Sob o Céu da Bretanha
17 Capítulo 17
Notas iniciais
— Onde estão os magos, os bardos, os guerreiros? — Morgana indagou.
— Sendo que há pouquíssimos magos restantes no mundo, chegamos ao consenso de que eles deveriam ficar do lado de fora, para que pudéssemos manter a conexão o maior tempo possível. Os bardos que sobraram estão com as aias da Rainha nos reinos menores ou tomando conta de nossas donzelas, e há menos de duzentos guerreiros do povo antigo protegendo as tribos. — uma sacerdotisa chamada Aileen respondeu sua pergunta.
— E quanto às bruxas, guerreiras e donzelas?
— Temos cerca de setenta guerreiras protegendo a ilha e seus arredores, menos de trinta donzelas responsáveis pelos santuários, e de sacerdotisas experientes só nós cinco.
— Não tenho certeza se será suficiente, mas precisamos tentar. Que a Deusa nos ajude!
Imediatamente, Morgana selecionou mentalmente tudo o que precisaria para realizar o encantamento que ajudaria o exército bretão em sua empreitada.
As ervas em Avalon estavam, na maior parte do ano, em perfeito estado para a utilização, já que o inverno era amenizado pela magia residente na Ilha Sagrada.
Finalmente, tendo acabado de pensar, Morgana se dirigiu à Aileen:
— Aileen, você e as outras devem recolher todos os materiais necessários para um encantamento de proteção. Depois disso, vocês devem se dirigir à clareira do bosque sagrado a fim de realizarmos o ritual.
— Claro, estaremos lá o mais rápido possível!
— Eu e Guínevere já iremos de imediato para iniciarmos os preparativos.
Morgana dirigiu-se ao bosque sagrado junto à Guínevere. A paisagem ainda parecia a mesma: o sol parecia mais cálido, as plantas mais vivas, os animais mais conscientes... A magia de Avalon ainda fazia efeito, praticamente separando a própria ilha do resto do mundo.
Guínevere, a mando de Morgana, traçava o círculo mágico energeticamente, enquanto a Senhora de Avalon acalmava sua mente para poder entrar em contato com os deuses.
As outras sacerdotisas chegaram logo, trazendo as ervas mágicas necessárias para reforçar o círculo, além de algumas outras para aumentar a capacidade da Visão. Duas sacerdotisas iniciaram os encantamentos de proteção, levantando escudos contra influências energéticas negativas.
Elas saudaram as direções representativas dos elementos água, fogo, terra e ar, e convocaram os guardiões das torres de observação, os sagrados protetores da magia natural, que as forneceram as orientações necessárias ao encantamento. Em seguida, as sacerdotisas mantiveram o foco em fortalecer o escudo mágico já levantado.
Morgana estava prestes a entrar em um estado de transe. A partir daí, cada sacerdotisa, exceto as duas encarregadas da proteção, começou a canalizar as energias de cada elemento. Guínevere estava a cargo das energias da água, que eram, afinal, seu elemento primordial.
A dama do Lago já estava em perfeita comunhão com os deuses, recebia o poder dos quatro elementos vindo das sacerdotisas, e isso seria o suficiente para Morgana realizar o encantamento supremo de uma sacerdotisa e tomar a forma da Deusa, nem que fosse somente por alguns instantes.
A visão de Morgana enturvou-se quando ela disse as palavras de poder. Agora ela era a própria Deusa, e, como na lenda da Grande Mãe, escolheria seu consorte: o gamo rei para lutar em seu lugar pelas terras da Bretanha.
*****
Lancelot cavalgava o mais rápido que podia, indo ao litoral, ao encontro do seu rei. Pelo o que sabia, a Excalibur estava novamente em seu pleno poder, a sagrada regalia, a espada que tudo corta. Artur dispunha de um pequeno exército, mas Morgana havia lhe assegurado que isso seria suficiente, “o povo encantado tratou de ajudar o Rei”. Ainda assim, temia por Artur, e decidiu contar-lhe o que há muito estava escondido em seu coração quando isso tudo chegasse ao fim.
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