenas queimaduras. Algumas mais profundas.
Ember sentiu o estômago embrulhar. Ela já tinha ouvido histórias sobre o que caçadores faziam com criaturas capturadas. Nunca havia precisado ver aquilo de perto. Agora estava vendo.
“Eles fizeram isso com você?”
Ele não respondeu. Não precisava. A expressão dele era resposta suficiente. Ember desviou o olhar por um instante.
“Certo.”
Pegou a barra da própria blusa e rasgou uma pequena tira do tecido. O barulho pareceu mais alto do que deveria na pequena sala fechada. O lobo a observava com as sobrancelhas franzidas.
“O que está fazendo?”
“Improvisando, já que não temos, sabe, bandagens.”
Suas palavras lhe renderam uma careta.
“Pressione isso contra o ferimento.”
Ela ofereceu o tecido. Ele olhou de seu rosto para o pedaço de pano por um momento antes de obedecer.
Ember então passou os olhos novamente pelo corpo dele. Ele parecia mais pálido, definitivamente mais suado do que antes. E sua respiração estava irregular, superficial. Ela franziu a testa.
“Você está piorando.”
“Perceptiva.” — Ele bufou por entre os dentes.
Ember lançou-lhe um olhar irritado, antes de sentar-se um pouco mais próxima, mantendo os movimentos lentos.
“Consegue respirar fundo?”
“Devo ter duas, talvez três costelas fraturadas, então, não.”
“Como sabe?”
Ele desviou o olhar.
“Estava estudando para ser paramédico.”
E não era isso uma revelação? Um lobo que queria ajudar humanos sendo torturado por caçadores. Era o tipo de ironia que não tinha graça nenhuma, que só servia para mostrar o quanto o mundo podia ser injusto.
“Certo. Então nada de respirações profundas.” — Murmurou para si mesma, após um momento de silêncio tenso.
A respiração curta, a palidez, o suor, a perda de sangue. Quanto mais detalhes ela catalogava, menos gostava da situação. Se a wolfsbane estava impedindo sua recuperação natural, ele precisaria ser tratado como um humano. E naquela cela não havia praticamente nada com que ela pudesse trabalhar.
“Você já deve saber disso, mas precisa ficar o mais imóvel possível. E tentar não desmaiar.”
Sua resposta foi outro bufo sem humor.
“Há quanto tempo você não come?”
Como quando ela perguntou sobre o tempo dele naquela cela, ele parou por um momento, como se estivesse puxando a informação da memória. Pela expressão em seu rosto ela já sabia que não iria gostar da resposta.
“Não sei. Mais de vinte e quatro horas com certeza. Eles não parecem dispostos a desperdiçar comida com o saco de pancadas. É uma surpresa que tenha água.”
Ember fechou os olhos por um segundo. Aquilo era muito pior do que ela tinha imaginado.
“Me deixe ver se o sangramento parou.”
Desta vez ele não hesitou, retirou a mão do caminho com um leve estremecimento.
Havia uma mancha escura no tecido, mas o sangramento tinha essencialmente parado. No entanto, de nada adiantaria estancar o ferimento se os caçadores o pegassem novamente. Era extremamente duvidoso que ele sobrevivesse a outra rodada de tortura, ainda mais se ele voltasse a sangrar.
Ember olhou para a porta. Depois para o lobo.
“Preciso tirar você daqui.”
Ele ficou completamente imóvel.
“O quê?”
“Você ouviu.”
“Você sabe quantos caçadores tem lá fora?”
“Vi cinco antes de me jogarem aqui com você.”
“Foi o número que contei.” — Havia um toque de surpresa em sua voz.
“Também sei onde estamos.”
Agora o toque de surpresa estava estampado em seu rosto pálido.
“Ainda acha que não consigo te tirar daqui?”
Ele soltou um suspiro que quase pareceu uma risada.
“Você sempre toma decisões assim?”
“Não.”
“Não?”
“Às vezes tomo decisões piores.” — E ela não estava brincando.
Ele fechou os olhos, exaustão pesando suas belas feições.
“Claro.”
Ember voltou a olhar para a porta, desta vez concentrando-se em si mesma. Desde que entrou naquela sala, sua magia estava estranha. Ela não havia dado muita atenção àquilo antes; havia coisas demais disputando sua atenção. Sua magia sempre fora inquieta — uma pressão familiar sob a pele, uma sensação constante de energia procurando uma saída. Mas agora... Estava mais fraca. Muito mais fraca.
