Notas iniciais
Oi Gente! Estou de volta! Pra falar a verdade queria dar mais um tempo para postar por que não tinha comentários nem ao menos leitores! Mas graças aos que acabaram clicando em acompanhar a história vou postar o próximo capítulo! Ps: Gente divulguem essa fic, por favor, não tenho como saber se estou indo bem sem comentários! Ps2: Muito obrigado à minha Beta querida Stomphia por tudo que vc tem feito por essa fic!

Artur levanta o rosto e vê sua irmã parada à porta. Uma onda de alegria e alívio o invade e ele corre para perto dela:

– Morgana, que bom que está salva! Por Deus, faça alguma coisa, Lance está para morrer!

– Farei todo o possível, meu irmão, mas como sabe, a conexão com Avalon está enfraquecendo, não poderei me dispor de encantamentos.

– Sei, fui ferido na perna durante o combate e não me recuperei rapidamente como de costume. Lancelot ignorou todas as regras de batalha e ficou de costas para o exército inimigo a fim de me apoiar e erguer-me, foi quando foi perfurado por uma flecha. Os curandeiros do reino conseguiram estancar o sangramento, mas a ferida está constantemente infeccionada e úmida, ele devaneia por causa da febre independentemente de quantas compressas coloquemos, não sei mais o que fazer! – lamentou o pesaroso rei.

A magia de Avalon perdera mesmo a força, até a bainha munida de todos os encantamentos não estava mais surtindo efeito. Morgana disse ao irmão que precisava colher ervas para começar seus procedimentos e mandou ferverem água e pegarem panos limpos. Não havia magia, mas os ensinamentos sagrados iam muito além daquilo. Não deixaria morrer aquele, cujo o rei, seu irmão, mais amava.

Trazidos os materiais dos quais Morgana necessitava, ela apressou-se em fazer compressas embebidas em infusões das ervas a fim de limpar a ferida. Ela fora muito mal fechada, a sacerdotisa haveria de abrir e suturar novamente. Preparou uma beberagem feita para diminuir a dor e deu para o duque enfermo.

Depois de limpo, já começara a abrir o ferimento a fim de examinar se havia alguma lasca de flecha que poderia provocar febre. Para espanto do rei, Lancelot gritava de dor e mexia-se como se tentasse se livrar de seus algozes. Artur, com lágrimas nos olhos segurava o primo para que não Morgana não o machucasse ainda mais.

O procedimento fora demorado. Embebido em suor, o duque gemia com a ferida aberta e um pequeno sangramento começara, Morgana analisou a ferida e constatou que era profunda, mas tinha sido mais próxima da costela não acertando em cheio órgãos vitais.

Aplicando-lhe um concentrado de ervas diretamente sobre a ferida, Morgana disse a Artur que eles deveriam deixar o duque repousar, mesmo com a ferida aberta, as ervas estancariam o sangue e limpariam o local, quando fosse o momento certo a sutura e um novo curativo seriam feitos.

Lancelot dormia um sono inquieto enquanto Morgana comia carnes frias e tomava cerveja junto a Artur.

– Meu Rei, precisamos rever a situação do reino, parece-me por demais desgastado. – disse Morgana.

– Ao que tudo indica, devo fazê-lo o mais rapidamente possível. Há boatos que tribos bárbaras ao norte desejam tomar a Bretanha, já que ficaram sabendo da batalha contra os saxões. Certamente previram que quem vencesse estaria nessas condições.

– Também o vi, meu irmão, talvez tenha sido A Visão.

– Dormiremos essa noite, então chamarei os cavaleiros restantes para discutirmos a situação enquanto você assiste a Lancelot.

– Não! – disse Morgana com a autoridade real da Senhora de Avalon. Desde o princípio dos tempos, os reis se aconselhavam com as sacerdotisas, senhoras de Avalon. Mesmo que ultimamente a Bretanha estivesse sobre o estandarte do cristianismo, nenhum rei ousaria desafiar a Dama do Lago. – Trataremos do duque, e quando ele estiver consciente e se assim desejar, discutiremos esse assunto e sua presença.

