Notas iniciais
Mais uma vez esse saiu atrasado e sem betagem :( Mas tenho fé que um dia esse período da faculdade acaba kkkkkkk Em compensação está um pouquinho maior o capítulo kkkkkk Espero que gostem :D

Artur acordou nos braços do seu campeão, quase como se não houvesse se mexido durante a noite toda. Lancelot o olhava com um sorriso bobo nos lábios e quando percebeu que o dono dos cabelos mais alvos que já vira havia acabado de acordar, selou seus lábios no dele como forma de desejar bom dia.

– Bom dia!

– Bom dia Artur! Quer ficar um pouco na cama? Posso pegar alguma coisa para comer, ainda é cedo, não há razão para levantar-se agora.

– Era o que eu mais queria, ficar um pouco mais contigo, mas lembre-se que hoje todos os nobres irão partir para seus respectivos reinos; eles devem levantar-se dentro em pouco para começar os preparativos e sair o quanto antes.

– Tem razão. Devo me preparar também.

– Lance; posso te pedir para que fiques por mais essa noite? Quero me despedir adequadamente do meu campeão.

– Claro meu Rei, apenas vou ajudar Galahad nos seus preparativos; ele deve chegar no máximo ao nascer do sol de amanhã.

– Sim; ele deve levar dois guarda-costas consigo; é meu herdeiro e nunca se sabe como estão essas estradas nos dias de hoje.

– É uma decisão acertada. Mas agora devemos ir ao pátio, dar as ordens para iniciarem os preparativos.

– Lance, você pode fazer isso por mim? Preciso ir a um lugar antes.

– Claro; mas está tudo bem Artur? Precisa da minha ajuda em alguma coisa?

– Não meu caro, só queria tomar um ar; agora que encaminhamos os rumos do reino, quero pensar no que fazer a seguir.

– É claro, deve mesmo ficar um pouco sozinho para pôr as ideias em ordem, mas não se esqueça de que eu estou aqui para te auxiliar em qualquer coisa, para executar qualquer ordem que me deres!

– Eu sei Lance, sem você eu jamais reinaria sobre a Bretanha – disse Artur, beijando ternamente o Grão-duque e saindo logo em seguida.

Artur sempre gostara da pequena nascente que emanava água cristalina bem aos pés do monte que abrigava Camelot. Havia um minúsculo bosque aonde o Rei caçava por vezes junto a seus cavaleiros; mas na maioria das vezes era apenas um lugar afastado da cidade, ideal para pôr as ideias em dia.

O Grande Rei sentou-se nas pedras próximas à nascente, como sempre fazia quando ia àquele lugar sozinho e fechou os olhos. Não teve sequer tempo suficiente para silenciar sua mente, uma voz bastante conhecida ecoou pelo lugar.

– A Visão me avisou de que você estaria aqui, irmão.

– Morgana? O que faz aqui?

– Preciso falar com você. Mas tinha que ser no lugar mais privativo que houvesse, por isso não achei o momento certo para lhe falar; parece que agora a Deusa acertou os detalhes do nosso encontro.

– E que assunto seria esse tão secreto que não poderia ser falado em meus aposentos, irmã?

– Bem... Artur, eu sei o que se passa entre você e Lancelot.

– Morgana, eu posso...

– Não há necessidade, Artur. Eu sei a respeito dos sentimentos de Lancelot há bem mais tempo, o próprio duque me contou; sei também que o que há entre vocês é puro. Jamais te condenaria.

– Mas então?

– Você fez bem em dividir os reinos menores, é uma atitude sábia, agiu como um verdadeiro Rei; porém toda a sua astúcia não vai deixar a Bretanha nos eixos de uma hora para outra.

– Mas assim poderemos reconstruí-la mais facilmente! Não estou entendendo onde queres chegar, Morgana.

– Sem recursos, estaríamos à mercê de invasores ainda mais perigosos que os nórdicos. Soube que os Carolíngios estão cada vez mais poderosos, mesmo às vistas de Roma e ainda há vários mercenários bárbaros no continente capazes de nos subjugar no atual estado da Bretanha.

– O que você pretende?

– Aja o mais rápido possível e despose alguma princesa com posses o suficiente para restaurarmos as defesas da Bretanha em tempo hábil. Seria preferível alguma dos reinos menores da Bretanha do Sul; Bors poderia intermediar a conversação com o rei em questão. Mas se não for possível, com certeza muitos dos reis espanhóis se alegrariam em ter como parente o Grande Rei da Bretanha.