Ember franziu o cenho. Olhou para as próprias mãos, manchadas de sangue. Depois para o lobo — ainda encostado na parede, respirando com dificuldade.
Não. Devia ser apenas impressão. Talvez a adrenalina estivesse mascarando a sensação.
Ou talvez...
Ember aproximou a mão alguns centímetros dele sem tocar. A pressão de sua magia diminuiu outra vez. Ela congelou, seu coração acelerando no peito.
Ele abriu os olhos.
“O que foi?”
Ember retirou a mão. A inquietação voltou. Ela tentou novamente, todo o seu foco voltado para dentro de si, em sua magia. Aproximou a mão.
Silêncio.
A magia dentro dela aquietou-se. Não desapareceu. Não foi drenada. Apenas… parou de lutar. Ember ergueu o olhar para o dele.
O lobo franziu o cenho. Seus olhos observando seu rosto, seus movimentos. Ele definitivamente tinha todos os sentidos focados nela.
“O quê?” — Havia um toque de confusão em sua voz.
Ela não respondeu, não sabia o que dizer. Porque, pela primeira vez em anos, Ember estava diante de algo que não conseguia explicar. Ela era uma bruxa nascida, ela conhecia magia. Conhecia as regras que governavam o mundo do qual, como uma criatura sobrenatural, fazia parte. Mas nada daquilo explicava o que estava acontecendo. O que ela estava sentindo.
E isso era muito mais assustador do que qualquer coisa que os caçadores pudessem fazer.
Ember afastou a mão e se obrigou a voltar ao que importava. Haveria tempo para descobrir aquilo depois. E ela se certificaria de que houvesse um depois. Ela olhou novamente para a porta, e então para o lobo que ainda a observava atentamente.
“Sabe, eu ainda não sei seu nome.”
E agora que pensava nisso era até engraçado, ela já havia decidido tirá-lo daquela cela e para ela ele ainda era o lobo.
A confusão se aprofundou um pouco em sua expressão, mas, pela forma como ele a encarou, também devia ter percebido a estranheza da situação. Ele desviou o olhar por um instante, como se estivesse se perguntando o quanto revelar outra vez.
“Eu sou Ember.” — Ofereceu como um sinal de boa vontade.
“Cassian.”
“Eu diria prazer em conhecê-lo, mas preferia que nenhum de nós se encontrasse neste tipo de situação. Se você fosse um cliente do antiquário entrando para comprar alguma coisa, talvez eu até te desse um desconto.”
Dessa vez havia humor por trás daquele bufo.
“Você por acaso sabe o que os caçadores querem com você?”
O brilho divertido desapareceu enquanto ele voltou o olhar para a porta que os separava da liberdade.
“Não.”
Havia alguma coisa naquela resposta. Não exatamente uma mentira. Mais como alguém que não queria chegar perto demais da resposta.
“Por mais que eu saiba que existem alguns bastardos doentes que capturam criaturas sobrenaturais só pelo prazer de torturá-las... talvez não seja esse o caso. Podem querer informações. Talvez sobre a sua matilha.” — Insistiu.
Ele desviou o olhar outra vez.
“Não. Eles não estão…” — A voz falhou por um instante. — “Minha matilha se foi.”
Ember não era ingênua para não perceber o peso por trás daquela frase.
Ela deixou o silêncio se instalar por alguns instantes, sua mente correndo solta tentando entender o porquê daquilo tudo parecer estranho. Então seus olhos focaram uma vez mais nos dele.
Azuis.
Ela já tinha percebido a cor, não era algo normal. Mas era algo que ela conhecia dos livros, dos registros antigos e das histórias que crescera ouvindo.
“Seus olhos.”
Ele franziu o cenho.
“O quê?”
“São azuis.”
“Eu sei.”
“Não desse jeito.”
O silêncio que veio depois foi diferente. Ember inclinou levemente a cabeça, estudando-o.
“Lobos, nascidos ou não, podem manifestar olhos dourados ou vermelhos durante a transformação, seja ela parcial ou completa. Mas essa cor é... incomum.”
Não houve resposta. E isso, por si só, já era uma resposta.
“É por isso?” — Ela perguntou.
“Por isso o quê?”
“Por seus olhos.”
O maxilar dele se contraiu.
“Não sei.”
Ember sustentou o olhar.
“Você não sabe ou não quer me contar?”
“Eu não sei.”
Ela não insistiu mais, porém a suspeita permanecia. Porque havia uma diferença entre capturar um lobo e caçar algo raro. E aqueles homens não pareciam tê-lo encontrado por acaso.
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