– Não temos tempo, irmã! Os bárbaros são conhecidos pelas artes náuticas, se quisessem chegariam à Bretanha em menos de uma semana e tomariam nossas praias.

– Em meio às tempestades de inverno nem mesmo o mais experiente navegador se atreveria a desafiar o mar, teremos pelo menos até o derreter da neve!

– Vejo que não pode se abster de sua autoridade...

– Não em um momento como esses. Além do mais, queria lhe falar da Rainha, por que a mantém prisioneira em Glastonbury?

– Pensei que lá lhe seria mais seguro, mais afastada das grandes batalhas. Sei que falam que ela me traiu, mas sei que tudo não passou de uma armação! Não vê que ainda me sento ao lado do leito de quem julgam um traidor?

– E não faria melhor de outra forma, vocês têm um ao outro como a irmãos, ao menos mande um emissário ao convento ordenar que as freiras a tratem como a uma Rainha!

– É claro, não havia pensado nisso com tantos problemas, maltrataram muito minha senhora?

– Tratam bem seu corpo, mas com desprezo à sua realeza já que a julgam uma adúltera.

– Entendo.

– Veja, irmão! As ervas secaram, está na hora.

Artur chamou os únicos dois cavaleiros veteranos que haviam sobrevivido. Mandou que lhes aprontassem um banho, roupas apropriadas e comida, a fim de que se dirigissem aos aposentos reais.

Morgana já havia tirado as ervas da ferida e começara a suturar mais uma vez o agonizante Lancelot, quando os cavaleiros chegaram e pediram licença para entrar.

Gawain, filho de Lot, era muito alto e forte, mais parecendo um touro; Tristão era esguio com longas cabeleiras um pouco acima dos ombros de forma desgrenhadas, embora houvesse pequenas tranças que mediam menos de um dedo médio espalhadas ao redor dando-lhe um ar selvagem, porém elegante.

Gawain exibia um pesado machado às costas de sua armadura enquanto Tristão possuía uma espada curva de um só gume em sua cintura.

Morgana já havia terminado as suturas e administrava ervas tranquilizantes ao duque. Lancelot era o melhor em estratégia, porém, não havia condições para pensar àquela altura.

Caminharam a um dos salões para não perturbar o sono do enfermo que permanecia nos aposentos do rei. Sentaram-se numa mesa servida com frutas secas e vinho. Uma grande lareira era alimentada por uma serva, e Artur, lamentando-se da falta da Rainha e suas damas começou a falar:

– Bem, senhores, irmãos de armas, agradeço que tenham comparecido mesmo com tão pouco descanso!

– Não precisa agradecer, Majestade. Atenderíamos mesmo se tivéssemos perdido as pernas, Senhor. – atalhou Gawain.

– Senhores, como se encontra nosso exército? – falou Morgana suavemente, porém decidida e direta.

– A marinha, que antes contava com trinta navios, conta apenas com cinco e em condições duvidosas. Nossos homens foram reduzidos a mil e trezentos homens a pé, e sessenta cavaleiros, comandados por nós. – respondeu Tristão.

– Não saberemos se é o suficiente antes de conhecermos as forças bárbaras. – salientou Artur.

– Não há mais tempo para reconhecimento e nem haveria condições. Os saxões, ao que sabíamos, possuíam um exército de quase cinco mil homens e quarenta navios guerreiros. Devemos supor esse mesmo número às novas tribos bárbaras. – emendou Tristão.

– Um acordo de paz igual ao tratado feito a alguns saxões não seria suficiente? – disse Morgana.

– Não há mais terras a serem doadas, e, mesmo que estivéssemos dispostos a perder alguns castelos, creio que os bárbaros, vendo nosso estado não se intimidarão a ponto de um acordo. – disse Gawain.

