Notas iniciais
Oi!!! Finalmente um capítulo betado em primeira mão!! Muito obrigado, Stomphia pela betagem dessa fic :) Bem gente, vou passar por um período de provas horríveis na faculdade e vou parar de escrever por uns 15 dias; mas sem desespero, os capítulos desses 15 dias já estão prontos e betados, só avisei porque pode demorar um pouco mais para a saída do 27... Sem mais delongas aí vai mais um capítulo :)

Morgana estava acabando mais uma de suas reuniões com os magos e as sacerdotisas mais experientes. O contato do mundo exterior com Avalon havia ficado mais forte, e, depois de analisarem como haviam ficado os povos antigos que protegiam a ilha após a guerra, tomaram a decisão de que todos poderiam voltar às suas vidas rotineiras.

Todos os magos que quisessem voltar à ilha, agora poderiam, já que a necessidade de haver magos no mundo exterior para manter o contato com Avalon, por hora, não existia.

A Dama do Lago havia passado os últimos dias se reiterando do andamento das atividades da ilha. Soubera que Nimue, a filha de Lancelot, completara nove anos e passara dos níveis básicos de conhecimento dos Mistérios, começando, na Casa das Moças, o seu voto transitório de silêncio. Mais alguns anos e ela se sagraria sacerdotisa, podendo participar mais ativamente das festividades dos ciclos solares e lunares.

Só agora Morgana se dera conta de que Lancelot havia estado em Avalon e nem pudera ver a filha. Mas talvez fosse melhor assim, já que o voto de silêncio e os afazeres de uma sacerdotisa em treinamento precisavam de muita concentração, que poderia ser perdida com a emoção da visita.

Nimue era a única mulher, além de Morgana, que possuía o sangue da antiga linhagem real correndo nas veias, desde que a filha caçula de Lancelot perecera com uma das febres de inverno. Ela estava fadada, assim como Morgana, a celebrar o Grande Casamento com o próximo Grande Rei.

Esse pensamento fez Morgana tremular. Não queria, em hipótese alguma, fazer Nimue passar pelo que ela passara um dia. Agora que tudo estava voltando aos eixos, precisava fazer com que Artur tivesse um filho o quanto antes, assim, Galahad não seria mais o herdeiro legítimo. Mas alguma coisa a dizia que isso não seria fácil.

Perdida em meio aos próprios pensamentos, Morgana foi surpreendida pela Visão, que lhe mostrava um mensageiro do Rei às margens do mar de verão. Imediatamente, Morgana enviou uma sacerdotisa para abrir-lhe as brumas e dar-lhe passagem.

Ao chegar às margens do mar de verão, o mensageiro foi conduzido pela sacerdotisa que o acompanhava para os aposentos da Senhora. Morgana o esperava em seus trajes feitos de lã negra, típicos de uma sacerdotisa do mais alto grau, com apenas o crescente marcado na testa, e o punhal curvo preso a um colar como adorno.

Ainda podia ver o leve temor nos olhos do mensageiro, certamente ocasionado pelo fato da barca de Avalon lhe aparecer como se surgida do nada e sem nenhum chamado aparente.

– Vejo que está a serviço do meu irmão. O que ele deseja?

– O Grande Rei pede à Senhora do Lago que vá até Camelot, pois ele precisa lhe falar urgentemente a respeito da nova situação dos reinos menores.

– Entendo... Precisava mesmo ir à Camelot, já que Avalon encontra-se segura e estabilizada. Devo acompanhar o senhor, mensageiro, para que minha visita não tarde nem se demore. Preciso começar os preparativos para a celebração da Ostara. Levarei algumas horas para me preparar e dar algumas ordens às sacerdotisas que me assistem. O senhor pode ir descansar na Casa dos Bardos enquanto isso. Com certeza haverá algum pão de centeio e frutas da estação, mas terá que se contentar em tomar apenas água do poço, os bardos em treinamento só bebem unicamente dela.

– Claro, senhora Morgana, esperarei pelo seu chamado.

O mensageiro se retirou, seguido pela sacerdotisa que o guiaria novamente, dessa vez, à Casa dos Bardos. Morgana começou a separar algumas mudas de roupas para a viagem, e pediu a uma donzela que separasse um pouco de comida para a viagem.

Enquanto isso, revisava mentalmente o que necessitaria trazer da Capital para as celebrações da Ostara. Com certeza alguns vestidos e ornamentos coloridos para as sacerdotisas. As recentes preocupações com o futuro da nação haviam impedido as pessoas da Ilha de tecerem e tingirem roupas apropriadas para o ritual, e, embora as peças da capital fossem bem mais caras e de menor qualidade, serviriam para esse ano. Algumas flores de primavera que só cresciam por lá também seriam de grande utilidade. Quanto aos ovos, frutas da estação e bolos de mel, não haveria necessidade de trazê-los, pois havia deles em abundância em Avalon.

Morgana terminou seus preparativos, e, logo em seguida, aprontou ela mesma seu banho e vestiu-se, ordenando à jovem donzela que lhe assistia a chamar o emissário do reino para prosseguirem viagem.

Ao saírem de Avalon, Morgana pôde ver que a luz que emanava do lado de fora tornava-se cada vez mais parecida com a que banhava às margens da Ilha Sagrada. Isso certamente indicava que o tempo entre os dois locais estava se igualando, e Avalon tornando-se cada vez mais acessível a quem quisesse buscar sua sabedoria.

Assim que desceram da barca, subiram em seus cavalos, e começaram uma viagem que Morgana julgara não levar mais de dois dias.

Dias depois, na remota Cornualha, o padrasto de Tristão, retornara de uma de suas caças pelo bosque próximo à Tintagel, quando recebera um informe do emissário real dizendo que ele deveria comparecer a Camelot para discutir a situação dos pequenos reinos após as últimas guerras. Sir Marcus era um homem alto, esguio, com os cabelos curtos e prateados ao estilo romano.

Quase imediatamente Marcus deu ordens para prepararem sua escolta, provisões para a viagem e um lugar para o mensageiro descansar brevemente. Logo em seguida, foi ele mesmo se preparar para a longa jornada de Tintagel até Camelot.