Notas iniciais
Mais um capítulo! Lembrem-se, ainda sem beta então se quiserem voltar depois que os capítulos forem betados e substituídos eu aviso :)

O jantar continuava dessa vez com Morgana tomando a palavra logo após se servir de mais pão de mel e tomar um pouco de cerveja.

– Como as senhoras já devem saber, tribos nórdicas tomaram interesse pela Bretanha, como nunca conseguiram vencer-nos em condições de força total, aproveitaram-se desse momento em que estamos fragilizados pela recente luta com os saxões; agora mesmo navios de guerra devem estar muito próximos às nossas praias e prestes a invadir a Bretanha! Vim aqui para rogar-lhes ajuda e também vim por outro assunto igualmente importante.

– Qual, minha querida?

– Bem, desde que os romanos atracaram em nosso país, a religião católica está aumentando sensivelmente sua presença; isso normalmente não me assustaria, já que os antigos cristãos que aqui viviam congregavam em paz conosco, mas nesses há um quê de ódio e medo das coisas que não entendem; acusam nossa mágica de ser fruto do demônio e querem banir as fogueiras de Beltane da Bretanha. Praticamente todos os reis vassalos já aderiram à causa católica e até Arthur, por um tempo, renegou a Deusa – Morgana viu o semblante de Guínevere corar e, com um leve sentimento de felicidade, prosseguiu. – Em Avalon, já sofremos com o baixíssimo número de donzelas que nos são enviadas para treinamento pelos que ainda acreditam na Deusa e os magos quase se extinguiram, para se ter uma ideia da gravidade dos fatos, não há um sequer com as habilidades para tornar-se o Merlin, deixando a ilha sagrada sem um sumo-sacerdote!

– A situação é bem pior do que imaginava; nosso país a muito está envolto em brumas mágicas muito mais poderosas do que as da ilha sagrada; estamos isolados, você como Dama do Lago deveria ter vindo avisar-nos antes, Morgana!

– Sinto muito, não queria admitir que havia falhado !

– Tubo bem em falhar, minha cara! Entendo a dificuldade de se governar num mundo onde todos querem acusá-la; além de você apenas Viviane passou por tal coisa, não foi assim?

– Sim, mas ela se saiu muito melhor...

– O fato é que você está aqui, e nós somos as mais fiéis servas da Deusa, precisamos fazer alguma coisa, embora não interfiramos no mundo exterior há muito tempo!

– Creio que dessa vez será necessário, ou Avalon corre o risco de ficar inacessível assim como este país!

– Claro... Desculpe-me a pergunta, mas você não é cristã, Grande Rainha?

– Sim, e vergonhosamente creio que fui eu a culpada por tanto ódio, instiguei meu povo contra vocês e fiz o que estava a meu alcance para Arthur deixar seu estandarte, mas agora vejo que errei!

– Tudo bem, nem tudo está perdido, você se arrependeu a tempo e creio que não foi totalmente sua culpa, é muito difícil realmente ir contra tudo aquilo que aprendeu; porém, veja você agora, tomou coragem e veio aqui para sagrar-se sacerdotisa!

– Pois é... as coisas mudam.

– Muito bem; Asrai, Viviene; vão ao mundo exterior e atrasem ao máximo os nórdicos. Como o tempo aqui está muito mais lento que o de lá, o resto de nós deverá descansar, tenho missões importantíssimas para cada uma. Morgana venha aqui, meu bem.

Morgana levantou-se lentamente, insatisfeita por sua última beliscada na mesa que estava pesando agora, aproximou-se de Eda e recebeu das mãos da Rainha das fadas um gracioso colar com pingente de meia lua feito de cristal, com corda de couro.

– Isso lhe devolverá os poderes mais rapidamente, quando ele quebrar, você estará pronta para sair em busca do que é mais importante para seu irmão e primo.

– E o que seria Eda?

– Você saberá em breve... Vamos, é hora de descansar!

Morgana dormiu um sono pesado; ainda se preocupava com a guerra; ainda se preocupava com seu irmão correndo tanto perigo; ainda temia pelas reações da Grande Rainha a respeito do seu treinamento que iria começar. Mas ali, o tempo era seu aliado e não seu inimigo; cada momento de descanso devia ser bem vindo e Morgana abraçou o seu como se fosse o último.

Os primeiros raios de uma manhã rósea mal penetravam no quarto de Guínevere e ela já levantava de uma noite inquieta, temendo pelos próximos passos que tinha de dar. Demorou muito para uma aia aparecer para fazer-lhe a toalete e servir-lhe o dejejum. Comeu timidamente e saiu ao encontro de Morgana.

Já junto a Eda, as nobres de Camelot estavam à espera da decisão tomada pela Rainha das Fadas. Eda não demorou muito mais a falar e assim que suas filhas chegaram ao salão do trono, começou a falar:

– A Bretanha corre perigo! E agora os homens não podem defendê-la sozinhos, precisamos ajudar antes que nossa terra caia nas mãos de bárbaros e que a Deusa seja ainda mais esquecida.

Já se podiam ver os olhares de alegria de Morgana e Guínevere, finalmente as fadas iriam começar a ajudar; Eda continuou a falar:

– Asrai! Viviene! Vão à costa onde os nórdicos estão chegando e atrasei-los até que o exército de Artur se reorganize e marche na defesa do litoral.

As palavras de Eda haviam acabado de terminar quando as fadas desapareceram em meio a uma cortina de água.

Na costa Bretã, os nórdicos puderam ver as ondas ficando cada vez maiores e violentas; os navios se descontrolando e batendo nos rochedos assim como batiam uns nos outros fazendo as forças nórdicas caírem à metade.

A chegada das tropas que estava prevista para chegar em apenas algumas horas demorou meio dia; os soldados atracaram bastante debilitados e em número reduzido.

Enquanto isso, o emissário acabara de alertar Artur sobre a chegada dos exércitos inimigos.

Artur estava tenso; Lancelot ainda não havia aparecido; teria sido emboscado no caminho de volta? Não, claro que não. Se sozinho, ele até que teria coragem para fingir não ser o que era e morrer como um soldado qualquer, mas com Morgana e Guínevere ele certamente falaria de suas origens tentando ganhar tempo com os nórdicos em vista de negociações resgate.

O próprio rei teria que liderar a cavalaria enquanto Gawain estaria à frente da infantaria. Camelot ficaria sem liderança de defesa efetiva, mas não havia outra opção. Afinal, Camelot foi feita para ser defendida por uma dúzia de soldados por tempo indeterminado.

Artur informou a Gawain sua nova posição e ordenou que o exército estivesse pronto para marcha o mais rápido possível; marchar nas atuais condições poderia ser perigoso, porém, não permitiria que nenhum bárbaro avançasse mais sobre a Bretanha.