Sob o Céu da Bretanha
38 Capítulo 38
Notas iniciais
Nimue sentiu as fortes vibrações vindas do mundo das fadas e finalmente suavizou seu semblante quando tudo acabou. Estava há horas olhando para o mar de verão, concentrada nas energias vindas do outro plano, mas agora poderia voltar à Casa das Moças e descansar.
A nobre se surpreendeu com a chegada de uma barca portanto apenas um passageiro por entre as brumas sagradas. A silhueta logo se fez clara, à medida em que se aproximou da costa e Nimue mal conteve a sua alegria quando viu de quem se tratava.
Em meio a roupas enxovalhadas, Connor se apoiava em um cajado; aparentava estar bem mais velho e magro. Nimue foi rapidamente ajudá-lo a sair da barca, surpreendendo-se ainda mais com as mudanças do seu amigo.
– Connor, é você? Não podia estar mais diferente!
– Passei por muita coisa para conseguir chegar, Numue; mas finalmente recebi das mãos da própria Eda, o título de Merlim; além disso, como pode ver, ela ajustou minha aparência para uma idade mais adequada a um mensageiro dos Deuses.
– Entendo, você parece mesmo ter envelhecido uns anos... mas você disse que a própria Eda lhe deu o título; é estranho, ela deveria estar ocupada...
– Depois de ser nomeado, festejamos por dias no país das fadas, a propósito, podia jurar que vi o Grande Rei nas festividades; mas creio ter sido só impressão. Quando resolvi voltar para este plano, vi-me deitado nessa barca à deriva no mar de Verão; aí tomei rumo para cá.
– Então você é o novo Merlim! Que felicidade, meu amigo... Temos muito o que conversar, mas por hora, você precisa descansar e comer alguma coisa. Vem, te acompanho até a Casa dos Bardos!
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Artur acordou em sua cama, nos aposentos reais de Camelot. Quando sua visão finalmente se firmou, o Rei pôde ver Lancelot a seu lado com um olhar preocupado e uma tipoia prendendo o braço esquerdo.
– Lance?!
– Artur, graças a Deus você está bem!
– O que aconteceu?
– Você desmaiou no meio de uma reunião com os camponeses e passou o dia inteiro inconsciente...
– Perguntei sobre você, meu anjo... Está ferido?
– Estava cavalgando para cá e inexplicavelmente desmaiei em cima do cavalo; se não fosse a escolta de Avalon, ainda estaria caído nas pedras...
– Foi minha culpa, então... Perdoe-me!
– Como assim?
– Você já tem uma noção do que aconteceu em Avalon e que eu doei parte da minha energia vital para te salvar... Mas isso vai afetar o resto da sua vida como um todo... Resumidamente, tudo o que acontecer comigo vai repercutir em você. Provavelmente você desmaiou ao mesmo tempo que eu. Mesmo antes de realizar esse encantamento, eu já sabia que isso te prejudicaria de algum modo, mas não havia outro jeito... Não havia!
– Então estamos ligados para sempre e essas marcas em nossos corpos mantêm o encanto ativo – disse Lancelot, tocando o símbolo do sol marcado a ferro no Grande Rei, que tinha os olhos mareados — Uma vez já ouvi minha mãe falar sobre isso, por alto. Creio que não há melhor destino para mim do que estar ligado a ti, meu senhor; quando você se for desse mundo, Artur, não haverá nenhuma outra razão para minha existência... Ir com você para onde você for é minha sina; fazer isso por mim foi a maior prova de amor que tu poderias ter me dado! Só fiquei preocupado com sua saúde... Desmaiar sem mais nem menos assim não é do seu feitio; sempre foste forte como um garanhão espanhol...
– Estou bem, não se preocupe mais, Lance!
Lancelot inclinou-se e beijou castamente os lábios do seu Rei; antes mesmo do duque se afastar, Artur aprofundou o beijo, fazendo com que Lancelot deitasse junto a si na cama.
As mãos habilidosas do Grande Rei percorriam todo o corpo do seu vassalo ao mesmo tempo em que retirava suas roupas, uma a uma. Quando o Grão-duque já se encontrava totalmente despido, Artur começou a trilhar com beijos cada parte do corpo do seu amante, evitando cuidadosamente o braço injuriado.
Sem perder o contato visual por nem um segundo sequer, o soberano da Bretanha começou uma felação profunda e intensa no seu duque. Lancelot estava paralisado pelos orbes azulados que o fitavam; o prazer que estava sentindo era inenarrável, poderia facilmente deixar-se chegar ao ápice naquele momento, todavia, não deixaria jamais o seu amante desassistido.