– Sabe o que está me pedindo?!

– Estou pedindo para que sacrifique sua felicidade em detrimento do seu povo, da sua nação Artur! Eu sei que não é fácil, mas para pessoas como nós, isso por vezes é preciso! Eu juro pela Deusa que jamais me interporia à sua felicidade nem a do meu primo, mas entenda as circunstâncias me levam a encará-lo dessa forma.

– Eu... não sei o que dizer...

– Pense bem meu irmão. Por hora, todos os nobres devem ir a seus reinos tentar pôr as coisas em ordem e com os recursos que você proveu algumas coisas deverão ser resolvidas, mas para os reinos que ficam no litoral e para Camelot, muitas outras necessidades ficarão em pendência. E o que acontecerá quando viemos pedir por mais recursos e a Coroa não mais os dispuser? Vamos fazer o seguinte: não mais voltarei a Avalon, mandarei um mensageiro com a nova situação do reino e também para levar Connor para que seja treinado na Ilha. Você terá algumas semanas para pensar; vá com Lancelot a Pellinore e converse com ele. Com certeza ele terá um sábio conselho para te dar, como sempre o teve.

– Talvez ir a Pellinore não seja má ideia. Mas por mais que eu ame a Inglaterra, irmã, nunca mais teria coragem de deixá-lo só. Sei que Lancelot sofreria demais ao me ver casar novamente... Eu também jamais me perdoaria por traí-lo dessa forma. Deve haver alguma outra maneira.

– Entendo... sabia que sua reação seria algo parecido com isso. Não posso culpá-lo. Recorrerei à Deusa em busca de orientação enquanto estiver administrando pessoalmente a Cornualha. Mas Artur, prometa que se as coisas piorarem, você não hesitará em se sacrificar por esta terra como o Gamo Rei que é!

– Eu prometi isso no dia da minha coroação irmã e vou cumprir, mas pensei que ficaria feliz em ser a única Senhora dessas terras! – disse Artur em tom jocoso.

– Ora, não me venha pilhéria irmão, você sabe que não importa quem tome o lugar de Grande rainha, eu sou a única a reinar sobre essas terras; nem mesmo o Grande Rei está fora dos domínios da Senhora do Lago – falou Morgana com um leve sorriso no rosto.

– Não consegue mesmo abster-se de sua autoridade não é Morgana? Mas agora vamos, precisamos nos despedir dos outros nobres.

Ao chegarem no pátio do castelo, Artur e Morgana se depararam com Tristão, Marcus e Galahad, a postos com suas respectivas comitivas, prontos para viajar.

– Meus amigos, perdoem-me por não tomar o dejejum à sua mesa!

– Não há necessidade de pedir desculpas meu Rei, Lancelot fez às honras da casa e sabemos como o senhor deve estar ocupado com a reconstrução de Camelot – disse Marcus, já montado em seu cavalo.

À luz do dia Morgana pôde notar que Marcus conservava grande parte da beleza que outrora possuía; apesar dos cabelos já não serem tão negros quanto eram na época em que o Rei lhe passou o comando da Cornualha, ainda tinha porte e ostentava olhos verdes fortes, todavia bondosos.

Tristão, apesar de não ser filho legítimo de Marcus, parecia muito com ele, exceto pelos longos cabelos arrumados em pequenas tranças e os olhos castanho-amendoados.

Os nobres se despediram e partiram rumo a seus reinos. Morgana deixou Lancelot falando com Artur sobre como Tristão deveria estar ansioso em ver sua esposa Isolda novamente. A moça veio fugazmente à lembrança da Senhora do Lago; era determinada, embora ingênua. Possuía cabelos dourados e olhos de um azul celeste, quase como um anjo. Tiveram pouco tempo para conversar, mas Morgana nunca julgara mal um caráter e sempre apreciara a companhia da moça.

A duquesa da Cornualha forcou-se a interromper seus pensamentos para agilizar a preparação de Connor em sua viagem à Avalon.

