Sob o Céu da Bretanha
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Artur, mesmo sentindo as dores dos recentes ferimentos, esforçava-se para consertar o máximo possível da capital do seu reino. Nos seis dias que haviam passado desde a partida de Lancelot, conseguira bastante progresso. Os muros do castelo estavam em perfeito estado novamente, assim como a maior parte de seu interior. A cidade estava limpa mais uma vez, e as casas estavam em meio ao processo de reconstrução. Os nórdicos não haviam invadido Camelot, mas pela ausência de habitantes durante a guerra, saques e depredações foram feitos. Artur também destinara recursos para os agricultores de Camelot a Londinium, para que consertassem o que havia sido destruído durante a guerra.
Havia dois dias que sua irmã havia chegado à Camelot, e instalava-se agora no quarto que pertencera às damas da rainha, na torre principal do castelo. Morgana lhe parecia mais alegre e aliviada com o fim da guerra e o retorno de Avalon ao mundo, e saía todos os dias em busca de pessoas que quisessem aprender a velha sabedoria. Ela também se preocupava em organizar os preparativos de mais uma das festividades anuais.
O final da tarde chegara e Artur já se recolhera para dentro do castelo, quando Morgana chegou com um pequeno garoto que não devia possuir mais de sete anos. O grande Rei observava, com uma certa nostalgia, Morgana conduzir o menino para banhar-se e vestir-se, assim como ela mesma fazia com ele quando tinha a idade do garoto.
Quando finalmente todos estavam prontos e sentados à mesa do jantar, Artur começou a falar:
– Ora, quem é esse pequeno cavaleiro que senta agora junto a você, Morgana?
– O nome dele é Connor, sua família é muito pobre. Quando eu dava um dos meus passeios pela vila em busca de pessoas que quisessem aprender, sua mãe o trouxe até mim... Vi que ele pode se tornar um druida algum dia, ou quem sabe um bardo!
– Entendo. O que acha da comida, meu rapaz? A Senhora Morgana te serviu bem? – disse Artur, sorrindo ao ver o menino devorar um aromático ensopado de carneiro servido com pão de centeio. O menino, certamente bastante tímido ou com receio de falar alguma coisa errada na presença do Grande Rei da Bretanha, limitou-se a sorrir. Assim que terminou sua refeição, Morgana fez sinal a uma das criadas para que o levasse até seu quarto e o preparasse para dormir, ficando com ele até que caísse no sono.
– Voltou a ficar complacente com as crianças, Morgana? – perguntou Artur em tom de pilhéria.
– Sempre gostei delas, irmão, você bem sabe. É verdade que ele precisará passar por duras provas em Avalon para provar seu valor, mas por enquanto, deixe estar...
A conversa foi interrompida pela chegada de Lancelot e Galahad ao recinto. Os olhos de Artur se iluminaram de tal forma que fez Morgana esboçar um leve sorriso. Imediatamente, o grão-duque foi ajoelhar-se perante o Grande Rei, que mal esperou ele se inclinar e já o puxou para um abraço forte seguido por dois beijos no rosto, um de cada lado:
– Lance! Achei que não voltava mais!
– Perdão, meu senhor, vim o mais rápido que pude!
– Eu sei, meu caro, mas senti sua falta... Galahad! Como cresceu!
– Meu Rei, e primo, que felicidade vê-lo bem!
Morgana prontamente observou como Galahad não parecia em nada com Lancelot, puxando mais ao lado de Elaine da família, alto e loiro como Artur. Depois de cumprimentarem o rei, pai e filho vieram abraçar calidamente sua prima.
Todos conversaram alegremente no salão, enquanto Lancelot e Galahad comiam. Galahad perguntava insistentemente a natureza da reunião, mas Artur apenas dizia para só conversarem sobre isso quando Tristão estivesse em condições de se levantar e o castelão da Cornualha estivesse presente.
A conversa foi findando aos poucos, e todos decidiram dormir, pois aquela viagem fatigava bastante os ânimos de qualquer pessoa. Morgana e Artur também tinham tido um dia cheio a seu modo, e também estavam cansados.
Já nos seus aposentos, Artur pegava suas vestes para dormir, quando escutou um leve bater na sua porta.
– Meu Senhor?
– Lance?
Lancelot se aproximou e foi abraçado pelo Rei, que afagou seus cachos delicadamente. Artur pôde sentir o aroma amadeirado de sândalo que exalava dos cachos negros do grão-duque. O abraço perdurou, já que nenhum dos dois queria terminá-lo.
Depois de desfazerem o cumprimento, Lancelot, sentou-se à mesa de dejejum, que ficava próxima à cama, e começou a falar:
– Como foi o seu dia?
– Como o de costume... Muito a fazer. Morgana trouxe um garoto para o castelo, pretende levá-lo para Avalon. – Artur contou, sentindo-se um pouco sonolento. Bocejou. – Como foi de viagem?
– Foi longa, cansativa... Mas segura, tudo deu certo. Foi bom ter Galahad comigo.
– Você parece cansado, primo. Deveria descansar.
– Tem razão. – Lancelot levantou-se e se sentou na cama ao lado de Artur. Os olhos cerúleos de Artur fitavam a beleza lendária de Lancelot, que, por sua vez, olhava de volta para Artur, seus lábios esboçando um sorriso.
– Lance, eu... Pensei muito em você... Enquanto estava fora.
Esta era a deixa que Lancelot precisava. Ele se inclinou na direção de Artur, pondo uma mão no rosto de seu primo, e beijou seus lábios.
– Eu te amo, Artur. – Lancelot murmurou próximo de seus lábios, com um sorriso.
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