Notas iniciais
Oi gente! Por favor não me matem eu sei que atrasei um pouquinho... (SQN) Mas enfim o período acabou e eu posso desfrutar de uma semana (isso mesmo, uma semana :( ) de férias! Agora vou dedicar mais tempo à fic e tentar escrever mais capítulos para que esses atrasos lamentáveis não voltem a acontecer... Tirando isso o fato de eu reescrever esse capítulo umas dez vezes ajudou na demora kkkkk Mas finalmente aí vai ele :)

Lancelot estava cada vez mais confuso, primeiro àquela reação por parte de Artur e agora Morgana se ausenta do salão com a desculpa de que eles tinham algo para conversar. O Grão-duque da Bretanha olhava diretamente para o seu Rei quando lançou lhe a pergunta:

– O que está acontecendo, Artur? Porque estão todos tão estranhos?!

– Hoje mais cedo, Morgana foi o meu encontro pedir para que eu desposasse alguma princesa com posses o suficiente para reerguemos a Bretanha o mais rápido possível. Ela atentou para o fato de que estamos ficando sem recursos e que precisaríamos produzi-los antes de tomar qualquer atitude a respeito da reconstrução...

– E isso poderia jogar sobre nós os reinos que espreitam a Bretanha; entendo...

– Mas Lance, eu juro que não me passou pela cabeça, em momento algum, aceitar essa proposta. Nós vamos dar um jeito nessa situação, juntos!

– Seu amor me comove, eu... não mereço tanto – disse Lancelot com lágrimas nos olhos. Mas se tudo correr como Morgana está prevendo, quero que saibas que eu jamais te abandonarei, continuarei sendo seu mestre de armas como sempre fui! E se você tiver mesmo que buscar alguém com sangue real para casar, alguém digno de um Rei, eu...

– Já chega! Não se esqueça de que possuis sangue real tanto quanto eu; seu pai reinava na Bretanha do Sul e sua mãe era a mais poderosa Senhora que o mundo já viu!

– A Dama do Lago teve muitos filhos e eu era apenas mais um bastardo dos bastardos do rei... Além do mais, nós nunca poderíamos nos casar; já pensou no escândalo!

– Eu sei, Lance. Mas eu não quero ser de mais ninguém... Não venha você também tentar atrapalhar o que há entre nós! – disse Artur, com a voz embargada e pesarosa.

– Artur, eu nunca... Perdoe-me por favor, nunca foi minha intenção te machucar; só tentava pensar como seu duque em primeiro lugar; com a cabeça antes do coração; você nem imagina como essa situação me destrói por dentro! – Lancelot, abraçou gentilmente o Rei sentindo seus músculos relaxarem pouco a pouco enquanto ele afagava seus cabelos – Vamos para o quarto; não há necessidade de falarmos mais sobre isso, a Bretanha ainda está de pé, não é?! – fala Lancelot, levantando a cabeça do Rei com os dedos e enxugando as lágrimas que insistiam em cair dos seus orbes azulados.

Morgana mal dormiu a noite inteira, sua Visão não havia sido tão nítida, mas sabia que aquela pessoa com certeza era alguém próximo a ela; Visões não costumavam se manifestar espontaneamente com desconhecidos e a Dama do Lago sabia que a partir daquele momento deveria estar preparada para tudo.

Nem mesmo os primeiros raios da manhã haviam saído e a duquesa da Cornualha foi tomar posse do que era seu, deixando apenas um recado para Artur com uma das servas que tinham acesso ao castelo. A viagem para Tintagel era demorada, mas pelo menos daria tempo o suficiente para pensar sobre seus próximos passos. A comitiva, entretanto, viajava leve e rápida, não havia grandes volumes a serem carregados, nem mesmo o que era de costume a uma nobre. Morgana não se importava com esse tipo de pormenor; sabia que desde a época da sua mãe, a Cornualha era uma excelente produtora de tecidos; além disso, seu castelo já estava sendo habitado e portanto, preparado para receber quem quer que fosse.

Artur também não parou de pensar durante toda a noite. O medo de ter que deixar Lancelot novamente o tomava como a mais aterrorizante das possibilidades; a presença do seu duque, deitado a seu lado, dormindo tão docemente quanto uma criança de colo, foi a única coisa capaz de manter a sanidade na mente do Grande Rei.

O soberano dos bretões não suportou mais ficar insone na cama; levantou-se e foi em busca de algo para beber. Não havia vinho em quantidade na cozinha devido ao atraso na colheita das uvas e maçãs, mas havia um barril de um forte destilado fabricado nas regiões escocesas, normalmente, forte e encorpado demais para o paladar do Rei, mas que naquela ocasião viria e muito a calhar.

Artur subiu com uma garrafa bem servida do destilado e começou a beber assim que chegou ao quarto.