O garoto estava com uma das amas ainda terminando seu copo de leite no quarto quando Morgana entrou:

– Olá, meu querido, dormiu bem – disse Morgana sentando-se na cama

– Sim, esse quarto é muito confortável e quentinho! – disse Connor

– Você sabe que sua viagem à Avalon se aproxima, não sabe Connor? – Morgana parou de falar e recebeu um tímido aceno como resposta – pois bem, o momento chegou; eu havia pensado em acompanhá-lo até a Ilha, mas surgiram problemas que eu vou ter que resolver por aqui. Você vai com um mensageiro do Rei até a Ilha e será acolhido na Casa dos Bardos. Aprenderá a escrever e ler, aprenderá matemática, música, história e filosofia natural, creio que até um pouco de grego e latim.

– Isso deve demorar uma vida!

– Bem, esses são os ensinamentos básicos e demoram cerca de três anos. Depois disso você começará a ser inserido nos Mistérios ao mesmo tempo em que desperta seu dom mágico; esse período leva cerca de dois anos. A partir daí você pode escolher o seu caminho. Pode voltar ao mundo como um homem instruído, pode escolher dedicar-se aos deuses pela arte e tornar-se um bardo, pode dedicar-se pela força e tornar-se um dos guerreiros guardiões da Ilha, pode dedicar-se pela oração e se tornar um eremita ou talvez, dedicar-se pela magia e tornar-se um mago; mas isso, é claro, se você passar nos testes sagrados para cada uma dessas dedicações.

– Agora fiquei com um pouco de medo!

– Não te preocupes, as pessoas que te receberão são sábias e não lhe darão tarefa maior do que possas suportar. Além disso para completar sua sagração você deve passar um ano servindo o Merlim. No momento não há um Merlim no templo e nenhum homem que seja capaz de se sagrar como o mensageiro dos deuses, mas alguns magos anciãos que aconselhavam o Merlim anterior e os eremitas que partilhavam dessa função ainda estão lá.

– As tarefas para se tornar um Merlim são tão árduas assim?!

– Isso é um Mistério que você só poderá saber quando alcançar o mais alto grau de sacerdócio; agora vá trocar-se; devemos nos apressar.

Já passava do meio dia quando Connor saiu acompanhado do mensageiro, que explicaria para os bardos de Avalon à ida do menino até a Ilha e o motivo da Senhora ter que se ausentar. O mensageiro também levara todos os materiais que Morgana comprara para as celebrações de Ostara, deixando claro na mensagem que as celebrações daquele ano deveriam ser presididas pela maga anciã mais experiente, auxiliada por uma das donzelas da Casa das Moças, como era de costume quando a Senhora não se fazia presente.

A noite demorou um pouco a cair, sinal que a primavera estava vigorando finalmente por àquelas terras.

O jantar foi servido apenas com Morgana, Artur e Lancelot à mesa.

– Nós três apenas nessa mesa enorme; ainda assim não posso deixar de me lembrar do tempo em que passamos todos vivendo na corte, bons tempo não é prima?

– Sem dúvida, éramos jovens e sem preocupações demais em nossas mentes.

– Não fale por Artur, ele tinha uma guerra por vir, não é primo? – disse Lancelot olhando alegremente para Artur, que o respondeu com um sorriso fraco – O que há meu anjo, está tudo bem?!

Morgana não pôde deixar de notar a maneira como Lancelot tratava Artur quando estavam a sós. O Grão-duque, que sempre sentava à direita do Rei e dividia com ele o mesmo prato nos grandes banquetes, olhava-o fixamente, com preocupação estampada no semblante; sua mão, agora pousada nos cabelos louro-esbranquiçados dele, afagava-os tão delicadamente a ponto de Morgana sentir o calor que emanava daquele gesto e sentir profunda tristeza em ter que jogar com a vida de quem tanto amava mais uma vez.

Imediatamente, a Senhora do Lago desviou o olhar para a lareira. Os movimentos sinuosos das labaredas fizeram Morgana ver de forma difusa, um homem forte, com os cachos negros bagunçados, preso à uma parede por grossas correntes, ferido mortalmente.

O horror tomou o semblante da Duquesa da Cornualha, mas ela conseguiu se controlar a tempo, utilizando sua força de vontade ferrenha obtida após anos de treino. Após breves minutos tentando controlar-se, Morgana finalmente falou:

– Acho que vocês precisam conversar; devo me retirar agora. Vou dormir cedo para viajar o quanto antes pela manhã.

Morgana saiu lentamente, mas sem voltar o rosto para os homens que ainda estavam na mesa. Precisava esclarecer o que havia visto, antes que ocorresse de fato.

Notas finais
Desculpem o atraso mesmo :(