Conduzindo-o gentilmente, Lancelot iniciou a penetração de forma lenta e gradual, sempre atento a qualquer reação de desconforto que Artur pudesse esboçar.
Depois de alguns momentos parado, Lancelot percebeu que Artur estava pronto e começou a movimentar-se, de início, lentamente para só depois aumentar a velocidade e a energia posta em cada investida.
A expressão de Artur era magistral; com certeza ele era o homem mais belo que Lancelot já vira; o corpo forte e perfeitamente trabalhado por anos de combates combinados com aqueles cabelos loiros e olhos azuis ao mesmo tempo angelicais e experientes, davam ao seu Rei um ar senhorial, uma elegância nata praticamente impossível de se copiar.
O som grave dos seus gemidos aumentava a cada investida e incendiava ainda mais o desejo de Lancelot, que começara a estimular Artur no mesmo ritmo de suas estocadas. O Grão-duque não conseguiu se segurar mais e explodiu em prazer, derramando-se por inteiro dentro do seu Rei. Artur não resistiu por muito tempo e rendeu-se aos toques do seu amante, chegando ao mais profundo êxtase pouco tempo depois.
Os dois ficaram um bom tempo presos no estado de pós-clímax e o Rei notou que Lancelot estava totalmente relaxado.
– Não sabes como me faz feliz te ter de volta!
– Não há nada melhor que estar a seu lado, meu Rei.
– Vais ficar em Camelot, Lance?
– Era o que eu mais queria... Mas tenho um compromisso com o meu reino, Artur; temo que devo ficar em Pellinore por uns meses.
– É tempo demais para suportar a sua ausência... Não ficamos tanto tempo longe assim desde a sua última expedição para a Espanha; lembra-se?
– Fiquei por quase um ano estudando as técnicas de equitação dos guerreiros espanhóis e ainda consegui uns belos cavalos para sua cavalaria... Mas não havia um minuto sequer em que eu não pensasse em ti...
– E eu nem sequer pude te visitar; com os saxões à espreita, tinha que estar sempre preparado... Cheguei a achar que ia morrer se você não voltasse logo. Desde aquela noite em beltane nunca mais te tirei da cabeça, embora fosse muito covarde para admitir na sua frente... Agi como um tolo, não foi Lance?!
– Eu também temia a sua reação se soubesse o que eu sentia, Artur; nesse aspecto, ambos agimos como covardes – disse Lancelot, enquanto virava para o lado na cama, gargalhando audivelmente – E eu nem sequer cheguei a desconfiar quando você mandou àquela escolta enorme para me acompanhar quando cheguei à nossa costa... Achei que estava fazendo aquilo por amizade ou por nosso parentesco...
– Como seu amigo eu sabia que ninguém conseguiria vencê-lo em batalha. Mesmo eu, munido da Excalibur tinha extrema dificuldades em te derrubar nos nossos treinos... Aquilo era preocupação, estávamos em guerra e eu não podia arriscar te perder! – disse Arttur, afagando a barba áspera do seu campeão.
– Quer que eu me barbeie? Acho que devo machucar seu rosto com essa barba tão espessa.
– Não; ela te deixa ainda mais másculo... Eu gosto assim.
– Fico feliz então – disse Lancelot, bocejando em meio a sentença.
– É melhor tentar dormir, Lance, você parece bem cansado.
– E você?
– Vou descer e comer alguma coisa... Olhar as estrelas; não há muito o que fazer por aqui depois da guerra.
– Acho que não seria muito apropriado chamar de volta as princesas que um dia foram as damas de companhia de Guínevere!
– Não, creio que não! – respondeu Artur, rindo com a afirmação do duque – Já tens que ir amanhã?
– É melhor... Quanto mais cedo eu me for, mais cedo estarei de volta.
– Lamento por isso, mas entendo... Você é um rei notável. Espero que consiga por Pellinore nos eixos o mais rápido possível.
– Eu juro pela minha coroa que darei o meu melhor!
– Eu sei disso, meu caro... A sua coroa permanecerá sobre sua cabeça enquanto eu governar a Bretanha... Boa noite; durma bem – falou Artur, beijando delicadamente a testa do seu mestre de armas e ausentando-se do quarto logo em seguida.
Lancelot jamais vira tanta ternura vinda de um homem. Artur conseguia ser extremamente dócil para com aqueles a quem amava e ainda assim era definitivamente terrível e assustador numa batalha.
Os pensamentos do mestre da cavalaria foram se acalmando aos poucos. O clima estava tão agradável que não demorou muito para Lancelot cair no mais profundo sono.
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