Morgana aproveitava o passo constante dos cavalos para forçar sua mente a relaxar. Já conseguira resolver situações bem piores que esse e não se deixaria abater em momento algum. Ao em vez de se lamentar pelos infortúnios, a Senhora do Lago desviou seus pensamentos para as festividades que se aproximavam.

Já podia sentir a força da vida retornando com a primavera; o jovem Gamo-Rei estava prestes a se encantar pela Donzela Caçadora novamente trazendo para a Terra uma explosão de cores e sons além de cada vez mais calor.

Morgana ainda não sabia se ia ter que celebrar sozinha ou não o festival de ostara. Tudo iria depender das crenças que o povo da Cornualha observava. Logicamente que nos tempos de Gorlois, a grande maioria da população era cristãos; mas já havia se passados muitos anos e Marcus não parecia ser do tipo que se importava muito com as crenças do seu povo; em todo caso, se ainda fossem cristãos, Morgana agora estava recebendo uma boa oportunidade para analisar que tipo de comportamento a população teria quando em convivência com uma pessoa de crenças diferentes.

Pensar sobre a proximidade do festival fez a duquesa da Cornualha se esquecer ao menos por um momento dos problemas da corte.

Lancelot acordou ao som de soluços abafados. Ainda não amanhecera e o Grão-duque logo notou a ausência de Artur na cama. Não tardou para o cavaleiro perceber que seu rei estava sentado à mesa de dejejum, bebendo alguma coisa, em meio às lágrimas.

A preocupação tomou conta do comandante dos exércitos reais e o fez ir de imediato para perto do rei.

– Artur! O que há, meu bem?!

– Não consigo achar nenhuma solução para nos trazer de volta à glória, Lancelot; e se... e se eu tiver que te perder para fazer a Bretanha se reerguer! – Artur estava claramente embriagado. Seus olhos azuis estavam bastante vermelhos de tanto chorar. Vê-lo naquela situação foi, para Lancelot, equivalente a levar uma punhalada no peito

– Calma meu anjo, isso não vai acontecer; nós vamos achar uma saída juntos; mais rápido do que você imagina... Vem cá, meu Rei.

– Não suporto nem pensar em te perder Lance! – disse Artur, indo de encontro ao seu cavaleiro, cambaleante e incerto, até que Lancelot se adiantou e o abraçou forte.

– Você nunca vai me perder aconteça o que acontecer. Agora pare de beber esse destilado; Tu sabes muito bem que ele é muito forte para ti – disse Lancelot, enxugando as lágrimas que rolavam pelas bochechas de Artur incessantemente – Vamos voltar para a cama, sim?

Artur acenou levemente e seguiu o duque até a cama, aninhando-se em seu peitoral, assim que começou a receber os afagos do seu mestre de armas.

O Grande-Rei estava tão fragilizado que nem chegou a perceber quando foi beijado por Lancelot. O soberano do reino de Pellinore conduzia gentilmente o homem a seu lado, em meio a leves carícias, para o centro da cama.

O contato da pele mal barbeada do cavaleiro era capaz de fazer Artur perder a ciência até mesmo do seu próprio ser. Os beijos foram ficando cada vez mais profundos; Lancelot sentia-se tremer apenas ao toque do seu Rei despindo-lhe lentamente, com o olhar, de um azul tão delicado, fixado ao seu.

Artur trilhou com beijos toda a extensão do abdome do seu campeão; mal começou a felação e já foi capaz de arrancar gemidos roucos do seu parceiro; seus movimentos eram tão profundos e trabalhados que Lancelot não chegou sequer a se mover, tamanho prazer que estava sentindo.

O Grão-duque puxou seu Rei para um beijo voraz. Artur tinha um gosto de menta e álcool mesclado ao gosto do próprio Lancelot; seu cheiro era fresco e suave; somado ao toque suave de seus cabelos dourados, era mais do que suficiente para inebriar os sentidos de Lancelot. As mãos do Rei passeavam lentamente pelo corpo do moreno, com a experiência de quem já conhecia cada pedaço do corpo da pessoa amada.

A sensação de ser tomado por Lancelot era a melhor de todas as coisas que Artur já sentira, os movimentos ritmados e fortes o preenchiam completamente num misto de dor e prazer incomparáveis capazes de fazê-lo esquecer o mundo e se entregar por inteiro; sensação só comparada a sentir seu amado derramar-se em seu interior numa agonia sôfrega e trêmula, momentos antes de cair pesadamente sobre si.

Ainda ofegante e completamente sem forças, o Duque olhou fixamente para o homem deitado abaixo de si:

– Entende agora que estarei com você para sempre!

– Sim... Muito obrigado Lance; Por hoje... Por tudo!

Lancelot abrigou o Rei em seus braços e o observou dormir rapidamente; o próprio duque demorou um pouco mais a pegar no sono; perdido em seus pensamentos enquanto afagava ternamente as mechas douradas do seu Rei.