– Entendo. Temos cerca de um mês para fazer algo a respeito. – disse Artur.

– Menos que isso, meu irmão, invernos tão rigorosos costumam durar menos.

– Os reis que juraram fidelidade ao meu reino estão quase todos mortos, com a exceção de alguns reis menores ao norte, mas seus exércitos, ou o que resta deles, já está aqui, não posso lhes pedir mais. – anunciou Artur, levantando-se. –Mandem escoltas com todo o material disponível para os mares exteriores, ordenem que consertem a esquadra e descansem para a batalha. Mandem emissários aos reis, de modo que, se não tiverem recursos suficientes para se manterem sitiados, que venham a Camelot. Antes uma derrota parcial que a morte. Mandem as servas prepararem provisões e aposentos, quanto às novas safras, terão de esperar. O exército deve se preparar e descansar. Morgana, você também deve ir ao convento se refugiar.

– Não tenho o menor desejo de voltar, irmão. – riu Morgana.

O jantar acabou e, após deixar o rei novamente junto ao duque, que lhe parecera bem melhor, Morgana e os cavaleiros foram deitar-se.

O sono veio com facilidade. O frio ainda era grande, mas aquele quarto confortável e aquecido em nada podia ser comparado ao relento que provara.

Morgana se viu novamente em meio ao mar de verão, junto à Viviane. Assustou-se por um momento, mas logo percebeu que se tratava de um sonho.

A antiga senhora de Avalon, mãe de Lancelot, estava como sempre fora: morena, longos cabelos negros e a minguante tatuada entre as sobrancelhas, marca da Deusa que ela conhecia muito bem porque também a tinha.

– Minha filha, o que há com você?

– Nada, Senhora. Só preciso me restabelecer para preparar os guerreiros.

– Não, filha, não vê que Camelot perecerá sem Avalon? A conexão está fraca, já não há sacerdotisas nem druidas suficientes para manter a magia. Você precisa voltar para ilha sagrada!

– Não posso, Senhora, já não tenho poderes nem para um simples encantamento!

– Então receio ser o nosso fim... Deve, portanto, encontrar uma sacerdotisa poderosa que a leve de volta para recuperar a Visão.

– Mas todas estão incomunicáveis na ilha, e, quando vierem buscar-me, pode ser tarde demais!

– Minha filha, a Senhora do Lago é sempre poderosa. Você achará um meio...

Tudo ficou turvo e Morgana agora vagava em meio ao mundo insensato dos sonhos...

A neve começara a rarear em Camelot e Morgana começava a se lembrar de Tintagel a essa época do ano. Tivera um sonho ou realmente um presságio? O que quer que fosse, aquilo fazia muito sentido. Deveria deixar o rei com seus afazeres bélicos e lutar à sua maneira, ou Avalon cairia, e junto, Camelot.

Entretanto, a única maneira de conseguir chegar era através do mar de verão com encantamentos para abrir o portal entre as brumas. E isso, naquele momento, seria impossível para qualquer sacerdotisa fora da ilha.

Se fosse pelo caminho do pântano, correria o risco de cair no país das fadas, um doce paraíso onde o tempo não passava. Porém, não parecia justo a Avalon que sua Senhora se ausentasse no momento de maior necessidade. Talvez as fadas pudessem ajudar-lhe com o portal para a ilha.

Havia também a possibilidade de cair em mundos perdidos que não conhecia. Definitivamente aquele caminho era deveras arriscado, principalmente com Camelot prestes a entrar em guerra. Deveria chamar pelas fadas através de magia, mas como? Os pensamentos da Dama do Lago voavam enquanto o sol aparecia tímido sobre as charnecas geladas, provavelmente seu irmão acordaria em breve.

Subitamente, quase que como uma intervenção da Deusa, Morgana teve uma ideia... Stonehenge!

Notas finais
Meus caros que clicaram em acompanhar a história ai foi mais um capítulo... agora seria muito legal um comentário kkkkkkkkkk :)